Coração Lacrado pela Dor
6 Capítulo 5: O castelo de cristais de gelo
Notas iniciais
eu finalmente terminei, gente!
espero que todos vocês começem a gostar mais, porque as coisas vão esquentar, e MUITO :D
Depois de um tempo, estávamos na frente de um castelo.
Bem, era meio estranho. Mas lindo, muito lindo!
Sua frente tinha várias escadas, escadas numa cor azul claro transparente, bem limpas e bonitas. Pareciam ser de vidro. E subindo as escadas, tinha a grande entrada, com a porta em forma oval, feita de vários pedaços de vidro, acho que era um mosaico, que formava um cristal de gelo, com outros de vários tamanhos em volta. E tinha uma grande argola que parecia ser a maçaneta, e o resto do castelo, era enorme, E-N-O-R-M-E. Sei lá quantos metros tinha, mas era enorme. E era todo azul claro meio transparente, e com o nascer do sol, brilhava.
-Nossa, isso é... Totalmente incrível!-Andy falou antes de mim, com seus olhos brilhando.
-É, não é? Este é o castelo de cristais de gelo, onde todos os iniciantes começam.-Informou Ashuri, enquanto arrumava uma dobra em sua blusa. –Bem, vou entrar com vocês e ajudar um pouco, depois tenho minhas coisas pra fazer.
-Vamos, vamos, Lawliet-chan!
O lobinho pegou minha mão e me puxou para dentro, animado. Como ele, não escondi a animação e entrei. Dei um grande sorriso, e o gato abriu a porta, mostrando o grande saguão. Mas não tinha ninguém lá. O piso era feito do mesmo material que parecia vidro da escada, e brilhava. Podia ver me reflexo lá, e espalhado por alguns cantos, haviam cristais como o do vitral da entrada, só que reais. Eles eram lilás, azuis, diferentes tons claros e um pouco escuro. Haviam portas que levavam para corredores, e no centro, uma escada que levava a um corredor por cima cheio de portas, dos dois lados.
Ashuri nos conduziu para as escadas, e abriu uma porta, mostrando um enorme salão estranho, totalmente vazio, mas com mais corredores e escadas.
-Adeus, pirralha, te vejo depois.-Disse isso e fechou a porta, deixando eu e Andy lá.
Olhei em volta do salão. Estava sendo divertido, por mais que seja curioso se acostumar com a idéia de que eu não era mais da terra. Como você ficaria se tivesse de deixar tudo aí na sua terra e ir para outro lugar? Realmente, não é a melhor sensação do mundo, pelo contrário, é bem doloroso. Isso me lembrou algo. Mas não sei ao certo o quê, então, deixemos isso de lado. Ah, seria essa melodia que eu vivo ouvindo? Ela é um tanto interessante.
Melodia? Vejo que você não é normal.
Uma pequena voz feminina soou pelo salão, ecoando. De fato não poderia ser Andy, já que ele estava mais ocupado vendo o salão, xeretando em tudo, e sua voz não chega a ter um tom feminino. Ok, Ok, eu estou delirando, ficando maluca! Isso é só por culpa de uma noite mal dormida.
Haha, você é bem interessante, garota. Vou te testar.
Me testar? Minha própria mente vai me testar. Bem, acho que isso não é nada, nada. Agora que caiu a ficha. Só para saber o que uma garota estranha como eu está pensando, só lendo sua mente. Mas este mundo tem absolutamente de tudo, pessoas que lêem a mente dos outros, animaizinhos estranhos que te seguem de um lado para o outro –como sua sombra- e ainda falam, e mais outras bizarrices.
Ei, não xingue assim seu animal regente. Ele pode ficar bravo.
-Andy, é você que está falando?-Perguntei, impaciente. Ele olhou em minha direção, sorrindo. Uma criaturinha tão inocente não é capaz de fazer isso. Ele veio ao meu encontro, e como de seu costume, abraçou meu pescoço com a cauda peluda e quente. Dei um suspiro mental e voltei a andar, analisando melhor meus pensamentos. Ouvia passos, meus passos. Eles ecoavam demais. Mas que isso importa, santo deus? Minha animação de estar aqui é tão grande que eu não vejo a hora de saber o que vão me ensinar! Ah, minha distração era ótima em casos como este.
Como, você deve estar se perguntando, ou não.
Por culpa do longo tempo que eu tinha quando não conhecia meus dois amigos, Trevon e Charlie, eu tinha um pequeno amigo imaginário. Mas eu não conseguia vê-ló, e sim o via dentro da minha mente, e conversávamos, no silêncio. Disto, eu criei o meu próprio mundo. Um mundo pequeno, onde estava eu, meus personagens e meu amigo. Seu nome? Eu o chamava de Ferrance. Suas feições era de um garoto pálido, de minha idade, cabelos negros um pouco abaixo das orelhas, na altura do queixo. Uma franja pela frente do rosto, e olhos brancos, apenas com a pupila negra. Usava um sobretudo azul claro cobrindo as roupas, mas sabia que ele usava uma camisa e uma longa calça negra, completando com um tênis All star preto.
Ah, ele era apenas meu melhor amigo. Eu conversava sobre qualquer besteirinha que vinha em mente, ele me respondia, sempre me respondia. E como eu falava com ele pela mente, minha distração era grande. Quando as pessoas falavam comigo, eu estava ocupada falando com Ferrance, e não me importava com a realidade. Quem precisa da realidade? Eu não preciso, é muito mais difícil viver na realidade.
Eu criei Ferrance com 7 anos, e ele continuou comigo, e ficou até... Uma semana atrás. Ele sumiu, e até agora eu estou o buscando por minha mente. Mesmo sem ele, me dá uma vontade doida de me enfiar no meu mundinho e ficar, procurando por alguém pra conversar. Entendeu? Por isso vivo avoada, sem nem prestar atenção direito na realidade. Mas agora eu tenho um motivo para prestar. Sou presa ao mundo da fantasia. Literalmente.
Sai andando enquanto conversava com Andy. Falei para ele sobre meu amiguinho imaginário, enquanto andávamos. Ele não estranhou, achou normal. E então, enquanto passeávamos por um dos corredores, ele começou a ficar embaçado e estávamos de volta no salão.
-Andy, o que aconteceu agora há pouco?-Perguntei.
-Eu sei lá! Mas estou com medo, Lawliet-chan!
Caramba, era pra mim estar com medo, não ele.
Voltamos a andar, e sempre acabávamos no mesmo lugar, por mais que trocássemos de rumo, subíssemos escadas, sempre íamos parar lá: no salão. Era sempre essa mesma dorga que me deixava irritada. Até mesmo o lobinho, que não entendia. Tentamos andar separados e nada.
-Quando vão desistir, hein?-Soou aquela voz feminina de antes. Era fria e debochadora, num certo ar de humor negro. Eu não conseguia ver a autora dela, só ouvi-lá.
-Quem está aí?-Disse o pequenino, entrando na minha frente, tentando me proteger de algo. Sem resposta. Estávamos parados, ouvindo o silêncio e o cantar dos passarinhos lá fora. O sol já deveria estar nascendo. Eu não sabia o quão bom era ouvir o canto dos pássaros. Olhei em volta do salão, buscando algo, qualquer coisa, que me indicasse que tinha realmente alguém ali, e não era nossa imaginação. Mas duas pessoas podem imaginar a mesma coisa?
E como num trovão, um feixe de luz do sol tomou conta do salão, deixando seu calor cuidar de nós. Olhei de novo em volta, e uma pequena chama acesa de fogo num canto surgiu. Era bem pequenina, e não estava lá antes. Se estivesse, eu não prestei atenção.
Mas tirando este fato estranho, me aproximei da chama, e a toquei. Pela primeira vez, não senti dor ao toca-lá e nem calor. Era como tocar num pano morno. Assustada, hesitei em continuar lá e me aproximei de Andy. O fogo aumentou, tomando a forma de um tigre enorme, bem musculoso, feito de chamas.
Ela abriu a bocarra, mostrando fogo, e rugiu. Andy também hesitou, recuou um pouco. O animal veio em minha direção com tudo, explodindo em chamas que não me feriam, nem mesmo a Andy, apenas desviava-se de nós. Sem esconder o medo, peguei o lobo no colo e fiquei num canto do salão, olhando em volta, e vendo as chamas voltarem a formar o tigre. Ele estava a poucos metros de nós.
-Ei, quem está fazendo isso?-Gritei.
Uma risada foi ouvida, e uma bola de fogo saiu da boca do animal, uma enorme bola de fogo em nossa direção! Coloquei a mão em frente a mim, na tentativa de proteger meu pequenino lobo.
Mas não aconteceu nada.
Um vento estranho surgiu levantando meus cabelos, e eu via, uma estranha criatura que pegava fogo, e era toda negra, meio aroxada. Tinha uma enorme cauda peluda, orelhas grandes, as quatro patas, e era grande, da altura do tigre. Uma raposa. Uma raposa que pegava fogo? Han? E ainda mais, onde já alguém em todo este mundo viu um fogo escuro, meio aroxado? Ouvi um “Ah!” da voz da garota, um “Ah!” surpreso, que parecia ser direcionado para a raposa. Ela se virou para a mim, e fez uma reverencia de boas vindas. Ela me olhou sem fazer som algum, com os olhos feitos de esmeraldas roxa escura, num tom de preto. Ele parecia querer dizer algo, e então, Andy disse:
-Ele disse: “Eu sou seu Guardião, pode me chamar de Enry. Estou aqui para te proteger. E esta é a primeira e última vez que falo com você por meio de seu animal regente, Lawliet.”
Eu já tinha ouvido falar de “guardiões” num dos livros que li, mas nuca achei que chegaria a este ponto. Um guardião na verdade é um animal? Estranho demais. E também, porque a raposa não fala como os animais regentes?
-Er... Obrigada por traduzir.-Isso foi a única coisa que consegui dizer. Quando voltei meu olhar para o tigre, lá de ima, um borrão veio e uma garota desceu do nada. Em pé, ela arrumou seu vestido e se mostrou, com uma expressão nada amigável.
Ela tinha longos cabelos brancos ondulados que vinham aos ombros e caia até a altura da cintura. Seu vestido era bem decotado, com um decote em V que vinha uns dois dedos na altura dos seios, e as mangás brancas, com babados no final, e o vestido completava com uma saia um pouco acima do joelho –meio erótico, não?-, cheia de babados, dando a impressão que não fazia parte do vestido. Para completar, além dele ser todo branco, um grande laço negro estava preso nas cotas dela. E por fim de tudo, os sapatos brancos azulados que vinham com o tecido, em pequenas tiras que vinham até um pouco abaixo de seu joelho, formando perfeitos “X”. Ela era bem bonita, além de ter as feições delicadas, e uma pele bem pálida. Aparentava ter uns 14 ou 15 anos. Ela segurava em suas costas, uma foice enorme, toda negra, e bem detalhada, feita de ferro, com detalhes de cortes e uma imitação de ponta de lança nas duas pontas do cabo.
Assustadoramente, ela eu um sorriso frio e maligno, mais para irônico, e disse:
-Eh? Fogo escuro, não?-Com sua mão, tocou o tigre, que tomou sua coloração branca.-vai ser uma batalha interessante, novata.
Sem mais delongas, antes que um de nos pudesse dizer algo, o tigre avançou contra minha raposa, e saíram muitos feixes de fogo luminoso branco e obscuro, pelo salão.
De repente a porta se abriu, e a garota parou.
Um homem robusto, de cara mal humorada, e cabelos grisalhos surgiu, encarando a garota. Ele disse sério, com a voz grossa e autoritária:
-Alyss. O que está fazendo?
Assustada, seu tigre voltou a ser uma pequena chama e sumiu no ar. Ela, meio envergonhada, e com a voz mais feminina e infantil, choramingou:
-Desculpe Tio Scall, mas é que eu só vim dar boas-vindas a novata.-Em meio a um brilho estranho, a foice desapareceu também.
-Isso é jeito de tratar uma novata?-Ele urrou. A garota que seria Alyss murmurou baixinho um desculpe e olhou pra mim com desgosto, saindo salão. Minha raposa também sumiu, antes que o homem pudesse olhar para ela. E Andy, assustado, estava atrás de mim o tempo todo. Voltou a ficar em meu pescoço e observou o homem. Ele era bem estranho, vestia um casaco de couro, uma calça jeans e um sapato social preto. Também não parecia nada amigável.
Agora estava tudo ficando cada vez mais confuso pra mim. Ashuri ao menos poderia me explicar um pouco que as boas vindas aqui eram com pessoas te atacando. O homem me estudou de cima abaixo, e estudou também Andy. O homem estudou principalmente meu vestido, minhas feições, minhas reações enquanto seus olhos estavam pregados em mim. Por fim, disse:
-Novata, diga nome e idade e nome do animal regente.
Meio confusa de tudo que aconteceu, me recuperei rápido dos devaneios, direcionei meu olhar para ele e respondi, tentando não mostrar a aflição em que estava no mento. Senti os músculos de Andy tremerem de medo.
-Sou Lawliet Starius e tenho 12 anos incompletos, senhor. E este é Andrew.
-Hm.-Ele refletiu um pouco.-Certo, já que você veio da terra, vou mandar-lhe uma pessoa para lhe mostrar um pouco por aqui. Como chegou aqui, pirralha?
-Por meio do... Ashuri.
Ele pareceu meio surpreso. Mas em todo caso, aquele bizarro era conhecido por aqui? Estranho. Andy olhou para mim, mais calmo, e comecei a imaginar o que ele estaria pensando. Afinal, o que será que cada pessoa pensa? Eu gostaria de saber, pois nem tudo que eu penso é como as pessoas pensam. Ah meu deus, lá me vem devaneio de novo.
O Homem fez um sinal para que eu fosse com ele, e ele me conduziu por um dos corredores que eu e Andy tentávamos andar até chegarmos a uma grande porta.
-Estou com medo, Lawliet-chan.-Sussurrou Andy para mim. Apenas acariciei sua cabeça tentando conforta-ló de alguma forma. Ah, um pequenino lobo é tão... Fofo!
Agora me parecia meio iônico conseguir passar pelos corredores. Acho que aquilo poderia ser... magia. Não, Por quê magia? Ora Lawliet, pare com pensamentos malucos! Mas se bem que, como esse mundo é mais maluco do que eu, é bem possível.
O homem abriu a porta, e mostrou um salão com cristais, uma grande mesa, uma poltrona, e apena suma janela, e fechada. O salão todo era vermelho sangue, deixando-o mais escuro. Em alguns cantos, haviam várias prateleiras com livros, armários e etc. Num outro canto, um quadro informativo sobre armas.
E sentado, ali, numa poltrona, alguém que eu não esperava ver por ali.
Notas finais
Próximo capitulo terá:
-Explicações sobre tudo para a Lawliet
-Revelação do professor de magia da Lawliet
-Conhecendo a Alyss, aquela garota de branco
-Falando sobre os guardiões e animais regentes
-Revelação do elemento da Lawliet
-Começa-se o treinamento com armas!
Por isso, para o agrado de quem lê e gosta, o próximo capitulo será gigaenorme.
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