Corações Feridos
25 Ele nunca vai se cansar de mim
Notas iniciais
Seu coração bateu acelerado, seu sangue fervia de raiva. Julie mordia seus dentes com aquela cena, a pior cena da sua vida: Ver Thalita Fortuna, uma das suas piores ''amigas'' segurar seu primeiro filho e ainda ao lado do seu marido e ex namorado dela. Daniel olhou espantado para sua esposa parada na sua frente, enquanto a loira apenas sorria de lado para Julie.
Daniel pegou seu filho dos braços de Thalita. Pensando que sua atitude deixaria Juliana mais calma, porém, a mesma continuava com a cara amarrada e uma expressão de raiva tatuada no rosto. — Oi amor. — O loiro sorriu, mas não recebeu o sorriso em troca. Julie continuava fitando ele e a loira com ódio.
– Vou deixar os dois sozinhos. — Thalita finalmente abriu a boca e falou sorrindo. Era um sorriso de satisfação. Ela ainda brincou um pouco mais com o bebê, apenas para provocar. Passou pelos dois e saiu. Assim que saiu começou a gargalhar no outro lado da sala, no lado de fora. Tudo o que a loira mais queria era uma briga do seu casalzinho preferido: Julie e Daniel.
Dentro do escritório dele, Julie o encarava com raiva. Mas o que deixava Daniel ainda mais nervoso era que Julie não dizia nem meia palavra. Ela virou para o lado, encontrou o carrinho do bebê com alguns brinquedos, fraudas... Balançou a cabeça negativamente. — Você me matou de susto! Não sabe o quanto fiquei desesperada procurando ele! — Começou a gritar.
Ele fechou os olhos, tentava manter a calma, ainda com o seu filho nos braços. Julie se aproximou e arrancou bruscamente a criança do colo de seu marido. — Me devolve! — Daniel pediu, também levantando a voz.
– Cala essa boca! Não te dei permissão de trazer o neném pra cá!
– Eu não preciso da sua permissão! O filho é meu também!
– E o pior foi que você deixou aquela mulherzinha pegar ele! V-vou... Vou ter que dar um banho nele quando chegar em casa!
– Não fale assim da Thalita.
– O QUE? ESTÁ DEFENDENDO AQUELA VACA?!
– Julie! — A repreendeu. Sim, Daniel estava defendendo Thalita. Afinal, ela ajudou a cuidar do bebê enquanto Daniel atendia os clientes. — Pare com isso!
– Desde quando ela trabalha com você?
– Eu não te devo explicações! — Respondeu grosseiramente, tentou pegar seu filho dos braços de Julie. Mas a mesma se afastou. Diego esticou os bracinhos e começou a chorar fracamente. — Julie, ele quer o meu colo! Me dá!
– Desde quando ela trabalha com você? — Continuava com a mesma pergunta.
Daniel respirou fundo, sabia que sua resposta só iria piorar as coisas. — Desde que comecei a trabalhar aqui, ela é minha secretária.
– Seu safado! — Cuspiu. Enquanto imaginava Thalita jogando todo o seu charme para cima do seu marido, e ela com um par de chifres nascendo no meio da testa. Afinal, os dois já foram namorados e Thalita fazia qualquer homem comer na palma da sua mão Sua raiva cresceu. — Eu não vou te dar o meu filho! Ele é só meu! — Julie ficava cada vez mais nervosa com a situação e com o choro do neném que se tornava mais alto a cada segundo.
Ela foi andando em direção ao carrinho, colocou seu filho no mesmo e ajeitando seu cinto. O neném ainda chorava, com o rosto e olhos vermelhos. Daniel foi se aproximando, não conseguia passar nem dez minutos brigado com sua esposa. Ele a abraçou por trás sem a morena perceber.
Mas assim que sentiu o toque Juliana se virou, se soltando bruscamente do loiro. — Me larga! Não encoste as patas em mim! — Berrou, enfurecida.
– M-m-as Julie! Q-quanto drama! Eu te amo!
Ela lhe deu um tapa no rosto, foi um tapa fraco. Julie se arrependeu na mesma hora, nunca tinha agredido Daniel. Porém, maior do que o arrependimento era a raiva que sentia. — Mentiroso! Sei que trouxe o bebê só para a Thalita ver!
– Pare com isso! Eu nem estava pensando na Thalita quando trouxe ele para cá, eu pensava só em você!
– Mentira! — Controlou as lágrimas. Ela não deixava de pensar que ele e a Thalita tinham alguma coisa. — Eu vou para casa. — Foi empurrando o carrinho com o neném, Daniel segurou seu braço. — Me solta!
'' Já chega, eu não vou mais ser bonzinho. Eu não tenho que pedir desculpas, ela é quem tem que vir se desculpar. Ela veio aqui, entrou no meu escritório sem permissão, discutiu e ainda me deu um tapa. '' — Com esses pensamentos ele soltou seu braço.
Julie faiscou pelos olhos, saiu com o bebê no carrinho.
A morena passou pela sala de espera, que na verdade, era a sala da Thalita. Thalita estava sentada na sua mesa, lixava suas unhas enquanto tentava não rir da discussão dos dois. Sim, ela ouviu tudo. Ouvi os gritos e até o choro do bebê. E estava completamente feliz com o resultado.
A loira fez questão de se levantar e abrir a porta para Julie passar com o carrinho. — Tchau meu bebê lindo, gostoso. — Thalita sorriu, apertando a mãozinha de Diego. Ele parou de chorar, estava distraído com o brinquedo de borracha dentro do carrinho.
– Ele não é o seu bebê, é meu bebê. — Julie a cortou. — E... Se você acha que vai acabar com o meu casamento, está muito enganada. Ouviu? Não sei se escutou. Bom, acho que é lógico que escutou a nossa briga, mas também deve ter escutado que ele gritou aos quatro ventos que me ama.
– É, eu ouvi sim. — Ela continuou sorrindo, o que deixava Juliana furiosa. — Mas o que você respondeu? Continuou brigando com ele, não é mesmo? — Riu. — Cuidado viu, porque homem cansa. Ele te ama, mas você não dá valor... — Balançou a cabeça.
Julie mordeu os dentes. Não respondeu, apenas saiu.
[...]
Chegando em casa, Juliana estava exausta. Estava com a cabeça latejando, felizmente o bebê tinha parado de chorar. Ela o pegou, se sentou com ele no sofá, queria brincar com o seu filho para se distrair.
Ela segurava as costas de Diego, o balançava no seu colo enquanto o mesmo ria da brincadeira. — Meu bebê mais lindo, a mamãe te ama tanto. — Beijou seu rostinho. Mas Diego voltou a chorar. — O que foi? O que foi meu neném? Oh, não chora... — Pedia, sem entender o motivo do choro.
Mas virou o rosto e viu que Diego olhava para um retrato de Daniel, que estava sobre a mesinha de centro. — Sch... — Ela virou o retrato. — O papai não está... Sch... Pare de chorar, eu estou cansada!
Suspirou. '' Será que fiz bem em pega-lo do Daniel? Ele mal fica com o pai, e quando fica não quer mais largar... É muito apegado a ele... Droga. '' — Se sentiu triste com os próprios pensamentos.
Não suportava ver seu filho chorar.
Se levantou, o levou para o seu quarto. Iria faze-lo dormir de qualquer maneira. Mesmo que tenha que amamenta-lo por horas.
'' Homem cansa... '' — Lembrou das palavras de Thalita, na verdade, não conseguia esquecer. '' Isso é mentira, o Daniel nunca vai se cansar de mim, sempre vai me amar. '' — Fechou os olhos, mergulhando em pensamentos.
[...]
Eram oito horas da noite, Julie assistia TV quando Daniel chegou. A mesma estava rindo do filme de comédia, mas ficou séria assim que viu Daniel.
Ele entrou, tirou seu blazer. Sempre que chegava dizia '' Boa noite amor '' Mas dessa vez ele entrou calado.
Aquele silêncio foi como um tiro certeiro no coração de Julie. Ela era orgulhosa, mas precisou engolir o orgulho por alguns segundos, afinal, Daniel passou pela sala e nem ao menos a olhou.
Ela o seguiu até a cozinha. — Oi. — Disse.
Daniel abriu a geladeira, pegou um iogurte. — Oi.
– Q-quer que eu te faça algo para comer?
– Não. — Respondeu depois de beber o iogurte. Passou por ela.
– Daniel, fala direito comigo! — Suplicou, já não aguentava o ''gelo''.
Ele se sentou no sofá. — Como quer que eu fale?
– Ah, b-oa noite. T-talvez.
– Boa noite. — Respondeu de um modo meio seco. Se levantou. — Eu vou tomar um banho.
– T-tá. — Sorriu. — M-meu amor. — Ele foi até a varanda pegar sua toalha do varal, passou pela sala novamente. — Vem cá, deixa eu te dar um beijo de boa noite. — Juliana pediu, mas ele subiu as escadas sem responde-lá.
Ela se sentou no sofá, agora o filme de comédia já não tinha a mínima graça.
– Porque dei esse gostinho de vitória para a Thalita? Não devia ter brigado com ele...
'' O que eu faço agora? ''
[...]
Ela abriu a porta do banheiro, viu Daniel tomar banho, na verdade, ele apenas estava parado dentro do box, deixando a água cair por todo o seu corpo. O box era preto, Daniel não conseguia ver Juliana do lado de fora. Ela entrou no banheiro, fechou a porta. Estava disposta a fazer as pazes com ele.
Foi tirando sua roupa, ficou só com as peças íntimas. Abriu o box e entrou no chuveiro. — Ah! — Ela deu um gritinho fraco. — Porque insiste em tomar banho gelado?
Ele só suspirou, abaixando a cabeça para que a água penetrasse em seus cabelos. Encharcando os cachos. — Água gelada limpa a alma. E é disso que eu preciso. — Respondeu. — O que faz aqui dentro?
Ela foi descruzando seus braços do frio. O abraçou pela nuca. — Me perdoa?
Ele não retribuiu o abraço. — Estou cansado...
– C-cansa-do? D-de mim?
– De tudo.
Ela torceu os lábios, tocando no rosto de Daniel. — Você sempre discute comigo... — Ele continuou.
– Mas sempre te peço perdão.
– Eu só estava tentando te dar uma folga... Sei que o bebê dá trabalho... Eu só queria que você descansasse um pouco. Você estava dormindo tão profundamente e ele começou a chorar. Não queria que acordasse... Por isso o levei. — Justificou-se.
– Sch. Ser mãe dá trabalho, m-mas... É muito gratificante. — Sorriu. — Eu não quero folga, tá? Só quero que me perdoe...
Ele só encarou seus olhos caramelados. Não sorriu. Tocou no rosto de Julie. E foi se aproximando, a mesma fechou os olhos ao sentir seus narizes se tocarem. Sorriu fracamente ao sentir os lábios de Daniel nos seus.
Ele por fim retribuiu o abraço, aprofundaram o beijo ao mesmo tempo, dando espaço para as línguas que traçavam uma batalha por espaço.
Daniel a imprensou no azulejo. Ela unhou levemente suas costas, descendo o beijo para o pescoço.
Notas finais
Gostaram? Muitas coisas ainda vão acontecer, os próximos capitulos vão ser tristes. :(
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