Corações Feridos
69 Reconciling
Notas iniciais
Eu sei que a história está muito dramatica. suahsuahsuahsua, e eu também estou torcendo para os dois ficarem juntos logo de uma vez. Prometo que ainda vai ter muitos capitulos fofos dos dois juntos, ok ?
Esse capitulo não está muito dramático porque a maior parte é sobre o flashback, espero que gostem, vou tentar responder todos os reviews agora! Amei todos!
Beijos.
Ele passava pelo corredores, dava passos longos, esbarrava em alguns alunos mas não se importava. Sua expressão de raiva no rosto era nítida. — O que aconteceu? — Martim pergunta ao encontrar o amigo passando rapidamente pelos corredores. Daniel passou por ele sem ao menos olha-lo, Martim percebeu que ele não estava bem e resolveu não correr atrás.
Daniel consegue sair do colégio pois uma turma do terceiro ano saia naquele horário, ele se infiltrou entre os alunos e conseguiu escapar.
Pegou um ônibus, ainda possuído pela raiva. Não queria ir para casa, pois sabia que se sentiria ainda pior passando o resto da tarde sozinho. — Não acredito… — Ele sussurrava, não conseguia tirar a cabeça. — Então ela mentiu sobre tudo… Ela… Gosta dele… — Passou a mão pelos cachos.
Fechou os olhos tentando se distrair, mas ele realmente não conseguia tirar da cabeça aquela cena. A pior cena da sua vida.
No colégio, o sinal toca anunciando o final do intervalo. Os alunos enxeram os corredores, Julie estava sentada, ela levantou o rosto tentando encontrar Daniel no meio de seus colegas que entravam na classe.
Nada.
Achou estranho, ela não o encontrou quando desceu para procurar.
Continuou sentada. Ela dava o gelo no Nicolas depois do beijo entre eles. Juliana disse para ele que seu coração era só do Daniel e que jamais sentiria algo por outro. ‘’ Eu ainda vou te conquistar. ‘’ — Mas Nicolas insistia com esse pensamento.
A professora chegou, fechou a porta da sala de aula e sem nem comprimentar seus alunos, pegou a caneta e começou a escrever na lousa.
Julie suspirou, além de odiar química, estava preocupada com o Daniel.
[...]
- Você quer papinha de milho? — Bia fez um biquinho, sua filha sorriu. — A mamãe te dá… — Ia dar a primeira colher de papinha para a bebê quando escuta a campainha tocar.
Ela se levanta, deixando sua filha na cadeirinha na cozinha. Lambuzando todo o seu rostinho de papinha pois Bia deixou a comida ali mesmo.
Foi atender e antes de dizer alguma coisa, Daniel já foi entrando. Estava agitado e ela logo notou isso. — Tudo bem?
- NÃO!
- Não vem gritar comigo não! Tá pensando que eu sou sua mãe?! — Ela revida — O que aconteceu?!
Ele se jogou no sofá. — A Julie me traiu.
- O QUE?! — Beatriz gritou espantada. — Não pode ser… Isso… Nunca iria acontecer! É mais fácil o Martim namorar firme do que ela trair você!
- Eu também achava isso, até hoje!
- E quem te disse isso? — Ela cruzou os braços. — Foi a Thalita? O tal Nicolas?
- Ninguém me disse. EU VI!
- Você não viu errado?
- Ah, claro! Porque eu sou um retardado! — Resmungou. — Eu cheguei na sala e vi ela trocando saliva com o Nicolas. Nada de mais, né… — Revirou os olhos.
- Ai Dani… — Bia se sentou ao seu lado e o abraçou. — Eu sinto muito.
- Eu também sinto. — Ele suspirou. — Ela poderia ter me traído com uma pessoa menos pior né, mas foi justo com o Nicolas. Se fosse com o Martim eu relevava, o cara é um galinha!
- Sei que você relevava. — Ela balança a cabeça. — Você ia acabar com o Martim, ainda mais que ele é seu amigo.
- Não, mas eu vou acabar é com o Nicolas. — Daniel se levantou e deu um sorriso vingativo.
- Não. — Ela o imita e se levanta também. — Não quero você metido em confusão, já bastou a suspensão que levou no inicio do ano.
- Então o que quer que eu faça? Vou simplesmente deixar para lá?!
- Eu ainda não acredito que a Julie te traiu, mas se isso aconteceu mesmo, você poderia conversar com ela e…
- Não. — Ele interrompe. — Nós terminamos.
- Terminaram? Já?
- Ela ainda não sabe.
- Daniel…
- Eu sei o que eu vi! — Apontou o polegar para seu próprio peito. — Pra quê vou pedir explicações se o que eu vi já bastou?!
Sua irmã se calou, ela conhecia Daniel como ninguém, sabia que ele era muito teimoso e cabeça dura. Ninguém iria conseguir convence-lo de conversar com a Julie.
Beatriz apenas retornou a cozinha. — Tenho que dar papinha pra Nanda… — Mudou de assunto para ver se Daniel se acalmava mais.
Ele a seguiu. — Posso ficar aqui hoje? Não estou afim de ir para casa. Desde que o papai foi embora lá fica tão triste e vazio, e sabe… Minha mãe me leva a loucura.
- Tá. — Ela o cortou. Não gostava de falar sobre seu pai. — Pode ficar. — Sorriu fracamente. Se sentou ao lado da bebê.
- Sabe, sinto falta do papai.
- Eu sei. Também sinto.
- Será que ele volta? — Daniel pergunta abrindo a geladeira. Já se sentia em casa e Bia nem fazia questão.
- Acho que não, eles se separaram, e apesar do papai ser legal, ele não voltaria para o Brasil só pra ficar com a gente. — Se virou. — O que está fazendo?!
Daniel abriu a latinha de cerveja. — Vou beber.
- É do Félix.
- Eu pago para ele depois.
- Então é assim que vai resolver os seus problemas?! Toda vez que tiver uma crise de raiva vem pra minha casa pra beber?! — Cruzou os braços se levantando. Daniel parou para encara-la. — Isso vai resolver alguma coisa?! Hein?! Vai fazer a Julie voltar pra você? No máximo vai te deixar com uma dor de cabeça forte amanhã!
- Já terminou? — Ele pergunta arqueando uma sobrancelha.
Ela abaixou seus ombros, se acalmando mais. — Já.
- Eu estou lá no terraço…
[...]
Na aula, Julie mandava vários SMS para o namorado. Daniel até lia, mas não respondia nenhum. — Professora, posso ir no banheiro? — Ela pergunta e a professora só aceita com a cabeça.
Julie se levanta, pega um passe e sai.
Vagava pelos corredores, subiu uma rampa larga. Sabia que a última pessoa que estava com o Daniel era o Martim. Precisava falar com ele.
Chegou na classe do loiro, olhou pelo vidrinho da porta e viu que um professor rigoroso dava a matéria. Julie bate fracamente no vidro e logo depois que ganha a atenção do amigo sussurra. ‘’vem cá’’ ele consegue ler seus lábios e se levanta pegando um passe.
- Oi. — Martim sorri.
- Onde está o Daniel? — Julie pergunta apreensiva.
- O Daniel?! Não sei.
- M-mas… Você não estava com ele?!
- Acho que ele foi embora. — Martim acabou ocultando a parte em que Daniel chega na classe dela. Se ele contasse Julie ia logo ligar as coisas. ‘’Ele descobriu’’ seria esse seu pensamento. — Ele estava um pouco estranho, passou por mim e nem falou nada, só vi ele saindo…
- Hm. — Julie também achou muito estranho. — Se ele foi embora, como ele pode ter deixado a mochila dele lá na classe? — Pensava alto. — Bom, obrigada. — Ela sorriu. — Ele deve estar com dor de cabeça, ou passando mal, pobre do meu amor… Mais tarde vou falar com ele. Mas agora preciso voltar para a sala de aula, tchau, até mais!
- Tchau! — Ele acenou de volta.
Daniel olhava para as nuvens, bebeu mais um gole daquela latinha, ainda deitado sobre a cadeira de praia. Não queria mais sair dali. Aproveitava para pegar um Sol e se bronzear um pouco, mas no máximo ficava vermelho. — E então… — Ele escuta uma voz feminina, fecha os olhos, sabia que era sua irmã. — Está melhor? — Ela pergunta, segurava um prato de comida. — Trouxe para você.
- Não estou com fome…
Ela suspira se sentando na cadeira de praia ao lado. — Ficar triste assim não vai adiantar nada. Só vai me deixar preocupada com você. Não acha melhor conversar com ela?
- Eu não quero ver o rosto da Julie por um bom tempo… — Sussurrou.
- Está tão chateado assim?
- Nunca pensei que ficaria chateado com ela. — Sorriu fracamente. — Mas estou.
- Garanto que isso tudo foi só um mal entendido.
- Não foi. — Pausou. — Ela ainda fez questão de me mandar um SMS, ai eu subi e vi os dois se beija-- Ele foi interrompido com o toque da campainha. — Deve ser o Félix.
- Porque ele tocaria a campainha da própria casa? — Bia se levanta. — Pode ser a Julie.
- Não… Ela não ia vir aqui.
- Não ia? — Cruzou os braços. — Você veio se esconder dela no pior lugar possível.
- Droga… — Pisou com força na latinha de cerveja que já estava vazia. — Você não vai atender!
- Claro que vou. — Se levantou.
Daniel imitou sua irmã, os dois desceram juntos do terraço. Bia se aproximou da porta, olhou pelo olhou mágico. — É ela. — Sussurrou. — Quer que eu abra?
- Não vou suportar ver ela…
Bia revirou os olhos. Mas não hesitou em abrir. — Amiga, você viu o… — Julie para de falar. — Dan! — Dá um sorriso grande, mas ele continuava indiferente. — Amor, onde estava?! Fiquei muito preocupada com você, passei na sua casa mas sua mãe também não sabia onde você estava. — Ela não percebeu a expressão séria no rosto dele. E nem a carinha triste de Bia. — Suas coisas estão lá na casa dela. — Só agora ela foi notando. — Tudo bem?
Ele passa por ela, abre a porta e saí. — M-mas… — Ela toca na maçaneta para segui-lo porém, Beatriz segurou seu braço.
- Julie, deixa ele. — Pausou, Julie tentava encontrar uma explicação. — Ele precisa de um tempo.
- Como assim? Porque ele está tão estranho?! Eu não entendo… Mandei mais de trinta mensagens para ele e ele não respondeu. — Bia fechou os olhos tentando manter a calma, ela sabia que quando Julie estava nervosa acabava falando de mais. — Ele está chateado comigo? — Bia assente com a cabeça. — Que droga, eu deveria ter lido meu horóscopo hoje, e… Eu acordei com o pé esquerdo, literalmente. Pisei em uma rachadura na calçada, o Dan viu, ele até riu de mim e disse que era bobagem, que não dava azar, mas dá sim! Ele está chateado comigo e eu não sei por qual motivo!
- Ele viu você e o Nicolas. — Bia interrompe.
Julie se calou, tentando processar isso na sua mente. Ela até se sentou no sofá com o choque.
- Viu?
- Viu. — Bia cruzou os braços. — Porque fez isso? — Ainda tentava entender, e ninguém melhor do que a Julie para explicar.
- Não. Eu não fiz! — Ela encara a amiga com os olhos cheios de lágrimas. — O Nicolas me beijou de surpresa. — Julie alisou o sofá. — Senta aqui, eu vou te contar tudo.
[...]
Três dias depois, Daniel ainda estava chateado com a Julie. Faltou a escola quase a semana inteira, exceto os dias em que ele ainda estava com ela, antes do beijo acontecer. Juliana conseguiu explicar para Bia. Beatriz tentou convencer o irmão, mas Daniel era teimoso de mais para acreditar.
Julie sai da sua casa, chega na calçada e encontra Nicolas parado ali. Ela abraça seus livros, se aproxima. — O que faz aqui? — Rosnou.
- Só vim levar minha princesinha para a escola.
- Eu vou para a escola sozinha. — Começou a caminhar com cuidado para não pisar nas rachaduras da calçada. — E eu não sou sua princesinha.
- Ainda está chateada?!
- LÓGICO! Você estragou meu relacionamento com o Daniel!
- Ele já sabe da verdade, certo? E mesmo assim não quis voltar para você. Ele estragou o namoro sozinho, agora siga o seu caminho e encontre outros caras.
- Eu não quero encontrar outro. — Parou de andar. — E sim, vou seguir meu caminho sozinha porque não quero que você me leve para a escola.
Julie foi andando, era a terceira vez que ia sozinha para a escola. Não ligava de ir sozinha, afinal, sempre se sentiu sozinha sua vida inteira…
Mas ela sentia muitas saudades do Daniel.
Julie se sentou no ponto de ônibus. Não controlou suas lágrimas que acabaram respingando no casaco. ‘’Esqueci o casaco dele...’’ — Julie arregalou os olhos, estava tão acostumada a usar as roupas do namorado que até se esqueceu que o casaco era dele e não dela. ‘’Será que esse é um bom motivo para eu ir falar com ele? É um sinal. Tenho certeza.’’ — Sorriu com esses pensamentos.
Olhou para frente e viu que um ônibus que passava no bairro dele parou um pouco mais na frente. ‘’Outro sinal.’’ — Ela se levantou, nunca matou aula mas achou que era preciso.
[...]
Depois do que aconteceu, Julie ficou sabendo pela Bia que Daniel se mudou e comprou um apartamento com o dinheiro que ganhava trabalhando no fim de semana. Felizmente Beatriz lhe deu o endereço, ela estava animada, sentia que ia conseguir fazer as pazes com ele e explicar tudo.
Meia hora de viagem, foi o que demorou o ônibus chegar ao seu destino. Enquanto isso, ela mexia no celular, apesar de ter medo de ser assaltada no ônibus, sentia uma grande vontade de ir no Facebook fuxicar o perfil dele.
‘’Em um relacionamento enrolado com Juliana Spinelli’’ — Ela se sentiu triste com aquilo, mas não podia fazer nada.
Pensou em ver umas fotos, mas ia sentir mais saudades ainda. Então guardou o celular no bolso. Olhou para o lado. — Nossa! — Se levantou e apertou a cordinha, ia descer no próximo ponto.
Ela respirou fundo antes de bater na porta, hesitava bastante. — Não… Ele… Vai me tratar mal, nem sei porque vim aqui… — Deu meia volta. — Mas… Eu preciso falar com ele, droga, não li meu horóscopo antes de tomar essa decisão. E-eu não ia fazer isso, eu ia para a escola assistir aula. Estava tudo planejado… — Passou a mão pelo seu rosto, resolveu seguir seus ‘’extintos’’ e bateu na porta.
Daniel ajeitava seu novo apartamento, acabou de se mudar e ainda tinha mais de cem caixas para ele abrir. Ouviu alguém bater na porta, pensou que fosse sua irmã ou sua mãe.
Atendeu.
- Oi. — Julie arregalou os olhos. Daniel estava sem blusa. ‘’Nossa, tá… Calor aqui. ‘’ — Posso entrar?
Ele não respondeu, apenas abriu mais a porta. — O seu casaco. — Ela entrega. — Obrigada. — Sorri.
- Hm. — Ele joga o casaco no sofá.
Julie olha em sua volta. — É um apartamento pequeno.
- Só eu vou morar aqui, pra quê vou querer um lugar grande?
- É. — Dá um sorrisinho amarelo. — Faz sentido. — Pausou. — Você… Está arrumando? Ou desarrumando? As caixas estão muito longe uma da outra e você não deveria levar as suas coisas dentro de uma caixa, pode quebrar. O sofá é muito grande para uma sala muito pequena. O desenho do piso me dá dor de cabeça, o ventilador de teto venta muito fraco e… Nossa… Está calor aqui. — Olhou para ele de novo. — Deveria colocar uma camisa.
- Sabe o que eu acho? — Daniel se virou para ela. — Que você tem TOC.
- O que é isso?
- Transtorno Obsessivo Compulsivo, deveria se tratar.
- E-eu não tenho isso… S-só dei minha opinião. E-eu… Vou ficar calada.
- Isso, calada fica mais bonitinha. — Deu um sorriso cínico.
- P-posso me sentar?
- Faça o que quiser. — Ele dá de ombros.
Julie se senta. Estava pensativa. — Acha mesmo que eu tenho TOC?
Daniel para de abrir as caixas por um momento e olha para ela. Não responde nada. — Eu tenho que ir no médico?
Ele suspira. — Ótimo, agora isso vai ficar na sua cabeça pelo resto da vida. Esquece.
- E a gente? — Ela muda de assunto. — Estamos em um relacionamento enrolado ou… Terminamos?
- Não sei, decide você. Eu estou ocupado.
- Acho que deveríamos esquecer esse acidente.
- Diz a garota que não se esquece de trocar a escova de dentes a cada três semanas e cinco dias.
Ela abaixou a cabeça, Daniel continuou abrindo as caixas e ajeitando as coisas. Só parou quando ouviu um barulho baixo, olhou para ela e viu que Julie chorava baixinho. Ele bufou e revirou os olhos, não gostava de ver ela assim. Se aproximou, se agachando na sua frente, pensou em abraça-la, mas estava todo suado. Ele deu um beijo no seu rosto molhado pelas lágrimas. Ela levantou o olhar para ele e eles se encararam. Timidamente, Julie segurou sua nuca, sentindo seus narizes se roçarem, eles hesitaram um pouco, mas trocaram um selinho lento. O sentimento era bem mais forte do que o orgulho. — Não faça isso… — Ele se levantou ao ver que Julie ia beija-lo de novo. — Não me torture assim Juliana, por favor.
- É você quem está me torturando. — Ela secou as lágrimas. — Você já sabe da verdade, foi o Nicolas que me beijou.
- Eu não acredito! — Revidou. — Desculpe mas… Não consigo acreditar que foi ele quem te beijou. Até hoje ainda lembro da troca de olhares de vocês dois na ‘’primeira’’ vez que se viram.
- Aquilo não foi nada de mais! — Tentava explicar, mas percebeu que seria em vão… Ela suspirou. — Tudo bem Daniel, parece que você não gosta mais de mim.
- Não. Eu te amo, só isso. Mas acho melhor a gente terminar porque… Isso não está dando certo.
Ela se levantou cabisbaixa, secou as lágrimas. — Tá bom. — Acabou concordando. — Eu só te peço que você… Pare de faltar na escola, você perdeu a prova de Geografia, e eu me preocupo com você… Não quero que repita de ano.
- Está certo. — Concordou com a cabeça. — Não se preocupe.
Ela andou até a porta. — Eu também te amo.
Daniel levantou a cabeça, foi até a porta. — Será mesmo? Tenho dúvidas.
- Eu acabei de falar que te amo!
- E daí? São só palavras. — Deu de ombros. — Eu sempre demonstrei que te amava, sempre te dei flores, chocolates… Você nunca me deu nada, exceto no meu aniversário, mas isso foi só uma vez. — Julie ia abrir a boca para protestar. — É melhor você ir, já está atrasada para o colégio. — E bateu a porta com força.
[...]
No fim-de-semana, Juliana não queria mais sair da cama. Estava triste, ainda mais depois que viu no perfil do face dele que ele estava solteiro. — E a Thalita curtiu, mãe! — Ela esconde seu rosto com o travesseiro.
- Ah filha, não fique assim. Ele não liga para a Thalita.
- Ele não acredita em nada do que eu falo. — Reclamou relembrando que disse com todo o seu carinho que o amava e ele duvidou.
- Se ele não acreditou no que você falou e nem na irmã dele, acho que o Nicolas seria o único que ia conseguir explicar essa confusão toda.
- O Nicolas quer mais é que a gente se separe mesmo!
- Ah Julie, use a criatividade! Faz uma chantagem nele e manda ele falar com o Daniel.
- Eu não sei. — Balançou a cabeça. — É capaz do Daniel voar em cima dele. Bia disse que o Daniel quer se vingar do Nicolas. — Parou para pensar. — Espere, a senhora está certa! Eu preciso chantagear o Nicolas, eu… Estou chateada com ele, posso usar isso! Eu digo para ele que só vou voltar a ser amiga dele se ele falar com o Daniel.
- Ótimo! — Heloísa levanta os braços. — Uma solução, finalmente!
Julie sorri vitoriosa com o seu plano.
[...]
Ela passou o fim de semana inteiro planejando o que ia fazer. Chegou segunda feira, o dia de colocar seu plano em prática. Julie conversava com o Nicolas no pátio. — Você não tem nenhuma chance de conseguir me conquistar. Nenhuma.
Nicolas ouvia.
- O máximo que você vai conseguir é a minha amizade. — Pausou. — E só vai conseguir minha amizade se falar com o Daniel e explicar tudo.
- Não. — Cruzou os braços.
- O que? Não? Você… Você deveria dizer sim! — Ficou nervosa, não esperava aquilo. — Você não pode não concordar!
- Claro que posso. — Nicolas pega suas duas mãos.
No exato momento em que Daniel passa pelos dois, ele não esconde o olhar de raiva. Julie solta sua mão rapidamente. Dá uma corridinha e consegue alcançar o loiro. — Ah, q-ue bom que veio! — Disse sorrindo. — Pensei que ia faltar.
- Não. Eu não posso me prejudicar com os estudos. — Disse sem encara-la, apenas continuou andando.
- E… Como foi seu fim-de-semana?
- Passei o fim de semana na casa da Bia, construíram uma piscina no quintal. — Pausou. — Como vai você e o Nicolas?
- Eu e ele? Porque perguntou por nós dois juntos?! E-eu… Estou mais ou menos, não sei sobre ele…
- Ah, claro. Acredito. — Revirou os olhos. — Vi vocês dois de mãos dadas. — Afirma indiferente. — Não pensei que ia ficar com ele tão rápido. Nem sei o que você viu nesse babaca, mas existe gosto para tudo…
- Daniel, não é isso… — Ele entra no banheiro masculino sem esperar Julie concluir.
Ela se irrita, se irrita com Nicolas.
Sem pensar duas vezes, a morena se aproxima do rapaz que conversava com Valtinho. Não hesitou em dar um tapa bem forte na sua cara, Valtinho prende a risada e Nicolas encara a garota surpreso. — Nunca mais olhe para a minha cara, Nicolas! — Gritou e alguns alunos voltaram a atenção para ele. — NUNCA MAIS!
Julie passou o restante da tarde dentro do banheiro feminino, Daniel fingia que não se importava com ela e Nicolas não parava de mandar SMS’s para Julie. Ele se sentia sozinho, apesar de tudo, Julie foi a única garota que falou com ele no seu primeiro dia de aula, mostrou o colégio, foi gentil e amigável. — Não posso ficar sem a sua amizade. — Ele balança a cabeça, percebeu naquele momento que a amizade dela era muito importante para ele. Significava muito.
Nicolas olhou para Daniel que se sentava mais a frente, bem distante dele. Se sentava sozinho.
Se sentiu um pouco chateado, Daniel também nunca fez nada com ele. ‘’Não deveria ter estragado o romance deles...’’ — Nicolas pensava. Juliana sempre foi muito boa com ele, e o que ele fez em troca? Destruiu sua felicidade.
Passou algumas horas. Era aula de educação física. Julie apareceu apenas porque precisava entregar um trabalho sobre drogas lícitas para a professora. Ela se sentou na arquibancada da quadra. — Não… — Sussurrou.
Thalita se sentou ao seu lado, cruzou as pernas, deixando sua saia florida subir um pouco. Julie revirou os olhos. — Fiquei sabendo que o Daniel está solteiro agora… — A loira começa.
Juliana não dá muito papo, vira seu rosto para o outro lado. — Eu sabia que esse namoro não ia durar muito. — Concluiu.
- E vocês dois? — Julie não se aguentou. — Ele ficou com você só por sete meses, já comigo foi por quase dois anos. Fica quietinha ai no seu canto e abra a boca só quando tiver algo inteligente para falar.
Thalita fez um biquinho e empinou o nariz, Julie conseguiu cala-la.
Voltou a atenção para a quadra. Os rapazes da sua turma jogavam futebol. Daniel e Nicolas eram de times diferentes. Ela suspirou. Os dois brigava mais do que jogavam, um marcava o outro. Empurrões, pisões, cotoveladas.
A bola vinha em direção ao Daniel. Julie sorriu, ele estava prestes a marcar o gol da vitória. Foi quando Nicolas segurou seu braço com força e acabou arranhando o mesmo, continuou puxando e fez Daniel cair no chão. Ouviram um apito e um grito ‘’FALTA!’’
Daniel se levanta, todos pensam que ele cobraria a falta, porém, ele vai para cima de Nicolas. Uma rodinha se formou na quadra, Julie sentiu seu coração acelerar. Todos sairam da arquibancada para ver a briga, porém, o juiz separou os dois.
Juliana ainda estava sentada, foi a única além de Nicolas que conseguiu ver Daniel saindo da quadra e indo para o vestiário, ele levou a mão ao seu braço. Ela se levantou e o seguiu.
Entrou no vestiário. Encontrou Daniel lavando o braço. Ela olhou surpresa para aquilo. A pia uma vez branca, estava vermelha com tanto sangue. — Daniel. — Julie o chamou, ele reconheceu a voz, mas continuou limpando o seu braço, a ignorando. — Você bateu no Nicolas?
- Preocupada com ele?
- Não. Estou preocupada é com você! Sabe que se levar mais uma suspensão é capaz de ser expulso!
Daniel suspirou. — Não bati. Me impediram antes. — Explicou.
Ela se aproximou. — Eu não acredito que ele te machucou assim… — Julie estava irritada. — Me… Deixa ver isso, por favor.
- Não, vá embora. — Ele continuava lavando. — Droga, quando isso vai parar?! — O sangue não cessava.
- Você está jogando água, assim é que não vai parar mesmo. — Ela tocou no seu rosto.
Os dois se olharam e lentamente, Daniel fechou a bica da pia. — Eu limpo isso para você. — Ela pediu carinhosamente, ainda alisando seu rosto. Daniel continuava hipnotizado com os olhos castanhos e amendoados dela. — Vem, senta… — Pediu segurando sua mão, Daniel se sentou no banco acolchoado. Ela avistou um kit de primeiros socorros em cima do armário de camisas. Se esticou para alcançar.
Se sentou ao lado dele, abriu o kit. Pegou algodão para limpar o sangue.
‘’ Foi só um arranhão… ‘’ Julie se impressionou com a quantidade de sangue que saia daquele pequeno machucado. — Não acha melhor ir na enfermaria?
Ele negou com a cabeça, ainda calado, pensou em dizer ‘’Prefiro que você cuide de mim. ‘’
Ela continuou limpando o machucado cuidadosamente com algodão, Julie sorria… — O que foi? — Ele perguntou sem entender o motivo daquele sorriso tão lindo pelo qual se apaixonou.
- Foi aqui que a gente se beijou pela primeira vez. — Ela responde corando.
- Ah. — Daniel também não consegue deixar de sorrir.
Eles se olham intensamente por um momento, sentindo um desejo repentino de se beijarem, mas Julie vira seu rosto e continua concentrada no machucado de Daniel. Ela passa um pouco de remédio, ele fez uma careta, ardia um pouco. — Eu não entendo porque não para de sangrar…
- Aqui está o esparadrapo. — Ele entrega para ela. Julie envolve a parte arranhada do seu machucado com o esparadrapo. O sangue continuava saindo.
Mas os dois passaram a ignorar.
Ao mesmo tempo, seguram a mão um do outro. Se olham e com a outra mão, Daniel toca no seu rosto.
Porém, o clima é quebrado quando Nicolas entra no vestiário. — O que faz aqui?! — Daniel rosnou se levantando. Julie segurou o braço do loiro e Nicolas sorriu como agradecimento.
Mas os dois continuavam sérios. — Só vim me explicar. — Por fim ele responde.
- Nicolas, vai embora, a gente não quer você aqui…
- Não Julie. Espera. — Ele pediu e logo após suspirou. — Eu sinto muito. Estou falando sério, eu sinto muito mesmo. — Os dois se acalmam com a resposta do moreno. — Daniel, acredite na Julie, ela não estava mentindo. — Pausou e Julie sorriu fracamente. — Ela não me beijou, eu beijei ela… — Daniel ia avançar no Nicolas. — Calma! — Ele levantou os braços. — Não vim aqui para brigar.
- Hm. Se foi ele quem te beijou, porque esse beijo durou tanto? Eu vi você retribuindo, Julie.
- Se ela retribuiu foi porque pensava que era você. — Nicolas explicou. — Se quer saber, ela… Se sentiu muito mal com isso, até discutimos depois do beijo, foi quando ela não te encontrou mais. — Julie balançava a cabeça confirmando a versão de Nicolas. — E hoje cedo ela me deu um tapa na cara. — Daniel sorriu torto com isso. — Me disse para eu nunca mais olhar na cara dela e sinceramente Juliana, não quero isso. Quero ser seu amigo. Por favor.
- Tá bom. — Ela aceita. — Obrigada por esclarecer as coisas. — Pausou. — Pode nos dar licença?
- Claro. — Nicolas responde triste. Sabia que sentia algo por ela, mas a partir daquele momento, passaria a não admitir isso para ninguém.
- Então foi isso. — Julie suspira sem esconder sua tristeza. — Uma confusão boba fez com que a gente… Virasse só amigo.
Daniel puxa sua cintura a envolvendo com as duas mãos. — Agora te pergunto Juliana, quer ser só minha amiga?
Ela sorri com aquela pergunta, sente seus olhos se enxerem de lágrimas. — Não.
Daniel segura seu rosto. Os dois começam um beijo de língua, Julie segura sua nuca, como de costume, brinca com seus cachos, eles sorriram entre o beijo que durou poucos segundos.
Eles se sentaram. — Ainda está sangrando. — Ela observa o machucado.
- Está? — Ele puxa o braço dela e seus rostos ficam a centimetros de distância, causando um calor incomum nos dois. — Eu não ligo. — Puxou seu rosto para mais um beijo, começaram com um selinho mas o calor e o sentimento fizeram os dois aprofundarem aquele beijo. Ele segurou sua cintura e a puxou, Julie acabou se sentando no seu colo, entre a coxa e o joelho. Daniel carinhava seu rosto enquanto seus lábios se tocavam. Julie passou sua língua por cima dos lábios dele, isso fez Daniel sorrir. Suas línguas se tocavam, causando um atrito e um desejo forte que crescia no peito dos dois. Sentiram falta daquele beijo, nunca ficaram tão separados um do outro, mesmo por apenas alguns dias. O amor que ambos sentiam era tão forte que não conseguiam ficar sem se ver por tanto tempo assim.
O ar começava a se fazer necessário, mas eles não queriam parar com o beijo tão cedo…
~ Flash Back Off ~
Julie acorda dos seus pensamentos, percebe então que anda pensando de mais… Pensava só nele, lembrava só dele. — Não achei que seria tão dificil. — Ela sussurra e percebe que a xícara de chá que deixou no piso já estava fria. Já começava a anoitecer, eram quase sete da noite.
Passou horas pensando nele e se espantou com isso. — Sinto sua falta. — Ela por fim admite, sentindo um aperto no seu coração. Com os olhos marejados, ela pega seu celular e liga para Bia.
No Brasil, eram duas horas da madrugada. Beatriz dormia nas cadeiras do corredor do hospital, só estavam ela, sua filha e sua mãe. Já que Félix precisou ir para casa pra trabalhar. Bia sente seu celular tocar, mas estava tão cansada que nem queria acorda para atender. — Huh. — Porém, ela olha para o bolso dos eu vestido florido, nota que algo vibrava e que o som vinha de lá.
Ela pega o celular sem muita animação. Olha para o visor e em questão de segundos… Muda de expressão e sorrir, arregalando seus olhos pretos como a noite. — Julie. — Ela sussurra. Se levanta com cuidado para sua mãe não acordar e nem sua filha.
Só atende Juliana quando entra no quarto de Daniel. — Alô?
- Oi Bia. — Do outro lado, Julie sorri. — Acabei de acordar, liguei para saber como estão todos ai, como você está? O bebê? E… O Daniel?
- V-vou b-bem… O bebê também, já está com cinco meses. — Sorri fracamente lembrando do filho. Ela acaba não respondendo sobre Daniel. — E você?
- Estou bem. É… Ando estudando muito, é tanta matéria, eu tenho dois trabalhos para fazer hoje e ainda nem comecei. Liguei mesmo só para matar a saudades de vocês. Está em casa?
- É… — Responde um pouco nervosa. — E-estou.
- Hm. Daniel está ai?
- Daniel? — ‘’Na verdade, está.’’ Pensa olhando para a cama. — Quer falar com ele? — Levanta a sobrancelha.
Do outro lado, ela ri fracamente. — Queria sim. — Admite.
Bia suspira. — Ele está aqui. — Não pensa antes de responder.
- Passa o telefone para ele, por favor.
Notas finais
Mas e agora, o que a Bia vai fazer? E o que a Julie quer tanto falar?
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