Corações Feridos

52 As coisas não são como planejamos


Notas iniciais
Capitulo feito agora, desculpe qualquer erro. Espero que gostem. Amei os reviews de todas! Responderei mais tarde! *-*

~Uma semana depois~

Julie se arrumava. Se sentia um pouco estranha. Já tinha feito sete dias que ela tentava descobrir quem era a nova namorada do Daniel. Já até perguntou para Bia quem era, mas a mesma disse que Daniel não tinha contado. Chegou até a pensar em perguntar para ele, mas não queria que ele achasse que a mesma estava interessada nesse rolo...

'' Porque ele quer esconder isso de todo mundo? '' — Ela se perguntava, enquanto se arrumava na frente do espelho. Seu cérebro acabou dando um estalo. '' A Thalita! '' — Era isso, tinha certeza. ''A pouco tempo ele ainda estava com a Thalita... '' — Balançou a cabeça com esses pensamentos. '' Então o Daniel está enrolado em dois relacionamentos... '' — Pensava, ainda confusa.

Sabia que ele e Thalita não era bem um relacionamento sério. Era apenas curtição da parte dela.

Mas para Julie, esse era o verdadeiro motivo. Não queria que a loira descobrisse... Ia armar o maior barraco...

– Hm. — Terminou de ajeitar sua bolsa, olhou para seu celular e viu as horas. — Nossa! — Já eram mais de dez horas. — Não posso chegar atrasada, já é a segunda vez essa semana... — Estava com medo já que seu chefe deixou bem claro que não deveria se atrasar.

Pegou suas coisas. Desceu as escadas, estava apressada quando olhou para a cozinha. Viu a pilha de louças sujas em cima da sua pia. Lembrou da janta que teve ontem com a sua mãe.

Ela foi dormir sem terminar de ajeitar a cozinha.

– Droga... — Do jeito que ela era, não ia conseguir sair de casa deixando a louça suja. E não queria chegar cansada do trabalho lembrando que teria que lavar...

Foi até a cozinha. Tirou seu relógio de pulso, levantou a manga do seu terno e começou a lavar...

[...]

Abriu a porta da sua sala. Viu que Ana estava no seu lugar, certamente fazendo suas tarefas para não perder tempo. — Desculpe o atraso! — Disse novamente encarando o relógio de pulso, já marcavam quase meio dia.

– Não é para mim que precisa pedir desculpas. — Ana se levantou. — Demétrius quer falar com você. — Com apenas essa frase, Julie se estremeceu. — Ele está no escritório.

– Você pode me adiantar o que ele vai dizer? Preciso me preparar psicologicamente.

Ela balançou a cabeça. — Relaxa, não é nada de mais.

– Hm... — Suspirou. Indo até a porta.

Entrou logo depois que bateu na porta. E lá estava seu chefe, mesmo já se acostumando com o trabalho. Julie ainda tinha muito medo dele... O modo como ele se vestia, como ele tratava a Ana e como ele a olhava. Juliana já tinha notado que seu chefe ‘’gostava’’ dela. Lembrou da cantada que recebeu na semana passada e se arrepiou. — Vai ficar parada me olhando? — Perguntou sorrindo fracamente. — Sente-se.

Julie arrastou a cadeira e se sentou, viu seu chefe se levantar. Dar a volta pela mesa.

Ele se aproximou por trás dela. Seu coração disparou ao sentir as mãos dele em cima do seu ombro. Julie tentou se afastar, mas ele encravou suas unhas ali. Levou suas mãos ao rosto da morena. Enquanto ela fazia uma careta estranha. — Minha linda, porque está se atrasando?

– B-bem... — Ainda tentava se soltar. Ela segurou a mão ele, a tirando do seu rosto. Porém, seu chefe entrelaçou seus dedos. — Hoje eu me atrasei porque parei pra lavar a louça.

Ele riu. — Lavar a louça?

– Sim senhor, eu sei que parece estranho. — Pausou. — Mas eu não ia conseguir ir trabalhar pensando na pilha cheia de pratos sujos... — Soltou suas mãos.

– Porque está se afastando de mim?

– Oi? — Ela se levantou.

– Amor, você é minha secretária. — Abriu os braços e ele a agarrou.

Nisso, ela começou a se rebater, tentaria de tudo para conseguir se soltar daquele abraço. Não gostava de ser agarrada por homem nenhum... Com isso, ela o empurrou fracamente. — Não me abrace, por favor. — Disse com a voz fraca, não escondia seu medo. — E daí se eu sou sua secretária?! — Agora sua voz estava forte e determinada. — Sou apenas isso! Sua secretária!

– Eu sei que você ainda vai mudar de ideia, querida. — A conversa foi interrompida com o toque do telefone. Julie suspirou aliviada ao ver seu chefe gesticular com as mãos para que ela saísse.

Ela saiu, voltando para seu escritório. Viu que Ana já não estava mais lá. Julie segurava suas lágrimas, mas o medo ainda tomava conta do seu peito. Seu coração ainda estava acelerado. Não conseguia deixar de pensar naquela cena, há poucos minutos atrás.

Voltou a se sentar na sua mesa, viu que havia um bilhete preso na tela do computador, ela o arrancou e leu suas tarefas. Precisava xerocar um documento que estava na pasta B, dentro do armário.

Se levantou, indo em direção à ele, pegou o documento certo. Ligou a multifuncional. — Mas o que é isso? — Ela não estava funcionando. E Julie também não sabia como resolver isso. Era simples de se mexer nessa máquina, porém, ainda estava nervosa. — DROGA! — Acabou descontando sua raiva e medo naquela máquina. Julie deu um soco forte e então começou a espirrar tinta.

Isso só fez as coisas se complicarem mais. Logo seu chefe tinha escutado a gritaria e saiu da sua sala para ver o que estava acontecendo. Encontrou Julie tentando, sem sucesso, desligar a máquina. Ela apertava qualquer botão que via pela frente. — Querida, não é assim! — Ele chegou na tomada e puxou. — Precisa esperar mais dez minutos para ligar de novo. — Explicou.

– Nossa. — Suspirou, se sentando na cadeira, encarou suas mãos. Sujas de tinta. — Desculpe. — Achou que deveria dizer isso.

– Você não tem culpa. — Seu chefe sorriu. — Não sabia como mexer?

– Não muito. — Admitiu. — Na verdade, a Ana não me ensina muitas coisas. Na maioria das vezes quando eu pergunto para ela... Bom, ela não me responde direito. — Dizia. — E ela só me ensinou a mexer na impressora e no e-mail. — Abaixou a cabeça.

– Realmente. Ela não tem muita paciência com as novatas. — Ele concordou. — Eu poderia te ensinar muitas coisas... — Julie sentiu uma pitada de duplo sentido naquela frase. Viu seu chefe se aproximar.

Porém, na mesma hora ela se levantou. Estava nervosa o suficiente para soltar tudo de uma vez. — Não se atreva a encostar as patas em mim!

– COMO É?!

Sentiu sua mente dar voltas e voltas. Já imaginava sendo demitida à ponta-pés do prédio. Não queria voltar para a sua vida ‘’deprimente e vazia...’’ Não queria deixar o seu emprego, porém, também não ia aceitar o tipo de tratamento que estava ganhando. — SABE QUE EU SOU SEU CHEFE! E O QUE EU QUERO EU CONSIGO!

– Olha, não importa o que você quer comigo! Só sei que não vai conseguir! — Ela o respondia se controlando para não levantar mais ainda a sua voz. Viu que Demétrius estava sério. Suspirou fundo. — E-eu... S-so-u um-a moç-a cas-ada. — Pausou, tentava não gaguejar. — E se continuar assim eu conto para o meu marido.

– Seu marido? — Riu. — Cadê a aliança?!

– …

– Bom, não estou duvidando. Aliais, uma moça bela como você deve ter muitos pretendentes. — Sorriu. — Mas, traga ele aqui. Quero conhece-lo.

Julie engoliu em seco, não esperava aquela resposta. Agora via o problemão que entrou. O que ia fazer? Não tinha namorado, tão pouco um marido...

– Eu... trago sim. — Ainda estava com medo. Tinha medo do que isso tudo ia causar. — Vou... Lavar minhas mãos. — Estavam sujas de tinta. — Licença. — E saiu.

[...]

Se olhava no espelho do banheiro feminino, suas mãos já estavam limpas e cheiravam a lavanda. Ela suspirou. Estava completamente preocupada com aquilo. Depois de dez segundos encarando seu reflexo no espelho, ela viu que seus olhos se enxeram de lágrimas, lágrimas grossas e quentes que não demoraram à cair. ‘’ Mentir só piora as coisas... ‘’ Balançou a cabeça com esses pensamentos. Pegou um pedaço de papel e secou seu rosto. ‘’ Preciso de um marido... ‘’ Fechou os olhos com força, acabou visualizando o rosto de Daniel.

Ele era a solução. Além de se livrar do seu chefe, poderia até descobrir quem era a namorada nova do Daniel.

Sorriu com isso. Diferente de como entrou no banheiro, agora Juliana se sentia determinada. Soltou seu coque, ajeitando seus cabelos. ‘’ Sei que desse jeito ele não vai me negar a ajuda... ‘’ — Pensava, ainda com um sorriso grande embelezando o seu rosto.

Saiu do banheiro.

As coisas pareciam dar certo. Viu que Thalita não estava no seu escritório, era uma outra secretária e acabou descobrindo por ela que Thalita estava doente e havia ganhado alguns dias de folga. Foi Daniel mesmo quem deu. ‘’ Tudo para se afastar dela e assim ela não descobrir nada. ‘’ — Deixou seus pensamentos de lado, já sabia pela nova secretária, que Daniel não tinha clientes então ela poderia entrar sem problemas.

E foi o que Julie fez, entrou sem ao menos bater na porta.

Encontrou Daniel sentado no banco giratório, lia um contrato, usava um óculos de leitura para conseguir enxergar as letrinhas miúdas. Estava com o cabelo bem bagunçado e a camisa social do seu terno estava um pouco aberta na parte do peito, mostrando seu toráx.

Juliana queria mesmo é ficar parada, o paquerando secretamente. Mas Daniel percebeu a morena ali. Retirou seu óculos, agora a encarando profundamente. Perguntou. — O que quer?

Ela acordou, viu sua expressão séria e fixa para ela. Daniel estava tão lindo assim...

Parou com esses pensamentos, arrastou uma cadeira e se sentou de frente para ele. — Eu preciso da sua ajuda.

– Eu já disse que a senha do seu e-mail é Castellamare13.

– Não é isso. — Balançou a cabeça.

– Então o que é?

Aquela pergunta a calou fundo. Será que deveria mesmo contar para Daniel sobre isso? Ele parecia tão sério e tão... Profissional.

– Está chorando? — Ele levantou. Julie abaixou a cabeça com isso, queria de algum jeito, secar suas lágrimas sem Daniel perceber. — O que aconteceu?! — Seu tom de voz agora mudou, parecia muito preocupado.

– Eu preciso da sua ajuda. — Era só isso que conseguia dizer.

Se encararam. E Daniel disse. — Não vou poder ajudar se você não falar o que é.

– É que... — Se levantou. — O Demétrius está me tratando de um modo muito... Especial. Entende?

Daniel pensou na Ana e das outras dezenas de secretárias do Demétrius. No fundo, ele sabia que todas eram suas amantes. ‘’ Porque coloquei a Julie nessa?! O QUE DEU EM MIM?! ‘’ — Passou a mão por seus cabelos, os desarrumando ainda mais.

Lembrou do favor que Demétrius havia pedido para ele.

Chegou um pouco atrasado no trabalho e a bronca que levou do seu chefe o deixou com o humor pior ainda. — Já que chegou atrasado, preciso que me faça um favor... — Seu chefe disse, um pouco mais calmo.

Daniel estava calado, só esperando o favor que faria. — Quero que vá para a sala quinze. Estou fazendo uma entrevista de emprego para mais secretárias. E como não tem ninguém para ajudar nas entrevistas... Você pode ir até lá, faça algumas perguntas. Estão todas nesse papel. — Lhe entregou um papel. — Anote quem você acha que é qualificada para o emprego.

– Hm, quantas vagas? — Perguntou meio sem vontade.

– Uma.

– Mas... Que p... — Ele engoliu o palavrão. — Porque só uma vaga?

– Digamos que... Eu precise de uma secretária... Só para mim. — Daniel não notou o sorriso safado do seu chefe, ainda estava tonto, além de sentir dores na cabeça. Nem prestou muito a atenção.

Aquele sorriso torto de Demétrius fez todo o sentido agora. Se Daniel estivesse um pouco mais atento naquele dia... Jamais daria essa vaga para Julie. — Me ajuda, por favor. — Ela suplicou e ele acordou dos pensamentos.

– Se demita! — Era o único jeito.

– N-não. — Pausou. — Não posso. — Balançou a cabeça. — Não quero voltar a ter a mesma vida de antes. Pelo menos com o emprego eu tenho algo para fazer... Não fico em casa pensando no nosso filho — ‘’ E em você. ‘’ — Por favor Daniel, entenda. E... Agora é que eu não posso me demitir mesmo porque eu fiz uma besteira.

– O que?

– Eu disse que sou casada, disse isso só para me livrar dele.

– Você não é casada. — Cruzou os braços.

– Eu sei, é por isso que eu quero que você me ajude.

– …

– Finja ser meu marido.

– Fingir?

– É. — Forçou um sorriso. — Porque ele disse que queria conhecer o meu marido.

Daniel se calou, esse silêncio foi o suficiente para Juliana ficar tensa. — E então? Vai me ajudar? — Quebrou o gelo.

Ele caminhou até sua mesa, bebeu um pouco de água. — Não sei.

– O que?! Você é minha única esperança!

– Entenda. — Colocou o copo no lugar. — Eu também trabalho aqui. Isso pode me prejudicar.

Julie se calou, não tinha pensado assim. — Eu não quero te prejudicar... — Sussurrou.

– Eu sei. Mas o que não sabemos é como ele vai reagir. Quando descobrir que sou eu. — Pausou. — Bem que quando ele me contratou... Estávamos noivos.

– Então! Ele vai acreditar! Hein Daniel! É só ir até lá e mandar ele parar de mexer comigo! — Estava tão desesperada, que sem pensar duas vezes, ela o abraçou. Abraçou forte e Daniel retribuiu.

Ele acabou sorrindo com esse abraço. Fechou os olhos, alisando a cintura e subindo suas mãos até as costas dela. Beijou seus cabelos, sua testa e o seu rosto. Só pelo abraço, ele já toparia por seu emprego em risco e enfrentar o chefe.

Porém, lembrou de alguém.

– Não posso. — Se soltou. Sua voz estava determinada. Mesmo que no fundo do seu peito, ainda se sentisse confuso.

– Como assim não pode? Porque?

Ele hesitava um pouco, balançou a cabeça, agora pensando ‘’Será que devo contar?’’ — E-eu... Eu te ajudo. — Ela sorriu com isso. — Mas antes preciso pedir permissão para uma pessoa.

– Hã? — Estava tão nervosa que nem se lembrava mais. — Quem?

E Daniel achava que ela não sabia. Achava que finalmente, sua irmã Beatriz não foi fazer fofoca com a amiga. Agora ele se sentia um pouco nervoso. Queria que Julie tivesse pelo menos um pouco de noção para não ser tão difícil assim, pelo menos para ele. — M-minha... Namorada.

– … — Julie abaixou a cabeça.

– E não é a Thalita. Por isso eu preciso falar com ela antes. — Explicou. — Espere! Onde vai? — Segurou o braço da morena.

Eles se olharam.

– É que eu acabo de lembrar que só fui lavar minhas mãos... E... Não deveria demorar... Com certeza vou levar uma bronca pela demora então... — Se soltou. — Eu já vou indo.

– Eu vou dar um jeito para ele não encostar as mãos em você.

– … — Ela só assentiu, calada, passou pela porta e saiu.

‘’ Maldito, está mexendo com a pessoa mais valiosa para mim. ‘’

[...]

– Querem mais vinho? — O garçon se aproximou da mesa sete.

– Eu quero. — Débora levantou sua taça.

– E o senhor? — Ele se virou para Daniel. O mesmo estava calado, só revirava seu prato. Tentava encontrar mais champignon na sua salada.

– Ele não vai querer não. — Débora respondeu por ele, o garçon assentiu. Indo em direção a outras mesas. — Oi. — Ela sorriu. — Tudo bem?

Ele balançou a cabeça para cima e para baixo. — Não vai falar comigo?

– Desculpe. Só estou um pouco pensativo.

– Sobre?

– Nada não. — Suspirou. — Porque não posso beber vinho?

– Será porque você está de moto?! — Ela riu. — É perigoso. Se beber e dirigir pode cair da moto, ou até mesmo sofrer um acidente pior.

– Hm. — Dessa vez ele sorriu, foi o primeiro sorriso naquela noite. — Você me lembra muito alguém.

– É? Quem?

– Huh, nada... Esqueça.

– Claro. — Amarrou a cara. — O que queria me contar de importante?

– Não posso contar agora. Porque acho que você não vai gostar.

– Não vou gostar? Hum... eu já não estou gostando. — Sorriu. — Fala.

– Mais tarde. — Ainda não tinha planejado como contaria o lance do seu trabalho para a Débora. Ainda mais porque envolve sua ex-esposa.

Os dois terminaram de jantar. Já não tinham muito o que fazer, afinal, passaram a tarde inteira em um parque de diversões já que Débora pediu muito, ela foi a única que se divertiu. Daniel estava mais na dele, calado... Até um pouco estranho... Não curtia nada naquela noite, o parque, a montanha russa, o jantar que fizeram depois e nem ao menos o vinho. A única coisa que ele pensava era na Julie.

Ele dirigia a moto enquanto Débora o abraçava por trás. Essa foi a única parte divertida do passeio para ele.

Porém, o divertido logo se transformou num tédio só. Afinal, um acidente de carro um pouco mais a frente da avenida os deixaram presos no trânsito.

Débora apoiava todo o seu corpo em cima das costas de Daniel. — Oh, para... Psiu. — Viu pelo espelho da moto que a mesma dormia. — Acorda. — Soltou uma das suas mãos do guidão.

A cutucou. Mas foi em vão.

A morena continuava dormindo. Quase babando nas suas costas.

– Tá certo, agora ela vai acordar. — Sussurrou e não hesitou em buzinar.

Ela logo acordou com o barulho alto. — Nossa! Para! — Riu. — Desculpa, é que eu não gosto de ficar presa no trânsito.

– Ninguém gosta. — Pausou. — Está com sono?

– Um pouco. Sou uma pessoa muito ativa. Não consigo ficar parada muito tempo em um só lugar. — Viu que seu namorado deu um jeito de sair daquele trânsito, na verdade, ele dirigiu a moto pela calçada, devagar e com cuidado para não atropelar ninguém. — O que está fazendo?

– Nós vamos passar a noite em um hotel. Não estou afim de enfrentar esse trânsito.

– Tem certeza amor? Não precisa gastar seu dinheiro comigo.

– Não tem problema. — Ele sorriu de lado. — Não é só por você, é por mim também.

Havia um hotel ali por perto, não demoraram muito para os dois chegarem lá. Não era um hotel muito caro, mas era bonito.

Ele deixou a moto na garagem, os dois entraram no quarto de mãos dadas. O quarto não era tão grande, mas também não era tão pequeno. Era até um pouco chique, tinha uma banheira de hidro massagem. Uma cozinha pequena, uma mesinha forrada para um jantar à luz de velas. Tinha até uma TV 22 polegadas de led e um notebook.

Porém, Débora enxergou apenas a cama. Puxou seu namorado e os dois caíram no colchão macio e confortável. — Está bom para passar uma noite? — Ele perguntou.

– Claro amor, está ótimo! Obrigada! — Como agradecimento, ela o beijou.

Ele retribuiu e quando se deu conta, Débora estavam em cima dele. — A nossa noite poderia ficar ainda mais perfeita, não acha? — A morena perguntou sorrindo.

– Hm, o que está pensando?

– Você vai descobrir... — Ela o beijou novamente, dessa vez o beijo era quente e desesperado. Daniel sentiu as mãos dela desabotoando sua blusa.

[...]

Ele sentiu os primeiros raios de Sol no seu rosto, abriu os olhos aos poucos sem se preocupar com nada, afinal, hoje iria trabalhar só depois das duas horas da tarde.

Percebeu Débora deitada em cima do seu peito. Coberta apenas por um lençol fino. — Huh. — Ele tentou se levantar. A empurrou levemente para que ela se virasse para o outro lado.

A mesma abraçou o travesseiro, continuou a dormir.

Daniel se vestiu. Olhou novamente para Débora e lembrou do único e verdadeiro motivo pelo qual saiu com ela essa noite. Julie. Ele queria muito ajuda-lá, mas para isso, precisava pedir permissão de Débora. Só que não estava muito confiante. Afinal, esses dias Débora admitiu para ele que não gosta da tal tatuagem no seu pulso, e morre de ciúmes da sua ex-esposa. Ele tinha medo de como Débora iria reagir...

Avistou o relógio digital em cima do criado-mudo, marcava quase oito horas. Se levantou, indo até o banheiro. Fechou a porta, se olhou no espelho, estava com a expressão um pouco abatida, talvez por que não dormiu direito essa noite. ‘’ Porcaria de barba...’’ — Passou a mão pelo rosto. Abriu o armário de ultilidades, encontrou uma gilete e uma espuma de barbear.

Lentamente, espalhava a espuma por sua bochecha e queixo. Pegou a gilete e se arrepiou ao ver que era bem afiada. ‘’ Todo o cuidado é pouco ‘’ — Aproximou a lâmina do seu rosto.

Até que ouviu umas batidas fortes na porta, por pouco não se machucou. — Amor! Abre a porta!

Não respondeu, mas destrancou a porta do banheiro.

Logo Débora entrou, estava animada e não escondia o sorriso no rosto. — Bom dia amor da minha vida!

– Oi, bom dia. — Olhava concentrado para o espelho, passou a gilete lentamente. Passava um pouco e depois lavava para tirar a espuma. Tomava o maior cuidado. Suas mãos até tremiam.

A namorada parou ali, o observando. Sentiu sono só de ver a lerdeza de Daniel. — Anda logo com isso Dan! Quero tomar um banho!

– Sch, calma...

– O que foi? Essa gilete está cega?! Porque tá demorando tanto?!

– Porque tem que ser muito bem feito... — Não tirava os olhos do espelho. — Não me distraia...

Ela revirou os olhos, sem paciência, pegou a gilete das mãos dele. — Deixa comigo...

– NÃO! — Ele gritou, se afastando rápidamente. — Me devolve.

– Calma, o que foi?! Eu faço a sua barba.

– Não, não faz. Me devolva.

Débora ficou com raiva daquilo. — Porque?! Somos namorados! Vem cá meu amor, eu faço a sua barba...

– Nada disso. — Pegou a gilete das mãos dela. — Se você me cortar ai fodeu.

– Como assim?

– Acontece Débora... — Voltou para o espelho, continuou fazendo a barba com cuidado. — Que eu tenho Hemofilia.

– O que é isso?

– É um distúrbio que impede a coagulação do sangue.

– Hã?

Ele suspirou. Tentou explicar de um jeito mais fácil. — Se eu me cortar, nem que seja um pouco... Eu perco muito sangue. Entendeu?

– Você é doente?! — Fez uma careta.

Ela o olhou como se ele fosse uma aberração. Daniel percebeu isso e abaixou a cabeça. — Não é contagioso. Fica tranquila.

– Ah. — Ela corou. — Não é que... Eu não sabia disso. — Pausou. — Deveria ter me contado isso a muito tempo.

– Não achei que fosse importante. Não gosto de contar isso para muitas pessoas, só quem sabe disso é a minha família e você.

– Sua ex sabe?

– Sabe. — Respondeu naturalmente.

– Huh. E tem certeza que não é contagioso né? Tipo... Não passou isso pra mim?

Ele a encarou. — Débora por favor, saia. Se continuar aqui eu não vou terminar de fazer a minha barba nunca.

Débora assentiu, ainda o observando de um modo estranho. Passou pela porta do banheiro e saiu.

Ele voltou a se olhar no espelho. ‘’ Pelo menos a Juh me amava do jeito que eu sou... Ela era perfeita para mim ‘’


Notas finais
Vish, O que vai acontecer com a Débora e o Daniel? Hmmm...
E será que ele vai ajudar a Julie com esse problema? Comentem!