Coração Lacrado pela Dor

2 Capítulo 1: O rosto das sombras.


Notas iniciais
Primeiro capitulo (:
Espero que gostem!
Mandem seus reviews, meus queridos! ;*

Resmunguei quando ouvi meu tio Harry me chamar para ir à escola. Ah, que legal, agora que percebi que passara a noite em claro mais uma vez. Eu nunca senti sono de verdade, só dormia para poder sonhar. O legal era que eu podia controlar meus sonhos, e tinha consciência do que sonhava. É tudo tão divertido. Você já sentiu que pudesse ter o poder suficiente para acabar com um pesadelo que quis, ou sonhar com tal pessoa ou tal coisa? Pois é, assim que é sentir os sonhos a seus comandos.

Ouvi uma fraca voz me chamando, quase inaudível. Era irritante, ela não parava de me chamar. Ótimo, agora estou ficando louca, que inferno! Ou seria meu excesso de açúcar? Talvez, mas uma coisa é certa: Não é normal uma adolescente depender de açúcar. Tanto faz.

–Lawliet, tome seu café logo, ou chegará atrasada para a aula!-Disse Tio Harry enquanto se arrumava para ir ao trabalho. Era um velho de uns 60 anos, cuidava de mim quando a minha casa, uma antiga mansão da família rica e nobre Starius. Minha vidinha parecia ser perfeita, se bem que eu sou uma que daria qualquer coisa para ser como os outros. Antigamente, minha casa foi queimada sem mais nem menos. Os policiais disseram que foi culpa do fogo do fogão, e da tubulação de gás que passava pela casa. Não creio que seja isso. Não me importo tanto como me importava antes, tive tempo suficiente para parar de chorar e me lamentar por isso. Antes, só de pensar naquilo me sentia triste e culpada e começava a chorar.

Nunca mais senti algum sentimento. Literalmente. Eu apenas queria que eu pudesse sumir desse mundo, ou ir pra um lugar onde eu pudesse sentir sentimentos outra vez. Já faz cinco anos.

Era aquela voz que chamara meu nome, ficando um pouco mais alta em meio a meus pensamentos. Ignorei-a e finalmente respondi meu tio:

–Não se preocupe tio, sabe que eu nunca cheguei atrasada, nem hoje vou chegar.

Talvez você tenha que fugir de casa

Isso está parecendo a minha consciência. Enfim, a voz estava certa. Eu iria fugir de casa, pegar a minha herança e fugir. Mas era apenas um de meus pensamentos malucos de sempre.

Talvez se você ao menos tentasse. Será que seja lá quem for essa voz, possa parar de querer me alimentar de sonhos estranhos? Ora.

Porque você não tenta?É só sair esta noite.

Não. De imediato, calei a voz, e ela voltou a chamar meu nome enquanto eu comia distraidamente. Estava ouvindo música com meu Iphone. Pelo menos, uma das coisas boas de ter ganhado uma herança de quadrilhões de dólares é bom, porque eu ganho uma mesada bem alta. Bem alta mesmo. Todo adolescente desejaria isso, talvez. Tudo bem, aquela voz me convenceu bem fácil. Desde que se calasse, eu iria embora esta noite. Mas eu preciso de um tempo pra pensar como eu vou fazer isso, é claro.

É tão fácil. É só pular da Janela do seu quarto, nem chega a 1 metro.

A voz começou a me atormentar de novo. Ela estava certa, meu quarto era no primeiro andar. Mas eu preciso pensar primeiro. Logo coloquei o uniforme junto com uma blusa de moletom negra, uns sapatos básicos e minha mochila já arrumada. Sai pelas ruas com a cara fechada e fria de sempre, como se tivesse caído uma tempestade sobre mim. Andei até uma casa amarela, tocando a campainha de sempre. Logo, uma garota saiu pela porta, usando uma saia, umas luvas e um colar que mais parecia uma coleira. Tinha grandes cabelos negros e ondulados caindo em suas costas. Eram brilhantes com aquele sol. Ele era enfeito por pequenas presilhas de pedrinhas baratas. Ela me observou com seus olhos azul safira e me abraçou. Soltando-me, disse:

–Lawliet! Que bom que chegou! Como está?

–O mesmo de sempre. -Forcei um sorriso falso. –Vamos chamar o Trevon?

–Sim, vamos!

Ela pegou minha mão e andamos. Ela era a Charlie, minha melhor amiga. Nós conhecemos num trabalho escolar, na 2° série. Para marcar nossa amizade daquele dia, demos uma pulseira a cada uma e que sempre usávamos, todos os dias. A minha era feita e pedras de diamante falso, toda púrpura e uma pedra real de quartzo roxo. Era a maior marca, de uma boa história. Para ela, eu dei uma gargantilha de ouro e prata, com as iniciais de "Melhores Amigas para Sempre" em inglês, ou seja, BFF. Isso é meio irônico, eu nunca gostei muito dessas coisas.

Chegamos à outra casa, depois de dobrar uma esquina a direita. Era uma casinha normal com tintura branca, como a maioria das outras. Trevon já estava lá fora, indo em direção a casa de Charlie. Ele era um garoto um mês mais novo que eu, tinha os cabelos caindo sobre os ombros, meio negro e castanho, com uma mecha vermelha bem vivo. Usava uma calça Jeans descolada, uns sapatos negros e brancos, uma gargantilha em seu pescoço, e como sempre, apenas uma luva na mão direita e um colete. Ele estava segurando com uma mão, sua mochila "descolada".

–Pensei que não iriam vir hoje, então eu estava indo na casa da Charlie perguntar. -Ele disse ao nos ver e se juntou a nós e fomos direito andando até o ponto de ônibus de sempre, com as mesmas cadeiras e tal. Morávamos longe, e meu tio raramente nos levara para a aula, pois seu trabalho era um pouco mais tarde e ele praticamente odiava chegar cedo. Geralmente ele nos levara dias de quinta-feira e terça-feira. E hoje era uma terça. Esperávamos sempre no ponto de ônibus.

Deixei-me levar pelos pensamentos e saber como eu irei fugir de casa. Primeiro teria de arrumar as minhas coisas, é claro. Arrumaria em minha mochila, pois ela teria um espaço suficiente para isso. O que eu levaria? Uma muda de roupas, meu diário, meu dinheiro, alguma comida, uns cadernos para desenhar ou qualquer outra coisa, alguma coisa para combater o frio, algo para me distrair e talvez, o Black. Não, ele não deve ter um dono e ele nem mora com a gente. Bom, tudo pode acabar esta noite. É só esperar.

Se bem que, a aula passou rápido comigo sempre pensando sobre esse assunto. Aquela sensação estranha vinha de novo. E nada era familiar para mim, mesmo tendo freqüentado essa escola sempre. Nada me era familiar, os alunos, meus amigos os professores, o piso, o ambiente, os funcionários... Nada. Nunca foi assim.

A sensação era muito grande, consumia-me por completo, como um feitiço. Não sei, além de tudo, eu me sentia muito observada.

Logo, eu já estava em casa. 05h00min da tarde. Agora, eu já decidi por completo: Irei fugir de casa hoje, quando todos estiverem dormindo, ou seja, a meia noite. É claro, isso causaria muitos problemas, e u só estarei andando. Então, eu decidi pegar minha bicicleta, as coisas que vou levar numa mochila, e ir pra qualquer lugar. Mas é claro, essas coisas seria apenas o que eu preciso. Não vou levar foto nenhuma, nem nada... Nada que lembre meus pais.

Essas coisas que estou levando são apenas, essas que citei. Agora, é só esperar a meia noite. Às vezes é chato ficar lendo um livro enquanto o Black olha ora você estranhamente. Até parece que ele está... Lendo meus pensamentos. Ache que é loucura, mas gato pretos observando você com aqueles olhos vermelhos dão medo. Muito medo. Talvez seja ele que está me causando essa sensação estranha... Talvez.

–Black? O que está olhando?-Perguntei desviando meu olhar para ele, que se fixava na parede branca do quarto. Ele olhou para mim, e logo voltou a olhar para a parede. Levantei uma sobrancelha intrigada: — O que? O que está olhando?-Black miou, balançou sua cauda, levantando uma pata lentamente. Com agressividade, ele bateu ao chão, causando um grande estrondo. Meu corpo se sentiu sonolento, e uma pontada de dor em minha cabeça. Ela se tornou enorme, insuportável. Eu realmente não pertencia aquele mundo.

Puxaram-me de meu próprio corpo, tirando minha alma na direção de Black. Eu comecei a ver por seus olhos, as coisas um pouco maiores por ele ser pequeno, as coisas com mais clareza e estranho. Sensação estranha cresceu, e seus olhos fixaram-se na parede, de um garoto alguns anos mais velhos que eu. Estava usando um grande smooking negro, com detalhes em prateado, algumas listras verticais subindo por cima até o braço. Luvas brancas, uma grande calça com os mesmo detalhes do smooking, e uma blusa branca estranha, com linhas percorrendo-a e uma gravata borboleta. Seus cabelos louros caiam sobe seus ombros, com uma franja de lado. O rosto era meio branco, lindo, e seus olhos, verdes como uma esmeralda. Era completamente lindo e delicado.

Black virou seus olhos para seu rosto, que olhava fixamente para meu corpo caído no sofá, com o livro no colo. Eu estava usando um estranho vestido púrpura, com rosas em suas mangas, no estilo tomara que caia, com vários detalhes, e aquele mesmo detalhe de linhas, e alguns babados na saia do vestido e nos braços, com uma rosa negra em meu peito. E meus cabelos, caiam sobre minhas costas, e com um grande laço negro nele.

Não deixei de me perguntar: O que está acontecendo? Que vestimentas são essas? Quem é aquele cara? Como eu estou vendo pelos olhos desse gato estranho?

O garoto olhou para Black, sorrindo, e acariciou sua cabeça. Logo, fui puxada sem avisar e completamente rápido, me causando dor. Abri meus olhos e berrei de susto, olhando para mim, com aquelas mesmas vestimentas. Estava com medo. Senti um leve toque em meu rosto, de uma mão suave. Olhei em direção a onde eu sentia aquele toque, e por relance, vi aquele cara estranho, sorrindo. A imagem dele sumiu, me dando a impressão que eu estava sendo observada.

–O... O que... O que acabou de acontecer agora a pouco?-Pronunciei as palavras num sussurro. -Foi um sonho...? Talvez.

Virei meu rosto, e peguei o livro voltando a ler, tentando esquecer aquele rosto e o que havia acontecido. Olhei com o canto dos olhos para Black, ele estava deitado, dormindo. Suspirei de alivio, e realmente, voltei a ler.

Notas finais
Reviews u_u