Corações Feridos

15 Depois de um dia perfeito...


Notas iniciais
Desculpem a demora, estou resfriada, ai fiquei desanimada para escrever... Mas espero que gostem, beijos.

Era de noite, depois de um almoço e um longo passeio pela praia. Julie e Daniel chegaram no restaurante. Estava cheio, os garçons serviam vinho para os clientes, que se sentavam nas mesas e jantavam a luz de vela. Juliana sorriu ao ver o restaurante, era grande e chique. — Nunca pensei que você me levaria para um lugar assim. — Ela cochichou no ouvido de seu marido. Ele apenas sorriu, estava satisfeito com o seu feito. Via a esposa feliz e mesmo gastando dinheiro, estava feliz.

– Não vamos ficar parados aqui, não é? — Pegou a mão da morena, entrelaçando seus dedos. Escolheram uma mesa e se sentaram.

Conversaram um pouco, enquanto escolhiam o prato no menu.

– Amor?

– Sim?

– Eu já escolhi o nome do nosso neném. — Disse Julie, alegre.

– Já? E qual vai ser o nome dele?

– Diego. — Daniel sorriu com a resposta, sempre gostou desse nome. — Sabe porque escolhi Diego?

– Hum... Do jeito que você é... Deve ter planejado muito bem esse nome. — A fitou, pensativo. — Hum... Diego... — Tentava encontrar a resposta. — Não, eu realmente não sei porque escolheu esse nome.

Ela riu. — Já vai desistir? Estava tão fácil. Escolhi Diego porque o nome começa com a sua inicial. E tem ''ie'' de Julie.

– É, estava bem fácil mesmo.

Julie foi corando com o jeito que Daniel a olhava. — O que foi, amor?

Ele pegou sua cadeira e se sentou mais perto da esposa, segurou sua mão e foi beijando lentamente, ainda sorrindo torto. Juliana adorava aquele sorriso, sempre achou um sorriso sexy e sensual. E Daniel sabia disso. Ele continuou beijando sua mão. Descendo os beijos para seus braços. — Para Dan. — Julie pediu, risonha. Viu que algumas pessoas olhavam para eles. Foi soltando sua mão. — Tá, o que você quer hein?

– Quero sair logo daqui. — Foi se aproximando. — Quero ir logo para um hotel... — Sussurrou.

Ela sorriu com a ideia, tocou no seu rosto. — Mas... você já pagou almoço, passeamos de carro pela praia... Vai pagar o jantar e ainda quer pagar um hotel? Acho que... Eu não vou me sentir muito bem sabendo que estou gastando o seu dinheiro.

– Mas... — Ele tentou protestar, mas Julie colocou o dedo entre seus lábios.

– Sch. — Sorriu. — Depois a gente vai pra casa. Lá em casa tem um quarto e uma cama, e é de graça. — Ele acabou aceitando.

O garçon chegou com o prato, os dois jantavam. — Julie.

– Oi? — Ela bebeu um gole de suco de uva.

– Se... Eu te contar uma coisa, promete que não vai ficar com raiva?

Juliana suspirou. Ela o conhecia muito bem e apenas pelo tom de voz sabia que era algo ruim. Mas... Julie passou um dia tão maravilhoso com ele. Que nada iria estragar. — Tá, não fico. Pode falar.

Daniel nunca escondeu nada de Julie, e sentia um grande peso na sua consciência por saber que estava escondendo algumas coisas que aconteciam com ele no trabalho. — Sabe a mulher que eu te falei? Que... Dá em cima de todo mundo? — Juliana assentiu, ele respirou fundo. — Meu patrão... Colocou ela para ser... Minha secretária.

– Você não está me traindo com ela, não é?

Ele estranhou seu jeito calmo. Pensou que Julie teria um ataque. — Não. Nunca.

Ela sorriu. — É só você não dá confiança para essa mulherzinha. — Beijou lentamente seus lábios. — agora vamos jantar...

'' É Julie, eu não dou confiança, mas isso não adianta. Se você soubesse que essa mulherzinha é a Thalita não teria aceitado tão facilmente... '' Daniel ficou um pouco chateado pelo modo de sua esposa aceitar isso. Ele pensou que ela ficaria com ciúmes. Ela sempre teve ciúmes dele, desde que eram namorados.

Os dois voltavam para casa, Daniel dirigia. Enquanto Julie lia o livro que Bia lhe deu. Ele parou no sinal vermelho, sem tirar os olhos da linda moto Yamaha azul que estava parada ao lado do seu carro. — Amor, se eu te pedir sua permissão... Você me deixa...

– Você não vai comprar nenhuma moto, Daniel. — Disse a morena ainda sem tirar os olhos do livro.

– Nossa, mas eu nem terminei de falar.

– Mas eu sei que era isso que você ia me pedir.

– Poxa, porque não gosta de motos? Eu acho bem melhor que carro, pode guardar em qualquer lugar, é mais barato... Mais rápido...

– O carro é bem mais seguro. Não quero você andando de moto. Sabe quantos acidentes pode acontecer?

– Mas Julie...

– Daniel, eu não quero discutir com você. Não vai ter moto nenhuma.

Ele suspirou, derrotado, viu o sinal abrir e a moto acelerar. Quase babou ali, seus olhos brilhavam enquanto dirigia seu carro. Daniel sempre sonhou com uma moto, mas ele respeitava a decisão da esposa. Ainda na esperança de que algum dia ela mude de ideia.

Eles chegaram em casa, estavam na cama, era um pouco mais de nove horas da noite, mas Julie decidiu ler o livro até as nove e quarenta. Daniel estava sentado na cama com um braço em volta da cintura de Julie, e o outro na barriga. Ela levantou o rosto para o loiro. — Não está chateado com a conversa sobre a moto, não é?

– Ainda não sei porque você é contra.

– É perigoso! Aquela coisa acelera de mais! Pode causar algum acidente...

– Deixa de paranóia. — Revirou os olhos. Até que sentiu algo na barriga da esposa. — Mas que lindo. — Sorriu abobado, Julie sorriu também. — Ele chutou!

– Isso não é hora pra ficar chutando neném... — Julie brincou, alisando sua barriga. O bebê chutou mais, mais e mais... Foram seis chutes seguidos. — Nossa. Acho que ele nunca chutou tanto assim... Já vi que nosso filho vai ser muito bagunceiro.

Daniel riu. — Minha mãe dizia que quando eu era pequeno eu não parava quieto.

– Já eu era mais calminha, espero que ele não puxe você no comportamento. — Ele fez uma careta, e com pena, Julie lhe deu um selinho, Daniel sorriu e foi puxando Julie para o seu colo. Eles se beijaram novamente, dessa vez foi um beijo mais profundo, quente e calmo.

Quando Julie percebeu, ela já estava no colo dele, com uma perna de cada lado. Ele se ajeitou, se sentando na cama enquanto ela puxava seu terno e o beijava ainda mais. Ele tocou no seu rosto com uma mão, enquanto a outra estava por baixo do vestido de Julie. Mas ela parou de trocar carinho quando sentiu mais dois chutes do neném, olhou para Daniel. — Que foi? — Ele perguntou. Não estava com a mão sobre a barriga dela, então não sentiu nada.

– Ele chutou de novo. — Sussurrou, balançando a cabeça. — Daniel, ele nunca chutou tanto. Só tem cinco meses...

Eles pararam e se olharam, Daniel não estava tão preocupado quanto Julie, e sabia que a preocupação de sua esposa era mais uma de suas paranóias, mesmo assim, colocou a mão sobre a barriga dela. Os dois ficaram calados, queriam ver se o bebê chutava mais.

Se passou dez minutos, os dois ainda alisavam a barriga.

E o neném parou. — Viu, isso é normal. — Disse Daniel, sorrindo.

– Tem certeza?

– Tenho. — Alisou seu rosto. — Não se preocupe com isso. — Eles se beijaram novamente e continuaram com o carinho. Ele foram se deitando no colchão na medida em que o beijo e o carinho se esquentava. Ele foi se deitando, ela ainda estava sobre ele, sentindo a mão de Daniel puxar o seu vestido. Ela fechou os olhos e quando os abriu viu que o vestido já estava jogado de qualquer jeito no colchão. Julie sorriu e desceu os beijos para o pescoço de Daniel. Tirou sua camisa também, beijando seu peito.

– Eu te amo... — Ela sussurrou enquanto ele retirava o seu sutiã. Daniel beijava seus seios com carinho, sussurrando coisas bonitas em seu ouvido. Suas mãos passeavam pelo corpo da morena. O bebê voltou a chutar, mas agora os dois não se importavam. O que queriam era se amar, estavam brigados durante a semana toda. A saudade e a paixão os consumia completamente.

[...]

Três horas e meia se passaram, os dois se encaravam, recuperando o fôlego que perderam. Tinham feito amor durante todo esse tempo. Estavam suados... Julie envolveu seu braço no ombro do rapaz, mexendo com seus cachos enquanto seus narizes se encostaram. — Foi muito bom. — Juliana confessou fechando os olhos.

Daniel sorriu e beijou delicadamente seus lábios. Tirou sua esposa nua de seu colo e a colocou deitada no colchão enquanto a mesma ainda alisava seu rosto. Ele a cobriu. Passando o braço por sua cintura e a abraçando. Ela se ajeitou em seu peito suado e dormiu ali.

Juliana acordou no meio da noite sentindo o neném chutar novamente, ela abriu os olhos devagar... Já tinha mudado de posição e não estava mais deitada sobre Daniel. Mas sorriu relembrando o dia maravilhoso que passaram juntos. Virou o rosto e viu que seu marido olhava para o teto, estava acordado. — N-não conseguiu dormir? — Perguntou.

– Consegui, só que levantei agora pouco porque o telefone tocou. Era o meu chefe, ele disse que eu pegaria amanhã as duas horas da tarde.

Ela bufou. — Hum, pelo menos vai passar a manhã comigo... Não é? — Ele assentiu. Julie deitou seu queixo no peito de Daniel. Ele alisava seus cabelos pretos.

– E você, porque acordou?

– O neném chutou de novo. — Suspirou. Fechando os olhos e se ajeitando novamente, puxava o edredom e cobria seu corpo ainda nú. — Mas já vou dormir de novo. Boa noite.

A noite se transformou em dia, estava uma linda manhã ensolarada, Julie acordou as nove horas da manhã, pois tinha dormido tarde. Ela esfregou seus olhos. Notou que a cama estava completamente bagunçada. Suspirou e se levantou. — Daniel? — Não ganhou resposta. — Odeio quando ele sai sem me avisar. — Resmungou ajeitando a cama, encontrou suas roupas intimas jogadas pelo chão e lembrou da noite passada, corou.

Depois de arrumar a cama pegou uma bata e vestiu, junto com um short jeans, prendeu seus cabelos e sentiu o bebê chutar de novo. Bufou e alisou sua barriga. Sentia uma sensação ruim quanto à isso...

Tomou seu café da manhã normalmente, Daniel já tinha preparado. Ouviu um barulho, vinha do quarto do neném, só ai Julie foi sentir um cheiro forte de tinta. Ela sorriu, subiu as escadas, tropeçando nos próprios pés. Chegou no quarto e quase gritou de alegria.

Já fazia quase uma semana que Julie queria pintar o quarto e começar a arruma-lo. — Amor! Está pintando o quarto para mim?! — Estava surpresa.

– Mais é claro. — Ele sorriu, se virando para Julie. Daniel usava apenas uma bermuda velha, deixando a barriga de fora, e fazendo Juliana corar. — Foi só uma forma de agradecer por ter me perdoado.

– Ai Daniel! — Ela correu e o abraçou. — Você é o homem mais perfeito do universo.

Ele retribuía o abraço. — Eu sei. — Os dois riram e ela lhe deu um selinho demorado. Percebeu que o rosto de Daniel estava sujo de tinta.

– Você está muito engraçado. — Sujou a ponta do seu nariz de tinta azul. — Quero tirar uma foto desse momento! Vou buscar a máquina! — Julie sujou mais as bochechas de Daniel e correu. Entrou no seu quarto e enquanto procurava a máquina sentiu o neném chutar novamente. Ela ficou de joelhos com o chute. Sentia um desconforto na barriga, como se fosse cólicas fortes. Ela se levantou, pegando a máquina que estava dentro de uma das gavetas.

Mas assim que se levantou sentiu mais um chute. Ela se segurou na quina da cama. — Julie! Cadê você? — Daniel gritou do quarto do neném. — Tudo bem?!

Ela não respondeu, apenas saiu do quarto. — O que houve? — Daniel perguntou assim que a viu entrar no quarto.

– N-nada. Só estava demorando de achar a máquina. Vai amor, dá um sorriso.

[...]

A manhã se passou, Julie almoçava enquanto Daniel se arrumava para o trabalho. Ela estava quieta de mais, não tirava os olhos de sua barriga já crescida. Queria tanto saber o que estava acontecendo lá dentro. — Porque esse neném está tão agitado? — Sussurrou. Mas disfarçou quando viu Daniel chegar na cozinha.

– Amor, já vou.

– Ah, já? — Ela se levantou. Beijou seu marido e ajeitou a gola de seu uniforme. Ela dobrava e desdobrava a gola sem parar. Daniel achou engraçado no começo, mas depois começou a se preocupar.

– O que foi, está nervosa?

– Mas porque diabo essa gola não fica do jeito que eu quero! — Daniel tentava se afastar — Para, deixa eu ajeitar!

Ele segurou sua mão. — Está tudo certo com a minha roupa. — Sorriu.

– Não, não está não. Vo-cê... N-não abotoou aqui... Ia ir para o trabalho sem abotoar... Me deixa te ajeitar... E esse seu cabelo... Está muito despenteado, os cachos estão desproporcionais...

– Para, Julie. — Ele suspirou. — Você está com algum problema? Costuma ficar mais perfeccionista do que o normal quando está nervosa.

– Não. E-eu... — Sorriu fracamente, tentando desviar o olhar da barriga. — Estou ótima. Desculpe. — Deu mais um beijo em Daniel. Ele não acreditou muito nas palavras dela, mas deixou para lá. — Eu te levo até o portão...

O dia foi se passando, já era quase cinco horas. Julie já se sentia melhor, o bebê já estava menos agitado e ela lia um livro enquanto ouvia música. Pegou também um DVD. Era da sua formatura.

Percebeu que no vídeo estava chovendo. E foi no dia da formatura que Daniel a pediu em casamento pela primeira vez... Esses pensamentos e suas paranóias começavam a encher sua mente.

Quando do nada ela abaixou a cabeça e fez uma careta, olhou para sua barriga. O bebê chutou. — Mas porque isso, meu Deus?! — Alisou a barriga. — Eu não almocei nada apimentado... Ou sei lá... — O neném continuava chutando. Ela se levantou, já estava desesperada com isso. Colocou um vestido estampado, pegou sua bolsa e suas coisas.

Ligou para Daniel, felizmente ele tinha deixado o celular ligado, e atendeu no segundo toque. — O-oi Jul---

– Me leva para o hospital agora!

– Mas o que é que aconteceu????

Ela desligou o telefone. Estava inquieta.

No trabalho, Daniel ficou desesperado. Aproveitou que não tinha nenhum cliente e saiu do escritório. Julie não lhe deu explicações e isso o deixou mais tenso ainda. — Oi Daniel! — Thalita parou na sua frente. — Onde vai? Acabou de chegar?

Ele ignorava as perguntas, a empurrou e abriu a porta. — Droga... — Murmurou enquanto parava o elevador. Hoje ele não tinha ido de carro para o trabalho... E ele precisava chegar em casa o mais rápido possível.

Julie ainda estava sentada no sofá, batia seus pés no chão. Ansiosa. Até que uma buzina a fez levantar. Ela viu Daniel parado na rua, pegou sua bolsa e correu. — Mas o que é isso?!

– É uma moto, peguei com o Martim. Sobe aí.

– Está maluco?! Eu não vou subir nisso...

– Anda Julie! — Ele puxou seu braço e a colocou em cima da moto.

– V-ai devagar com isso... — O abraçou por trás. Enquanto ele já dirigia.

Os dois chegaram no hospital. Daniel ficou na sala de espera enquanto Julie estava sendo atendida. — Você não toma cafeína, nem muitos doces... Chocolates? — O médico perguntava para ela.

– Não. Eu não como nada disso. — Pausou. — Isso é normal, doutor? Ele não para de chutar.

– Só tem cinco meses, não é? — Ela assentiu. — Não... Isso não é normal.

– Ai meu Deus...

– Mas não se desespere, já fez os exames. Eles chegarão daqui a duas semanas.

– O que? Tudo isso?!

– É, mas enquanto não chega. Eu te passo um remédio calmante. Tome de seis em seis horas.

– Aham. — Ela pegou a receita. — Mas, doutor, o que acha que pode ser?

– Olha, pode ser muitas coisas... Mas se eu falar você vai ficar mais nervosa ainda e vai ser pior. Agora pode descer daí.

Julie desceu da cama assustada. Na sua cabeça passava mil pensamentos loucos. Ela saiu do consultório e Daniel se levantou assim que a viu, ele também estava preocupado. — E ai?! — Perguntou.

Juliana apenas lhe entregou a receita. — Vai ter que comprar esse remédio para mim.

– Hum, tá. Mas... O que o médico disse?

– Ele disse que isso não é normal. E os exames só vão chegar daqui a duas semanas. — Ela o abraçou. — Eu estou com tanto medo. Não quero que nada aconteça com o nosso neném...

– Sch. Não vai tá? — Ele beijou seus cabelos. — Vamos para casa...

Notas finais
Que drama, o que será que o neném tem? Hum... Comentem! Beijos!