Corações Feridos
53 Negando a proposta.
Notas iniciais
Agradeço à minha querida leitora Lizzy por ter recomendado, amei cada palavra sua! Obrigada! ((: *-*
Daniel saiu do banheiro depois de fazer a sua barba, sentiu um cheiro delicioso de café da manhã. Esse cheiro o fez sorrir, pois sabia que vinha da cozinha. Foi até lá e encontrou Débora sentada, ela bebia um suco forte de laranja enquanto comia um pedaço grande de wafer americano com cauda de chocolate. Ele ficou parado observando as coisas que tinham na mesa: Café preto, morango com chantilly, biscoitos de diversos tipos... Pães e... Panquecas amanteigadas.
Lembrou que esse era seu prato favorito, e que Julie sempre fazia para ele...
Abaixou a cabeça, se desligou da realidade por alguns segundos só para lembrar das coisas boas que Julie já fez por ele. Sentiu uma saudade bater no seu coração.
Débora o abraçou, ele retribuiu aquele abraço na hora, abriu os olhos aos poucos. Pensava na Julie, achava que ela estava ali, bem na sua frente.
Mas se soltou do abraço ao ver que era a Débora. — Foi você quem fez tudo isso? — Perguntou se sentando.
– Não. — Pausou. — Foi um rapaz que trouxe toda essa comida. Eu não sei cozinhar.
– Não sabe?
– Não. — Balançou a cabeça e se sentou de novo. — Me desculpa.
– Hm. — Pegou uma panqueca. — Porque está se desculpando?
– Ah, pelo modo como eu reagi quando você me contou sobre esse tal distúrbio.
– … — Não respondeu, apenas pegou um pouco de suco. Daniel detestava conversar sobre isso. Achava que ignorar seria a maneira mais fácil de esquecer.
– Me diga, se a sua ex-esposa sabia disso... Como foi que ela reagiu quando você contou?
Ficou feliz ao ver que Débora falou sobre Julie. Afinal, ele queria encontrar alguma maneira de conversar com ela sobre isso... Achou que esse seria um ótimo jeito de começar. — Bom, ela... Ficou triste, mas me abraçou e me beijou... E nos primeiros dias ela me tratou como um bebê. — Sorriu. — Até que teve um lado bom nisso... — Sussurrou. — Ganhei mais atenção dela.
‘’ Parece que ela reagiu de um jeito bem diferente de mim. ‘’ — Débora pensou. — Nossa, você falando assim me faz achar que ela é... Perfeita!
– Não, não é. — Pausou. — Só que ela me amava muito...
– Hum, amava. Passado.
– … — Ele molhou o biscoito no chocolate, se sentiu triste com as palavras de Débora, ainda mais porque era a mais pura realidade.
Débora percebeu sua expressão. Ela se levantou, sentando no colo do namorado. Brincou com seus cabelos e beijou seus lábios, limpando o chocolate.
Ela carinhava seu rosto. — Tá bom, eu tenho um pouco de ciúmes da sua ex. Sei que não conheço ela mas só do modo de ver o seu sorriso quando eu falo dela, eu... Já fico com ciúmes porque eu me apaixonei por você, amor. Desde o nosso primeiro beijo. — Ela abraçou sua nuca, deitou sua cabeça no ombro de Daniel, beijando levemente o seu pescoço. — Sei que não deveria ter reagido daquela maneira, mas é que... Essa noite foi tão perfeita para mim. — Sorriu. — Saímos juntos, jantamos juntos e fizemos amor. Ai chega de manhã e você me conta isso...
– Tá bom. — Ele assentiu lhe dando um beijo, segurou o seu braço, ela entendeu e se levantou. — Não fica triste, eu já aceitei suas desculpas. — Os dois sorriram ao mesmo tempo. — Sente, Débora. Eu preciso te falar uma coisa.
– Claro. — Ela sorriu e se sentou no lugar que estava. Apoiou seu rosto com o cotovelo, olhando diretamente para Daniel. — Fala.
– Bem, eu deveria falar isso contigo no jantar, mas fiquei adiando... — Suspirou. — Acontece que a Julie me pediu um favor.
– Julie? A... Garota da sua tatuagem? — Já mudou de expressão, ficou séria.
– É. Ela. — Pausou. — Nós trabalhamos juntos. No mesmo prédio, e logicamente temos o mesmo chefe. — Explicava, ela o ouvia, atenta. — Só que nosso chefe está assediando ela.
– Você está com ciúmes da sua ex com o seu chefe? — Ela soltou uma gargalhada irritante. O loiro continuou calado até que ela disse: — Daniel, deixa pra lá. Ela dá confiança... Então...
– Não. Ela não dá confiança, eu conheço ela e sei que não é esse tipo de mulher. Me deixa terminar de falar?! — Débora assentiu. Ele retornou ao assunto. — Ela me pediu um favor para se livrar do nosso chefe.
– Qual é esse favor?
– Para fingirmos ser casados. — A cada palavra que Daniel dizia, Débora sentia um ódio nascer dentro dela. Mas se controlava. — Assim eu vou até o escritório dele e digo para ele parar de mexer com ela porque isso... Está me aborrecendo. — ‘’ E está mesmo. ‘’ — Entendeu?
– É um favor um pouco estranho, não acha? — Forçou uma risada.
– Eu até que achei fácil. — Disse bebendo um pouco de café. — É só fingir. — Viu que Débora não parecia muito feliz. — Mas eu só faço se você aceitar. — Pegou a mão da namorada, entrelaçando os seus dedos.
– Ela não sente mais nada por você, né?
– Não. Não sente.
– E você por ela? — Ele ficou calado. E Débora insistiu. — Hein?
– Não.
– Hm. — Soltou suas mãos. — Não acho uma boa ideia. Ela deveria resolver seus problemas sozinha.
– Então não vai aceitar? — Se levantou.
– Não. — Ela cruzou os braços. — Desculpa amor, mas acho isso tão estranho! Não quero dividir você com ninguém.
– Eu só vou até o nosso chefe, falo para ele deixar a Julie em paz!
– Não, não... É... Loucura! E se ele quiser descontar em você? Diminuir o seu salário ou então te demitir? Deixe as coisas como estão.
Ele mordeu seus dentes. Olhava fixamente para Débora. Sabia que ela ia ter esse tipo de reação desde o começo, por isso deixou bem claro para Julie. Porém, na hora ele sentiu um pouco de revolta... Sempre ajudou Juliana, desde a época do colégio com a Thalita e as amigas patricinhas dela... Até a sua formatura e a primeira vaga de emprego.
E agora simplesmente não poderia ajudar pois sua nova namorada não permitia.
Se sentiu triste. Mas também pensou no lado de Débora. — Tudo bem. — Balançou a cabeça e lhe deu um beijo fraco e triste no rosto. — Vou arrumar nossas coisas para irmos... — Anunciou, indo até o quarto.
[...]
Chegou um pouco atrasado no trabalho, mesmo pegando as duas horas da tarde. Precisou levar Débora até em casa, ajudou sua mãe com algumas compras no mercado, almoçou, se arrumou e ainda ficou um pouco preso no trânsito, mesmo de moto.
Entrou no seu escritório. Encontrou a última pessoa que queria ver: Thalita.
Ela estava sentada em cima da sua mesa, suas pernas estavam cruzadas, deixando sua saia curta subir ainda mais. Ele suspirou com isso e viu que a loira segurava um papel. Arregalou os olhos, mas já era tarde de mais. — Eu li. — Ela quebrou o gelo, balançando o papel. — Cartinha de amor. Ui.
– Me dê. Isso não é da sua conta. — Pegou das suas mãos e viu que além da cartinha, Thalita também viu a foto dele e de Débora juntos.
– Pretendia esconder isso de mim?
– Só não queria que você se chateasse...
– Você é um idiota! — Balançou a cabeça. — E-eu... te amo Daniel. Te amo mas ao mesmo tempo te odeio profundamente! — Gritou, sem se controlar. — Parece que eu ganhei uma nova rival.
– Vocês duas vão disputar o meu amor? — Thalita assentiu. — As duas vão perder. Te garanto Thalita, que eu amo a Julie mais do que vocês duas juntas. — Sua seriedade a impressionou. — Mas... — Suspirou. — Estou disposto a esquecer a Julie. Vou ficar com a Débora, ela é a mulher certa para mim. — Guardou a carta no seu bolso.
– Hm. — A loira o olhou torto. — Chegou atrasado, Demétrius quer te ver.
Daniel revirou os olhos com aquilo. ‘’ Mas que droga... ‘’ — Não hesitou em sair do seu escritório. Aliais, até que não seria uma coisa ruim, já que precisava encontrar Juliana e conversar com ela.
Bateu na porta, porém, entrou sem esperar respostas. Logo viu uma mulher sentada na cadeira giratória do computador, a saia era tão curta quanto a de Thalita. Usava o cabelo solto de um modo bagunçado ‘’sexy’’ e um salto alto, mas escondia seu rosto com um livro. — Boa tarde, Ana. Demétrius está? — Daniel perguntou.
A moça tirou o livro do rosto e pela primeira vez, o trabalho entediante de Daniel o surpreendeu. Ela estava com uma blusa decotada, mostrando a linha dos seus seios. Usava um batom forte e vermelho. — Julie? — Fazia questão de esconder o rosto, mas ele já tinha certeza que era ela. — O que é isso tudo?!
– Isso tudo sou eu. Com... — Se levantou. Puxando mais a sua saia para baixo. — O meu novo uniforme. Estou ridícula.
– Não. Você está é... Linda de mais para um ambiente de trabalho. — Não conseguia tirar os olhos dela.
Isso só a deixou mais envergonhada.
– Acha que eu queria estar usando essa roupa?! Não usaria nem na balada! — Levou as mãos ao rosto. — Por favor, pare de olhar para mim. Está me deixando tímida!
Ele se aproximou, puxando as mãos de Julie do seu rosto. — Olha pra mim. — Pediu e seus olhos se focaram. — Quem mandou você vir vestida assim?
– Quer mesmo saber? O nosso chefe. — Respondeu com um fio de voz. Não esperou Daniel responder, o abraçou pela nuca. — Olha só, estou do seu tamanho! Esse salto deve medir uns... dezoito centímetros! E está me machucando. — Disse tirando o salto esquerdo. Julie se apoiava na nuca de Daniel.
Mas o loiro agarrou Juliana, deixando a mesma sentada em cima da mesa. Ela riu, não esperava por aquilo. — Me assustou, pensei que eu ia cair. — Disse, ainda rindo.
Ele riu junto, gostava de ver Julie feliz. — Tem paranóia até de cair da mesa?
– Acho que sim, por causa desse salto. Estou em tempo de quebrar a perna com eles. — Ela tirou o outro salto com o pé esquerdo. — Fico feliz em te ver aqui. — Julie disse, brincando com os cabelos de Daniel. Sorriu. — Mas... Porque está aqui?
– Vim falar com o Demétrius.
Julie abriu um sorriso ainda maior. — Então vai me ajudar? — Viu que Daniel não respondeu. Ele somente abaixou a cabeça. Aquilo deixou Julie desanimada. — Não vai?
– Me desculpe. Eu não posso.
– Porque? — Perguntou em um fio de voz. — Sua namorada não deixou?
– É, foi isso. — Tocou no seu rosto. — Me desculpe.
– Mas o que isso tem de mais?
– Huh, eu acho que se fossemos casados, ainda, você também não ia gostar de me dividir com uma outra mulher, não?
– Eu ia detestar. — Concordou. — Parece que foi uma má ideia...
– Mas independente disso, eu prometi que ia dar um jeito dele não mexer mais contigo.
– Mas a sua namo-- Ele colocou os dedos nos lábios de Julie.
– Não importa o que ela vai achar. — Balançou a cabeça.
– Daniel. — Os dois ouviram uma voz grossa e apavorante. Viraram seus rostos e viram Demétrius bem ao lado deles. — Chegou atrasado, porque está aqui? — Perguntou cruzando os braços.
– Bem senhor. A Thalita me disse que o senhor queria falar comigo.
Ele o olhou confuso. — Quando?
– Eu já entendi senhor. Ela só me disse isso para me fazer perder tempo.
– Então anda. — Ele bateu palmas. — Volte ao trabalho. E você querida, desça da mesa.
Daniel assentiu, segurou a cintura de Julie para que ela saísse da mesa. A morena segurou a nuca dele, e os dois se abraçaram. Daniel a colocou no chão, eles se olharam e ele logo percebeu que ela continuava triste. Na verdade, sua expressão mudava quando Demétrius se aproximava. Ele trincou seus dentes, era um rapaz calmo, mas assim que se virou para o seu chefe e viu o mesmo beijar a mão de Julie. Sentiu uma raiva intensa domina-lo.
Mas respirou fundo e passou pelos dois.
Caminhava pelo corredor, tentava encontrar uma maneira de vigiar e proteger sua amada, sem seu chefe perceber. Acabou pensando em uma maneira, não muito boa para conseguir isso: Era passar o máximo de tempo ao lado de Julie, mas para isso... ‘’ Vou precisar ir até o escritório dele... ‘’ — Era o único jeito, já que Juliana não saia muito de lá.
Com esses pensamentos, ele estava determinado. Sorriu fracamente, deu meia volta e sem bater na porta...
Entrou.
Lá estava seu chefe tentando ensinar sua ex-esposa à mexer no computador do escritório, não seria nada de mais a não ser a mão dos dois por cima do mouse e os olhos do seu chefe no decote dela.
– Senhor. — Daniel o acordou. — Esqueci meu celular aqui.
– Então procure! — Gritou aborrecido. — Não te pago para flautear por ai! — Ouviu o telefone da outra sala tocar. Revirou os olhos. — Só um minuto, querida. — Disse sorrindo, deu um beijo no rosto de Julie.
– Você não esqueceu seu celular aqui. — A morena sussurrou enquanto limpava sua bochecha.
– Quer que eu vá embora e te deixe aqui com ele?
Julie sorriu. — Vai me ajudar?
– Eu disse que ia dar um jeito.
– Muito obrigada! — Não escondia sua alegria, Julie se sentia completamente protegida ao lado de Daniel. E sem se conter, ela se levantou, indo em direção dele.
Juliana o abraçou forte. Ele retribuiu, fechando os olhos. Sussurrou no ouvido dela. — Não se solta não.
– O que? — Ela escondeu um sorriso tímido. Acabou se soltando. Mas os dois ainda estavam próximos quando seu chefe voltou.
– Encontrou seu celular?
– Ah... N-não senhor.
– Venha procurar uma outra hora! — Eles dois se entreolharam. — Quero ficar sozinho.
– Hm, se ele quer ficar sozinho... então vamos Juh. — Disse o loiro segurando a mão dela.
– Vamos! — Ela sorriu, entrelaçando seus dedos.
– Mas que palhaçada é essa?! Quero que ela fique e que você saia!
Se calaram. — Venha querida, preciso que me ajude com alguns papéis... — Demétrius a puxou.
[...]
Daniel estava na copinha, tomava um pouco de café. Estava desorientado com tantos pensamentos. Não conseguia parar de pensar em Julie. — E ai, Daniel! — Martim se aproximou sorrindo. — Como vai?
Ele bebeu mais um pouco de café. — Vou indo e você?
Eles se conheciam desde a época do colégio, logo Martim notou que Daniel não estava bem. — O que aconteceu cara? Porque você está assim? Anda trabalhando muito ultimamente?!
– Você sabe que a Julie está trabalhando aqui, não sabe?
Martim sorriu, se sentando ao lado dele. — Sei sim. Ainda gosta dela?
Ele tossiu. — Fala mais alto, ainda não te escutaram em Santa Fé. — Resmungou. — Não é sobre isso que eu estou falando, é que ela é a nova secretária do chefe.
– Hm, você sabe o que o Demétrius faz com as secretárias não sabe? — Martim deu um sorriso safado.
– Eu sei. E isso está me aborrecendo! — Passou a mão pelos seus cachos, os puxando com força. — Quando vejo ele com ela me dá vontade de... Socar a cara dele com muita força.
– Ai você vai pra rua. — Martim era o mestre em dizer o obviu. — Mas você precisa ajudar a Julie de alguma forma. Vocês eram namorados e até se casaram! — Daniel apenas ouvia, sem prestar muito a atenção, já que seu amigo não dizia coisas muito inteligentes. — Se o chefe pensar que ela é casada, vai parar de mexer com ela.
– É! E-ela já falou isso para ele. Mas... Era mentira!
– Nem tanto. — Balançou a cabeça. — Ela já foi casada, certo?
– Hm.
– Poxa, porque ela não pede para o Nicolas ajudar ela nisso?!
Daniel mordeu seus dentes. Puxou com força a blusa de Martim. — Porque veio falar sobre o Nicolas? SE EU QUE FUI O MARIDO DELA?
– Calma cara, me larga! — Daniel o soltou, Martim ajeitou o seu terno. — Só pensei nele porque ele é o sobrinho do Demétrius.
– Foda-se. Ele não tem nada a ver com isso e ele vai é complicar mais as coisas.
– Sabe quem está complicando as coisas?! Você. — Se levantou. Deu uma olhada rápida para o relógio digital na parede da copinha. — Eu tenho que ir, preciso entregar essa pasta para o Demétrius.
– Eu entrego. — Não esperou Martim responder, pegou a pasta azul. — Assim eu fico de olho nos dois. — Explicou. Passando pelo amigo.
Martim cruzou os braços, balançou a cabeça e riu fracamente. — Eu ainda vou ser convidado para o segundo casamento deles.
[...]
Daniel bateu na porta do escritório. Sorriu ao ver que Julie atendeu. Ela abriu mais a porta e ele entrou. Colocou a pasta em cima da mesa. Viu que seu chefe teclava no computador. — O que faz aqui de novo Daniel? Já disse para vir procurar seu celular uma outra hora.
– Eu sei senhor, só trouxe a pasta que o senhor pediu.
– Estranho, pedi esse favor para o Martim. — O olhou desconfiado. — O que houve com o Martim?
– Sabe como ele é, senhor. Preferiu azarar na copinha do que cumprir com o seu trabalho.
– Hm. Vou ter uma conversinha com ele mais tarde. Agora pode sair. — Disse gesticulando com as mãos.
Ele e Julie se entreolharam, não acharam que seria tão rápido e Daniel já não tinha mais nenhuma desculpa em mente para vir até a sala dele o tempo todo. — Não quer mais nenhuma ajuda? — Perguntou.
– Quando eu precisar da sua ajuda, Daniel. Eu vou pedir. — Pausou. Levantando o rosto para Julie. Sorriu. — Amor, quero a sua ajuda. Só sua.
Ela engoliu em seco e assentiu.
Daniel cerrou seus punhos. — Para quê quer a ajuda dela?! — Perguntou levantando um pouco a sua voz.
Isso foi o suficiente para seu chefe se levantar e bater as mãos na mesa. — Não acha que quer saber de mais?!
Julie já se sentia tensa com aquilo. Ficava nervosa, não gostava de ver Daniel discutindo com ninguém, ela sentia uma vontade enorme de correr e abraça-lo. Ele viu que Juliana estava nervosa. Não respondeu ao seu chefe, apenas passou por eles e saiu.
– Não sei qual é o problema dele. — Dizia Demétrius. — Parece muito interessado nas coisas que a gente faz.
– …
– Me ajude com esses papéis querida. — Ele abriu a pasta que Daniel trouxe. — Organize nas gavetas, de acordo com a letra inicial do nome. — Julie assentiu.
Pegou alguns papéis, viu que se tratavam das fixas dos funcionários. Tinha foto, o nome completo, idade, o setor que trabalhava e até o CPF. Ela pegou algumas fixas e foi organizando, de acordo como ele pediu.
Tinha muitas fixas, ela acabou embaralhando algumas, afinal, sempre ficava nervosa quando estava sozinha com Demétrius. — Eu ajudo. — Ele sussurrou, organizando algumas fixas e deixando em cima da mesa para facilitar o trabalho de Julie.
Porém, parou e analisou duas das fixas. Julie sentiu um arrepiou ao ver a expressão séria no rosto dele. — Você e o Daniel... — Disse ainda encarando as fixas.
As colocou em cima da mesa. Julie parou o que estava fazendo para prestar a atenção. — Vocês dois... Tem o mesmo sobrenome?
Seu coração acelerou com isso. ‘’ Porque ainda estou com o sobrenome dele nas fixas? ‘’ — Deixou os pensamentos para lá. — Eu disse que sou uma moça casada. — Ela empinou o nariz. — E ele é meu marido.
– Ah, é? — Ele ergueu a sobrancelha. Julie ficou com medo do seu tom de voz. — Entendi o porque dele vir aqui o tempo todo. São casados? — Ela assentiu. — Hm, e porque não estão usando alianças?
– B-be-em é por-que... Estam-os no tra-balho e aqui a gen-te ten-ta não... — Estava embolada. — Não ter nenhum laço a-amoroso. — Até que para ela foi uma desculpa convincente.
Ele estava sério. — Eu ainda não acredito. — Balançou a cabeça. — Já perdi as contas de quantas amantes tive aqui. E claro que algumas eram difíceis como você, já ouvi essa historinha de casamento muitas e muitas vezes. — Pausou. Levando a mão ao telefone. Discou uns números — Vou ligar para ele. — Sussurrou isso. No segundo toque, ouviu alguém atender. — Daniel, venha aqui imediatamente.
Notas finais
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