Notas iniciais
Espero que supere as expectativas ♥

Eu adorava matar aulas desnecessárias, especialmente do professor Kenobi. Artes? Quem as atura? Não eu. Andei preocupado com outros assuntos, o fim de semana na casa da Ayla Secura por exemplo, não que eu precise de roupas novas como as garotas da sala C, as ouvi conversar na fila do almoço algo sobre saia de paete, mas que diabos é isso? Será mesmo que elas acham que nós vamos nos importar com o que elas estão vestindo. Sinceramente NÃO.


Os planos que tenho são outros, Padmé, ela voltou e confirmou presença no evento, ouvi por ai que ela veio especialmente para essa festa, mas não me parece verídico, Ayla é sua prima, mas até semana passada, ninguém falava dessa festa, Plo Koon disse que foi tudo de ultima hora, surgiu porque os pais de Ayla vão estar fora da cidade. Não creio que devo voltar a acreditar nos buchichos dessa gente. O importante é que daqui dois dias vou reencontra-la.


O sinal bateu e ao meio de tanta gente me esquivei dos olhares dos inspetores que já estavam atentos comigo, virei à direita do primeiro corredor ainda olhando para trás quando senti um baque e em seguida percebi que estava quente, fervendo, molhado... droga.


– Me perdoe Anakin. – Espremia minha camisa tentando tirar aquela péssima sensação do meu corpo. – Sinto muito.


Só queria sair dali, todo esse alvoroço poderia chamar atenção de todos, inclusive de alguns inspetores, poderia me limpar em outro lugar que não fosse no meio da minha fuga, mal sucedida, porque quando olhei para o corredor no objetivo de partir, vi o professor Kenobi se desculpando e dois inspetores se aproximando, não havia escapatória, não haveria desculpas. Droga, droga, droga, justo hoje.


– Você está bem? – O professor parecia preocupado, porém o que mais me intrigava era como ele sabia meu nome e quem eu era, pelo que eu me lembre, havia frequentado duas de suas aulas em todo ano.


– Estou. – Consegui dizer. – péssimo – sussurrei.


– Ora, ora, quem temos aqui. Anakin Skywalker.


– Ele mesmo. – Dei um sorriso desdenhoso.


– Para aula, já! – Um dos inspetores me empurrou, tentei desviar, mas ele prendeu meu ombro contra o dele. – Desta vez não rapazinho. – Revirei os olhos, mas tive que acompanhar o professor Kenobi até a sala de aula. “Justo a dele”


Entrei primeiro me libertando do “abraço” do inspetor, todos me olharam espantados e meus amigos começaram a clamar pelo meu nome, logo um sorriso veio tomar meu rosto sério, seria bom estar de volta, não que seja frequente as minhas faltas, apenas nas aulas que pedem para serem matadas. Joguei minha bolsa na mesa atrás de Plo, ele mal esperou que eu sentasse e já perguntou.


– Como te pegaram? – Ele estava tão pasmo quanto eu.


– Acabei trombando com o professor Kenobi, o resultado... – Apontei para minha camisa manchada.


– Café... – Tínhamos uma historia nada agradável que envolvia a bebida, o que era engraçado, mas a graça não substituía a desgraça para poder ser contada à toa.


– Exato.


Era estranho que meus amigos participassem dessa aula, era estranho que eu estivesse ali, mesmo que fosse a contra gosto, estive pensando, havia, havia um jeito, uma forma, neguei o que pude tatear, sentir, neguei por algum motivo, estive paralisado com o jeito que o professor se desculpava, e esse tempo perdido poderia ter sido usado para fugir, mas hesitei.


– Ei, ele esta falando com você. – Quenlan Vos me cutucou e apontou para o professor, todos estavam olhando para mim, senti-me congelar.


– Sim?


– A arte Sr. Skywalker, o que acha da arte? – Ele estava longe, segurando as mãos e ansioso por uma resposta.


– Desnecessária, como esta aula. – Retruquei com muita dor no coração, meus amigos me olhavam pedindo por aquilo, a classe toda riu em conjunto, vi um quase sorriso desaparecer no rosto do professor, não consegui rir como antes faria.


– Muito bem, Srta. Secura algum palpite? – Ele tentou desviar a atenção.


Minha visão ficou turva, o som havia desaparecido, meus amigos ainda gargalhavam e davam leves tapinhas em minhas costas, tentei um sorriso, nada. Era estranho, nunca havia duvidado do meu potencial como “comediante”, agora, me sinto péssimo, piedade dos alvos de minhas brincadeiras? Nunca chegou a existir, não antes do dia de hoje.


A aula já havia acabado e todos estavam se arrumando para sair, todos já esta fora da classe, eu e meus amigos ainda atravessamos a longa sala quando ouvir o professor Kenobi falar:


– Sr. Skywalker? – Meus amigos riram mas Plo me olhou preocupado. – Podemos conversar? – Afirmei que poderiam me deixar e que encontraria eles depois, eles concordaram. Minha mão suava.


– Pois não? – Tentei controlar meu coração, fracasso.


– Desculpe novamente por hoje. – Ele procurava por algo dentro de sua maleta marrom.


– Sem problemas, professor estou com pressa, posso...


– Não vai demorar. – Ele retirou um papel vermelho e me entregou. – Uma exposição, sobre a história da arte, estava guardando para alguém, mas acho que tem mais necessidade.


– Ah não, não posso aceitar. – Tentei negar mas ele insistiu.

Peguei novamente a contra gosto, meu corpo estava em conflito, a vontade de me desculpar era grande, mas meu orgulho...


– Agora quem precisa ir sou eu. Apareça, não vai se arrepender, garanto. – Ele esteve o tempo todo olhando em meus olhos, engoli em seco, ele sorriu e se afastou saindo da sala. Fiquei por ali mais uns poucos minutos tentando digerir toda aquela situação estranha. Mas o que era aquilo que eu estava sentindo?


Estava a caminho para encontrar meus amigos, olhei o convite, não que fosse meu intuito aparecer, só estava curioso, nem que eu quisesse, seria no mesmo fim de semana da festa de Ayla, nem pensar. Dobrei o convite e o guardei com pressa quando vi meus amigos vindo em minha direção.


– Levou uma bronca daquelas? – Quenlan riu, estava acostumado com elas.


– Sem duvida. – Menti.


– O que era aquilo que guardou? – Perguntou Plo.


– Nada! – Respondi depressa e para tirar atenção deles para aquilo, perguntei sobre a festa, todos estavam animados, assim como eu.


Nas outras aulas a culpa por ter sido indelicado com o professor Kenobi já havia passado e a preocupação com a festa havia voltado a me causar anseio. Todos estavam falando disso, estava tão próximo, que até já podia sentir o gosto, se fechasse os olhos, podia ver e ouvir a festa. Era algo que eu queria muito.


Sábado de manhã.


– Querido venha tomar o café. – Minha mãe gritou da cozinha.


Acreditam? Aula, aula de sábado, aula necessária de sábado, se eu pudesse, eu a matava, o que diminuía a desgraça do dia era o fato de estar cada hora mais próximo da festa. Todos estavam comentando, hoje seria um grande dia. A aula havia acabado mais cedo, tudo parecia estar em perfeita ordem, acontecendo até mais do que o planejado. Voltei para casa e repassei tudo que eu tinha preparado.


19:00


Estava pronto, Plo e o pessoal passaria me buscar, foi quando ouvi meu celular vibrar e li a mensagem que acabaria com a minha noite.


CANCELADA.


– Mas o que? Não, não, não! – Procurei o mais rápido que pude pelo numero de Ayla. Liguei... Ocupado, ocupado, ocupado. – Mas que droga. – Meu corpo fervia e desta vez não era o café. Ainda ocupado... Não era só eu que estava insatisfeito com aquilo.


–Alô? – Uma voz atendeu.


– Ayla, não, você não pode cancelar.


– Sou eu Adi, Ayla esta lá embaixo atendendo a porta. – Era a irmã mais nova da Ayla.


– Aconteceu alguma coisa? – Perguntei meio preocupado.


– Na verdade sim. – Ela soluçou. – Meus pais sofreram um acidente.


– Ó céus, sinto muito. – Minha nossa, como isso pode ter acontecido, que tragédia. Me senti mal por ter gritado ao telefone quando na verdade a coisa era pior do que eu imaginei. – Sinto muitíssimo Adi, vocês precisam de alguma coisa?


– Não, obrigada Anakin. – Ela desligou


Deve estar sendo muito triste para ela e para Ayla ter que atender tantas pessoas irritadas com a situação e ter que repetir o porque para todas, não quero nem pensar. Estava confuso, tantos sentimentos, tristeza, decepção, raiva, uma mistura das piores sensações, não poderia ver Padmé, quando mais teria essa oportunidade? Não ligaria de novo para Ayla perguntando sobre algo que só me satisfaria.


*Mensagem do grupo*


“Fui até a casa da Ayla pessoal”
“Eai?”
“Soube dos pais”
“Sim, elas estavam devastadas”


Isso, era a oportunidade certa para perguntar sobre Padmé.


“Padmé estava lá? Você perguntou sobre ela?”

“Ele não estava lá Anakin”


Se ela não estava lá, não estaria em mais nenhum lugar, a família havia se mudado a anos e quando ela volta, se hospeda na casa da prima, senti-me mais leve, isso me envergonhava, pois eu me alegrava em momentos tão difíceis, egoísta!


“Obrigado”


Fui guardar o celular no bolso, mas ele não quis entrar, algo o impedia, retirei de lá um convite todo amassado. “É hoje” pensei, me lembrando do evento que o professor Kenobi havia me convidado. Levantei os ombros “porque não”.


Olhei o endereço e não era muito longe dali, resolvi ir a pé, planejei não ficar muito, ver do que se tratava aliás, apenas. Seria vergonhoso que me vissem ali. Caminhei algumas quadras até avistar um salão de eventos, todo iluminado, a coisa seria grande, como tantas pessoas conseguiam gostar da arte? Era entediante.


Atravessei a porta de vidro, eram várias salas, com vários eventos, interessante. Havia uma placa indicando a sala da exposição da história da arte, segui as instruções e cheguei enfim a uma sala grade e na porta... não. Kenobi recebia as pessoas que entravam.


“Era dele, a exposição era dele”. Tentei dar meia volta, era tarde, ele já havia me visto. Caminhei até lá, com muito custo, meus pés pareciam chumbo.


– Seja muito bem vindo Anakin. – Ele segurou minha mão. Comecei a ficar corado.


– Obrigada professor Kenobi. – Dei um sorriso tentando esconder meu nervosismo.


– Obi-Wan por favor, estamos fora da escola, sem cerimônias. – Ele sorriu de volta. – Fique a vontade. – Ele me entregou um panfleto e cumprimentou as outras pessoas que passavam por mim.


A sala estava cheia, tinham jovens, adultos e até idosos, muitos gostavam de arte e eu me senti ignorante por tê-la criticado antes, sem ao menos conhecer. Fiquei impressionado com algumas coisas, de fato a arte havia prendido minha atenção. Estava tão distraído que não vi a hora passar e quando me dei conta a sala estava quase vazia e todos se despediam. Havia uma fila para cumprimentar Obi-Wan e eu resolvi esperar para agradecer.


– Professor... é Obi-Wan, estou grato pelo convite, eu, eu nem sei como... me desculpe pela aula. – Tentei me desculpar mas não havia planejado de fato tudo aquilo, fui pego de surpresa.


– Não se preocupe Anakin, o importante é que entendeu o que eu queria te mostrar, a arte. Esta indo para algum lugar? – Ele sorria e ainda me encarava.


– Não. – Seu olhar me deixava desconfortável, era intimidador e apaixonante.


– Quer ir para algum lugar comemorar? – Ele perguntou, fui pego novamente de surpresa.


– Ah eu não sei, esta tarde eu preciso... – Ele me interrompeu.


– Eu insisto. Estou contente que tenha concluído com êxito meus planos. Fazer alguém como você gostar de arte é um grande trabalho e conseguir... Precisamos celebrar. – Ele agora parecia um adolescente almejando por um sim, conflitos e mais conflitos. Sim? Não? – Não vai se arrepender.


– Tudo bem. – Aceitei.


***


Ele dirigiu até uma boate no centro da cidade, o silêncio até uma parte do trajeto congelava meu coração, ele se inclinou para ligar o radio.


“When i see an open door
Close your eyes
Clear your heart
Cut the chord
Are we human?”


A música infestou o carro.


– The killers? – Falei animado.


– Sim, você gosta? – Ele sorriu e sua voz parecia mais a vontade. Concordei com a cabeça porque ele não tirava os olhos de mim. Ele então aumentou o volume e começou a cantar junto. Não resisti, me juntei a ele.


Estacionamos, a música nem havia acabado mas fui obrigado a deixá-la, relutante sai do carro. Não havia reparado como seu cabelo era alinhado, alguns fios caiam sobre sua testa, e seu rosto, Obi-Wan era outra pessoa, completamente diferente do professor Kenobi, sério, ele ainda parecia estar lá, mas escondido, o homem que estava ali agora pertencia a um mundo diferente, tomado pela excitação.


Eu o segui até a boate, estava completamente cheia, senti a música em minhas veias, ele foi direto para o bar e pediu duas bebidas, a noite só estava começando. Dancei como nunca, estava pensando se teria aproveitado tanto assim se tivesse ido a festa de Ayla, talvez eu não teria conhecido o novo lado do professor Kenobi, isso parece bom.


Já era tarde quando Obi-Wan me puxou pelo braço, sussurrou que precisávamos ir, pela primeira vez, tive coragem de olhar dentro de seus olhos, ele era intenso, ficamos ali, parados, aquele momento, eu poderia congelar aquele momento. Ele me envolveu em seus braços com um abraço e voltou a me olhar. Ele começou a desviar das pessoas saindo da multidão, eu o segui. Fomos para o carro, ele disse que me levaria para casa, desta vez ele não ligou o rádio.


Chegamos tão depressa em casa que nem vi a hora passar, ele estacionou, me virei para agradecer, quando notei ele já estava com seus lábios cravados nos meus, minha respiração travou, ele segurava minha nuca, suas mãos eram quentes, meus olhos se fecharam, a contra gosto? Estava confuso para saber, sua mão desviou o caminho e foi parar em minha coxa, ele a apertou com força. Tentei me libertar mas aquilo era curioso, proibido e eu gostava.


A luz da porta de entrada se acendeu e eu me afastei dele assustado, ele me olhava ofegante e eu estava paralisado com tudo aquilo, sai do carro sem falar uma palavra, tentei me equilibrar mas minhas pernas estavam bambas, mal conseguia parar em pé. Com muito custo consegui subir os três degraus de entrada, quando me virei, ele não estava mais lá. O que havia sido aquilo, um sonho? Uma loucura? Um desejo? Eu não faço ideia, isso é tão confuso, tão prazeroso. Eu amo a arte.

Notas finais
Espero sinceramente que tenham gostado,estou aberta a opiniões, criticas, surtos de loucura nos comentários por estarem apaixonadas por Aniwan (ou Obikin), obrigada pela leitura, vejo vocês no próximo capítulo ♥