Notas iniciais
A fanfic segue o que aconteceu em Malhação, mas com algumas alterações que vão ser percebidas no decorrer da história.

"Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo."

Legião Urbana — Quase Sem Querer


Um mês depois


–Nossa! Mas tá difícil ein?! –A garota resmungou enquanto limpava o rosto. –Esses enjoos diários já me cansaram. Já perdi a conta dos vários tipos de chás que tomei para acabar com o meu estresse. Acho que o que eu preciso pra melhorar são férias!

Fatinha escovou os dentes, pegou a mochila e foi para a escola. Assim que a presença dela foi notada, Pilha a cumprimentou.

–Bom dia minha Deusa! Mais linda do que nunca ein?!

–Aí é meio difícil Pilhote, sou maravilhosa sempre. –Fatinha disse jogando os cabelos.

–Não tenho como discordar! –Ele elogiou.

Orelha e Fera se juntaram ao grupo e eles ficaram conversando até serem interrompidos por Robson.

–Meus pimpolhos, vamos para a sala de aula. A professora Isabella já está na porta.

–E interromper a conversa dos outros pode, Robson? –Orelha perguntou todo brincalhão.

A resposta veio em coro:

–Não pode! –Disseram Pilha e Fera.

–Perder aula também não pode! Andem rápido, meus amores! – Robson disse enxotando os alunos.

Os quatro, mesmo contrariados, foram para a sala de aula. Para Fatinha, os três horários que se seguiram foram os mais tediosos, e ela estava com tanto sono que acabou dormindo todo o horário de história. A sorte dela foi que o Jorge estava tão empolgado com a Primeira Guerra, que nem reparou na aluna que quase babava no fundo da sala.

Após o intervalo eles tiveram uma aula de biologia que logo deu lugar para a educação física. A professora Marcela decidiu que os alunos jogariam basquete e para isso dividiu a turma em quatro times.

–Fera e Gil serão os capitães dos dois primeiros times a jogar. Escolham quem serão de cada equipe. –Marcela disse. –Os que não forem escolhidos fiquem no banco pra próxima rodada.

Ao fim, no time de Fera ficaram Orelha, Rita, Morgana e Zé, contra Lia, Vitor, Pepê e Nanda no time de Gil.

Fatinha que não estava nem um pouco interessada no jogo, ficou deitada na arquibancada ouvindo o Pilha reclamar.

–Poxa, eu sei que sou baixinho, mas eu pensei que o meu brother Fera não ia me deixar na mão. Ele escolheu o Orelha e não me escolheu! Todo mundo sabe que único esporte que o Orelha pratica é ficar filmando os outros enquanto anda de skate ou patins! Mas o Pilha aqui é ótimo em todos os esportes. Aposto que o time dele vai perder só porque eu não estou jogando.

–Ai Pilha, já deu né?! Agora me passa o óculos do Fera que eu pretendo dar uma cochilada. Qualquer coisa me acorda. –Ela pediu.

–Por você faço tudo minha rainha. –Ele respondeu.

A garota fechou os olhos e logo dormiu.

(...)

–Fatinha. –Pilha sussurava. –Acorda, agora é a sua vez de jogar.

A piriguete não moveu um músculo.

–Fatinha, a Marcela vai perceber que você tá dormindo. Acorda!!! –Ele pediu desesperado.

–Fatinha, venha montar o seu time! –Marcela chamou.

–Ela já ta indo! –Pilha respondeu pela amiga. –Acorda Fatinha!!!

–Pilha, por acaso a sua colega está dormindo? –A professora perguntou.

–Ih Marcela, aquela ali tá babando há tempos. –Ju respondeu.

–Nada a ver Ju! Não tem nada disso não Marcela, a Fatinha tá acordada. –Pilha tentou defender a amiga.

–Maria de Fátima. –A professora chamou sem obter resposta. –MARIA DE FÁTIMA!

A garota acordou tão assustada que deu um pulo, e de repente tudo ficou embaçado.

–Maria de Fátima, você estava dormindo? –Marcela perguntou.

A garota apoiou em Pilha para tentar espantar a tonteira.

–Que bobagem Marcela. Estou super acordada. –Ela disse.

–Hn, vou fingir que acredito. Agora vem pra quadra que é sua vez de jogar. –A professora ordenou.

–Sabe o quê que é Marcela, é que eu não to me sentindo muito bem. Não dá pra aliviar essa pra mim não? –A piriguete pediu voltando a sentar na cadeira.

Marcela, impaciente, foi em direção à garota.

–Olha só Fatinha, você tá achando que eu sou idiota? Deixa de ser preguiçosa e escolhe logo quem vai jogar no seu time. A Ju já começou a montar o dela. –A professora disse a levantando com um puxão.

–Marcela, eu realmente não estou me sentido bem. –Disse Fatinha antes de cair desacordada.

A confusão começou assim que os alunos se deram conta da garota desmaiada. Marcela a abanava tentando acorda-la, mas nada funcionava.

–Fera, me ajude a levá-la pra enfermaria. –A professora pediu.

No meio da confusão alguns ouviram Orelha comentar:

–Sei não Ju, mas eu acho que você vai ser titia.

–Cala a boca Orelha! –Ju disse deixando a quadra.

–“Que brincadeira estúpida do Orelha.” –Ela pensou. –“Meu irmão já nãotá com essa aí há meses. Quer dizer... Ah!”

(...)

Na enfermaria Fatinha permanecia desacordada, enquanto Marcela conversava com a enfermeira que dava o seu parecer.

–Provavelmente foi só uma queda de pressão. O problema é que essas garotas não estão se alimentando direito, sempre fazendo dietas atrás de dietas.

–Claro. –A professora concordou sem muita certeza.

–Bem, já que você está aqui vou aproveitar e ir à direção. Estou precisando conversar com o Mathias sobre algumas coisas, além de é claro pedir pra que ele ligue para os pais dela. Fatinha, certo?

–É, mas não é necessário ligar para os pais dela, eles não moram aqui. Não se preocupe, assim que ela acordar eu a levo em casa. –Marcela disse.

–Se você diz. –Concordou a enfermeira enquanto deixava a sala.

Depois de alguns minutos a garota acordou desorientada:

–Hn... Minha cabeça. Marcela? O que aconteceu? Por que eu estou na enfermaria?

–Você desmaiou na quadra. Já está se sentindo melhor?

Fatinha se levantou, ficando sentada na maca.

–É, to melhor sim. Já posso ir embora?

–Não. Eu quero conversar com você antes. –Marcela respondeu seriamente. –O que aconteceu pra você desmaiar assim, do nada?

–Eu não comi nada hoje, foi só isso. Assim que eu chegar no Hostel vou direto almoçar. Prometo. Agora eu posso ir?

Fatinha levantou da maca impaciente, e foi em direção a porta.

–Calma aí. –A professora a segurou pelo braço. –E por que você não comeu nada pela manhã? Você emagreceu nesse último mês Fatinha, é algum tipo de dieta mirabolante?

–Menos Marcela, bem menos né?! Eu só não comi nada porque não estava me sentindo bem. E sobre eu ter emagrecido eu acho que é sempre bom perder alguns quilinhos.

–Senta ai Fatinha. –A professora ordenou.

Relutante a garota sentou na cadeira.

–Vai, pode mandar o sermão. Aproveita que eu ainda estou meio lesada graças ao desmaio.

–Para de brincadeira e escuta o que eu tenho a te dizer. Fatinha, você só passou mal hoje?

–Sim senhora! –Maria de Fátima mentiu.

–E está querendo que eu acredite que você emagreceu só por ficar sem comer hoje?

–Claro que não! Eu não falei nada disso, que saco! Olha, eu emagreci porque estive um pouco estressada com algumas coisas que aconteceram no último mês, ai o meu estomago ficou irritado e eu sem apetite. Tá tudo esclarecido agora?

–Nada esclarecido. Então hoje não foi a primeira vez que você passa mal?

–Credo Marcela! Para de se meter na minha vida. Você é só a professora de educação física.

–Sim, só que a professora de educação física aqui se importa com você. Agora abaixa o tom e responda a minha pergunta!

–Eu devo ter pregado chicletes na cruz, só pode! Tá Marcela, talvez eu tenha passado mal outros dias também. Está satisfeita? Posso ir embora?

–Eu te libero assim que você me responder uma última coisa.

–Vai, manda. Já cansei desse papo careta.

–Maria de Fátima, — Marcela disse segurando a mão de Fatinha, olhando-a nos olhos. –você está grávida?

A garota se soltou das mãos da professora e começou a rir. Histericamente.

–Eu? Grávida? Só se for do Espírito Santo!

–Do Espírito Santo eu não sei Fatinha, mas eu bem me lembro de um certo Bruno com quem você teve um rolo há algum tempo. E eu soube por você que esse rolo não ficou só nos beijos.

–Parou com a palhaçada Marcela. Nem sei por que eu desabafei com você aquele dia. E só pra constar, eu já não vejo o Bruno tem mais de um mês. Cansei de ser humilhada, sabe?

–Tá, então já tem mais de um mês que você não “vê” o Bruno. Me corrija se eu estiver errada mas o seu “estresse” também já fez um mês né?!

–Exato. Eu assumo que eu fiquei pra baixo depois que o meu rolo com aquele moreno lindo e sensual terminou. Isto somado a semana de prova, mais o meu trabalho no hostel resultou na pobre Fatinha bem cansadinha e nem um pouco gravidinha. Agora eu vou tá?

Marcela se colocou entre a piriguete e a porta.

–Você acha que tá enganando quem? Toda vez que eu te vejo você está com sono ou dormido, e sem falar que eu já escutei o Robson comentando que tinha uma menina vomitando no banheiro. Eu tentei ignorar os fatos e a pulguinha atrás da orelha mas essa situação me lembra tanto da minha gravidez. Ai eu pensei que seria demais você, muito parecida comigo, cometendo os mesmo erros que eu. Não adianta mentir! Você está grávida sim!

–Eu quero sair daqui agora! –Fatinha disse desesperada.

–Eu só deixo você sair se me contar a verdade.

–Marcela, sai da frente!

–Não! Não adianta você ficar fingindo que nada está acontecendo! Dentro de poucos meses você vai ter uma criança nos teus braços, sua responsabilidade! Você vai ter que dar carinho, amor, além de sustentá-la financeiramente. Tudo isso conciliado a escola.

–Eu sei Marcela! Você acha que eu não percebo que está tudo arruinado?! –Fatinha gritou começando a chorar. –Minha vida tá acabada! Eu só queria aproveitar até quando der, antes de ter que ir pra casa da minha tia em Carambolas.

A professora abraçou a aluna que chorava descontroladamente.

–Ei, não é bem assim não. Sua vida tá só começando. Já conversou com os seus pais sobre isso?

–Não. Meu pai vai me renegar de vez, minha mãe vai chorar, eu vou ter que ficar presa na casa da minha tia e assim vai terminar meu legado de piriguete. –Fatinha disse limpando as lágrimas que não cessavam.

–Não precisa ser assim. Você não tá sozinha nessa. Já contou pro Bruno?

–Não contei e nem vou contar. Quero distância dele.

–Mas Fatinha, esse bebê que você tá carregando também é responsabilidade dele. Ele tem a obrigação te ajudar.

–Marcela, ele não tem a obrigação de fazer nada. Eu vou dar o meu jeito sem ter que me humilhar pedindo ajuda pra ele.

–Se humilhar? Você não pode esconder um filho de um pai. Isso nunca daria certo. Para de ser orgulhosa! Agora você tem que pensar no bem estar dessa criança antes do seu.

–Nossa, como você é chata! Eu vou contar pro Bruno. Não sei como e nem quando, mas eu vou contar.

–E você também tem que procurar um médico e...

–Marcela, dá pra continuar esse monólogo no caminho até o Hostel? Todo esse papo de futuro, decisões e responsabilidades me deu fome. –Fatinha disse, interrompendo a professora.

Imediatamente Marcela se levantou.

–Vamos! Agora você está comendo por dois, tem que se alimentar muito bem. Você está muito magra garota!

–E depois dizem que eu falo demais.

Fatinha no fundo estava aliviada por ter com quem conversar. Enquanto as duas caminhavam em direção ao Hostel, a futura ex-piriguete pensava em como contaria a um certo moreno que ele vai ser papai.

A única coisa da qual ela tinha certeza, é de que os problemas só estavam começando.

Notas finais
Peço desculpa pelos erros. Qualquer coisa me falem!

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