Corações Feridos
16 Uma ligação.
Notas iniciais
Dois dias depois, Julie tomava apenas um chá forte todas as manhãs. Daniel ainda não tinha comprado o remédio, pois não teve tempo. Andava muito ocupado no trabalho. Era três horas da tarde, Julie estava em casa, conversava com sua mãe pelo telefone enquanto Daniel já estava trabalhando. Ele digitava concentrado no computador quando Thalita chegou com alguns documentos. Esses dias Daniel a ignorava completamente, afinal, ele descobriu sobre o plano de Thalita para separa-lo da Julie.
– Oi. — Ela deixou os papéis em cima da mesa. — Boa tarde, Daniel. — Ele não a respondeu, continuou mexendo no computador. Ela se aproximou, tocando nos seus cachos dourados.
Mas Daniel se afastou. — O que quer, Thalita?
– Nossa, e é assim que me agradece? Eu te ajudei com esses papéis...
– Você fez apenas a sua obrigação. É paga para me ajudar.
– Ain, não faz assim... Não seja grosso comigo. — Ela acabou se sentando em cima dos papéis que estava sobre a mesa. Se levantou, e percebeu que um deles era diferente. — O que é isso? — Pegou o papel.
– É uma receita médica. Me devolva. — Daniel pegou de volta e guardou no bolso.
– Receita médica? Está passando mal?
– Não. — Ele não queria lhe dar muitas explicações.
– Então para que é? Alguém está doente?
Revirou os olhos. — Se eu te responder, você sai daqui e para de me aborrecer?
Ela suspirou, mas sorriu. — Ok.
– É para a Julie.
– Ela está doente?! — Tentou não sorrir.
– Não, é só um calmante. Agora saia daqui.
Derrotada, a loira se levantou e saiu, porém, estava intrigada com a resposta de Daniel. — Só um calmante... — Sussurrou. — Se é um calmante, então significa que ela anda muito nervosa. Hum. — Se sentou na sua cadeira, da sua sala. — E... Ela está grávida! — Falava sozinha. — É isso. — Riu. — Tem alguma coisa com esse neném, a Julie deve estar passando muito nervoso para ele. — Sorriu. — Essa é minha grande chance. Sei que consigo deixar a Julie ainda mais nervosa. Só preciso de uma ajudinha...
[...]
Daniel chegou em casa. — Oi amor. — Beijou os lábios de Juliana. Ela estava sentada no sofá, vendo um álbum de fotos. — Comprei seu remédio.
– Obrigada. Mas... Porque demorou?
– Porque passei na farmácia.
– Hum. É só isso mesmo? Não está com outra não, né? Anda... ''trabalhando muito'' ultimamente.
– Eu adoro te ver com ciúmes. — Admitiu rindo. — Mas não. Não estou com outra, e nem quero. — Olhou para o relógio de parede na sala. — São oito horas da noite, é melhor tomar um remédio.
– Tomo as oito e cinco.
– Ai, Julie... Pare com isso... — Ele foi até a cozinha. — M-mas... O que é essa bagunça?!
Julie se levantou e correu para a cozinha, abraçou forte Daniel. — Não se aproxime da mesa, pode estragar tudo!
– Porque montou um castelo com cartas de baralhos?
– Eu precisava me distrair com alguma coisa! Estou completamente pirada com esse neném chutando o tempo todo! E-eu não consigo parar de pensar em coisas ruins... Que pode acontecer com ele... Ou comigo...
– Tudo bem. — Ele sorriu. — Se isso te deixa mais distraída...
– Ai, obrigada amor!
– Já vi que vou ter que jantar sentado no sofá de novo... — Sussurrou indo até a geladeira. Pegou um copo com água. E deu para Julie, junto com o remédio. — É, são oito e cinco.
Ela sorriu e engoliu o comprimido.
Três dias se passaram, as coisas estão começando a melhorar para os dois. Julie se sentia melhor, mais calma... Estava tomando o remédio normalmente. E o neném já não chutava com tanta frequência. Mas é claro que sempre tem alguém que não gosta de ver a felicidade dos outros.
Thalita percebeu que Daniel estava de bom humor, ela entrou no seu escritório. — Anda muito sorridente esses dias, não? — Perguntou a loira.
– Ando sim.
– Hum, e como é que vai a Julie?
– Vai bem.
– Ela está melhor? Mais calma?
– Está. — Disse se levantando. — Vou ao escritório do Martim. Se alguém me procurar, peça para esperar, tá? Já volto.
Thalita assentiu enquanto Daniel saia. Por fora, a loira sorria, mas por dentro estava consumida pela raiva. Ela queria tirar a calma de Juliana, pediu ajuda do Nicolas esses dias... Mas o mesmo não aceitou, disse que isso seria muita maldade. E que não queria prejudicar Juliana. — Já vi que não posso contar com o Nicolas. — Reclamou. Mas sorriu, agora era um sorriso verdadeiro. Já tinha a solução.
Pegou o telefone, procurou na agenda o telefone da casa do Daniel e da Julie. Achou, e discou rapidamente os números.
Julie deitava na rede que Daniel colocou na varanda, estava calma, observando as nuvens enquanto alisava a barriga. Ela fechou os olhos, estava quase pegando no sono quando o telefone tocou. Ela calçou os chinelos e se levantou da rede. Demorou um pouco para abrir a porta da sala, pois estava sob o efeito do remédio que tinha tomado, estava calmíssima e fazia as coisas bem devagar. Deixando Thalita ansiosa do outro lado da linha.
Ela entrou, indo até o telefone. Viu na bina que o número gravado era do escritório do Daniel, estranhou, mas atendeu. — Oi? Daniel?
– Aqui é a secretária dele.
– Ah, Oi! Como é que vai?
'' Mas parece uma drogada... '' — Thalita pensou, mas respondeu. — Vou mal. Acabei de receber uma noticia ruim.
– Poxa, mas que pena.
– Por isso estou te ligando.
– Que legal!
Thalita revirou os olhos. — Você não é a esposa do Daniel?
– Hum. Sou. — Estava ficando menos ''animadinha''. — Porque?
– É porque aconteceu uma coisa com ele.
– Estou assustada, que coisa?! — Seu coração começou a acelerar.
Thalita olhou para os lados com a pergunta, não tinha pensado muito bem no que era. Acabou olhando para a janela. Viu carros, e motos... – Um acidente!
Julie ficou tensa, não conseguia falar. — Qu-que acidente? F-foi só um tombo não é? Só... Caiu da escada, ralou o joelho...
– Infelizmente não! Foi um acidente horrível de moto! Tadinho, ele bateu com a cabeça, está sangrando muito e... inconsciente.
Ela ficou sem reação, não sabia se acreditava ou se desligava o telefone.
– Olha! Para com essas brincadeiras! — Gritou. — Isso não tem graça!
– Quem dera que fosse brincadeira! Estou falando a verdade! – Thalita escutou alguns passos, logo pensou que era Daniel. — Preciso desligar, v-vou tentar reanima-lo! — Desligou e correu para fora do escritório, entrou na sala de espera e viu que os passos que escutou era de um cliente qualquer... Que procurava Daniel.
Já na casa de Julie...
– N-não... Isso não é verdade. — A morena chorava. — O Daniel não tem moto. — Fechou os olhos, e lembrou da moto do Martim. — Ai, é verdade! — Seu coração estava mais do que acelerado. Seu corpo trêmulo e sua garganta seca. Nunca tinha sentido tanto desespero quanto agora. Juliana já imaginava Daniel morto.
Ela mau conseguia enxergar com tantas lágrimas nos olhos. Estava atordoada, não sabia o que fazer. Estava tão nervosa que nem se importava com os chutes do neném. Ela só conseguia pensar em Daniel. O grande amor de sua vida gravemente ferido. Julie não suportava vê-lo machucado. Lembrou do dia em que ele torceu o tornozelo e ela cuidou dele como se Daniel fosse um bebê.
– O que é que eu faço, meu Deus! — Puxou seus cabelos, desesperada. Olhou para a mesinha da sala e viu a chave do carro. Ela pegou e correu para a garagem, ligou o carro, mesmo sem conseguir enxergar direito, deu a ré. Quase bateu com o carro no portão da garagem, pois no desespero e na correria ela tinha se esquecido de abrir. Saiu do carro, quase tropeçando. Abriu o portão de garagem desesperadamente e voltou para o carro do mesmo jeito.
Dirigia loucamente pela rua, não sabia se Daniel estava no hospital, ou se ainda estrava no trabalho. Ela imaginava várias ambulâncias paradas em frente ao prédio onde ele trabalhava. Ela imaginava Daniel todo machucado, completamente sujo de sangue. Ela mal conseguia dirigir, sabia que precisava manter a atenção nas ruas, mas simplesmente não conseguia. Seus olhos não paravam de se encher de lágrimas. Seu coração batia mais do que acelerado, Julie estava a ponto de ter um ataque do coração.
Thalita estava sentada na sua cadeira, mexia no computador tranquilamente, sem sentir culpa. Na verdade, ela achava aquela situação muito engraçada. Daniel chegou no escritório e estava atendendo alguns clientes. Ele nem imaginava o que Thalita tinha aprontado, e isso era o que a fazia rir mais. Ela olhou para a janela, viu um carro preto estacionado em frente ao prédio, viu Julie sair desesperada do carro. Sabia que Julie viria ver o Daniel. E Thalita não queria que Julie a visse... Ela se escondeu atrás de uma planta da sala de espera enquanto a morena pegava o elevador.
Ela parou no andar do escritório de Daniel, entrou na sala de espera. Thalita prendia a risada, a morena secou um pouco seu rosto, correu e abriu a porta da outra sala sem ao menos bater. E assim que entrou, teve uma surpresa. Daniel estava ali, sentado, conversando com seus clientes.
O mesmo se levantou assim que a viu parada na porta. — Julie! — Os dois correram em direção ao outro. Ele a abraçou desesperado, tocando em seus cabelos e secando seu rosto. — O que é que aconteceu Julie?! Porque está chorando?! — Estava desesperado, assim como ela.
Ela não respondeu, só sorriu, tocava nos seus cabelos e no seu rosto, o imitando. — D-an-iel n-nã-o fa-ça isso com-igo, prom-eta que n-nun-ca vai me de-ixar, nun-ca vai morr-rer. — Gaguejava, o abraçando mais.
– Que conversa é essa? E porque está chorando meu amor?
– Eu pens-sei qu-e ti-nha te per-dido. — Chorou mais, chorava de soluçar.
– Isso nunca vai acontecer. Me diz o que houve...
– Re-cebi uma liga-ção diz-endo que vo-cê est-ava f-eri-do. t-ti-n-ha s-ofr-i-do um ac-idente de mot-o. — Daniel não entendia muito bem o que Julie dizia. Ela gaguejava muito.
– Um trote? Um trote sobre mim, é isso?
– Uh-um. — Deitou a cabeça no seu peito, Daniel virou o rosto para trás e viu seus dois clientes olhando para eles.
– Eu já vou falar com vocês. Preciso acalma-lá antes. — Os dois assentiram. Ele pegou a mão de Julie, que estava trêmula e fria.
Saiu do escritório, passando pela sala de Thalita. Daniel viu a loira escondida atrás da planta. Logo juntou tudo e entendeu. Foi Thalita. Ele a olhou torto enquanto passava com Julie. Que ainda não tinha se recuperado do susto. Chamou o elevador e deixou Juliana de costas para a loira, Daniel também não queria que ela a visse, pois ficaria ainda mais nervosa. Antes da porta se fechar, Daniel puxou o rosto de Julie e a roubou um beijo de cinema, fez isso apenas para Thalita ver o quanto ele a amava, e nada que ela fizesse contra os dois acabaria com o amor deles.
Julie retribuía o beijo, ainda atordoada. Fechou os olhos e pousou sua mão trêmula na nuca de Daniel. Eles desceram até a cozinha. Foram para um cantinho menos movimentado. Julie tomava um chá calmante enquanto Daniel beijava sua mão. — Me explica isso de novo. — Pediu.
Ela respirou fundo. — Eu recebi um telefonema...
– Mas Julie, você não pode simplesmente acreditar em tudo que falam... Você nem sabia de onde vinha esse telefonema.
– Sim, eu sabia. Vinha do seu escritório. Por isso acreditei.
'' Thalita... '' — Daniel pensou mordendo seus dentes, mas apenas assentiu para que Julie continuasse. — Então eu atendi e uma mulher disse que você estava ferido, inconsciente, tinha sofrido um grave acidente de moto... Estava sangrando... — Suspirou. — Como queria que eu ficasse? Eu quase morri do coração. — Uma lágrima caiu. — Se você... Morresse... Eu morreria junto. — Abraçou seu pescoço, sujando seu uniforme de lágrimas. Ele retribuiu o abraço. Dizia lindas palavras para que ela se acalmasse.
– Eu vou te levar para casa, tá? — Ela assentiu. Daniel colocou seus cabelos atrás da orelha.
– Mas... Vai ficar comigo, não é?
Ele torceu os lábios com a pergunta. — Poxa Juh, eu não posso... Não posso deixar meus clientes esperando. — Ela suspirou, mas entendeu.
Daniel voltava para o trabalho, subia com o elevador. Ainda estava preocupado com Juliana, sua pressão estava um pouco alta. E ela ainda estava nervosa com o trote. O pior é que Daniel sabia quem era a culpada. Ele já estava cansado da Thalita, sempre querendo prejudicar Julie em tudo...
Ele saiu do elevador, entrou no seu escritório e viu que já não tinha mais os clientes. Só Thalita, que estava sentada na sua cadeira. Mas se levantou assim que o viu, foi se aproximando, sorrindo. — Dani, como a Julie está? Ela melhorou? Estava chorando não é? Tadin--- Ele lhe deu um tapa no rosto, não foi um tapa forte, mas ela se assustou com a atitude dele. Ele costumava ser calmo. Ela passou a mão pelo rosto, onde recebeu o tapa. Estava em choque, tentava não chorar.
– Suma daqui Thalita, suma! Estou cansado de você! SAIA!
Ela acabou deixando uma lágrima escapar, pela primeira vez sentiu medo de Daniel. Ela fez o que ele mandou, sumiu da sua frente.
Notas finais
Gostaram? Me digam se ficou bom ou ruim, o que precisa ser melhorado... Obrigada!
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