Coração Lacrado pela Dor
5 Capítulo 4: Ashuri
Notas iniciais
Bem, pessoal, eu vou fazer um capitulo especial, só pro Ashuri :3
Acordei mais cansada que antes.
Levantei o corpo lentamente, observando o quarto a minha volta. Estava tudo silencioso e quieto, e aquilo me era um ambiente muito estranho. Conseguia ouvir o som baixo de algo sendo frito numa frigideira. E uma melodia baixinha, que era tocava levemente com um violino e uma harpa. Eu estava em silêncio, sem vontade nenhuma de sair dali. Encarei Andy, que dormia suavemente, em sua respiração baixa. Encarei a janela. O sol nem havia nascido ainda. E era tudo verde lá fora. Verde, um verde estranho, brilhante. Mas isso pouco me importa agora.
Remexi os pensamentos, e encontrei minha mãe. O que ela deveria estar fazendo agora? Estaria bem? Ou ao menos, gostava de mim quando eu era menor? Ah, e minha irmãzinha, tão chata... Onde estaria, huh? Eu sei que ela ainda vive, está estudando num colégio interno. Imagino o sofrimento de estar lá. Ou não... Eu lembro que já estudei em um, mas acabei fazendo algo para me expulsarem de lá, foi tão divertido.
Olhei Andy de novo, e ele estava acordando. Olhou pro meu rosto –tão fofinho- , sorriu e disse:
-Bom-dia, Lawliet!
Não respondi. Não estava afim. Ele se espreguiçou, e saiu voando para fora. Deitei na cama de novo e puxei o cobertor pra mim. Estava com vontade de chorar. Eram muitos motivos, mas nenhum explicava aquele turbilhão de pensamentos. Eu não estava com vontade alguma de sair de lá, e estava com tanto sono que poderia dormir agora mesmo. Talvez ele amenize isso.
A porta se abriu, e o garoto estava lá de novo, com Andy ao lado. Eles estavam lá para me tirar da cama, pelo menos alguém pode fazer isso por mim. Sério, ele tinha um ar de... Superioridade. Se bem que, quando se dá sorrisos sarcásticos, irônicos, ou maliciosos, provoca esse mesmo efeito. Não me culpe se isso não aconteceu com você. Afinal, a superioridade não é para todos, amigo. Para mim deve ser, porque eu nunca tentei usar em alguém. O garoto me encarou levemente, e fez um sinal para eu ir atrás. Eu fui, com má vontade, mas fui. Eu não ia com a cara dele. Nem mesmo o nome eu sabia, e era chato chama-ló de garoto. Resmungando, observei a mesa com o café da mãe. Era bem simples. Sentei, e o garoto simplesmente se recostou na cadeira e me observou. Comi lentamente com um pouco de desconforto. Com o canto dos olhos, o olhar do garoto estava distante.
Terminei, e encarei aquele olhar. Não era sonolento, era indecifrável, isso sim. Os olhos de gato piscavam de tempos em tempos, e se você fosse esperto e atento, podia ver uma cauda balançando, formando vários “S”. De repente, ele me observou, e apontou para seu rosto, com um sorriso malicioso:
-O que foi? Gosta desse rostinho?
-HUH? O QUE DEU EM VOCÊ? MAS É CLARO QUE NÃO!-Gritei constrangida.
Ele riu, e continuou:
-Então porque estava me olhando?
-Tem algum problema olhar para os outros?-Disse com arrogância, controlando minha raiva.
-Não, a menos se estiverem olhando do jeito que você olhou. -fez um rosto irônico e pensativo. -Deixa eu ver como era... Ah sim, seus olhos estavam brilhando. E seu olhar parecia estar gostando do que viu.
-Ah, eu te odeio.
Sorriu, e se levantou. Andy estava rindo baixinho, e levantou também.
-Lawliet, vamos, vamos! -Disse.
-Onde?
-Vamos logo, ele disse que é surpresa. Vamos, por favor!
Devido à insistência da criança, fui junto. Andy pegou minha mão e me puxou para ir atrás do garoto, que abria a porta, e esperou sairmos. Resmunguei, e começamos a andar pela floresta. Engraçado, o ar de uma floresta é muito mais puro e gostoso de respirar. Deixa seus pulmões mais leves, e seu corpo também. E estava silencioso.
Observei a floresta, havia um mar de folhas caídas no chão, folhas verdes, verde vivo. E as árvores eram bem altas, mas tinha espaço suficiente para a luz do sol -que nem havia nascido ainda- entrar. Não sei que horas eram, mas já era para eu começar a ficar com sono. Talvez sejam os efeitos do café, que já estavam a penetrar rápido no meu sangue.
Voltando a floresta, os galhos das arvores eram altos, e podiam se ver ninhos de pássaro, ou seja lá o que tiver nesse mundo. Mas era uma bonita paisagem. E, estava escuro, mas tinham muitos, muitos, muitos vaga-lumes por aí, que iluminavam, e dava a floresta um ar mais bonito. Estava brilhando. Era uma linda paisagem, uma paisagem de tirar o fôlego, até.
Olhei para meu punho. Ele já não doía mais, e tinha um curativo nele. Aquele garoto deve ter feito isso em mim, é claro. Ele fez um bom trabalho, até. Será que se importava comigo? Não, não, ele não deveria se importar! Não podia, e eu não quero que percam o tempo se importando comigo. Eu só cheguei até lá com a ajuda de Andy, eu não precisava da ajuda dele, isso eu não precisava da ajuda dele. Mas... Ele s importou comigo.
-Ei, por que você me ajudou?-perguntei, meio baixo, na esperança que ele não ouvisse. Suas orelhas “abriram” para cima, deixando a mostra, e ele me olhou. Droga, ele tinha ouvido.
-Por que pergunta?-Desviou o olhar, com as mãos no casaco.
Eu não devia ter perguntado.
Não devia.
Mas agora já foi.
Eu precisava dar a resposta.
-Nada... -Foi a única coisa que saiu.
-Ninguém faz uma pergunta por nada, vamos responda. -Insistiu, e acabou de diminuir um pouco o passo.
-É que... -Comecei, analisando as respostas. Peguei a que eu queria: — Você parece se importar comigo, ou estou errada?
Estava nervosa.
Ele levantou uma sobrancelha, olhando para mim.
-Eu me importo.
-Por quê?
O garoto parou. Parecia procurar uma resposta.
-Porque você estava lá, chegou com um machucado feio, e me preocupou. Sim, você podia ser uma louca psicopata, mas eu quis ajudar. -E então parou. Eu parei também. Num sussurro, ele continuou:- Você me pareceu confiante, Lawliet.
Era a primeira vez que ele disse meu nome.
Observei-o mais uma vez, e seu rosto parecia constrangido. Antes de responder, sorri.
-Obrigada por cuidar de mim, então.
Ele sorriu, e voltamos a andar. Ele realmente se importava.
Pelo que vi, Andy não interferiu em nada. Só ficou em meu ombro, com a cauda enrolada em meu pescoço.
O garoto murmurou algo
-O que disse?
-Ashuri. Meu nome é Ashuri.
Notas finais
A-zu-ri
reviews? :B
o capitulo especial do Ashuri vai vir ainda hoje u.u
Mas caso não der, não me matem, eu não prometo nada e.e
e sorry pelo capitulo pequeno :Cprometo caprichar no próximo (não será o do Ashuri)
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