Notas iniciais
Olá! Demorei um pouquinho, mas está aí mais um! Espero que gostem *-*

Durante toda a madrugada, Tom não recebera noticias nenhuma sobre Eric. Acabou por dormir na sala de espera acompanhado de Fred e Jeff.

Acordou assustado quando alguém lhe bateu no rosto. Olhou para o lado e Fred estava se espreguiçando. Xingou-o em pensamento, pois estava sonhando com aquela garota. Esfregou os olhos e olhou em seu relógio. 8:22 a.m. Estava muito cedo ainda. De certo, se algum médico viera dar noticias, não o haviam visto e ele não resolvera incomodar o sono dos três. Jeff se esticou todo, ainda sentado no sofá e olhou para os amigos esfregando os olhos.

— Alguma noticia? Peguei no sono muito rápido. – Disse, bocejando em seguida.

— Não, nada. Acabamos dormindo também. – Fred respondeu no lugar de Tom que já se levantava.

O vocalista resolveu procurar por alguém que pudesse lhe dar informações. Desistiu de conversar com a recepcionista que nem sequer o olhava e foi atrás de um médico. Encontrou um que andava no corredor e estava com cara de sono. Talvez, aquele médico tivesse ficado ali de madrugada e soubesse algo sobre Eric. Parou o médico e cumprimentou-o, seguindo logo para o assunto que lhe interessava:

— Dr.Louis, eu gostaria de saber algumas informações sobre um paciente...

— Qual é o nome do paciente, rapaz? – O doutor encarou-o com as mãos nos bolsos laterais do jaleco branco.

— Eric Brittingham. Ele veio de ambulância ontem, estava tendo uma overdose... – Falou baixo. – Não recebi nenhuma noticia até agora.

O médico sorriu. Ele que cuidava do caso de Eric e fora avisar o rapaz sim, mas encontrou-o adormecido com mais dois na sala de espera e não quis incomodar. Os três pareciam cansados demais e o quadro do rapaz não era grave. Poderia esperar até aquela manhã.

— Ah sim. Eu estava indo agora dar noticias a você e seus amigos, pois ontem vocês estavam dormindo.

Tom ficou sem jeito. Passou a mão no cabelo, num gesto nervoso.

— Ah sim, é... Estávamos cansados. Mas então, o que aconteceu com o Brittingham?

— Bom, foi um pouco complicado. – O médico começou a explicar para Tom — O Sr. Brittingham teve uma parada cardiorrespiratória assim que chegou aqui, que teve uma duração de dois minutos, mas felizmente conseguimos reanimá-lo. Fizemos diversos exames e o desintoxicamos. No momento, ele está estável e acordado. Acabei de sair do quarto dele.

Tom queria explodir com Eric. Queria socar o infeliz até ele morrer de verdade! Tinha lhe dado um belo susto. Começou a imaginar se os médicos não tivessem conseguido reanimá-lo. Sacudiu a cabeça. Não queria pensar naquilo. O pior já tinha passado. Agora queria matá-lo.

— Ah, obrigado Dr.Louis. – Apertou a mão do profissional. – Ele pode receber visitas agora?

— Pode sim.

Dr.Louis deu as coordenadas de onde era o quarto de Eric para Tom e logo se despediu do vocalista. Tom voltou para a sala de espera e chamou Fred e Jeff para entrar com ele no quarto do filho da mãe.

Assim que encontraram o quarto, não demoraram muito a entrar e quase bater a porta. Eric mantinha um sorrisinho idiota no rosto e todos os três o encararam nervosos. Principalmente Tom Keifer.

— Que merda você achou que tava fazendo, seu imbecil? – Tom tentava controlar a voz, indo para cima do baixista.

— Ei!Ei! – Levantou os braços – Calma. Eu apenas estava tomando uma dosezinha de whisky e cheirei um pouquinho. Nada demais, cara! – Tratou logo de se defender.

Tom cerrou os punhos para não dar na cara do loiro. Se aquele infeliz morresse, a banda ia para o espaço! Assim como aquela turnê!

— Dosezinha? Eric você tinha tomado metade de uma garrafa de whisky seu infeliz! Além do maço de cigarro e 150 mg de cocaína! Você tem alguma noção do que poderia ter acontecido? Você podia ter morrido!

— Ah, você está tão nervoso só porque eu poderia ter ido dessa pra melhor? – Sorriu.

— Não! Se você morresse, a banda ia perder um baixista!

— Jura? – Fred brincou.

— E eu não ia contratar outro! Ia estar tudo acabado! – Tom estava quase explodindo.

— Ah, que fofo Tom. Eu sou insubstituível não é... Eu sei disso. – Estalou a língua. – Mas estou aqui, firme e forte.

— Ótimo!

— Então pára de brigar comigo como se fosse minha mãe.

Todos ficaram em silencio por um instante, para logo depois caírem na risada. Menos Tom.

— Vou passar a chamar o Tom de “mãe”. – Jeff brincou.

— Vamos parar com essa brincadeira idiota. Eric, porque diabos você fez isso?

Eric parou por um momento e tirou o sorriso da face. Tinha quase ido pro inferno por causa de Beth. Sim, a culpa era dela. Só de pensar na garota seu coração começou a apertar de novo. Baixou a cabeça e passou a mão no rosto. Tinha que admitir para si mesmo: estava gostando de Elisabeth. E muito. Levantou a cabeça e encarou os três amigos.

— Eu não fiz isso por vontade própria, ok? Eu tava tentando esquecer, só apagar...

— Esquecer e apagar o que? – Fred indagou, curioso. Nunca vira Eric se drogar por um “motivo”.

Eric suspirou nervoso e revirou os olhos encarando o teto por um momento. Por que era tão difícil admitir que quase acabou com a própria vida por causa de uma garota?

— Esquecer a sua querida amiguinha, Fred.

— Ah, eu sabia. – Tom revirou os olhos com descaso.

— Esquecer a Beth? Mas Eric, vocês não tiveram nada, cara. – Fred estava confuso.

Eric riu com vontade. Ah sim, tiveram sim. E muita coisa. Aquela garota havia lhe dado de boa vontade mais do que pensara em arrancar dela à força.

Tom não entendeu a risada do loiro. Fred estava certo. Ele não tivera nada com Beth. Sabia que Eric era louco por ela desde o mesmo minuto que colocou os olhos na garota e não havia passado daquilo.

— Porque você tá rindo, Eric? O Fred está certo, vocês não tiveram nada. Além de ficarem como cão e gato todo o tempo que ela passou com a gente.

Jeff, antes de Eric responder, se jogou no pequeno sofá que tinha no quarto.

— Nós tivemos sim. Transamos pouco antes de ela desaparecer. E foi... Ótimo. – Sorriu ao ver a cara de espanto dos dois a sua frente e de Jeff no sofá.

Tom estava boquiaberto. Aquilo tinha acontecido e Eric não falara nem uma palavra à ele?

— Você tá brincando. – Fred foi o primeiro a falar.

— Não estou não. Ela veio pedir desculpas por tudo que ela tinha feito pra mim e simplesmente... PÁ! Me atacou e fomos pra cama. – Explicou, recordando dos momentos em que teve Beth nos braços e deixando um leve sorriso no seu rosto. Além de quase babar, também.

Nenhum dos amigos conseguia acreditar, principalmente Tom. Mas Eric não mentiria sobre isso. Se não tivesse acontecido nada entre os dois, Eric não teria feito nada daquilo. Simplesmente teria tentado esquecê-la, mesmo que para isso tivesse que sofrer bastante. Conhecia seu amigo. Eric procuraria todas as groupies, prostitutas, garotas do mundo para lhe satisfazer e ter uma aventura amorosa. Ele não conseguia ser de uma mulher só. Só que Elisabeth tava mudando aquilo no loiro. Nos últimos dois shows ele não tinha procurado uma garota sequer.

Fred partiu pra cima do loiro, mas foi segurado por Tom. Então era aquilo. Agora entendia o motivo de sua amiga ter ido embora. Eric a tinha seduzido até fazê-la gostar dele e logo depois que conseguiu comer a garota, a jogou fora. Tinha conversado com ela quando a levara ao quarto e logo percebeu que Beth estava estranha. Ela já estava gostando dele.

— Hey! Que isso? – Eric quase levantou da cama, mas foi empurrado por Jeff. – Você ta louco Fred?

— Você é um imbecil! – Fred quase gritou. – Você usou a Beth! Cara, ela não é qualquer uma que você come e joga fora, Eric!

Eric se enfureceu com aquilo. Não tinha jogado Beth fora. Queria ficar com ela. Não tinha culpa se a maluca resolvera ir embora. Se ergueu na cama, mas foi puxado por Jeff mais uma vez. Deu um soco no braço do guitarrista.

— Eu não usei ninguém! Ela foi pra cama comigo porque quis!

— E você não recusa uma foda! – A vontade de Fred no momento era de estourar a cara do loiro.

— Não! E muito menos uma que eu estava tentando ter desde o dia que você me apresentou ela! E qual é? Por que esse nervosismo todo? Você é afim dela, Coury? – Eric indagou, sentindo um gosto amargo na boca. O gosto do ciúme.

Fred riu. Não, ele não era afim de Beth. Já fora um dia, quando eram mais novos. Hoje, Beth era uma amiga. Uma irmã para Coury. E não deixaria ninguém brincar com o coração dela. Muito menos Brittingham.

— Eu não sou afim dela, Eric. Apenas não quero que você a use como faz com todas as garotas que você arruma!

— Gente, pára com isso... – Tom tentou se intrometer.

— Cala a boca, Tom! – Eric disse nervoso. – Eu não brinquei com a sua amiga, Fred. Beth foi embora porque quis! Eu gosto dela como eu nunca gostei de alguém!

No segundo seguinte, Eric se arrependeu das próprias palavras ao ver a surpresa estampada no rosto de todos. Tinha revelado o que queria esconder de todos até seu coração ser curado. Mas era isso, gostava dela e de um modo muito intenso.

Fred se acalmou, fazendo Tom parar de segurar seu braço. Já não sabia mais o que pensar. Sentou-se no sofá onde antes Jeff estava e continuou a encarar Eric. O loiro estava falando a verdade, só podia. Pois ele não tinha motivos para mentir.

Eric praguejou e passou a mão no rosto, fechando os olhos.

— Eu sabia disso. – Tom falou, com um pequeno sorriso no rosto.

— Não, você não sabia de nada. Quando eu vou sair desse inferno? – Eric perguntou, nervoso.

— Não sei. – O vocalista deu de ombros.


Não demorou muito para Eric sair do hospital. À tarde já estava no hotel novamente, dentro de seu quarto. Só sairia dali na hora de ir embora. Não queria encarar ninguém, muito menos Fred.

Tom, depois de acompanhar Eric até o quarto, se fechou no seu. Pensou no que estava fazendo ontem ali antes de ir para o hospital. Oh sim, estava tentando criar coragem para ligar para Anne. Sem pensar mais um segundo, foi até sua jaqueta, pegou o pedaço de papel e discou os números dela. Aguardou até ouvir a voz doce de Anne Danielle do outro lado da linha.

— Bonjour?

— Oi Anne. – Falou, um pouco sem graça.

— Quem é?

Tom desferiu um soco no próprio joelho e fechou os olhos. Ela não iria se lembrar. De forma alguma.

— Tom Keifer... Lembra? Você me deu seu número quando foi embora do... – Falou rápido, nervoso.

Ouviu uma risada do outro lado.

— Calma, claro que lembro.

Tom quase expirou todo o ar que tinha segurado, mas fez isso aos poucos. Ela se lembrava dele.

— Como você está?

— Bem e você? Demorou para me ligar.

Surpreendeu-se. Ela estava esperando sua ligação?

— Eu... E-Eu estou bem. Eu demorei porque... Estava muito ocupado.

— Ah entendo. E aí, como estão indo as coisas? Em que país está agora? – Ela começou a puxar assunto.

E Tom deu graças à Deus por isso, pois ligara por impulso, sem saber o que falar.Respondeu a garota e ficaram no telefone mais de uma hora, jogando assunto fora. Adorava falar com ela, e ainda mais... Ouvir a voz dela. Era linda.


Fred revirou todas as suas coisas em busca do telefone de Elisabeth. Não encontrava em lugar algum! O ultimo lugar que teria para procurar era sua mala de roupas. No meio do bolo de peças de roupas, encontrou um pequeno papel dobrado em duas partes. Abriu e lá encontrou o numero da garota. Iria falar para ela sobre Eric e contar sobre o que ele revelara no hospital. Além de querer saber como ela estava.

Discou rapidamente os números e esperou ela atender, mas caiu na secretária. Desligou e ligou de novo. Mais uma vez caiu na secretária. Começou a ficar preocupado. Ligou novamente e depois de quatro chamadas, ela atendeu e Fred não gostou de como ouviu a voz dela.

— Alô? – Beth disse, numa voz rouca e enfraquecida.

— Beth? Sou eu, o Fred.

— Ah, Oi Fred. – Ouviu-a tossir do outro lado. – Tudo bem?

— Sim... Mais ou menos na verdade. E você? Como está? – Perguntou, preocupado.

— Eu estou... Ótima.

Não. Sabia que ela não estava.

— Fala a verdade pra mim, Beth. Você está doente?

Ela se calou por alguns segundos.

— Elisabeth?

— Sim, eu estou doente Fred.

— O que você tem?

— Uma gripe boba. Fica tranqüilo, não é nada demais.

Fred desconfiou, mas resolveu acreditar na amiga. Ao menos enquanto estava falando com ela no telefone.

— Espero que você melhore. Porque foi embora?

— Eu estava cansada, só isso. Queria voltar pra casa.

— Sei que você transou com o Eric, Beth. Foi por causa dele que você foi embora, não é?

Mais uma vez silencio. Segundos depois, ouviu sons de choro.

— Fala comigo, por favor.

— Eu acho que não quero falar sobre isso. – Ela tossiu novamente.

— Entendo... Mas ele... Eric sofreu uma overdose ontem. – Contou com um suspiro.

Beth se calou no momento em que ouviu aquela noticia. Ele havia morrido? Ah não, não podia.

— Mas ele está bem?

— Sim, agora ele tá bem, mas...

— Fico feliz. Olha Fred, por favor, não quero falar sobre o Eric, ok? Não estou afim.

— Certo. Você não vai voltar não é?

— Não. Vou ficar aqui em Nashville mesmo. Espero que vocês tenham uma boa turnê. Quando você voltar... A gente se encontra.

— Tudo bem, então. Eu vou continuar a te ligar.

— Tá, eu só quero te pedir uma coisa.

— Pode falar.

— Não passe o meu numero para o Eric. Por Favor.

— Não vou passar.

— Tchau, Fred.

— Tchau... Beth. – Ele desligou.

Coury guardou o telefone dela de novo na mochila. Sua amiga não estava bem. E não era uma gripe boba, tinha certeza disso. Mas se ela estava falando...


Notas finais
então, o que acharam?