Notas iniciais
*A aventura no navio já tinha a participação dos três principais heróis da DC, a quem chamam de TRINDADE: Batman, Superman e Mulher-Maravilha, contudo, aqui na nossa estória, estamos inserindo-os em sua primeira aventura como ‘Trinity’; *Eu resolvi introduzir à estória a primeira ação deles, contra o vilão que neste capítulo se revelará, como parceiros, amigos e fundadores de uma ‘sociedade da Justiça’, que depois há de se tornar uma Liga; *Mas isso é outra estória... Vamos ao texto e boa leitura, meus queridos!

A viagem para baixo do túnel de ventilação foi rápida e um bem-vindo alívio do calor equatorial alcançou Clark, Bruce e Diana. Eles estavam numa ilha remota de formação vulcânica em algum lugar no Centro do Triângulo das Bermudas. Após quase 10 dias de trabalho incansável, Bruce havia localizado o possível esconderijo onde Slade havia se escondido, há doze quilômetros de onde os localizadores emitiram o último sinal. A Trindade estava finalmente reunida – Batman, Mulher-Maravilha e Superman foram juntos à ilha, devidamente uniformizados e dispostos a descobrir os planos de Slade e o mandante por trás de tudo.

Eles pousaram com o Batwing na costa oeste da ilha, depois que Bruce conseguiu invadir parte do sistema de segurança informatizado do lugar e passar despercebido pelos radares. Eles encontraram apenas a ilha, intocada, mas a visão de raio-x do homem de aço indicou uma mega estrutura sob seus pés, abaixo da superfície.

O ar outrora quente do clima tropical agora estava úmido e frio quando eles desceram através do acesso de ventilação. O morcego calculou que haviam descido uns 200 metros antes de chegar ao término de sua viagem. Eles viram guardas armados atravessando os ambientes, quando de repente, uma inundação de luzes foi acesa, revelando uma porta de segurança de aço que garantia a entrada para outra câmara. Bruce e seus companheiros ficaram espantados com a extensão da operação e a estrutura moderna que o lugar oferecia.

Na imensa sala haviam quatro fileiras de supercomputadores ultra modernos, com um total de vinte consoles, alguns dos quais foram sintonizados em vários canais de notícias de rede globais, incluindo CNN e Al-Jazeera. Na frente dos computadores, um mapa de tela global digital da Terra cobrindo toda a parede . ‘Era maior que as instalações da caverna’, pensou Batman e, pior, a tecnologia era certamente mais avançada.

Eles continuaram deslizando rumo ao salão principal onde um homem robusto estava de costas, com os braços cruzados para trás, em uma postura muito austera e poderosa:

Você ainda acha que eles podem nos atacar? – Slade perguntou ao homem que sequer virou-se para observá-lo, em um sinal claro de seu desdém para com o mercenário.

— As nossas instalações podem resistir a um ataque direto de até uma ogiva nuclear de 250 quilotons. – Ele sorriu com ironia. – Considerando-se que um míssil teleguiado teria que voar horizontalmente em nossa direção, para um ataque direto, nossa tecnologia é avançada o suficiente para emitir os alertas e nossas defesas aptas para segurar o impacto. Isso é praticamente inexpugnável.

O homem virou-se lenta e regiamente para Slade, olhando-o de cima, como se olha um mero lacaio: – O que me intriga ainda é seu relato sobre um meta-humano tê-lo atacado e forçado a recuar. – Ele levantou a sobrancelha em sinal de curiosidade – Diga-me mais sobre esta mulher.

— Eu não sei nada sobre ela. – Slade se esquivou, temendo uma represália mais severa de seu contratante – Ela estava no navio, provavelmente disfarçada e me atacou quando teve oportunidade. Ela era forte... muito forte. Era veloz e podia voar. Eu imaginei que fosse, como eu já fui, alguém enviado pelo Governo, que descobriu sobre as extorsões.

— De fato, intrigante! – Ele ponderou, levando à mão direita ao queixo, dedilhando o negro cavanhaque crespo – Mas desconfio que o Governo Americano esteja fora disso. Minhas fontes infiltradas asseguram que o projeto Cadmus ainda é embrionário e Weller não fez movimento algum que indicasse conhecimento das nossas atividades... Certamente, há outros envolvidos.

Slade continuou em silêncio enquanto o homem circulava pelo vasto salão à passos lentos e firmes, falando consigo mesmo, como se pensasse em voz alta.

— Talvez uma agência de inteligência que desconheçamos ainda. Uma agência como a CIA, o MI6 ou o FBI, mas que atua de forma independente, do contrário, eu saberia... Já que tenho informantes espalhados em todas elas... – Ele parecia calmo demais para Slade – Mas isso pouco me importa. Eles não serão capazes de nos parar.

O homenzarrão aproximou-se de um dos controladores, sentado em frente a uma tela de computador, operando um dos consoles e colocou a mão pesada sobre seu ombro.

— Prepare o equipamento agora... Nós vamos dar início à fase II imediatamente. – Ordenou.

O homem assentiu e saiu da sala. Ele sabia exatamente o que fazer a partir da ordem de seu líder.

(...)

Bruce observou vários pontos de luzes vermelhas piscando em uma das imensas telas de um dos computadores do salão principal, onde estavam o homem e Slade conversando. A tela exibia um mapa-mundi e ele logo percebeu que as luzes estavam dispostas sobre algumas das grandes cidades ao redor do mundo. Em uma olhada rápida, ele identificou: Tóquio, Washignton DC, São Paulo, Sydney, Los Angeles, Cingapura, Paris, Amsterdã, Jerusalém e Hong Kong, mas haviam muitas mais espalhadas por cada um dos continentes.

Junto com Kal e Diana, ainda escondidos no tubo de ventilação, ele viu quando uma equipe adentrou a sala carregando equipamentos que estavam longe de pertencer a um arsenal bélico: Eram câmeras e um microfone de lapela. A equipe parecia bem ciente do trabalho e muito versada no que diz respeito à publicidade. Eles orientaram com maestria toda produção do que parecia ser uma transmissão via satélite para todas as mídias de comunicação.

Escolheram uma parede neutra – para evitar qualquer tentativa de localização através da identificação do relevo da caverna – Trouxeram um púlpito de madeira, ajustaram o microfone sob uma das golas do imponente traje de seu líder, maquiaram-no sutilmente para causar a melhor das impressões no vídeo e ligaram as três câmeras dispostas no salão, todas em sua direção.

O homem operando a câmera principal ergueu uma das mãos, fazendo uma contagem regressiva: – Ao meu sinal... em três... dois... um... e gravando!

A mulher ao lado do câmera-man sussurrou para o homem no púlpito e ele pode ler seus lábios: – Estamos ao vivo, para todo mundo!

Todas as transmissões de TV transmitiam agora uma única imagem. Não adiantava tentar mudar de canal. Todos os canais, na TV aberta ou à Cabo estavam transmitindo obrigatoriamente a mesma coisa. Na internet também não fora diferente. Todas as mídias de transmissão de imagens estavam obrigadas a retransmitir a mesma comunicação. Em todo mundo, onde houvesse uma TV, rádio ou web ligada, a imagem do ditador estava sendo transmitida, em inglês, mas com a devida legenda, em conformidade com a língua nativa de cada nação. ‘Era de fato uma trama bem elaborada, que dispunha de um arsenal tecnológico invejável’, Bruce pensou.

— Minhas sinceras saudações à população mundial – O homem deu início à seu discurso – Deixem-me apresentar: eu sou Vandal Savage e estou aqui para guiá-los para o que será, em breve, uma Nova Era do período evolutivo da Humanidade. – Ele deu um sorriso cínico para as câmeras antes de continuar.

— Quero me aceitem como seu líder supremo, a quem devem obediência, respeito e temor. Eu governarei a Terra e os conduzirei através de um reinado de paz, prosperidade e fartura. A única condição é que permaneçam dóceis e obedientes sob o meu julgo. – Os olhos do imortal traziam um fogo predatório de poder.

— Do contrário, sofrerão as consequências... – Ele afirmou, sem qualquer emoção. – Há ogivas nucleares apontadas para cerca de 12 cidades ao redor do mundo, em cada um dos continentes. A escolha foi ponderada para atingir exatamente os locais mais populosos e onde a devastação nuclear poderá atingir proporções ilimitadas.

— Os líderes de cada país tem exatamente 24 horas para me enviar uma mensagem de rendição para que eu possa assumir devidamente o controle de armas, tecnologia e pesquisas científicas de cada país e tomar minhas medidas de governança. – Ele soltou a ameaça com firmeza.

— Para dar um toque de veracidade às minhas intenções e dispensar qualquer questionamentos sobre minha coragem de destruir parte do mundo, lhes darei uma pequena amostra do que posso fazer – Savage olhou em direção a um dos homens no computador e assentiu com a cabeça em sinal de afirmação.

Em pouco menos de um minuto uma imagem de uma bomba explodindo tomou a tela de transmissão. Todo o mundo viu o que parecia uma ilha ir pelos ares, em pouco mais de trinta segundos. A legenda indicava o local: uma das ilhotas que compõem o imenso território japonês, com cerca de 15 mil habitantes. Os militares reunidos no pentágono logo exigiram informações sobre a confirmação do ataque e do local, imediatamente confirmado por todos as suas agências de Inteligência oficiais e extra-oficiais. O governo japonês emitiu alerta de tsunami imediatamente... pelo tamanho da explosão, praticamente todo o país observou o clarão emitido pela bomba.

O mundo estava perplexo... Militares, políticos, embaixadores, líderes de todo mundo se reuniram em seus países para tomar a decisão. Não podiam entregar o mundo a um louco ditador, mas não podiam correr o risco de serem dizimados sumariamente. Os governos Americano, Russo, Francês, Inglês, Alemão e Japonês se reuniram através de vídeo-conferência para tentar ajustar-se coletivamente às medidas prioritárias naquele momento. Os americanos e russos iriam trabalhar juntos em uma ação conjunta de retaliação sigilosa por meio de seus agentes espiões para, se não impedir de imediato, mas derrubar posteriormente os planos ditatoriais de Savage.

— Vocês têm 24h, a partir de agora! – Savage bradou sem qualquer vestígio de remorso. A imagem de um cronômetro fora imediatamente exibida, marcando precisamente 24h 00m 00s. Assim que Vandal deixou o púlpito, o relógio passou a assumir uma contagem decrescente.

Bruce, Diana e Clark congelaram diante da barbárie que testemunharam. Seu inimigo era um sádico ditador louco, com sede de poder, além de completamente disposto a dizimar mais da metade da população mundial para garantir o sucesso de seus esforços. O destino do mundo estava nas mãos deles... Falhar não era uma opção!

(...)

Ao sinal de Bruce, os três desceram do tubo de ventilação para a sala principal, onde ocorrera a transmissão, aproveitando-se de um possível momento de descuido de Savage.

Slade assumiu instintivamente uma posição de defesa, surpreendido pela ação furtiva daqueles três loucos recém-infiltrados no QG estabelecido por seu contratante.

— Parem imediatamente a contagem regressiva ou nós vamos ter que obrigá-los a parar! – Mais da metade dos controladores engoliram seco de medo quando ouviram Bruce emitir a ordem. Seu tradicional barítono ganhava um tom apavorante e duro quando sobmetido à variação de frequência modular do aparelho embutido no capuz. Diana podia jurar que a ordem vinha do próprio Zeus, tamanha a autoridade e poder contido naquela voz.

Savage, ao contrário do mercenário e de seus homens, olhou friamente para os dois homens e a mulher à sua frente. Sua face não escondia seu desdém para com eles, perceptível pelo sorriso falso e irônico que ele emitiu em seguida.

— Tolos patéticos... vocês acham mesmo que podem me parar?! – Ele rugiu como se fosse uma fera. Sua voz poderosa ecoou pelo recinto, causando tanto ou mais medo que o Morcego em seus homens. Um silêncio aterrador sucedeu-se por cerca de um minuto. Os olhos de Savage estavam vidrados nos três à sua frente... Nenhum dos quatro fora sequer capazes de piscar.