Corações Rendidos
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Ambos se olhavam fixamente, com a respiração falha e o corpo trêmulo. Eric se indagava em pensamento o que Beth fazia ali, e ela fazia-se a mesma pergunta. Como ele a encontrara? Nenhum dos dois conseguia falar no momento. O desejo de Eric era avançar em Beth e arrancar-lhe um beijo, mas a pergunta que se formou em sua mente o impedia de fazer qualquer coisa. Ele a encontrara no ultimo lugar em que pensaria em procurá-la. Que diabos Beth fazia na casa de Paulina em Salisbury?
— O que você está fazendo aqui? – Ambos indagaram ao mesmo tempo, porém ela, com um pouco de raiva no tom de voz.
— Vendendo biscoitos que não é. – Ele respondeu – Vim visitar a Paulina. Mas a pergunte serve pra você. De onde a conhece?
— Paulina é minha avó. – Disparou, olhando feio para Eric.
Se olhar matasse, Eric com certeza estaria morto no momento.
Antes que o loiro processasse aquela resposta de Beth, ouviu um berro e logo uma senhora loira foi para perto da porta e tomou o gato dos braços de Eric, que não protestou.
— Oh, você encontrou o Charlemégane... Obrigada, rapaz. Muito obrigada! – Ela nem ao menos olhou-o, apenas abraçava e acariciava o gato que havia sumido desde a noite anterior. Dera falta dele somente quando acordou e colocou todos em busca de seu animal de estimação.
Eric conseguiu sorrir de novo, ao observar Paulina de costas, aparentando alívio ao encontrar o bichano. Então o gato era dela...
— De nada, Paulina. – Ele respondeu e sorriu mais ainda, assim que ela o observou.
Paulina observou o rapaz em sua porta por um momento. Conhecia aquele rosto. E conhecia muito bem. Principalmente aqueles olhos, que vira cheio de lágrimas muitas vezes por se machucar, ou por vários outros motivos, quando era criança. Era Eric? Aquele poderia ser mesmo o garoto que cuidava como se fosse seu neto há anos atrás? Não se enganaria de forma alguma... Tinha uma boa memória.
— Eric? – Ela indagou, afastando Beth da porta e ficando de frente para ele. – Eric Brittingham?
— Até o momento, sim.
A senhora lhe desferiu um tapa no ombro, fazendo Eric dar um passo para trás e entregou Charlemégane para Beth, antes de abraçá-lo. Como aquele moleque desnaturado havia crescido! Estava tão diferente...
— Não posso acreditar! Bem que dizem que quem é vivo sempre aparece! – Ela observou-o atentamente, assim que soltou-o. – Como você cresceu, Eric... E está muito bonito, garoto... – Falou com um pouco de malícia, fazendo Eric rir e dando uma breve olhada para uma Elisabeth pálida ao seu lado. – O que foi querida? Está passando mal?
Beth balançou a cabeça negativamente e deu dois passos para trás, evitando olhar para Eric. Queria estar vermelha no momento, com raiva, mas algo estava dando errado. O chão parecia ter sumido de seus pés e sua cabeça aparentava pesar uma tonelada. Xingou seu destino em pensamento. Por que Eric aparecera ali? Só para atormentá-la, era fato. A vida estava contra Beth. Quando pensava que tudo ia caminhar para o lado certo... Algo acontecia de errado. Viu Paulina convidar Eric para entrar e saiu de perto de ambos, indo para a sala onde seus irmãos e seus pais estavam. De certo eles não reconheceriam o Eric amigo, mas sim o Eric que falara coisas horríveis dela para eles. E isso não ia dar certo.
—Ryan! Michael! Olhe quem está aqui?! –Sua avó exclamou e todos que estavam na sala, olharam para Eric.
Eric sentiu uma alegria ao ouvir aqueles dois nomes, mas ela foi dissipada ao olhar para seus antigos melhores amigos na sala. Não podia ser...
Beth largou o gato no chão e sentindo uma vontade imensa de chorar, observou a fúria nos olhos de Mike e Ryan. Ambos se levantaram de pronto, Ryan quase derrubando a poltrona para trás. Beth não conseguia tirar os olhos da cena e conseguia sentir a tensão invadindo o cômodo.
— O que você está fazendo aqui, cara? – Ryan indagou alto, com raiva e cerrando os punhos. Iria dar uns bons murros na cara dele. Ah ia... Como ele encontrara Beth ali?
— Ryan, calma... – Loren pediu segurando-o pelo braço, em vão. O corpo de Ryan já estava quente e os músculos do braço rígidos.
— Mas é o Eric? – Annelise indagou com um sorriso, para Richard, que confirmou. O marido não estava nada contente com a reação de seu filho mais velho, porém não deu uma palavra.
Paulina se assustou com a reação de seus netos e tomou a frente de Eric, que parecia uma coluna de mármore. Não se movia, não falava, se brincasse, nem respirando estava.
— Que tom é esse Ryan? – Paulina quase gritou, brava. – Eric é seu amigo!
— Amigo? Onde esse infeliz é meu amigo? NUNCA! – Ryan estava pronto para dar uma surra em Eric, mas Loren ainda o segurava com força pelo braço, e ele não queria fazer nenhum movimento brusco com ela ao seu lado e segurando-o. Sua vontade era de voar em cima de Eric e esmurrá-lo de novo.
— De infância, Ryan. – A voz de Beth ecoou na sala.
Eric praguejou ao ouvir aquilo. Estava tendo um turbilhão de emoções. Não sabia o que dizer e nem como agir. Sabia que aparentava ser uma estátua, mas não podia se adiantar e abraçar Ryan e Mike, como velhos amigos. Eles não esqueceram o que falara de Beth há um tempo. E de qualquer forma, estavam certos.
— Não se lembra do Eric Brittingham que vivia com você e com Mike? Iam pra todos os lugares juntos, pareciam gêmeos siameses, praticamente? Que eu e Loren ficávamos atrás de vocês o tempo todo? O seu melhor amigo Eric? – Ela disse, segurando lágrimas e sabendo esconder sua onda de choro muito bem.
— Espera...Você tá dizendo que... – Mike começou a falar, apontando para Eric. Não dava para acreditar naquilo.
Beth concordou com a cabeça e cruzou os braços, tentando mostrar indiferença.
— Desde quando você sabia disso, Elisabeth? – Ryan indagou, sério.
— Desde que cheguei aqui. Vi algumas fotos com Loren e...
Eric não ouviu o restante. Agora se lembrava de tudo. Exatamente tudo. E cada pedacinho se encaixava. Agora reconhecia Ryan e Michael. Eles haviam mudado muito também, talvez, por esse motivo não os reconhecera de primeiro momento quando ambos apareceram em sua casa com Fred para lhe espancar. O nome da garota... Sabia que conhecia aquele nome de algum lugar,mas não se recordava dela. Beth havia mudado mais que todos ali. De uma garota magra e sem graça, delicada até demais, para uma mulher estonteante. Cheia de curvas e bem dotada de seios e traseiro... O mundo era muito pequeno. O cara que havia lhe dado uma surra em sua própria casa era seu melhor amigo de infância. E a garota por quem nutria um sentimento forte era a irmã dele. A menina com quem sempre discutia. A mesma menina que não suportava ver chorar. A que ele dera um cachorro. Uma de suas lembranças mais marcantes com ela era de Bob, o animal que encontrara numa caixa de papelão largado na rua e pegara para cuidar. Se o destino fosse de carne e osso, no momento estaria cortando-o em pedaços.
Depois do relato de Beth, todos ficaram parados. Um olhando para o outro, sem reação. Eric, Ryan e Mike.
O médico não sabia qual impulso deveria seguir. O de abraçar Eric como um velho amigo, que durante tantos anos quisera reencontrar mas não conseguia. Não achava nem um rastro dele. Ou Bater mais ainda nele, pelo que estava fazendo com sua irmã e pelas palavras que dissera dela, ou se chacoalharia Beth por ela não ter lhe contado antes, se... Não sabia. Eram muitas as coisas que queria fazer com Eric. Bater na cabeça dele com uma pedra era uma. Estava confuso. E com certeza Mike estava da mesma forma, mas o irmão não era tão próximo de Eric como ele era.
— Vai, façam alguma coisa! Estou ficando nervosa! – Loren empurrou Ryan para frente em direção a Eric. O marido havia relaxado um pouco depois do que Beth falara.
Ambos se olhavam. Eric também não movia um músculo, a não ser o peito, que subia e descia rápido. Os olhos pregados nos de Ryan. O rosto de ambos vermelhos. Há tanto tempo não se viam, que a intimidade se perdera e estava sendo difícil ter algum tipo de reação.
Ryan seguiu o primeiro impulso, sem pensar em mais nada. Tocou na mão de Eric e puxou-o para um abraço, deixando o loiro surpreso. Antes de soltá-lo, deu-lhe uns tapinhas nas costas e ele fez o mesmo.
— É bom te ver de novo.
— É... Eu... Também acho. – Eric sorriu, um pouco sem graça.
— Mas eu não esqueci o que você falou da minha irmã. Conversamos depois sobre isso.
Eric assentiu e foi cumprimentado por todos depois. Mike fez o mesmo que Ryan, brincou com ele, mas também exigiu conversar sobre Beth depois. Eric sentiu falta de alguém no local e varreu os olhos para encontrá-la. Beth havia desaparecido, assim como Loren.
Sentou-se no sofá e Paulina lhe serviu algumas coisas para comer, pedaços de bolo, torta, cookies e um copo de suco, e Eric se surpreendeu com a fome que sentia. Só não era maior do que a vontade de falar com Beth. Charlemégane subiu no sofá e deitou ao seu lado, fazendo Eric rir. Aquele bichano havia gostado dele. Passou a comer e a conversar com todos, especialmente com Ryan, mas sem tocar no assunto sobre a irmã de seu amigo.
***
Beth chorava em seu quarto, abraçada à uma almofada, em silencio.O que levara Eric até ali? O desgraçado do destino, só podia ser. Fred não daria à ele o endereço de onde estava, pois pedira para ele não dar nenhuma informação sobre ela se Eric pedisse. E confiava no amigo. E Brittingham pareceu surpreso também ao vê-la quando abriu a porta. Tudo estava indo muito bem para ser verdade. Deveria ter aceitado o pedido de casamento de Dean, talvez assim, não estaria chorando feito uma idiota porque Eric estava no andar de baixo da casa, e podia atrapalhar sua vida de novo. Se tivesse aceitado, poderia ter ido embora com Dean na noite anterior e tudo daria muito certo em sua vida. Aprenderia a amá-lo... Ou não. Arrependia-se de suas ações até o ultimo fio de cabelo. Desde ter aceitado o convite de Fred até a negação do pedido de Dean Dawson.
A porta se abriu e Loren entrou, devagar. Não se moveu. As feições da garota não eram boas. Ela se sentou ao seu lado e acariciou seu rosto molhado por lágrimas. Beth sentia vontade de chorar mais ainda, porém se controlava.
— Ah Beth... Não chore.
— E o que você quer que eu faça? – Disse, soluçando. – Quer que eu vá lá para baixo e finja que não amo esse filho...da... puta? E que sei que ele me odeia? Que só quer transar comigo e mais nada?
— Não, sua mau-educada. Quero que você pare de chorar apenas. Acho que como você dispensou o Dean, deveria ao menos tentar conquistar o Eric. A vida está te dando uma chance de novo.
—Não, Loren. Não vou perder meu tempo tentando fazer esse imbecil me amar. É uma perda de tempo, Eric não possui esse tipo de sentimento. Seria mais fácil eu tentar amar o Dean. Mas cara... – Passou a mão nos cabelos e mordeu o lábio inferior, como de costume. – Você não sabe como eu queria arrancar isso daqui de dentro...
— Oh, eu sei sim. – Loren suspirou. – Eu passei por isso com o seu irmão, você sabe. Só que meu caso foi mais fácil... Ele também me amava. Homens são assim mesmo Beth, as vezes, o Eric pode até sentir algo por você, mas não vai falar. Quem tem que tomar atitude é você, porque se for esperar por ele... Mas acho bom você se preparar, já que não quer tentar conquistar aquele “coração duro” dele, então. Paulina convidou-o para se hospedar aqui durante alguns dias.
Beth se sentiu inclinada a descer e bater na cabeça de sua avó,para acertar-lhe as idéias, mas conteve essa vontade. Apenas se sentou na cama, indignada e quase rasgou a almofada com as unhas compridas. Para acabar de completar sua desgraça, Eric permaneceria ali!
— Ela está louca! – Enxugou o rosto molhado por lágrimas. Sabia que não podia condená-la por isso, já que Paulina não sabia de seu sentimento por Eric.
— Não... Não está maluca. Eric fica até segunda, ou até quarta... Não me lembro direito, por que não fiquei para ouvir a conversa de todos por tempo suficiente.
Beth estava com os pensamentos a mil por hora. Somente o que teria a fazer era ignorar Eric o tempo todo e permanecer longe dele durante aqueles poucos dias – que para ela pareceriam uma eternidade. Suspirou e deitou no colo de Loren, que passou a fazer carinhos em seus cabelos. Tudo estava contra ela...
***
Todos já estavam prontos para irem embora. Ryan pegou Eric pelo ombro e levou-o para fora da casa. Mike deixou o irmão mais velho cuidar do caso, pois passava um jogo nos Yankees contra o Red Sox na TV e ele não podia perder isso por nada, mesmo sabendo que o Red Sox ganharia.
Ficaram parados na entrada da casa e Ryan não demorou muito para começar o assunto:
— Eu queria saber o motivo de você ter dito aquilo da minha irmã, Eric.
Nem ele mesmo sabia o motivo...
— Não sei, Ryan. Eu... não sei. Mas desculpa, eu não sabia que ela era Betty. Não tinha como eu saber, eu não me lembrava, pra mim era um garota qualquer.
—Mas nem uma garota “qualquer” se trata assim, Eric. – Colocou as mãos nos bolsos frontais da calça social. — Não quero dar lição de moral, mas não se trata uma mulher como vagabunda ou um lixo e derivados...
— Eu tava transtornado, tinha alguns problemas – Mentiu. – E tinha... Cheirado algumas carreiras.
— Sabia que aqueles cigarros iam dar em alguma coisa... – Riu junto com ele, se lembrando do que faziam quando eram menores. – Só peço uma coisa: Não fale dela dessa forma de novo. Se não fosse por ela, acho que eu tinha te matado aquele dia. E... Olhe ao redor e veja quem gosta de você de verdade, Eric. É disso que nós homens precisamos e não sabemos demonstrar. – Deu um tapinha no ombro dele, assim que viu Loren vir a seu encontro.
— Certo... – Ele apenas concordou, mesmo sem saber o motivo de Ryan ter dito aquilo.
Um pouco mais tarde, todos foram embora, pois tinham estendido muito tempo por ali. Principalmente Ryan e Mike que tinham trabalho a fazer. A despedida foi longa e Beth ignorou Eric por completo. Exceto Beth, Loren e os donos da casa, o único visitante era Eric. Paulina fez questão de preparar tudo o que o loiro amava comer, para agradá-lo e aquilo deixava Beth com raiva e por esse motivo se manteve afastada dele e de sua avó durante todo o restante da noite, até ir para seu quarto tentar adormecer, pois uma terrível dor de cabeça e falta de sono a atormentava.
O loiro virava de um lado para o outro, tentando pegar no sono, mas estava sendo impossível. Não estava calor, nem estava se sentindo incomodado. O sono apenas não lhe vinha e isso o deixava nervoso. Estava cansado da viagem, seu corpo e sua mente pedia para adormecer, mas simplesmente não conseguia.
Durante toda a tarde e até mesmo a noite, não havia conseguido falar com Beth. Ela não o olhava em nenhum momento e se esquivava sempre que tentava se aproximar. Até mesmo na hora do jantar, ela somente pegara a comida e sumiu para o quarto. Era difícil entendê-la. Entender o motivo do ódio dela. O que tinha feito de tão ruim para aquela garota? Não se lembrava de ter maltratado-a quando ficaram juntos no hotel, nem nada do tipo. Ela era uma maluca.
Levantou-se. Talvez, compor algo o faria conseguir adormecer. Mesmo sabendo que não ia conseguir escrever uma linha sequer. Pegou umas folhas e uma caneta que estavam juntas da case de seu baixo e sentiu a garganta seca. Resolveu descer para tomar um pouco de água, largando tudo no chão. Não se preocupou em vestir uma camiseta, já que todos dormiam e era tarde. Apenas seu short estava bom demais. O único que poderia lhe ver daquela fora era Charlemégane, caso ele estivesse acordado.
Ao passar pelo corredor em direção as escadas, se segurou para não satisfazer o desejo de invadir o quarto de Beth e arrancar dela o que queria. O que mais desejava há mais de um ano.
Assim que desceu as escadas notou uma luz fraca vindo da cozinha. Quem estaria acordado a àquela hora da madrugada? Adiantou-se para lá, para ver quem era, e sorriu ao ver quem estava de costas, encostada na pia e tomando algo. Pelo cheiro, devia ser um chá. Beth usava apenas uma camisola fina, branca e curta, o que o alegrou mais ainda. Ela ficava linda de branco, apesar de que não contrastava muito com a pele dela, que já era muito clara.
Ela se virou antes que pudesse chegar um pouco mais perto e revirou os olhos, voltando sua atenção para o chá. Beth colocou a xícara na pia e ficou parada por alguns segundos, pensativa. Eric adiantou-se mais alguns passos, sem fazer barulho, já que estava descalço.
— Já vi que nem de madrugada eu vou ter um pouco de paz nessa casa... – Ela resmungou.
Eric fingiu que não ouviu e serviu-se de um copo com água, enquanto a observava ainda parada na pia, de costas. Se encostou na mesa e tomou-o de uma vez, aliviando sua sede e largou o copo na mesa em que estava encostado. A visão dela de costas era perturbadora. As pernas grossas e o traseiro bem avolumado... Aquilo era o paraíso para Eric.
— Beth, olha pra mim. – Disse, num tom sério. Estava cansado de tanto desprezo da parte dela. O que tinha feito de tão ruim?!
— Tenho mais o que fazer do que olhar pra sua cara ridícula. – Beth disse, ainda de costas e tomando mais um gole de chá. Na verdade queria sim olhar para o rosto dele. Para aqueles olhos azuis brilhantes. Aqueles olhos que amava tanto...
Eric não esperou mais nenhum instante sequer. Beth estava se fazendo de difícil mais uma vez e já tinha o tirado do sério. Desencostou-se da mesa e a agarrou pela cintura, prensando-a contra sua masculinidade ereta, e fazendo-a soltar um gritinho de surpresa. Dessa vez ela não escaparia de forma alguma. Beijou o pescoço macio da garota e ouviu-a suspirar. Sorriu. Era óbvio que ela o queria, aquele suspiro a havia entregado, Eric era loiro, mas não burro.
Passou suas mãos do quadril de Beth para a barriga até chegar aos seios dela, formando a imagem deles em sua mente. Queria tanto vê-los de novo... Devorá-los...
— Eric, sai... – Ela pediu, num sussurro, afastando a cabeça para trás, apoiando-a no ombro de Eric e se arqueando para ele continuar a tocar-lhe o mamilo já intumescido. Estava sendo contraditória, sabia, mas como resistir à ele?
Sem dizer nada, Eric virou-a e a fez sentar-se na bancada da pia da cozinha. Afastou as pernas grossas e se encaixou entre elas. Ah como queria se afogar ali, no corpo dela... Saciar seu desejo... Mas iria com calma.
Beijou-a com ardor, paixão e vontade, e segurando-a firme por um braço e com a outra mão pela nuca, para ela não fugir. O sabor dos lábios dela lhe excitava e mal podia esperar para sentir novamente o sabor de Beth.
Elisabeth não queria se render, mas seu corpo respondia aos toques de Eric com uma vontade absurda. Ansiava tê-lo dentro de si, mas ao mesmo tempo não queria. Seria sua derrota cometer o mesmo erro novamente. Só que como resistiria ao toque daquelas mãos quentes, grandes e ásperas? Os dedos calejados pelas cordas do baixo a deixavam louca de desejo...
Eric deslizou a mão para o vão entre as pernas de Beth e agilmente afastou a calcinha para o lado, tocando a feminilidade intumescida e molhada. Ela o queria, definitivamente o queria.
— Pára... – Beth disse, suspirando e revirando os olhos de prazer, quando Eric começou a lhe penetrar com os dedos.
— Você não quer que eu pare. – Ele falou rouco, beijando-a no pescoço e no busto.
— Eu... exijo.
— Mas seu corpo mostra que você me quer. – Beijou-a.
— Ele apenas responde aos seus estímulos... – Sussurrou quando ele parou de beijá-la e segurou-o no ombro. Sua sanidade estava desaparecendo... – Qualquer um... Que me tocasse assim... Meu corpo responderia da mesma forma...
— Mentirosa.
Eric continuou penetrando-a com os dedos cada vez mais rápidos, sentindo que ela chegaria ao ápice logo, pois quase perfurava seus ombros com as unhas, parou. Assim que ia pegá-la no colo para levá-la ao seu quarto e terminar o que havia começado, ouviram um barulho de estilhaço na cozinha e logo se viraram, encerrando o contato mútuo.
— Gente... Desculpa. Eu não quis atrapalhar... – Loren, que aparentemente já saia da cozinha, disse com um sorriso sem graça.
Beth tratou de empurrar Eric e desceu da bancada, se afastando rapidamente dele com as pernas bambas. Estava surpresa por conseguir se manter em pé e andar. O Loiro bateu ambas as mãos ao lado do corpo e depois colocou-as na cintura, encarando Loren com raiva. Ela tinha que atrapalhar logo agora?! A ruiva não havia perdido essa mania...
— Boa noite, Loren. – Beth disse baixo, ao passar pela amiga com o rosto vermelho e a cabeça baixa, arrumando a camisola.
Eric passou como um foguete pela ruiva, se segurando para não chacoalhar ela, indo atrás de Beth. Ah, não ficaria sem terminar o que havia começado. Nem que lhe pagassem todo dinheiro do mundo.
Loren gargalhou. Tinha visto praticamente tudo. Chegara quando ele já estava com ela em cima da bancada. Caso o copo não caísse de cima da mesa por causa da manga de seu roupão que encostara sem querer no vidro, passaria despercebida por ambos. Ainda rindo da cena que presenciara, voltou para seu quarto. Aqueles dois na mesma casa não daria muito certo. Beth se renderia á Eric e isso não demoraria muito tempo.
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