Notas iniciais
Entãaao, o primeiro capítulo da minha primeira fanfic. Grandes emoções. Espero que goste, e comente, por favor! Sério, seria tão legal saber que tem ao menos uma pessoa lendo ou acompanhando! Ah, mais uma coisa; a música que Cetim canta na fic, na verdade ela já existe e é cantada por Zé Ramalho. Se chama 'Garoto de Aluguel' e você pode ouvi-la aqui: https://www.youtube.com/watch?v=cMfDK1KpFrY

Apoiado nas ameias da Muralha, Cetim observava o reino do povo livre. Um vapor cinzento saia coagulado de sua boca, e por baixo de seu manto de pele negra o frio golpeava mais fundo que a flecha de uma besta. Com os olhos postos sobre a floresta coberta de neve, o garoto de Vilavelha pegou-se em devaneios por Jon Snow. Gostaria de poder abraçá-lo.

Cetim se perguntava se o Senhor Comandante também nutria algum sentimento secreto por ele. Ás vezes olhava de esguelha na direção de Jon e via-o o encarando, mas se o que se passava em sua cabeça era desejo ou reprovação, Cetim nunca saberia. Mas o garoto ainda tinha esperanças que fosse ao menos interesse. Caso o Senhor Comandante estivesse buscando por prazer, poderia satisfazê-lo, aprendera sobre o assunto muito bem nos prostíbulos de Vilavelha. Faria amor com ele como um amante, e não como um prostituto. Mas Cetim duvidava que Jon o visse de outra maneira senão um puto qualquer, era assim que todos o viam. Já estava cansado disso. Ele viera para a Muralha de forma digna como qualquer outro homem, e não teria vivido como um prostituto se houvesse outra opção.

Mas, de todo jeito, Cetim tinha certo talento com as flechas e estava feliz em ser útil. Praticava todos os dias nos intervalos em que não estava servindo oComandante, não sabia se estava proibido o treinamento para intendentes, mas preferiu não arriscar e mantinha tudo em sigilo. No fundo sabia que só treinava com o propósito de receber elogios de Jon. A melhor época que passara na Muralha tinha sido enquanto treinava com o Comandante. Gostava de como ele colocava o corpo entorno do seu, os braços fortes inclinando a direção certa para onde apontar a flecha.

- Mantenha as mãos firmes na corda enquanto puxa a flecha – dissera Jon, enquanto ajudava Cetim a mirar a seta no alvo. Endireitou seus braços na direção certa. – Assim.

Ainda se recordava da respiração entrecortada de Jon em seu pescoço, ele emanava um calor tão quente quanto a brasa. Embora seja tão frio quanto esta Muralha. A última luz do dia se esguelhava pelas nuvens e Jon poderia estar precisando dele, não iria querer desapontá-lo. Saiu de cima das ameias e caminhou pela passarela, observando as sentinelas em pontos específicos da Muralha. Usou a gaiola para descer até o chão.

De frente para o quarto do Comandante, Cetim deu três toques na porta. Ouviu um ‘entre’ abafado do outro lado e empurrou a maçaneta.

- Vim verificar se gostaria de mais alguma coisa antes de dormir, senhor.

Jon estava sentado em sua poltrona apoiado numa mesinha velha escrevendo várias cartas. Tinha um aspecto sério e inabalável, porém seu cansaço era visível, possuía a aparência de um homem que não dormia há dias. Tanta responsabilidade em seus ombros. Ele é só um menino, deveria estar flertando com donzelas em Winterfell ou então caçando na Mata dos Lobos. Jon virou seu rosto alguns centímetros só para respondê-lo e depois voltou para suas cartas.

- Coloque mais lenha na lareira e esquente água para um banho, depois pode ir se deitar.

- Sim, senhor.

Buscou no depósito alguns tocos de madeira já cortados, colocou-os em um carrinho e subiu novamente as escadas da Torre do Comandante. Entrou no quarto silenciosamente e colocou quatro fortes pedaços de lenha no meio do fogo. As chamas rugiram, lambendo os tijolos da parede. Ele nem nota a minha presença, não passo de um serviçal para Jon. Bem, o que queria? Essa é a realidade, sou um Intendente e ele o Senhor Comandante, nossos caminhos não se cruzam mais além disso.

Esquentou a água em vários baldes, levando dois de cada vez para o quarto. Na última remessa também levou consigo um balde com água fria para equilibrar a temperatura. Despejou delicadamente os recipientes na banheira, depois com o braço, misturou a água para que ficasse homogênea. Quando deu por si, sem nem perceber, cantava baixinho uma velha canção que aprendera nos prostíbulos de Vilavelha:

‘’Nossa relação

Acaba-se assim

Como um caramelo

Que chega-se ao fim

Na boca vermelha

De uma dama louca

Pague meu dinheiro

E vista sua roupa’’

- Cetim, o que está cantando? – Perguntou Jon atrás de suas costas. Seu tom era firme. O garoto levantou com um sobressalto assustado, como quem é pego roubando.

- Eu... eu... – Embolou os dedos da mão nervosamente, o rosto vermelho. Pra quê fui cantar essa letra estúpida. – É uma música que costumava cantar em Vilavelha, Senhor Comandante.

- Não quero que volte a cantá-la nunca mais, está me ouvindo? Você não é mais um prostituto, é um homem da Patrulha da Noite, nosso irmão.

- Sim, senhor. – As lágrimas quentes desceram por sua face sem sua permissão. Estraguei tudo, cantei essa canção idiota e agora estou chorando. Envergonho-me a mim e a Jon. Um puto covarde, é isso que sou.

- Cetim... está chorando?

- Está tudo bem, Senhor Comandante. É só que... estou cansado de todo mundo questionando minhas habilidades, como se não passasse de um prostituto. Mereço um voto de confiança como todos aqui, afinal tudo que vivemos antes da Muralha não importa mais. – Limpou as lágrimas com as costas da mão. – Por outro lado é tão difícil deixar para trás minha antiga vida. Tudo que fiz durante todos esses anos é me esconder entre lençóis, como um covarde, satisfazendo prazeres de homens e senhoras no sigilo. Não sou digno para ser seu Intendente, Senhor Comandante.

- Deixe de estupidez, Cetim! – Jon Snow avançou até estar a poucos centímetros do rosto do rapaz, segurou sua cabeça com as duas mãos com força. – Nunca deixe que zombem de você, você é muito mais do que esses velhos pensam que são.

O hálito do homem a sua frente era quente e metálico, seus olhos eram tão gélidos e negros quanto à noite que caía lá fora. Tornou-se insuportável para Cetim e ele não pôde mais aguentar; roubou um beijo de Jon. Os lábios do Comandante eram macios, porém frios por demasia. Sua barba roçava no nariz do ex-prostituto, deixando-o arrepiado. Jon em nenhum momento correspondeu com o beijo.

- O que...

- Ah! Senhor Comandante, mil perdões, não sei o que deu em mim. Eu achei que... – A vergonha lhe subiu como chumbo pela cabeça, não suportou ficar naquele aposento por nem mais um segundo e saiu correndo. Seu Comandante continuava imóvel. Quando estava a fechar a porta, finalmente Jon se pronunciou em tom de comando.

- Fique, Cetim.

Notas finais
Enfim galera, é isso. Desculpem-me os erros ou qualquer outra dificuldade que encontraram na leitura, como disse, é minha primeira fanfic. Próximo capítulo será postado dia... não sei. Talvez semana que vem, dependendo do meu humor e de quantas visualizações ganharei (zero).