Notas iniciais
Um continuação surpreendente que nem mesmo eu esperava. Capítulo especial para as minhas leitoras que pediram por isso ♥

Um sentimento havia florescido dentro de mim no ultimo mês, era uma coisa nova e desconhecida, mas decidi que não mergulharia mais em águas tão profundas. Meu coração entrava agora em batalha com meu cérebro, um conflito, eu vivia em um conflito. Eu havia mesmo beijado meu professor de artes?


Não! Ele, ele havia me beijado, como pude ser tolo, meus sentimentos me confundiram e não era possível que algo tão simples pudesse afundar alguém como eu. E quanto a amar a arte? Eu a odeio.


Voltei a matar as aulas conhecidas como “desnecessárias”, tentei me comunicar com Padmé, Ayla havia me dito que de fato ela não esteve em sua casa naquele final de semana, mas que voltaria em um próximo, não muito distante.
Já haviam passado semanas do grande fracasso e por sorte não encontrei o professor Kenobi nos corredores, muito menos os inspetores, fico mais feliz pelo primeiro desencontro que seria mais constrangedor do que perigoso e entre um e o outro, opto pelo perigo. Sinto que meu espírito vigoroso de fuga voltou à ativa e isso, ninguém mais pode me tirar.


***


Chovia muito naquele dia, meu refugio estaria encharcado, tentei o máximo permanecer na escola para que pudesse pensar em outra alternativa e isso foi um erro que me custou muito caro. Obi-Wan Kenobi caminhava com seu café, e ele estava mais próximo do que eu pretendia estar. Ele levantou a cabeça a tempo de me ver olhando para ele, senti um lampejo de alegria correr por todo corredor, seus olhos ainda intensos pareciam sorrir, ele balançou a cabeça me cumprimentando. Meu corpo congelou, não pude evitar uma pequena excitação, fechei a cara e caminhei o mais depressa que pude. Meu antigo refugio, mesmo encharcado, seria melhor do que aturar mais uma aula com ele.

Desta vez não fui pego.


P.O.V Obi-Wan Kenobi


Anakin Skywalker esta fugindo de mim.


Ele voltou a faltar das minhas aulas, o que me faz pensar o quão precipitado eu fui. Preciso me desculpar mas não o vejo, não a semanas. Excluindo as hipóteses que ele sempre aparece em meus sonhos. Cheguei a acreditar que seria diferente, ele me olhou tão estupefato, sua boca sedenta de vontade o entregava, naquela noite eu tinha certeza de que estava fazendo a coisa certa.


Chovia muito quando eu o vi pela primeira vez em tempos, não pude esconder minha excitação que me envergonharia se percebessem, ele estava lá, tão perto, minha imaginação criou em fração de segundos a ideia de que ele poderia sorrir para mim, mentirosa. Não era nada de novo, na possibilidade de um sim e de um não, ele escolheu enganadamente o não.


–Flashback on-


– Anakin Skywalker – Chamei por obrigação, muitos bochicharam ao som de seu nome.


– Presente. – Uma voz forte veio a responder. Olhei para ver o motivo de tanta conversa, não deveria ter feito isso.


O rapaz brilhou aos meus olhos, “não”, gritei para mim mesmo, meu corpo borbulhava prazer, era errado, erradíssimo e eu sabia que isso não poderia se tornar real. Ele ainda ria com os amigos e eu estava lá, meu olhar percorria o jovem, o desejando. Dizem que quando conhecemos o amor da nossa vida o tempo para e de fato parou.


– Professor? – Uma aluna me chamou a atenção.


– Sim? – Olhei para ela ainda bobo com tamanha beleza, sorrindo aos suspiros feito um adolescente.


– A chamada? – Ela riu com as amigas.


Acordei do transe e me senti envergonhado com o papel que havia feito. Continuei minha obrigação, mas ele continuava lá para perturbar meus pensamentos, ele tirava minha concentração e durante toda a aula, eu não consegui evitar que me sentisse constrangido com sua presença calorosa. Ao som do sinal, meu coração parou. O vi passar por mim, ainda rindo com os amigos, seus cabelos louros se chocavam contra a brisa que entrava pela porta e eu, eu não fazia ideia do que estava me metendo.


Desejei ele por toda a noite.


Na semana seguinte ele não apareceu, e nem na outra e nem nas outras seguintes. Cheguei a acreditar que isso de fato era bom, uma benção, afinal não poderia se tornar real, por inúmeros motivos, e não se tornaria. Estava sendo mais fácil sem ele ali, meu desejo não havia se esvaído por completo, mas ele não estava tão intenso como nos primeiros dias. As aulas fluíram.


–Flashback off-


As aulas fluíram até o dia que eu derramei café em sua blusa e ele foi forçado a participar da aula. Aquele dia o que quase não se sentia mais havia voltado à tona e minha vontade estava mais intensa que nunca. Existia um jeito, eu teria que mudar o rumo desta história. E eu a mudei, mas o final feliz que planejei, havia fracassado. Era o fim e eu teria que continuar, com ou sem Anakin Skywalker.


P.O.V Anakin Skywalker


Já era noite quando meu celular vibrou.


*Ayla Secura*


“Anakin, Padmé vai estar aqui este final de semana, será uma festa de família, boas vindas pros meus pais, trate de vir escondido se quiser vê-la”
“Secura, sabe que eu te amo”
“Não faça nada que eu não faria!”
“Jamais”


Padmé estará aqui. Não tardou seu retorno e isso me alegra muito, o fato dos pais de Ayla estarem bem também me deixa feliz, mas nada comparado a sua volta. Seria mais breve do que eu havia planejado, tudo aconteceria como deveria ter acontecido da ultima vez, sem cortes, sem... professores.


***


A noite estava linda, não me importo por estar enganado desta vez, meus olhos estavam embelezando as coisas e isso era bom. Sai de casa no horário combinado, Ayla me disse que os convidados chegaram mais cedo do que tinha imaginado e que era pra eu ser cauteloso. Seria um tanto quanto constrangedor se me vissem lá. Ayla gosta das coisas nos perfeitos detalhes.


Cheguei em frente de sua casa e eu já podia avista-la, com um vestido azul, ela me esperava sentada no banco de entrada, minha mão não suava, mas posso apostar que estava ansioso.


– Anakin – Ela gritou acenando.


– Padmé. – Corri para um abraço.


– Minha nossa, como você cresceu e esses cabelos rebeldes? – Ela riu.


– Padmé, você esta deslumbrante. – Seu sorriso estava radiante. Antes que eu pudesse esperar ela pulou novamente em meus braços e me beijou.


Era estranho ter Padmé junto a meus braços novamente depois de tanto tempo, o mais estranho ainda foi que secretamente eu não senti nada, nem meu coração quis sentir aqueles lábios que antes pareciam tão macios.


– Por que tão sério jovem Skywalker? – Quase que fui descoberto.


– Seu beijo me tira da terra Srta. – Menti.


– Você não quer entrar? – Ele perguntou toda animada.


– Ah, Padmé... – Tentei negar quando percebi que estávamos sendo vigiados, Ayla estava do outro lado da janela negando com a cabeça.


– Ah Anakin, não se faça de bobo, vamos! – Ela me puxou pelo braço, não pude impedir. Olhei para Ayla e ela colocou a mão direita sobre a testa. Eu também desaprovava aquilo, mas não consegui evitar.


Quando entrei ninguém parou suas conversas para me encaram e nem nada, Padmé foi me apresentar para a família e todos foram mais do que simpáticos, os pais de Ayla estavam ótimos, haviam se recuperado bem e estavam tão dispostos que serviam as bebidas e trocavam o som, que por sinal era bem animado. O jantar estava próximo a ser servido quando tentei me despedir, a mãe de Ayla insistiu para que eu ficasse e então, eu fiquei.


– Eu disse para você se esconder. – Ayla me punia puxando meu cabelo.


– Ayla, o que queria que eu fizesse, Padmé me arrastou para cá. – Tentei me libertar.


– Tudo bem, não vejo problema com você hoje, pode ficar. Mas vá embora assim que puder. – Ela soltou meu cabelo e saiu.


– Ayla estava brava não? – Padmé se aproximou com dois copos.


– Garotas. – Falei revirando os olhos.


– Ei. – Ela tentou dar um tapa em meu braço mas suas mãos estavam ocupadas e na primeira oportunidade o fez.


O jantar estava sendo servido, todos nós nos sentamos a mesa, e que mesa. A família de Ayla era grande e pelo que pude perceber, vieram de muitos lugares para comemorar a volta da família Secura. A música havia parado e todos estavam comendo quando a porta da sala se abriu.


– Desculpe pelo atraso família. Cheguei a tempo de... – Obi-Wan Kenobi surgiu sorrindo, mas congelou quando me viu sentado a mesa.


Todos o encaravam, ele ficou de pé segurando um embrulho vermelho, poderia ser confundido com uma estatua, tentei desviar o olhar, mas suas vibrações ainda eram intensas. Meu coração deu um salto quando ouvi aquela voz, sabia que quem estava ali não era o professor Kenobi e sim o homem que ele gostava de ser fora da escola, Obi-Wan. Rezei para que ele voltasse ao normal ou que alguém quebrasse o silencio e por sorte, alguém o fez.


– Chegou a tempo de ver toda a família reunida, estávamos esperando por você irmão. – A mãe de Ayla levantou da mesa para abraça-lo. – Achamos que não viria.


– Mas cá estou eu. – Ele fez um gesto com as mãos e todos riram.


– Viu o jeito que ele te olhou Anakin? – Padmé cochichou e fingiu estar gargalhando. – Você o conhece ou será que foi um déjà vu? – Desta vez ela riu.


– Eu o conheço, Kenobi é meu professor de artes. – Sussurrei.


– Minha nossa, Ayla nunca havia me dito. – Ela parecia espantada.


– A mim também não. – Me senti desconfortável, Obi-Wan era tio de Padmé.


– Tio Ben soube que esta lecionando. – Padmé perguntou me causando calafrios.


“Não puxe assunto com ele Padmé” pensei. E que história é essa de Ben?


– Ah sim Padmé, no colégio de Ayla. – Ele mal conseguiu olhar para ela.


– E esta gostando? Anakin aqui disse que você é ótimo – Ela segurou uma risada, maldita. Não consigo imaginar o motivo para isso, só me senti queimar.


– Estou sim, artes é minha vida. Obrigado Sr. Skywalker. – Ele não olhou.


Cutuquei Padmé por baixo da mesa, ela tentou não rir alto segurando a risada com as mãos. Ayla fuzilava a prima, por algum motivo ela não estava gostando daquilo tudo e eu não consegui pensar o porquê, era uma festa para os pais, que por sinal estavam bem.


Graças aos céus a conversa se dispersou e outro assunto surgiu, Obi-Wan só respondia o que lhe era perguntado, ele ainda parecia estar congelado, tentei não olhar para aquele homem, mas não era eu, era meu corpo. Não posso mais pensar no que eu havia feito, mas seria difícil com ele tão próximo depois de semanas o evitando.


Quando o jantar acabou alguém se levantou para ligar novamente o som, a festa continuaria, mas desta vez, sem mim. Padmé insistiu que eu ficasse, mas já era tarde.


– Espere a sobremesa. – A Sra. Secura falou. Resolvi esperar.


Padmé esperou que todos estivessem distraídos eme levou para um corredor vazio me surpreendendo com um beijo mais intenso do que o anterior, sua respiração estava quente. De repente uma porta se abriu e ela se afastou assustada limpando os lábios. Obi-Wan saiu e nos viu ali, seus olhos brilharam e desta vez não era de alegria.


– Tio Ben, não conte a ninguém. – Padmé pediu.


– Não irei. – A voz de Obi-Wan estava tremula, ele olhava para o chão.


– Sorte a nossa. – Padmé tentou me beijar, mas eu a afastei.


– Desculpe Padmé, mas eu preciso ir. Agora. – Eu decidi.


Fui atrás de Obi-Wan, me desviei das pessoas que bloqueavam o caminho, ele estava prestes a sair quando alcancei seu braço, ele se virou surpreso, mas não conseguiu sorrir, seus olhos estavam vermelhos e eu me senti como um traidor, meu coração estava quebrado.


– Não sinta. – Obi-Wan sussurrou, como se ele soubesse o que eu iria falar. – Acabou para nós.


– Não, não acabou. – Eu ainda segurava seu braço.


Eu havia me enganado, por tempos, havia me convencido de que aquilo era uma mentira e que meus sentimentos tinham me puxado para o fundo e de fato puxaram, mas para o topo. O que eu sentia ainda era confuso, mas eu poderia viver essa confusão, se ele me ensinasse como. Tentei negar o impossível. Tentei enterrar meu amor pela arte. Mas ela ainda estava lá, mais viva do que nunca.

Notas finais
Espero que tenham gostado desta continuação e como Anakin mesmo disse "não, não acabou". Estou aberta a sugestões e criticas, fiquem a vontade