Corações Feridos

28 Ela está me rejeitando.


Notas iniciais
Pra quem disse que acha que o culpado foi o Daniel, para mim, acho que foi a Julie! Se vocês lembrarem bem, ela que pediu para o Daniel ficar com o bebê, ele até negou... E pediu para ela ficar, mas ela não quis...
Bom, eu não sei. Os dois tem culpa mas ela tem mais...

Hoje respondi os reviews só com um simples 'postei' porque preciso estudar para a prova de hoje. Sorry.

Eles chegaram em casa, Julie usava um vestido preto e uma pulseira preta no pulso. Dois dias se passaram depois do acidente. Todos da família estavam abalados. Eles tinham acabado de chegar do enterro.


– Quer que eu te leve até o quarto? — Daniel perguntou a abraçando por trás, ela apenas se soltou delicadamente dele e negou com a cabeça.

Tirou seu salto e descalça foi subindo os degraus da escada. Ela estava calada desde o acidente. Não falava muito com quase ninguém, principalmente com Daniel. A única pessoa que a fez desabafar um pouco foi a sua mãe.

Daniel a seguiu, viu Juliana sentada na cama, encarando o berço desmontado. Ele se aproximou, tentando lhe passar força, para isso ele precisava agir como se nada tivesse acontecido.

O mais estranho foi a reação de sua esposa, poderia ter brigado com ele, jogado toda a culpa em cima do marido, mas mesmo depois de tudo ela não discutiu com ele. Não lhe disse nem um ''Ai''

Isso era o que deixava Daniel mais preocupado.

Ela virou o rosto, o viu ali, mas continuou na mesma, não disse nada. Apenas soltou um suspiro demorado e deprimido. Ele se aproximou, se sentou no colchão, ao seu lado, entrelaçou seus dedos.

– Eu ainda não acredito. — Ela disse. — A ficha ainda não caiu...

Daniel beijou seus cabelos, a puxou e a fez deitar-se no seu peito. — Eu ainda sinto ele... No meu colo... — Dizia.

Ele não sabia como consola-lá. Pensou no jeito mais fácil, resolveu pensar como ela. — Talvez tenha sido um sinal. Quem sabe, a gente não estava preparado para sermos pais. — Disse a abraçando, também suspirou. — E no futuro? Sabe se lá as coisas que poderiam acontecer com ele. Era uma vida, Julie. Ele ia crescer, virar adolescente... E... Já pensou se ele... Entrasse no mundo das drogas, seria pior... Não saberíamos lidar com isso.

– Porque está falando que ele poderia se drogar?

– Não sei, foi só um exemplo. Você não acredita nessas coisas de sinal?

– Acredito, mas você não. — Estranhava.

– Pode ser que eu acredite também, mas nunca te contei. — Ele piscou o olho, queria enrola-lá.

Julie ficou calada por alguns segundos. — Me deixa sozinha? Por favor. — Pediu.

Ele se levantou. — Não acha que anda... Sozinha de mais?

– É como eu me sinto.

– Não se sinta assim. — Tocou no seu rosto, levantando o mesmo e lhe dando um selinho. — Eu estou aqui, Julie. Estou aqui com você. Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, lembra?

Ela apenas sorriu fracamente, assentiu com a cabeça. — Eu te amo. — Ele disse e saiu.

Julie se deitou, retirando o vestido preto que apertava sua barriga. Ficou apenas com as peças de baixo, se cobriu com um lençol fino. Ficou deitada ali por horas, até que Daniel a chamou para jantar.

E foi assim a rotina deles, Julie se sentia cada vez mais sozinha, passava quase todo o dia calada, sentadinha no sofá, só ela e seus pensamentos. Daniel sabia que ela estava mal.

– Minha linda, minha rainha. Bom dia! — Ele puxou o rosto da morena e lhe deu um beijo demorado.

Ela afastou seus rostos, voltou a atenção para a TV. — Me parece tão feliz... — Disse.

– É só impressão, tá? Mas a gente precisa esquecer o passado e continuar seguindo em frente. — Respondeu ajeitando sua gravata.

– Você está na minha frente, não consigo ver TV assim...

Ele a olhou com reprovação, mas se limitou em se afastar da esposa. — Não sei se devo ir trabalhar hoje...

– Você está faltando desde o enterro...

– Eu preciso ficar aqui para cuidar de você Julie... Você... Está deprimida, não pode continuar assim...

– Vai trabalhar Daniel, quero ficar sozinha.

– Olha, por favor, qualquer coisa me ligue, tá?

Ela apenas assentiu. — Vem cá, me dá um beijo. — Pediu tentando segurar o rosto da amada, ele queria sentir seus lábios um no outro, queria sentir o atrito de suas línguas. Ela desviou o rosto, ainda muito calada. — Poxa Julie, você está com raiva de mim? É isso? — Ele se sentou no sofá.

– Não estou, eu só quero ficar sozinha. — Seu tom de voz era fraco e calmo. Ela realmente não estava com raiva, pois se estivesse não ia conseguir parar de gritar com ele.

– Tudo bem. — Suspirou. — Já vou. — Beijou seu rosto e se levantou.

Ele passou pela porta de casa, e assim que virou as costas para a esposa, ele mudou de expressão. Seu rosto ficou triste e deprimido. Sim, era como ele se sentia. Estava tão triste quanto Juliana, mas a amava de mais e deveria ser forte. Para fortalece-lá também.

Daniel chegou no trabalho, abriu a porta e logo foi recebido com um abraço forte de Thalita. Ele não retribuiu, mal conseguia respirar com aquele abraço apertado.

– Fiquei sabendo o que aconteceu. — Ela também estava triste com a noticia. — Oh, meu amorzinho... — Sim, ela estava triste, mas isso não significava que ela não iria mais tirar uma casquinha.

Thalita lhe deu um beijo no rosto, um beijo demorado no rosto, quase perto dos lábios. Daniel se soltou. — E como está a Julie? — Perguntou com aquele ar de falsidade.

Mas Daniel estava tão abalado que nem percebeu. Até se esqueceu que falava com a Thalita e acabou relevando... — Ela está doente.

– Doente? — Fingiu estar preocupada. — Tadinha, o que ela tem?

– Ela está muito calada, só quer ficar sozinha... — Suspirou. — Pobrezinha do meu amor. Estou com tanta pena dela...

Enquanto isso, em casa. Julie ainda estava sentada no sofá, se entupia de chocolate amargo, enquanto suas lágrimas ainda rolavam. Ela segurava uma foto de Diego. Chorava, alisando a foto. A cada cinco segundos dizia. — Mamãe sente tanta saudades...

Ele morreu.

Era como ela dizia. A ficha ainda não tinha caído.

– O fruto do nosso amor morreu Dan... — Dizia comendo o último chocolate da caixa.

Parou para pensar. '' Se o fruto do nosso amor não existe mais, significa que o nosso amor morreu? ''

Adormeceu no sofá.

Acordou com Daniel já em casa, o mesmo estava ao telefone. — Eu não sei, não sei o que fazer! Quando cheguei ela estava dormindo no sofá! — Dizia. — Eu tentei acorda-lá mas não adiantou!

– Huh. — Ela esfregou os olhos e se levantou, sentindo seu corpo doer por dormir de mal jeito.

Daniel a viu, sorriu, desligando o telefone. — Juh! — Veio abraça-lá. — Ficou doida? Não queria acordar... Me assustou!

– Ain, para. — Disse fraca, sem retribuir o abraço, apenas passava seus braços pelo ombro do marido. Lembrou dos seus pensamentos antes de dormir. Mas resolveu explicar. — Você sabe que eu não ando dormindo bem... Então acabei pegando no sono.

– Julie... Julie... — Ele sussurrava delicadamente no seu ouvido, mordendo fraco sua orelha. Mas ela não demonstrava nenhuma reação para o carinho, continuava fria. Ele beijou seu rosto, foi descendo até o canto da boca.

Mas ela desviou o rosto novamente.

'' Porque estou rejeitando o carinho dele? '' — Pensava. '' Não sei o que houve comigo, mas é como se meus sentimentos por ele... Morresse...''

Ele se soltou, suspirando. Sentia o desprezo da morena e isso lhe partia o coração. — Eu vou me deitar, estou cansado. — Disse passando por ela.

– Onde pretende deitar?

Ele se virou com uma expressão interrogativa. — Na nossa cama.

– Éeer...Porque?

– Oi?

– Daniel... Não...Porque você vai dormir na nossa cama?

– Porque é nossa cama!

Ela ficou calada, só com seus próprios pensamentos. Ele se aproximou envolvendo seus braços nela. — Julie, o que está havendo?

– Eu não sei se... Quero você... Dormindo comigo hoje.

Ele juntou as peças, o jeito como ela o tratava esses dias... E agora isso... — Julie, você está me rejeitando? — Perguntou com a voz fraca e triste.

– Daniel, por favor, vá dormir em outro lugar.

– Porque?

– Porque eu não quero dormir com você.

– Porque?

– Porque eu quero... Ficar... Sozinha.

– Você quer se afastar de mim, é isso? — Tocou no seu rosto enquanto ela continuava com a expressão fria. — Julie, eu sou seu marido, namorado, amigo...

– Tá eu sei. — Se soltou, se afastando. — Mas... Eu não quero mais ver você hoje.



Notas finais
O que está acontecendo com ela, hein?