Narrado por Renesmee


Já faziam três dias desde que chegamos àquela cabana, e o tempo ali parecia correr de forma diferente, quase suspenso. Não havia notícias do mundo lá fora, não havia vozes, não havia conflitos nos alcançando. Era como se tivéssemos criado uma pausa dentro do caos, um espaço onde nada além de nós dois importava. Ainda assim, uma parte de mim sabia que aquela tranquilidade era temporária, frágil, como algo que poderia se desfazer a qualquer instante.


Minhas pernas envolviam a cintura de Jacob enquanto eu o sentia entrar e sair de dentro de mim de uma forma rápida e intensa. Nossos corpos se chocando pela quarta vez naquela noite como se necessitassem estar conectados.

Como lobos era tudo mais intenso.

Fechei os olhos e arranhei as costas dele me entregando ao prazer que explodiu em meu corpo, a boca dele deslizava pelo meu pescoço dando chupões que com certeza deixariam marcas, mas isso não importava.

- Jake....eu gemi alto, gemido que foi abafado quando a boca dele encontrou a minha.

E ele explodiu dentro de mim.


Eu permanecia deitada na cama, sentindo o calor do corpo de Jacob próximo ao meu, enquanto minha respiração aos poucos voltava ao ritmo normal. O silêncio entre nós não era desconfortável, ao contrário, carregava uma intimidade que me deixava mais vulnerável do que qualquer palavra poderia causar. Passei os dedos lentamente pelo braço dele, distraída, tentando prolongar aquela sensação de calma que eu não experimentava há muito tempo.

— Já fazem três dias — murmurei, quebrando o silêncio, enquanto voltava o olhar para ele. — Três dias desde que nos escondemos aqui, sem dar qualquer sinal de vida.

Jacob apoiava-se sobre um dos braços ao meu lado, observando-me com atenção, como se cada palavra minha tivesse um peso maior do que eu mesma imaginava. Um leve sorriso surgiu em seus lábios, mas havia algo mais profundo em seu olhar, algo que não era apenas despreocupação.

— E isso te incomoda? — perguntou ele, a voz tranquila, porém carregada de intenção.

Soltei um suspiro leve, desviando o olhar por um instante antes de encará-lo novamente.

— Não exatamente. Mas é inevitável pensar que, enquanto estamos aqui… o mundo lá fora continua, e provavelmente está nos procurando. Não podemos ignorar isso para sempre.

Jacob não respondeu de imediato. Em vez disso, moveu-se lentamente, girando o corpo até ficar sobre mim novamente, apoiando-se com cuidado para não depositar todo o peso. O gesto foi natural, quase instintivo, mas trouxe de volta aquela intensidade que sempre existia entre nós, como se cada aproximação fosse capaz de reacender algo que nunca realmente se apagava.

— Nós já enfrentamos coisas piores do que pessoas nos procurando — disse ele, aproximando-se um pouco mais, mantendo os olhos fixos nos meus. — E, por três dias… nós finalmente tivemos algo que parecia nosso. Sem interrupções, sem dor.

Havia verdade naquelas palavras, mas também havia algo além delas. Eu conseguia sentir que ele não estava apenas falando sobre o momento, mas sobre algo maior que ainda não havia sido dito. Meu coração acelerou levemente, não por medo, mas por antecipação.

— Mas precisamos ir— respondi, em um tom mais baixo, ainda que firme. — Nós sabemos o que está por vir, Jacob. A guerra… ela está muito próxima.

A expressão dele mudou, tornando-se mais séria, mais concentrada. Por um breve instante, o silêncio voltou, mas dessa vez carregava o peso da realidade que tentávamos ignorar. Ele levou a mão ao meu rosto, tocando minha pele com cuidado, como se aquele simples gesto fosse suficiente para me manter ali, com ele, distante de tudo o que ameaçava nos alcançar.

— Justamente por isso — começou ele, com mais firmeza — eu não quero esperar.

Franzi levemente o cenho, tentando compreender o que ele queria dizer, mas antes que eu pudesse questioná-lo, ele entrelaçou nossos dedos, segurando minha mão com uma segurança que fez meu coração acelerar ainda mais.

— Renesmee, nós não sabemos o que vai acontecer nos próximos dias. Não sabemos se tudo isso vai terminar da forma que esperamos. E eu não quero enfrentar essa guerra carregando a sensação de que deixei algo essencial inacabado.

Senti minha respiração prender por um instante, enquanto o olhar dele permanecia fixo no meu, intenso, decidido, sem qualquer sinal de dúvida.

— Casa comigo.

As palavras ecoaram dentro de mim com uma força inesperada. Meu primeiro impulso foi desviar o olhar, tentando organizar os pensamentos que surgiam de forma confusa, misturando razão e sentimento. Lentamente, deslizei para uma posição sentada, puxando o lençol contra meu corpo, como se aquele gesto pudesse me dar algum tipo de controle sobre a situação.

— Você está falando sério? — perguntei, encarando-o com atenção, buscando qualquer sinal de hesitação.

Jacob sentou-se à minha frente, mantendo a mesma firmeza no olhar. Não havia dúvida, não havia impulso inconsequente. Havia decisão.

— Estou, falo muito sério.

Passei a mão pelos cabelos, soltando um suspiro mais longo, sentindo o peso daquela proposta se instalar de forma definitiva.

— Isso não é simples, Jacob — respondi, tentando manter a racionalidade. — Pelas contas, a guerra contra os recém-criados acontecerá em dois dias. Dois dias. Como você imagina que um casamento pode acontecer nesse tempo?

Ele não se abalou. Ao contrário, parecia já ter considerado todas as possibilidades antes mesmo de falar.

— Não precisa ser algo grandioso — explicou ele com calma. — Pode ser uma cerimônia simples, apenas com aqueles que realmente importam. O que importa para mim não é o evento… é o compromisso.

Balancei levemente a cabeça, sentindo um misto de incredulidade e inquietação.

— Você está ignorando outras coisas — acrescentei. — Eu tenho a faculdade, tenho planos fora daqui. Minha vida não se resume a La Push.

Jacob me observou com atenção, e, pela primeira vez, suavizou levemente a expressão.

— Então nós iremos para Seattle — disse ele, com naturalidade. — Quando tudo isso acabar, nós iremos juntos. Você continuará sua faculdade, seguirá seus planos… e eu estarei ao seu lado, também tenho meus planos que nunca se limitaram a La Push.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, absorvendo aquelas palavras, tentando entender o alcance do que ele estava me oferecendo.

— Você deixaria tudo? — perguntei, finalmente. — A matilha, sua vida aqui… tudo isso?

Ele não hesitou.

— Sim. Nada disso faz sentido para mim se você não estiver comigo.

A resposta veio com uma convicção que me desarmou completamente. Não havia exagero, não havia dúvida, apenas verdade. Senti algo dentro de mim ceder, como se todas as barreiras que eu havia construído começassem a perder força diante daquilo.

Observei-o em silêncio, analisando não apenas suas palavras, mas a forma como ele me olhava, como se aquela decisão já estivesse tomada muito antes de ser dita em voz alta.

— Você tem consciência de que isso ainda é uma ideia completamente impulsiva? — questionei, mesmo sentindo que minha resistência já não era a mesma.

Um leve sorriso surgiu nos lábios dele.

— Tenho plena consciência disso.

Soltei um breve riso, quase involuntário, enquanto balançava a cabeça.

— E, ainda assim, não pretende desistir.

— Não — respondeu ele, sem hesitar.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Pelo contrário, foi carregado de significado, de escolhas sendo feitas sem necessidade de mais palavras. Levei a mão ao rosto dele, acariciando lentamente, permitindo-me sentir, sem tentar fugir ou racionalizar.

— Então… — murmurei, sentindo o coração acelerar — sim, Jacob. Eu aceito me casar com você.

A reação dele foi imediata. Seus olhos se iluminaram, e um sorriso sincero surgiu, transbordando algo que palavras não seriam capazes de expressar completamente. No instante seguinte, ele me puxou para um abraço firme, envolvendo-me com uma intensidade que me fez fechar os olhos, absorvendo cada segundo daquele momento.

— Eu não vou perder você novamente — disse ele, contra meus cabelos, com uma firmeza que soava quase como uma promessa.

Apoiei o rosto em seu peito, permitindo-me acreditar, ainda que o mundo lá fora insistisse em nos lembrar do contrário.

— Não vai.


A manhã chegou silenciosa, envolta por uma leve neblina que parecia abraçar a floresta ao redor da cabana. O ar estava fresco, e pela primeira vez em muito tempo, eu não senti aquele peso constante no peito ao despertar. Ao contrário, havia uma estranha leveza, como se, por algumas horas, o mundo tivesse nos permitido simplesmente existir, sem cobranças, sem medo.

Saímos da cabana ainda em silêncio, mas não era um silêncio desconfortável. Nossas mãos estavam entrelaçadas, e o toque de Jacob era firme, constante, como se ele precisasse daquela confirmação tanto quanto eu. Caminhávamos lado a lado pela trilha que levava de volta à vila, e, embora nenhum de nós dissesse em voz alta, sabíamos que aquele pequeno refúgio ficaria para trás junto com a tranquilidade que encontramos ali.

— Nós realmente ignoramos tudo por três dias — murmurei, quebrando o silêncio enquanto observava o caminho à frente.

Jacob soltou um leve suspiro, apertando de leve minha mão.

— Ignoramos porque precisávamos — respondeu ele, em um tom calmo, ainda que consciente do que nos aguardava. — Mas agora… teremos que lidar com isso.

Assenti, sentindo a realidade se aproximar a cada passo que dávamos. À medida que a vila surgia entre as árvores, meu coração começou a acelerar, antecipando as consequências daquele desaparecimento repentino. Não demorou muito até percebermos duas figuras vindo rapidamente em nossa direção, e, pelo modo como se moviam, ficou claro que não traziam boas notícias.

Embry e Quil.

Os dois pararam abruptamente à nossa frente, ofegantes, com expressões que misturavam alívio e desespero. Os olhos de Embry passaram rapidamente de mim para Jacob, como se quisesse confirmar que estávamos realmente ali.

— Finalmente! — exclamou ele, passando a mão pelos cabelos. — Vocês simplesmente desapareceram!

Quil balançou a cabeça, ainda mais inquieto.

— Vocês têm alguma noção do caos que causaram? — perguntou ele, olhando diretamente para mim. — Os Cullen acham que a Victoria levou você, Nessie.

Senti meu estômago revirar.

— O quê?

— E não é só isso — continuou Embry, com um tom mais sério. — Charlie mobilizou praticamente toda a polícia. Ele está procurando você por todos os lados.

Troquei um olhar imediato com Jacob, sentindo o peso da situação cair sobre nós com força. Nenhum de nós havia considerado que aquilo chegaria a esse ponto, que nosso sumiço pudesse gerar algo tão grande.

— Nós… — comecei, mas parei, percebendo que não havia uma explicação simples que justificasse três dias desaparecidos no meio de tudo aquilo.

Jacob soltou um suspiro ao meu lado, passando a mão pelo rosto.

— Precisávamos de um tempo — disse ele, embora soubesse que aquilo não resolveria nada naquele momento.

Embry cruzou os braços, claramente tentando controlar a própria irritação.

— Um tempo? — repetiu, incrédulo. — Jacob, Billy está prestes a ter um ataque. Você sumiu, não deu explicação, e ainda por cima Nessie desaparece junto… isso não parece “tirar um tempo”.

Quil concordou com um gesto rápido.

— A situação está feia. Muito feia.

Jacob passou a mão pela nuca, respirando fundo antes de olhar para mim.

— Eu vou falar com o meu pai — disse ele, em um tom mais sério. — Tentar acalmar as coisas por aqui.

Assenti, já sabendo o que precisava fazer.

— E eu vou falar com Charlie — respondi, sentindo o coração apertar só de imaginar o estado em que ele deveria estar. — Ele precisa saber que eu estou bem.

Por um instante, o mundo ao nosso redor pareceu desaparecer novamente, como se restássemos apenas nós dois, mesmo em meio à tensão que nos cercava. Jacob levou a mão ao meu rosto, afastando uma mecha de cabelo com cuidado, o olhar suavizando de imediato.

— Tome cuidado — disse ele, em um tom mais baixo.

Sorri de leve, tentando transmitir uma segurança que eu mesma não tinha completamente.

— Você também.

Aproximei-me um pouco mais, e o beijo aconteceu de forma natural, carregado de uma doçura que contrastava com toda a urgência daquele momento. Era impossível ignorar o quanto aquilo significava agora, depois de tudo o que havíamos dito e decidido.

Jacob aprofundou o gesto por um instante, como se quisesse prolongar aquele pequeno intervalo antes de nos separarmos novamente. Quando nos afastamos, ainda permanecemos próximos por alguns segundos, relutantes.

— Eu volto para você — ele murmurou.

— Eu sei — respondi, mantendo o olhar no dele.

Quando finalmente nos afastamos, foi impossível não perceber a expressão de Embry e Quil ao lado. Quil fez uma careta exagerada, cruzando os braços.

— Sério… vocês dois precisam de um aviso sonoro antes disso — reclamou ele. — Ou pelo menos um pouco de respeito por quem está assistindo.

Embry riu baixo, balançando a cabeça.

— Três dias sumidos e ainda voltam assim? — comentou, em tom de implicância. — A gente aqui quase surtando e vocês vivendo uma lua de mel antecipada.

Revirei os olhos, mas não consegui evitar o pequeno sorriso.

— Não comecem.

Jacob soltou um riso leve, mas logo voltou a me encarar por um breve instante, como se quisesse guardar aquele momento antes de seguir em direção oposta.

E então, sem mais palavras, cada um seguiu seu caminho.

Mas, dessa vez… não havia dúvida.

Nós sabíamos exatamente para onde voltar.