Coração Vago
1 Prólogo
"Sou um sujeito imperfeito
Mas o lado esquerdo do peito
Por inteiro te ofereço
Meu coração vago"
Nando Reis — Coração Vago
Bebi o terceiro copo de água, minha bexiga agora está a ponto de explodir. Peguei os dois testes que me encaravam, enquanto analisava calmamente as instruções.
–Então dois traços vermelhos significa positivo, um traço vermelho, negativo. Bem simples, até eu entendi. – brinquei. –Agora espero um minuto e tudo estará resolvido.
Deixei os testes de lado e fui até o espelho do banheiro. Eu não estou grávida, se é o que você está pensando. Eu só tive alguns enjoos na última semana, mas é provavelmente por causa do estresse. Afinal, novamente o meu adorável moreno me dispensou. Como sempre eu provoquei, ele não resistiu, depois ficou todo arrependido e foi embora dizendo que aquilo nunca mais iria se repetir. A única diferença foi que dessa vez eu concordei. Não vou me rastejar, se ele quiser tem que vir com um belo pedido de desculpas e de preferência um pedido de namoro. Então, como sou realista estou me acostumando com essa ideia de “nunca mais”.
Mais trinta segundos e eu posso tomar o chá de boldo, receita especial da Dona Vilma, para me despedir desse estresse que tem me deixado nauseada.
–Fatinha? Já está terminando ai? Temos um hospede que quer usar o banheiro. –Michel perguntou batendo na porta.
–Claro chefinho! Estou saindo.
Peguei a sacola da farmácia e joguei lá dentro as caixas que vinham com os testes. Joguei também os próprios testes depois de dar uma lida rápida no resultado. Com tudo devidamente recolhido, eu abri a porta.
–Pronto Michel. E como eu sou uma ótima funcionária até tirei o lixo.
Ele deu um sorriso e respondeu:
–Então é melhor você correr “ótima funcionária”, porque estão recolhendo o lixo agora mesmo.
Corri até a rua e vi que o funcionário já havia pego o nosso lixo, e agora estava no prédio ao lado.
–Moço! Calma aí! Tem mais uma sacola perdida do Hostel. – eu disse entregando a ele a sacola. –Obrigada!
–Bem na hora Fatinha. –Severino disse.
–Pontualidade é o meu forte garoto! Agora eu vou porque nem é o meu turno, se o Michel me ver aqui de bobeira arruma uma hora extra pra mim. Valeu Sevê!
–Valeu Fatinha! –Ele respondeu.
Cara, eu adoro o Severino. Sério. O melhor porteiro de todos!- pensei enquanto ia para o meu quarto.
Só é fofoqueiro, mas é até bom pra me manter informada. Quando eu me casar com o Bruno, vou querer morar aqui. Quer dizer... Quando eu me casar com alguém, pouco provável que seja o Bruno, vou morar nesse prédio.
Cara, estou adorando essa minha nova fase realista. Só quero ver como vai ser da próxima vez que eu por os olhos naquele moreno.
Peguei uma revista de turismo perdida no meu humilde quartinho e comecei a ler, até que fui interrompida pelo Michel batendo na porta. De novo.
– Fatinha, você se esqueceu de fechar a cozinha depois do almoço. Já te disse que ela deve ficar fechada quando não estiver funcionando. –Ele disse.
–Já estou indo Michel. –Respondi me levantando.
Agora vou esquentar a água pra fazer aquele chá, e finalmente trancar a cozinha. Como o esperado aquele teste que eu tinha feito deu negativo, dois traços vermelhos. Tenho certeza que o chá e uma soneca farão milagres, e eu estarei mais do que disposta para o turno da noite.
Ela continuou o caminho sorridente até a cozinha.
–Dois traços vermelhos. – Disse a garota em voz alta.
–Dois traços vermelhos? –Agora ela estava atônita parada na porta da cozinha.
–Dois? Vermelhos? –A pobre garota estava em estado de choque.
Enquanto as lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto da piriguete ela trancou a cozinha.
–Acho que hoje não vou precisar do chá de boldo.
Notas finais
- A história será narrada em terceira pessoa.
- Não, não quero a Fatinha grávida na novela. Estou bem satisfeita com o namoro dos dois.
- Terá outros casais na fanfic, mas o foco é BruTinha.
- Não garanto postar diariamente.
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