Notas iniciais
Oi gente! Capítulo novo para vocês. Espero que gostem!

"Show me the good times
Just make it come alive
I only want one night
Cause I've seen a bad light"

Forever Goodbye — The Mostar Diving Club


Logo após Vilma ter contado todas as novidades Bruno teve que ir embora e a mulher o acompanhou dizendo que iria arrumar a mudança para o apartamento.

Você deve estar se perguntando como ela conseguiu um apartamento tão rápido assim, mas acredite, não foi nada fácil. O casal de proprietários do apartamento havia se mudado há poucas semanas para a Holanda e tinha deixado o apartamento para alugar, porém não estavam dispostos a deixar um desconhecido se mudar. Para convencer o casal, foi preciso pelo menos meia hora de diálogo, e a recomendação de Mathias. Mas por fim, tudo se acertou.

Agora tudo o que ela precisava era organizar as coisas da filha para a mudança. O apartamento era pequeno: dois quartos, um banheiro, sala, cozinha e lavanderia. Os dois ainda não precisariam de muito espaço e os cômodos já mobiliados era um grande beneficio.

Mas só dois quartos? E o bebê?

Bem, até lá Vilma esperava que o casal já tivesse acertado os ponteiros, deixando o segundo quarto vago para a criança.

No hospital Fatinha estava bem cansada.

–Pegamos um pouco pesado com você hoje, não foi? –Lorenzo perguntou amavelmente.

–Estou um pouco mole depois dessa maratona de exames. –Ela respondeu.

–Amanhã você terá alta, então estou aproveitando para fazer alguns exames dando inicio ao seu pré-natal. Eu não sou obstetra, por isso vou te encaminhar para Raquel, a minha ex-esposa.

–Certo.

–Mas se você tiver preferência por outro médico é só dizer.

–Não, confio no seu julgamento.

Lorenzo ficou contente pela confiança.

–Ótimo. Ainda hoje a Raquel vai passar aqui, certo?!

–Certo. Agora será que eu posso descansar um pouquinho? –Fatinha pediu.

–Claro, agora só vamos te incomodar no finalzinho da tarde.

Como o prometido ela teve boa parte da tarde para descansar.

Por volta das cinco e meia da tarde Raquel apareceu.

–Fatinha com sempre dando trabalho. –A médica brincou ao entrar na sala. –Meu nome é Raquel, nós nos conhecemos há poucos meses.

–Você é a mãe da Lia e ex-esposa do dr. Lorenzo? –Fatinha palpitou.

–Exatamente. E agora vou ser a sua médica.

–Eu tenho uma pergunta. –A garota se pronunciou.

–E qual é?

–Você tem certeza que eu estou grávida? Sei lá, pode ter sido um erro do laboratório ou algo do tipo.

–Você está grávida Fatinha, é um fato. Mas por que a pergunta?

–Honestamente? Eu não me sinto nem um pouco grávida. Todos esses sintomas tão comentados, eu não tive nenhum.

–Você não teve nenhum que você se lembre. –Observou Raquel.

–Certo, que eu me lembre. Mas nesses dois dias que eu estive no hospital a única coisa que eu senti foram algumas dores no corpo, que o doutor Lorenzo disse ser resultado da queda.

–Isso vai parecer estranho, mas os famosos sintomas da gestação não necessariamente acompanham a grávida diariamente. É uma coisa que varia de mulher para mulher.

–Mas isso não muda o fato de que eu ainda penso que toda essa história de gravidez não passa de um grande mal entendido.

–Então vamos corrigir isso agora mesmo. –Raquel pegou a ficha da paciente e começou a analisar os exames que já haviam sido feitos. –Pelo visto meu ex-marido foi bem eficiente. A maior parte dos exames de sangue já foram encaminhados para o laboratório, então nos resta fazer a sua primeira ultrassonografia.

A médica explicou a Fatinha como o procedimento seria e por fim a encaminhou para a sala. Inicialmente a garota estava um pouco receosa pois o exame seria transvaginal, mas no fim não foi nada assustador como ela esperava.

–Vamos ver o que temos aqui... –Raquel falou encarando a tela. –Pois bem, temos oficialmente um feto, ou serão dois?

–Dois? –Fatinha deu um grito, assustada.

Imediatamente a médica começou a rir.

–Foi só uma brincadeira boba, não são gêmeos.

–Boba mesmo. –Fatinha disse fazendo biquinho.

–Está ouvindo esse som? –Raquel perguntou.

–Eu não estou ouvindo nada.

–Preste mais atenção. –A médica pediu.

Fatinha ficou por alguns instantes calada, tentando se concentrar no suposto som. Quando ela ouviu, ficou estupefata.

–Isso...? Isso é...? –Ela sequer conseguia completar a sentença.

–Isso é o coração do seu filho, ou filha batendo.

–Eu estou grávida. –Fatinha constatou.

–Exatamente. Você esta grávida de aproximadamente dez a onze semanas.

–Uau! –A garota estava mais do que surpresa.

A médica aproveitou o momento para dar alguns conselhos e advertências sobre a gestação, além de concluir alguns exames.

Naquele momento, Bruno contava para os pais a novidade.

–Como assim você vai se mudar? –Marta perguntava assustada.

–E exatamente isso que a senhora ouviu, mãe. Eu vou morar com a Fatinha.

–Mas vocês estão juntos? Ela não estava sem memória?

–Não, nós somos só amigos, e ela ainda está com amnésia. A verdade é que essa mudança vai ser o melhor arranjo possível no momento. Com tudo o que aconteceu nos últimos dias, o ideal e que eu fique do lado dela dando suporte.

–Mas do lado não precisa ser necessariamente debaixo do mesmo teto. –A mãe dele insistiu.

–Mãe, a minha decisão já está tomada.

Olavo que só observava a discussão resolveu se pronunciar.

–E aonde vocês vão morar? Já arrumaram algum lugar?

–A mãe da Fatinha conseguiu um lugar para a gente. Na verdade é nesse prédio, só que alguns andares acima. Se não me engano é o apartamento 801.

–Ótimo, mas como vocês vão fazer para se sustentar? –o pai dele questionou.

–Tanto eu quanto ela trabalhamos, além do mais estou prestes a finalizar o meu curso.

–Não acredito que o meu filhinho vai sair de casa. –Marta falou chorando.

–Mãe, tecnicamente eu não vou nem sair do prédio. –Bruno tentou amenizar a situação.

–Ainda assim, pra mim você está crescendo rápido demais. –Ela disse abraçando o filho. –Não concordo com isso.

–Pois eu além de concordar, apoio. –Disse Olavo, para o desespero de Marta. –É bom saber que o meu filho já tem maturidade o suficiente para assumir a própria vida. Afinal, logo você terá que ser responsável por uma criança.

–Vamos mudar de assunto? –Marta falou. –Não me acostumei nem um pouco com essa ideia de vovó. Estou nova demais para isso.

–Aposto que vai ser a avó mais coruja. –Olavo provocou.

–Então família, embora o papo esteja ótimo eu tenho que arrumar as minhas coisas. A Fatinha sai do hospital amanhã de manhã e eu ainda tenho muita coisa para arrumar.

Bruno foi para o quarto e começou a organizar a mudança. Estava mais do que óbvio que não dava pra levar tudo de uma só vez, mas ele acabou preferindo empacotar tudo e levar para o apartamento, e aos poucos ir colocando tudo no devido lugar. Com a ajuda do pai, e do Severino ele levou as caixas para o 801.

–Você está com a chave, Bruno? –Olavo perguntou.

–Não, mas a dona Vilma disse que estaria aqui. –Ele respondeu tocando a companhia.

Depois de alguns segundos a porta se abriu, revelando uma senhora sorridente.

–Bruno, querido! Entre e diga o que acha da sua nova casa. –Ela disse o puxando pelo braço.

O garoto ainda estava meio receoso a respeito da mãe da Fatinha, mas a obedeceu.

O apartamento não era grande, mas era mais do que o suficiente para ele. Além do mais estava praticamente todo mobilhado.

–E então, o que você achou? –Perguntou Vilma, na expectativa.

–Eu acho que você fez um trabalho incrível! –Ele respondeu.

–Bom saber! Já veio trazer as suas coisas?

–Sim, trouxe até o meu pai e o Severino para ajudar.

–Ótimo! Entrem, vocês dois. –Vilma disse receptiva. –As coisas da Maria de Fátima está no quarto da direita, então o da esquerda sobrou pra você Bruno.

Os três homens foram até o quarto indicado e deixarem as caixas. Ao voltarem para a sala, Bruno apresentou o pai à Vilma.

Foi preciso mais duas viagens para levar tudo até o apartamento 801. Bruno agradeceu Severino e o pai, e eles se retiraram.

–Bruno, eu preciso voltar para o hospital. –Vilma disse. –Já trouxe todas as coisas da Maria de Fátima, só falta colocar tudo no lugar, mas isso ela mesma faz.

–Certo. E como vai ficar o aluguel do apartamento? Eu tenho que depositar em uma conta ou...?

–Eu já deixei pago os três primeiros meses de aluguel. Nem pense em recusar, estou fazendo isso pela minha filha. Assim, vocês terão esses primeiros meses para se organizarem e comprarem o que precisam para a casa.

–Mas seria muito abuso da minha parte morar aqui sem pagar. –Bruno argumentou.

–Não é abuso nenhum querido, aproveite a minha generosidade! Agora eu vou para o hospital. Tem uma chave na porta e uma cópia na mesinha da sala. Ah, você vai buscar a Maria de Fátima amanhã?

–Claro. O Lorenzo disse o horário?

–Amanhã às dez horas ela estará liberada. E eu vou voltar para Carambolas.

–Mas já? Achei que você fosse ficar mais.

Eu sei, um pouco de falsidade da parte do Bruno dizer isso, já que ele ainda tinha medo da mulher. Mas por algum motivo estranho ele até gostava dela.

–Tenho que voltar para casa o mais rápido possível, do contrário o Adolfo entra com um pedido de divórcio. –Vilma brincou. –Tchau Bruno!

–Tchau!

A mulher estava quase saindo do apartamento quando se lembrou de um detalhe:

–Bruno, a geladeira e a dispensa estão sem nada. Não se esquece de ir às compras amanhã!

Dito isso, Vilma saiu do apartamento para ir passar a última noite no hospital com a filha. Enfim as coisas estavam encaminhando.


Notas finais
E novamente peço desculpas pelo sumiço, mas com o feriado a última coisa que eu fiz foi mexer no computador.
Enfim, gostaram do capítulo? Comentem!