Notas iniciais
Pronto...agora vocês saberão quem é! hahaha boa leitura, beijos!

Beth parecia que ia explodir de raiva no momento em que encarou aqueles olhos cinzentos. Já fazia um bom tempo que não o via. Mais uma vez o Destino estava querendo acabar com sua vida e sua felicidade. Acabou se tornando um fato, toda vez que se sentia bem vinha algo para lhe deixar nervosa, triste e horrível. Ele estava diferente, tinha que reconhecer. O tempo com aquela vadia fizera muito bem à ele.

— Oh, quem encontramos aqui... Ian MacKail. – Cruzou os braços.

Ele deu um pequeno sorriso. Ela ainda se lembrava dele.

— Não imaginei te encontrar por aqui. Faz tanto tempo. – Ele se aproximou um passo.

— Acha que eu iria embora só porque você me humilhou, me trocando por uma vagabunda? Claro que não, idiota.

— Não fala assim comigo, Beth.

— Ian me deixa em paz, estou muito bem sem você. Aliás, aonde está seu amorzinho agora? Cadê ela? – Encarava-o com sarcasmo.

Ian respirou fundo.

— Não estou mais com ela faz muito tempo. Um mês depois, ela me trocou por outro... – Falou baixo.

Beth deu uma sonora gargalhada, que todos os que estavam na loja os encararam. Então, Ian havia se lascado em sua escolha. Aquilo era um ótimo remédio para sua mágoa. Divertia-se por fora e por dentro com isso. Sua vida parecia até ter mais cor!

— Isso é bem feito pra você, seu imbecil. – Encarou-o com raiva no olhar após cessar as risadas.

— Você tem todo o direito de me insultar, Beth. Por isso não me importo. Não fui correto com você e fiz a pior coisa que poderia.

— Ah, você ainda tem um pouco de consciência, estou admirada. E agradecida por sua compreensão também.

— O que esse cara tá falando com você, Beth? – Loren indagou ficando ao lado dela.

— Nada demais, Loren. Vamos embora. – Puxou o braço da amiga e saiu da loja, encarando Ian.

Conseguiu vê-lo ajeitar os longos cabelos castanhos, nervoso. Sorriu triunfante. Era bem feito para ele, sim. Mas aquilo ainda não pagava todo o sofrimento que ele lhe causara. Parecia que todos gostavam de fazer isso com ela, era incrível. O passeio com Loren depois de encontrar Ian não foi mais o mesmo. Sentiu raiva o tempo todo e as memórias de anos atrás vinham em sua mente toda hora. Só conseguiu parar assim que examinou a sacola que Loren a havia entregado para segurar quando fora ver um vestido. Tirou o disco de dentro e ficou observando a capa, olhando diretamente para Eric. Por que ele tinha que ser tão bonito? Por que ele tinha que fazer seu coração bater mais forte? Por que ele tinha que fazê-la o amar loucamente? E deixar claro que não era correspondida? Para nenhuma dessas perguntas ela tinha resposta. Suspirou assim que Loren voltou e pegou a sacola e o vinil de sua mão.

— Pára de ficar olhando ele. Você só vai ficar pior. – Ela disse, guardando o disco na sacola.

— Ninguém mandou você comprar.

Loren fingiu que não ouviu. Na verdade, Beth gostaria de ouvir aquele disco também.

***

Anne despertou, mas não abriu os olhos. Com a ponta dos dedos tateou a cama em busca do corpo de Tom e não encontrou. Onde ele teria ido sem avisar? Levantou-se e se espreguiçou. Keifer havia tratado muito bem dela na noite anterior e se sentia ótima. E querendo muito mais. Sabia que era pura loucura tudo o que estava fazendo por aquele homem, mas o amava tanto que nem ao menos conseguia se entender. E melhor ainda, era recíproco. Tinha tirado a sorte grande ao esbarrar naquele americano em Paris. Fora a melhor coisa que lhe acontecera na vida. Sorriu e enrolou o lençol no corpo. Olhou para ambas as mesas de cabeceira: nenhum bilhete. Iria procurá-lo pela casa inteira.

Assim que alcançou a porta, ouviu uma doce melodia. Tom tocava algo no piano, tinha certeza. Saiu em passos lentos e seguiu as notas, chegando à sala e encontrando-o sentado ao piano de cauda e tocando, murmurando algumas palavras que ela não conseguia ouvir. Era linda! Esperou que ele terminasse a melodia e se aproximou de Keifer pelas costas. Beijou-lhe as costas com suavidade. Adorava o corpo dele, do toque das mãos, dos lábios, de tudo. Anne dera-se conta de que não poderia viver sem tudo aquilo. Não conseguia se imaginar sem Keifer em sua vida. Rodeou-o e sentou-se no colo dele, enlaçando-o pelo pescoço.

— Dormiu bem? – Ele perguntou, beijando-a no rosto todo, demorando-se na curva do pescoço.

— Oui... – Confirmou num fio de voz. Aqueles lábios passando por seu pescoço a incendiava mais que qualquer coisa. – E já acordei sentindo sua falta...

Anne pendeu a cabeça e o corpo para trás, deixando os lábios de Keifer passar de seu pescoço para a curva de seus seios. Tom apenas deu uma risadinha. Também acordara louco de tê-la de novo, mas respeitou o sono da garota, que era profundo. Tinham chegado ao ápice do prazer no início da manhã.

— Que musica você estava tocando? – Perguntou quando ele parou de beijá-la.

— Eu ainda não sei. – Disse, pensativo. De fato, não tinha nome e muito menos uma letra. – As notas foram espontâneas, mas ainda não tenho uma letra pra elas.

— Oh, mas é muito bonita.

Anne se levantou do colo de Tom e sentou-se em cima do piano, sorrindo ao ver a cara de espantado dele. Segurou o restante do lençol e colocou um pé em cada ombro de Tom, deixando à vista sua feminilidade e um sorriso malicioso no rosto. Queria ouvir a melodia de novo.

— Toca mais uma vez... Pra mim. – Pediu, mordendo a ponta do indicador.

Tom olhava para o meio das pernas da francesa e para ela sem parar com um sorriso bobo no rosto. Com certeza, tocaria um milhão de vezes a mesma melodia se Anne lhe pedisse, com ela naquela posição. Já estava começando a duvidar de tudo aquilo. Estava tendo muita sorte nos últimos tempos e temia que aquilo acabasse de uma hora para outra. No entanto, aproveitaria ao máximo cada segundo. Seus dedos começaram a tocar e ele mal conseguia se concentrar, ainda mais com os pés macios dela acariciando-lhe a face. Keifer concluiu um pensamento de repente: Ele poderia ir à falência, ficar sem um tostão furado no bolso, contanto que tivesse aquela mulher ao seu lado, não se importaria com nada no mundo.

Ao terminar mais uma vez de tocar, não agüentou segurar. Seu membro pulsava. Levantou-se e abriu as pernas de Anne, fazendo-a soltar um gritinho de surpresa. Enquanto seus dedos brincavam com o sexo da garota, beijava-a intensamente, insinuando-se com a língua na boca dela. Não demorou mais que alguns segundos para senti-la molhada. Retirou seus dedos e abaixou-se, beijando agora sua parte preferida naquele corpo perfeito. Lambeu toda a extensão e fez cócegas com a ponta da língua no pequeno botão do prazer. Era prazeroso para Keifer ouvir os gemidos de Anne. Ela o encorajava a continuar, se arqueando e pressionando sua cabeça. Suas mãos davam leves apertos nas coxas macias dela e aventurou-se a penetrá-la algumas vezes sua língua, ouvindo alguns gritinhos.

Parou apenas quando ela puxou-lhe. Sorriu ao ver o estado dela. As faces vermelhas, o corpo trêmulo, a boca aberta buscando por ar... Era uma bela imagem ela daquela forma em cima de seu piano.

Pegou-a no colo e carregou-a para o quarto. Era a vez dele.

Mais uma vez, fizeram amor e ao se satisfazerem, largaram-se na cama, cansados. Anne nunca mais veria o piano com os mesmos olhos. Fora magnífico! Sorriu sozinha. Virou-se para ele, e observou a pele branca, suada. O peito subia e descia rápido. Passou a ponta dos dedos pela pele dele, causando-lhe arrepios.

— Je T’aime. – Sussurou.

— Eu também. – Puxou-lhe para junto de seu corpo e beijou o topo da cabeça dela.

Ficaram em silencio por alguns minutos, até serem despertados do transe pela campainha. Tom praguejou e se levantou, colocando uma camiseta e um short. Já imaginava quem era e xingou alto quando abriu a porta.

Eric não estava com uma aparência muito boa. Usava óculos escuros e estava largado no batente da porta fumando. Jeff e Fred estavam logo atrás dele, ambos sérios. Eric tirou o cigarro da boca e deu um pequeno sorriso débil.

— Vamos ao trabalho, cara. Tem muita... Muita coisa pra fazer. — Ele disse com a voz embargada e baixa. Um bafo forte de cerveja chegou às narinas de Tom.

Tom puxou o baixista para dentro e chamou os outros dois. Eric tinha bebido mais ainda depois que saíra da casa dele, era óbvio. E bebera mais pela manhã também.

— Que porra você fez? – Perguntou ao loiro, com as mãos na cintura.

— Eu não fiz nada... – Cambaleou e caiu sentado no sofá. — Só... Só bebi um pouquinho assim, olha... – Juntou o polegar com o indicador e sorriu.

Tom passou a mão nos cabelos. Eric daquele jeito viera lhe buscar para trabalharem? Não, enquanto o baixista não melhorasse, não.

— O encontramos assim já, Tom. – Jeff explicou.

— Vocês sabem o motivo, não é?

Ambos concordaram e olharam para Eric que fazia pouco caso do assunto.

— Não tem motivo nenhum. Bebo, porque... Porque gosto. Tom, pega as musicas cara...

— Vai à merda, Eric. Não vou pegar musica nenhuma. Que tal você parar de ser idiota e ir atrás da Beth? Eu já estou cansado desse assunto! Você gosta dela, ela mora do lado da sua casa, o que te custa ficar com a garota logo de uma vez!? Que porra!

— Cala a boca...

Tom resolveu não gastar mais seu vocabulário com Eric. Ele não iria ouvir de forma alguma, ainda mais naquele estado. Pediu a Fred e Jeff que desse um jeito na bebedeira do baixista enquanto ele se arrumava para poderem ensaiar as musicas novas e etc. Os encontraria na casa de Brittingham. Os três saíram e Tom bateu a porta. Não conseguia entender o motivo de Eric recusar tanto ser feliz, amar uma pessoa, mas se ele gostava de ser assim o problema era totalmente dele. Voltou para o quarto e Anne ainda estava na cama.

— O que aconteceu? – Ela perguntou, preocupada.

— O Eric chegou bêbado ai, para irmos ensaiar... Tudo por causa da Beth. Isso já está cansando. – Contou.

— Aquela garota do elevador? – Anne se lembrou.

Tom concordou.

— Mas eles ainda estão com essa história? Meu Deus, hein. – Bufou. Anne não conseguia acreditar como as pessoas escolhiam o caminho mais difícil para a felicidade.

Tom entrou no banheiro e tomou um longo banho. Não ia ter pressa alguma. Iria para a casa de Eric dali umas duas horas. Saiu e se trocou, vestindo uma roupa simples. Anne entrou no banho e Tom foi para a cozinha e a mesa do café já estava pronta. Com certeza enquanto tomava banho, Anne aproveitou para fazer o café. Sorriu. Era perfeita em todos os sentidos. Definitivamente era aquela mulher que queria ao seu lado. Resolveu esperá-la.

Sentaram-se juntos para tomar café, assim que ela adentrou a cozinha. Enquanto tomava sua xícara de café, Tom percebeu que Anne balançava a cabeça negativamente enquanto passava geléia numa torrada.

— O que foi? Alguma coisa errada?

— Ah, não... Nada. Só não consigo entender a história desses dois. É difícil. – Anne deu uma pequena risada.

Tom resolveu deixar Anne a par de tudo o que ocorria entre Eric e Beth. Contou tudo o que sabia sobre, e riu baixo ao vê-la de boca aberta.

— Bom, então o Eric está se machucando porque quer. – Mordeu um pedaço da torrada.

Tom concordou com a cabeça.

— Está na cara que ela gosta dele. Só pelo que você falou, já dá pra saber. – Tomou um pouco de café com leite. – Então quer dizer que o Eric começou a sentir falta dela depois que os dois transaram é isso mesmo?

— É. Ele tá é custando a acreditar que a ama. No começo, era só uma brincadeira, desejo, mas depois que experimentou o “brinquedo”, ficou assim.

— Pois é... É como dizem, você não sabe o que tem até perder.

Durante todo o café, Tom ficou com a ultima frase de Anne na cabeça. “Você não sabe o que tem até perder”. Sentaram-se no sofá depois de terminar a refeição e Anne ficou a acariciar os cabelos de Tom, que deitara no meio de suas pernas. Notou que ele estava muito pensativo, mas não atrapalhou-o. Continuou a ver televisão. Devia estar criando alguma letra ou pensando no trabalho.

Depois de algum tempo, Tom resolveu ir até a casa de Eric encontrar-se com a banda. Já deviam ter dado um trato no baixista. Se despediu de Anne, que o fez prometer que a levaria para sair quando voltasse e saiu.

Assim que chegou, Fred abriu a porta e Tom encarou um Eric com olheiras e um saco de gelo na cabeça, largado no sofá e fumando um cigarro. Aproximou-se dele e cutucou-o com a ponta da bota.

— Tá melhor, cara?

Eric olhou-o e confirmou com a cabeça, voltando a fechar os olhos mais uma vez. Tom deu uma leve risada. Ao menos com Eric menos bêbado, conseguiriam produzir alguma coisa.

***

Beth conseguira comprar um disco do Cinderella assim que se afastou de Loren por alguns minutos. Depois que chegara em casa ouvira-o inteiro, várias vezes. Parou somente quando Mike a chamara para sair. Iriam ao Double Dutch. Beth não estava muito afim, mas como ele havia insistido tanto e dissera sim pela manhã, iria. Tomou banho e se aprontou. Vestiu apenas uma camiseta regata branca, uma calça jeans e um tênis. Deixou os cabelos soltos e passou apenas um batom vermelho. Para ir ao Dutch, estava ótimo. Encontrou com Mike já pronto na sala. Ambos seguiram para o pub, no carro dele.

Tom levou Anne ao Double Dutch, pois ela insistira muito para saírem a noite e não fazia idéia de onde levá-la.. Anne recusou restaurante ou qualquer outro lugar onde poderiam apenas conversar. Ela havia se cansado desses lugares. A francesa queria uma “balada”. Eric, Fred e Jeff acompanharam-os.

Beth e Mike pediram um duplo de whisky cada um e ficaram encostados no bar. A musica que tocava no local era uma das preferidas de Mike. Too Fast For Love do Mötley Crüe. Era a banda que ele mais gostava.

—É o Crüe, não é? – Beth indagou. Não ouvia tanto quanto o irmão.

— Uhum. – Ele confirmou, tomando um gole de whisky. – Devia ter chamado o Dean também. – Refletiu.

— Eu não acho. – sorveu o whisky de uma vez, largando o copo no balcão. – Mike, eu não quero mais ver nenhum homem na minha frente à não ser você, Ryan ou qualquer membro da família, entende?

Ele concordou com a cabeça.

— Está sabendo que vamos ter um sobrinho? – Beth acendeu um cigarro.

— Estou. E não estou gostando nada de como Ryan está passando na nossa frente. Mesmo ele sendo o mais velho. – Sorriu de leve – Acho que nunca vou conseguir amar ninguém, viu.

— E eu nunca vou ser amada. Acho bom mesmo o Ryan dar continuidade a família, porque se depender da gente...

Ambos caíram na risada. Era a mais pura verdade, não podiam negar. Mike nunca conseguiu gostar de uma garota em especial. Tivera em sua vida somente pequenos casos, apenas por necessidades masculinas. Até o momento não quisera o amor de nenhuma. O que adiantaria ficar com uma garota se o sentimento não era recíproco de sua parte? Não valia nem um pouco a pena.

— Tom! Eu gostei daqui. – Anne disse, abraçando-o e beijando-o.

— Que bom, foi o primeiro lugar que eu pensei. – Sorriu pra ela.

Eric, fumando se separou do casal. Ver Tom e Anne lhe causava enjôo. Aqueles dois pareciam emanar amor e felicidade. Duas coisas que Eric não tinha e nunca teria. Comprou uma cerveja no bar e encostou-se num canto isolado do lugar e continuou a fumar e beber. Tentava imaginar o motivo de todos encontrarem a felicidade, menos ele. Era até mais fácil Jeff encontrar alguém primeiro que ele. Também procurava compreender o por que aquilo começara a incomodá-lo agora, pois nunca o incomodara antes. Conseguia todas as garotas que queria e quando queria. Não tinha que se importar em arrumar uma única. Alias, arrumar Beth. Por que só conseguia se imaginar com aquela garota? Aquilo estava acabando com sua saúde mental. Sabia que gostava dela, mas realmente chegava a ser algo mais forte? Chegava a ser amor? Assim como Tom sentia por Anne e vice-versa? Balançou a cabeça a fim de afastar as perguntas que se acumulavam em sua mente. Tudo em seu interior estava uma bagunça, e bem feia. Olhou de relance para o bar e pensou ter visto Beth. Voltou a olhar na mesma direção. Sim, era ela, os cabelos, o corpo e o sorriso não o enganavam. Era Beth pendurada em um cara, rindo. No mesmo segundo em que viu ela ser beijada no rosto encheu-se de raiva. Não conseguia ver quem era, mas com certeza não era o mesmo com quem a vira pela primeira vez quando chegara à Filadélfia. Continuou a observá-la o tempo todo, fumando e bebendo. Uma música romântica começou a tocar no local e viu-a puxá-lo para dançar. Com o canto dos olhos conseguiu ver Tom e Anne agarrados um ao outro, balançando para lá e para cá, feito idiotas. Romantismo para Eric era idiotice. Reconheceu a música. Era My Oh My, do Slade. Os dois foram para o meio dos casais no meio da pista. Ficou com raiva ao ver o cara esconder o rosto na curva do pescoço de Beth e odiou ver a mão dele na cintura dela. Sua vontade era de invadir aquela pista e quebrar a cara do filho da mãe. Por que não conseguia ver ela com alguém? Se incomodava com isso, mas não podia fazer nada. Continuou a observá-los. Por mais que não quisesse, era impossível. Seus olhos estavam presos nela.

Quando a música acabou e finalmente o imbecil levantou o rosto conseguiu ver quem era e incrivelmente seu peito parou de doer. Era o tal irmão dela, o de cabelos negros. O que não tentara lhe bater. Acalmou-se e comprou um duplo de whisky no bar. Continuou sozinho todo o tempo. Não estava com vontade de ficar com qualquer garota dali. Não queria ninguém.

— Ah, Mike... Eu estava pensando em ir para Salisbury visitar a vovó. – Beth comentou com o irmão. Há muito não iam para lá.

— Acho ótimo. Passar uns dias em Salisbury seria ótimo. Gosto de lá. — Ele concordou.

— É, também acho. Passar um mês, já que não estou fazendo nada. Seria bom voltar. Desde que saímos de lá é raro voltarmos. – Beth notou que seu irmão não prestava um pingo de atenção no que ela dizia. Os olhos azuis de Mike estavam presos em algo.

Beth seguiu o olhar de Mike. Ele observava uma garota que estava na pista sozinha, de olhos fechados e aparentemente apreciando outra musica do Slade que tocava no Double Dutch.

Mike não conseguia desviar seu olhar dela. Nunca vira garota mais bonita que aquela em toda sua vida. Os movimentos do corpo cheio de curvas eram belos, os cabelos negros e brilhantes iluminados pelo jogo de luzes prendiam a atenção dele. Tinha que falar com ela.

— Beth me espera aqui. – Disse, desgrudando-se dela e indo em direção à garota.

— Ok... – Ela continuou no mesmo local, mas observando o irmão.

Mike se aproximou da garota rapidamente.

— Oi. – Ele cumprimentou.

Anne abriu os olhos e encarou o estranho em sua frente. Procurou por Tom com os olhos, mas não encontrou-o. Ele havia ido comprar bebidas e até o momento não voltara.

— Oi.

— Ahm... – Mike coçou a nuca – Meu nome é Michael e o seu?

— Anne Danielle.

Mike procurou por assuntos e só encontrou quando por fim começaram a falar de medicina. Não fazia idéia de como o assunto surgira, mas foi ótimo. Era uma garota amável, inteligente e linda. Era impossível tirar os olhos dela.

Beth observava o tempo todo Mike. Ria internamente quando a garota o deixava sem jeito. Ele não conseguia disfarçar. Com certeza, ela era uma língua afiada. Até que aquela noite estava sendo divertida. Há tempos não vinha no Double Dutch e já tinha se esquecido como eram as noites daquele lugar. Só o que não gostava de lembrar é que conhecera Ian ali. Suspirou e cruzou os braços.

— Hum, olha quem eu encontro por aqui... – Ela ouviu uma voz atrás de si.

Praguejou. As pessoas tinham algum problema em falar com ela de frente? Tinha que ser sempre às suas costas? Não reconhecera a voz muito bem por causa do barulho, então resolveu virar-se. Antes não o tivesse feito.

— De novo, Eric? Você anda me perseguindo? Qual a parte do “me deixa em paz” “não quero te ver” você não entende? – Falou, encarando-o com o máximo de frieza que conseguia.

— Tudo. Eu não ouço nada do que você me fala.

— Já imaginava que você tinha problema de surdez.

— Beth, de verdade, o que te custa passar uma noite comigo? – Na verdade não era só uma que ele queria... – Você gostou de transar comigo, você não pode negar. Eu sei.

Elisabeth se segurou para não dar um tapa na cara dele. E se segurou com muito custo.

— Me custa muito.

— Na hora de você se enfiar na minha cama não custou nada, não é?

— Se você quer me insultar de novo, faça sem rodeios. Use palavras limpas, como você usa para falar para os outros. E eu ainda me pergunto se você não tem mais nada pra fazer a não ser me perseguir e tentar me xingar!

— Eu tenho. Uma coisa muito melhor para fazer. — Ele disse, sorrindo de canto.

— Então faça! E me deixa em paz! Tchau!

Quando ela se virou, Eric puxou-a pelo braço fazendo-a voltar-se e a beijou, segurando em sua nuca e na cintura de Beth. De novo, ela não resistiu ao beijo e sim o correspondeu. No mesmo instante, mais uma balada começou a tocar no Double e dessa vez era uma bem famosa, Heaven do Bryan Adams, mas Eric não ouvia nada e nem ligava para nada. Perdia-se nos lábios dela. Sugava-os, mordiscava, aprofundava o beijo. Não soube dizer por quanto tempo ficaram ali, pois o tempo parecia ter parado para ambos. Tudo estava perfeito até Beth começar a se debater e se afastar assim como fizera no carro. Soltou-a. Por um instante viu lágrimas no rosto de Beth, mas estava escuro. Não, ela não estava chorando.

— ERIC! Qual é o seu problema!? Pelo amor de Deus! – Ela colocou as mãos na cabeça, nervosa – Eu já disse! Me esquece! Não toca em mim, nunca mais!

— É impossível. – Falou baixo, quase inaudível.

— Pois torne possível! Eu não te suporto! ME DEIXA EM PAZ! – Empurrou-o e se virou, indo de encontro à seu irmão.

Chegou próxima á ele e notou a tensão no local. Reconheceu Tom Keifer. Ele e Mike se encaravam. Depois olhou atentamente para a garota ao lado de Tom. Reconheceu ela também. Praguejou por dentro. Era a francesa! Era a garota de Tom!

— Mike, vamos embora. – Tentou puxá-lo.

— É melhor você levar ele mesmo. – Tom desviou o olhar para baixo e se surpreendeu ao reconhecer a menina que acabava de salvar o cara de uma boa briga. – Beth?

— Oi, Tom. – Cumprimentou com um aceno de mão. – E oi, também. – Cumprimentou a garota. Não conseguia se lembrar do nome... Daniele... Ana... Desistiu. Lembraria depois. Tinha que arrancar seu irmão dali. – Mike, é sério. Vamos embora. Agora. – Puxou o braço dele com força.

Sem dizer uma palavra, Mike soltou seu braço de Beth e saiu.

— Acho bom você avisar esse cara, Beth, que ela já tem dono. – Tom disse sério. – Quem é ele?

— É meu irmão... Pode deixar, ele não vai voltar a ver vocês. E... Ele está meio bêbado já. Desculpa, Tom.

Depois de se desculpar e se despedir, Beth saiu correndo do Double Dutch por dois motivos: Por causa de Eric e por causa de seu irmão.

Notas finais
E aí? kkkk todos sabem que os franceses gostam da coisa... Anne representa muito bem, não acham? hahahaha Humm, o que será que vai rolar agora entre esses casais? Mike chegou para atrapalhar o romance perfeito de Tom e Anne? Será? hum, reviews? Beijos!