Notas iniciais
Recebi minha segunda recomendação hoje, obrigada, Ana Luiza Ferreira por recomendar a história! Fiquei muito contente e animada, amei as palavras! Espero que goste do capitulo.

Três semanas se passaram, três semanas torturantes para Daniel. Julie continuava de luto por seu filho, Daniel não estava diferente, porém, ele tentava ao máximo não demonstrar sua tristeza e não ser vencido por ela. Já Julie, fazia exatamente o contrário. Estava doente, não se alimentava, quase não falava com ninguém, não dormia...

Ela estava tão mal que quase não saia do quarto. Daniel precisou pedir licença do trabalho para cuidar da amada.

Juliana estava deitada na cama, era quase dez horas da manhã. Pela primeira vez naquela semana Daniel entrou no quarto. Eles já não dormiam juntos, Julie insistia que não queria que Daniel a tocasse.

– Trouxe seu café da manhã. — Daniel disse entrando no quarto, ele segurava uma bandeja de madeira, tinha pão, queijo, Nutella, suco de laranja, uma maça e uma rosa vermelha.

Ela não disse nada, apenas olhou para a bandeja com uma expressão de fome. O loiro sorriu. Colocou a bandeja em cima das coxas dela, se aproximou da cortina, abriu para que a luz do sol entrasse no quarto escuro. — Come amor. — Pediu ao se virar e ver que Julie ainda não tinha tocado na comida. — Vem, você prefere queijo ou Nutella?

– Nenhum dos dois. — Respondeu em sussurro. — Daniel, fecha essa cortina... Por favor. — Pediu, fraca.

– Julie, você precisa comer! Não vejo você se alimentando a dois dias! — Estava desesperado, já não aguentava mais aquela situação. Pegou a bandeja e colocou sobre o criado mudo, se sentou ao lado de Julie na cama e tentou beija-lá. — Você quer filhos meu amor? Eu te dou. Te dou tudo o que quiser!

Juliana tentava se soltar dos beijos e abraços do marido. — Eu só peço que melhore logo, Juh. Não aguento te ver assim, por favor, fale comigo.

– S-saí d-aqu-i. Quero ficar sozinha.

Ele parou para encara-lá. — Julie, reage! Saí disso! — Sacudiu seus ombros. — Vai, me diz. — Tocou no seu rosto, alisando sua bochecha. — O que você quer?

– Que você saia daqui...

– Julie...

– E-eu... Eu quero meu bebê de volta!

– Sch. — Ele a abraçou, tentando lhe passar carinho e consolo. — Eu também quero, mas não podemos trazer o bebê de volta... — Alisou seus cabelos. — Você não quer outro?

– E-eu n-nã-o s-sei. Eu quero ficar sozinha.

– Você não quer ver ninguém, não quer ver sua mãe, nem eu...

– Eu quero ver a Bia.

Aquela simples frase fez Daniel se calar, logo um leve sorriso foi surgindo no seu rosto: Bia. As duas sempre conversavam, as vezes Beatriz lhe dava ótimos conselhos. — Você quer conversar com ela? — Daniel perguntou, sabia que isso faria bem para Julie, afinal, ela não estava conseguindo se abrir com o seu marido, talvez consiga se abrir com a cunhada e melhor amiga.

– Q-uero, quero conversar com ela há um tempinho já...

– Então eu chamo ela. Pode ser?

Ela deu um sorriso fraco, mas esse simples sorriso já foi o suficiente para Daniel se alegrar. — Pode.

– Eu vou lá. — Ele não conseguiu deixar de sorrir com o sorriso da amada. — Eu vou lá falar com ela agora, tá bom?

– T-tá bom. — Ela deu um sorriso ainda maior.

Ele se aproximou, segurando seu rosto, olhou no fundo dos seus olhos. — Você é linda Juh. — Disse sorrindo. Seus olhos brilhavam. — Eu te amo. Eu te amo muito. — Dizia enquanto balançava a cabeça, aproximou seus rostos, seus narizes se encostaram.

O coração de Daniel acelerou, fazia quase um mês que não beijava a mulher que ama.

Porém, ela virou o rosto novamente. — Não vai lá chamar a Bia?

O loiro suspirou. — Vou, claro. Já estou indo. — Passou pelo quarto. — Come o pão com queijo, bebe o suco... Por favor Juh, se alimente. Tá? — Jogou beijos carinhosos para a morena enquanto se distanciava.

[...]

Julie fez Daniel sair de casa para que ela ficasse sozinha com a amiga. As duas tomavam chá, estavam na varanda, aproveitando o ar fresco da manhã. Bia tentava ao máximo não entrar no assunto do acidente do bebê, pois pela expressão de Julie, a morena já sabia que sua amiga continuava completamente abalada.

– Então, Juh... Porque me chamou aqui? Nem está falando nada, está quieta o tempo todo... — Bia comentou, bebendo um pouco do chá. Reparou bem no rosto e nos olhos de Julie. Pelos anos de convivência com ela, acabou percebendo... — Você está me escondendo alguma coisa?

Juliana balançava seu corpo para frente e para trás, olhava para os lados. Desconfiava de qualquer pessoa que passava pela calçada da rua. — Julie, você está bem? — Bia não recebia respostas.

Juliana estava com uma expressão de insegurança pregada no seu rosto. — Eu não sei. — Disse, confusa. Ainda olhava para os lados, desconfiando de tudo e de todos. — Bia, preciso te confessar uma coisa. É uma coisa urgente, e você melhor do que ninguém pode me ajudar.

– O que? — Bia não escondia sua curiosidade

– É sobre seu irmão...

– O Daniel? Você quis dizer... Seu marido, não é?

– S-seu ir-mão... — Afirmou.

– É estranho. — Bia riu. — Ele é seu marido, não devia dizer que é meu irmão, deveria dizer... '' Meu marido '' — Riu novamente, imitando a voz de Julie. — '' É sobre meu marido. '' Viu, é assim amiga. — Continuou rindo, mas percebeu que Juliana estava séria, parecia que algo estava preso a sua garganta. — Tá, eu não vou mais atrapalhar. Continua.

– Eu...

Travou, não conseguia falar.

– Vai Julie, me fala! O Daniel está te tratando mal, é isso?

– Não. Não é isso... É que eu... — Roeu as unhas, incomodada com suas próprias palavras. — Não sei mais o que eu sinto...

– Hã?

Uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha. — Bia, eu não sei se amo mais o Daniel...

Bia congelou com a confissão.

Julie estava do mesmo jeito, a encarava séria.

Bia voltou a rir, dessa vez riu alto, gargalhou. — Julie, para! Vocês estão juntos a anos! Anos! — Ainda ria. — Se amaram desde o primeiro dia que se viram, desde a primeira vez, e de repente você não ama mais ele? Conta outra, vai.

– Não é piada Bia. Não estou rindo. — Mais uma lágrima caiu.

Beatriz ficou pasma. — Julie, não... N-não diz essa besteira.

– Não é besteira, é a verdade! Q-quando... Quando eu vejo ele... Não sinto mais... Amor. Como antes. Não sinto.

– Espera, e-eu tenho uma coisinha que vai te animar! — Bia se levantou, entrou na casa de Julie. A mesma viu sua amiga subir as escadas e ir até o quarto, mas continuou na varanda, torturando-se com seus pensamentos.

Depois de alguns minutos, Beatriz voltou segurando um album de fotos. Julie quase sorriu com aquilo.

Sua amiga colocou as fotos sobre a mesa de porcelana. — Vamos ver os momentos felizes que vocês tiveram juntos.

Ela abriu o album, era um album grande e antigo. Daniel lhe deu de presente depois que completaram um mês de namoro.

Julie via as fotos. Realmente, eram momentos únicos, viagens, passeios, filmes, casamento, lua-de-mel, casa nova, barriga crescendo. — Bia, e-eu não quero ver as próximas fotos. — Julie voltou para o inicio do album, sabia que as proximas fotos eram do seu bebê.

– Desculpe...

Julie continuou revendo as fotos. — Quem é essa? — Bia perguntou apontando para uma moça que estava ao lado de Julie.

– Nossa, nem sabia que essa foto estava ai. — Sorriu. — Foi em um acampamento que fiz, essa é minha prima, a Débora. Você não conhece, nem o Daniel, ela mora longe daqui...

– Essa época você já namorava o Daniel?

– Hmm, eramos ficantes.

– Foi ele que tirou a foto?

– Não, ele não estava comigo nesse acampamento. Foi o namorado da Débora. — Relembrou de alguns fatos do passado. — Ela sempre esfregava os namorados dela na minha cara, ela meio que me jogava pra cima deles. Nesse dia ela quase me fez beijar ele, ela é louquinha! Queria me fazer inveja, mas eu já amava o Daniel... — Julie riu fracamente. — Me lembro que contei para o Dan que quase beijei acidentalmente outro homem. Ele ficou doido, morreu de ciúmes. — Seus olhos brilhavam com aquela lembrança, até que foi desfazendo o sorriso e voltou a ficar triste novamente.

– Ah, Juh. Admite vai, você também tem ciúmes do Daniel. — Bia lhe deu uma leve cotovelada na barriga.

Juliana riu fracamente, ainda sendo consumida pela tristeza. — É, eu sinto... Sentia... — Corrigiu. — Não sei mais o que eu sinto pelo Daniel, Bia. É sério. E-eu... Não o amo mais.

Beatriz segurou a mão da amiga. Queria lhe passar consolo, mas não sabia como.

Acidentalmente, Daniel vinha da casa de Félix, estava abrindo o portão quando, sem querer, ouviu a confissão da esposa.


Notas finais
Tadinho do Daniel, ele ouviu! o.O
O que será que ele vai fazer? E essa tal Débora, prima da Julie, será que vai entrar na história?? Comentem!