Notas iniciais
Eu sou a pior autora de todas. Prometi postar ontem e nada, mas o problema é que o que era pra ser um domingo de preguiça virou um domingo atarefado e por isso eu não consegui terminar o capítulo a tempo..
E respondendo a comentários: tadinha da Fatinha né?! Eu sei, ela está sofrendo um bocado, mas prometo que dias melhores virão.
E só pra constar, não sei direito onde fica Carambolas, mas aqui considere que é uma cidade interiorana próxima ao Rio de Janeiro.

"And remember to laugh 'cause you're living in a crazy world,
Where you'll never guess what could happen next.
Give the outer limits my regards as you float to fly away."

Alligator Sky — Owl City


–Vilma, não temos mais nada a fazer aqui. Vamos embora agora. –Adolfo disse olhando para a esposa.

Fatinha chorava descontroladamente enquanto Lorenzo tentava acalma-la.

Tudo está errado! Eu estou em um grande pesadelo, é a única explicação plausível. Quando eu acordar estarei no meu quartinho terminando de assistindo Two and a Half Men e rindo muito do Charlie Sheen. –Fatinha se iludia mentalmente.

Entretanto, ela não estava sonhando. E alguém precisa contar pra ela que o Charlie foi demitido e agora temos o Ashton Kutcher no lugar dele, mas isso não vem ao caso agora.

–Adolfo, acho melhor você ir agora. Eu vou ficar com a minha filha. –Vilma respondeu firme.

–Quer ficar com essa daí? Pois fique. –Disse Adolfo saindo do quarto, não sem antes bater a porta.

Vilma foi até a filha e tentou consolá-la. Por fim, o médico decidiu dar um calmante a ela, que dormiu em seguida.

Quando Bruno entrou no quarto encontrou Vilma abatida, observando a filha. Ao ver o garoto ela logo disse:

–Você e eu. Lá fora. Agora.

Ele não entendeu muito bem o porquê, mas a seguiu para fora do quarto.

–Aconteceu alguma coisa dona Vilma? –Ele perguntou.

–Aconteceu que a minha filha está grávida e eu tenho certeza de que você é o responsável por isso! –Ela disse brava.

Por alguns instantes Bruno não sabia o que dizer.

–Agora me explique como aconteceu, e o que você pretende fazer a respeito disto. –Vilma falou.

–Foi um acidente. Não era para ter acontecido. –Disse ele, finalmente encontrando a voz.

–Eu já imaginava. Você vai se casar com ela?

–Casar? –Bruno perguntou assustado.

–Isso mesmo que você ouviu. A Maria de Fátima é agora responsabilidade sua. O pai dela saiu daqui a poucos minutos dizendo que já não tinha mais filha.

–Eu sei que tenho responsabilidades, mas casamento?

Vilma suspirou e encostou na parede com o olhar cansado.

–O dia hoje foi mais longo do que eu esperava. Eu queria poder ficar aqui e cuidar da minha filha, ou ao menos levá-la pra casa mas com a gravidez vai ser impossível que o Adolfo a aceite. Eu preciso da sua ajuda Bruno.

–E eu pretendo ajudar com tudo que for possível, mas não quero nada sério com a Fatinha.

–Olha garoto eu vou ser bem direta com você, você vai ter um filho com a Maria de Fátima! Coisa mais séria do que isso não existe. Então engula esse orgulho besta, do contrário você vai se ver comigo. –Vilma estava brava.

–Mas... –Bruno tentou argumentar mas foi interrompido.

–Não tem mas. Vou te explicar como as coisas vão ser: hoje a noite você vai dormir aqui com a minha filha e vai ajudá-la com qualquer coisa que ela precise, enquanto eu vou organizar as coisas e arrumar um apartamento pra vocês dois. –Bruno abriu a boca para falar mas foi logo cortado. –Não me interrompa. Você vai morar com a Maria de Fátima e cuidar dela como se fosse a coisa mais preciosa da sua vida. Você vai ajudá-la a recuperar a memória, com a gravidez ou qualquer coisa que ela precise. E você vai amar essa criança. Entendeu?

–Entendido. –Bruno respondeu assustado.

–Ótimo, acredito que vamos nos dar muito bem. Vou só dar um beijo na minha filha e estou indo.

Bruno aproveitou a deixa para ligar para casa e foi a irmã que atendeu.

–Oi Ju, ainda não foi pro Misturama?

–Nós vamos agora. Estava terminando de me arrumar.

–E isso porque era só pra pegar a bolsa. –Ele ouviu Gil dizer ao fundo.

–Para de reclamar Gil, nem demorei tanto assim. Agora me diz pra que você ligou maninho.

–Ah, eu preciso que você avise os nossos pais que eu não vou dormir em casa hoje.

–Aviso sim, mas você vai dormir aonde? –Ela perguntou.

–Vou ficar aqui no hospital com a Fatinha. A mãe dela vai resolver algumas coisas.

–Hn, blá blá blá Fatinha de novo. Apesar de não gostar da ideia eu aviso sim.

–Estou profundamente grato Ju. –Ele ironizou. –Agora eu preciso desligar, beijos!

–BeiJU! –Ela respondeu rindo.

Depois de desligar o telefone Bruno entrou no quarto. Fatinha ainda estava dormindo.

–Ela provavelmente vai dormir a noite toda, mas é bom saber que tem alguém aqui para cuidar dela. –Vilma disse amavelmente. –Bem, já vou indo. Estou muito feliz por você ter se oferecido para ficar com a Maria de Fátima hoje. Boa noite querido.

Bruno estava assustado pela mudança brusca de humor da mulher mas preferiu não comentar nada. Assim que ela saiu da sala ele sentou no sofá e ficou observando a adormecida.

Enquanto pensava na grande mudança que estava por vir, Bruno acabou adormecendo, meio que sentado no sofá.

Ele acordou com a sensação de que estava sendo observado, e quando levantou os olhos entendeu o porquê. Fatinha o analisava curiosamente, com um pequeno sorriso se formando.

–Bom dia, belo adormecido. Para um sofá tão desconfortável, você parece ter dormido bastante.

–Nossa, apaguei e nem senti. Quantas horas são? –Ele perguntou se espreguiçando.

–São oito e meia, horário do café da manhã. E para a sua sorte eles sempre servem mais do que eu consigo comer, então eu posso dividir com você. –Fatinha apontou para uma bandeja que estava na mesa.

A garota não entendia a razão, mas sempre que via Bruno seu coração quase parava de tanta felicidade.

–E como você está? –Bruno perguntou.

–Pra quem acabou de tirar sangue, eu estou muito bem. Só estou com fome, já que era preciso jejum. –Disse ela começando a comer.

–Er, -ele começou sem graça. –fiquei sabendo do que aconteceu ontem a noite.

–Bruno, eu preciso pelo menos ter tomado o meu café da manhã antes de ter essa conversa com você.

–Tudo bem.

Ele começou a comer também, ambos em silêncio.

Após o termino da refeição, Fatinha foi até o banheiro escovar os dentes e depois se sentou no sofá.

–Esse filho que eu estou esperando é seu? –Ela perguntou a Bruno de repente, assustando-o.

–É... –Ele respondeu, mas soou como uma pergunta.

–Você não ter certeza? –Fatinha perguntou chocada.

Bruno se aproximou e ficou agachado em frente a ela.

–É claro que eu tenho certeza. O que você está achando de tudo isso?

–Honestamente, eu ainda não consigo acreditar. Nós já fomos algo além disso? –Ela perguntou se referindo ao clima de amizade.

–Oficialmente? Não.

–Eu não consigo acreditar na pessoa em que eu me tornei. Dormir com um cara que não é sequer o meu namorado. Bem, agora está explicado porque eu fiquei sem pai e sem noivo de uma só vez. Pelo visto nem mãe eu tenho mais.

–Ei, não é bem assim. Sua mãe só precisou sair pra resolver alguns problemas, mas logo ela está de volta. E além do mais, eu estou aqui com você.

–Você realmente está aqui? Quero dizer, você vai continuar aqui mesmo com toda essa coisa de gravidez?

–Antes eu posso não ter tido a melhor postura com você, mas eu nunca te abandonaria em uma situação como essa. Pode confiar em mim.

–Eu posso mesmo? –Ela perguntou insegura.

–É claro que pode. –Ele respondeu sorrindo.

Impulsivamente Fatinha passou os braços no do pescoço de Bruno, envolvendo-o em um abraço apertado. Ele ficou surpreso mas logo retribuiu o gesto.

Quando a garota percebeu o que tinha feito, tratou de soltar o rapaz. As bochechas dela variava entre diversos tons de vermelho para roxo.

–Er, -ela começou a falar pensando em um assunto qualquer que desviasse a atenção dele. –e como nós vamos fazer? Pelo que eu soube eu trabalho e moro em um Hostel, então ainda tenho casa e salário. E tem também os estudos. Acho que a alternativa mais viável seria largar a escola e trabalhar em período integral.

–Não acho que nada disso será necessário. Eu estou no último ano do meu curso de Arquitetura, e já trabalho fazendo estágio. Então você pode continuar com os seus estudos.

–Você faz Arquitetura? Que interessante! –Fatinha disse surpresa.

–Arquitetura e Urbanismo, para ser mais exato. Apesar de passar noites em claro fazendo projetos, esse curso está sendo tudo o que eu sempre quis.

–Queria saber o que eu vou fazer da minha vida.

–Não se preocupe com isso. Você tem um ano inteiro pela frente, oportunidades é o que não faltará.

Eles passaram o resto da manhã conversando, fazendo pausas a medida em que os médicos e enfermeiros passavam para checar a paciente.

No horário de almoço a porta abriu revelando uma Vilma sorridente.

–Olá meus queridos! Passaram bem de ontem? Como você está se sentindo minha filha?

–Eu estou bem mãe, mas pelo visto não melhor do que você. Qual o motivo de tanta felicidade?

–Minha querida, hoje eu tive a manhã mais produtiva da minha vida. Conversei com o seu diretor, o seu patrão e até com o Severino, porteiro do Bruno. E foi conversando com ele que eu fiquei sabendo que tem um apartamento vago no prédio, então já visitei o lugar e acabei fechando o contrato por um ano.

–Nossa! Bem agitada a sua manhã ein?! Mas pra que a senhora alugou um apartamento? Vai mudar para o Rio de Janeiro? –Fatinha perguntou confusa.

–Mas esse Bruno não lembra de te contar as coisas importantes mesmo. –Vilma deu um apertão na bochecha do rapaz. –É um apartamento para vocês. Vai ser o melhor arranjo possível, porque você criar o meu neto naquele cubículo que você dorme no Hostel é inaceitável. Sem falar nos outros inúmeros prós.

Vilma continuou falando sobre os benefícios do apartamento para o casal que não era um casal, enquanto Fatinha pensava na situação.

Uau, eu e o Bruno morando juntos, que estranho. Mas vai ser legal ter um amigo como ele por perto. A companhia dele me faz muito bem.

A garota estava satisfeita com o rumo que as coisas estavam tomando. Não era exatamente o que ela tinha em mente para o futuro dela, mas ela sabia de alguma maneira que tudo ia dar certo. Afinal, ela já não achava tão estranho assim ser chamada de Fatinha.

É, eu gosto desse apelido. Fatinha.

Notas finais
Bem, vocês devem estar se perguntando porque eu tenho falado tão pouco sobre a gravidez dela. Esses primeiros capítulos eram o que eu precisava para fazer a historia se desenvolver como eu queria. Em poucos capítulos a gravidez já será mais palpável.
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