Notas iniciais
Ola!!! Espero que estejam gostando da fic. Boa leitura!

A biblioteca não era muito grande, mas tinha um acervo satisfatório que sempre era renovado, o que fazia com que tivesse muitas estantes formando corredores um pouco estreitos. Rafaela estava no ultimo corredor. Ela tinha os olhos fixos em um livro que estava em suas mãos, mas era como se não o enxergasse. Era como se estivesse em transe, pois não escutava nem a música que saia dos fones de ouvido que usava. E ao contrário do que se possa pensar, seus pensamentos não eram profundos, era como se uma nevoa escura tivesse encoberto seus pensamentos (que até bem pouco tempo atrás era sobre sua conversa com Maria Júlia) e ela estava simplesmente ali olhando para o nada.

Isso não se deu por muito tempo, pois após alguns segundos ela sentiu uma mão em seu ombro, o que fez com que ela se assustasse saísse do estado em que estava em um pulo.

– Puta que pariu! Tá querendo me matar? – perguntou levando a mão à testa.

Maria Júlia ria tanto da reação da garota que não conseguia nem falar.

– Não vejo graça! Se eu sou cardíaca tinha caído dura agora!

– Desculpa! — Maria Júlia tentava controlar o riso – Mas a cara que você fez foi a melhor! Eu queria ter filmado isso.

– Ainda bem que eu te fiz rir. – Rafaela disse em um tom sério enquanto franzia a testa.

– Foi mal... mas foi engraçado! – Maria Julia tentava não rir enquanto enxugava as lagrimas dos olhos – Eu te chamei e você não me escutou.

– Posso saber o que você está fazendo aqui?

– Eu tenho uma proposta.

– Que proposta? –Rafaela ficou curiosa.

– A gente faz o trabalho e depois você me ajuda a pegar um ônibus para a aula de piano.

– Hum... e a vantagem que eu levo nisso é? ...

– E precisa ter vantagem?

– Não precisa?!

– Não, faça pelo simples prazer da minha companhia.

– Então você não quer que eu faça mesmo!

– Credo! Que maldade!

Rafaela sorriu da careta triste de Maria Júlia:

– Eu estava vendo esse livro aqui...

– Como você é jurássica! Vamos pesquisar na internet é mais rápido.

Antes que Rafaela pudesse argumentar, Maria Júlia já tinha virado as costas e andava em direção aos computadores.

Aos poucos o trabalho foi tomando forma e conforme o tempo passava, elas iam percebendo que tinham uma conexão estranha, mas muito forte. Em poucas palavras uma era capaz de entender exatamente o que a outra estava querendo dizer. As duas estavam tão comprometidas com o que faziam que mal paravam para falar sobre outras coisas, pois sabiam que teriam tempo para isso assim que terminassem. Claro que por diversas vezes Rafaela se pegou observando as sardas do rosto de Maria Júlia e achava um charme quando ela usava o dedo indicador para ajeitar a armação vermelha dos óculos em rosto. Mas Rafaela não era capaz de perceber que Maria Júlia prestava atenção toda vez que ela brincava com uma mecha dos seus cabelos castanhos e ondulados ou ainda que a garota prendia a respiração toda vez que a via morder o lábio inferior.

Terminaram o trabalho com folga de cerca de quarenta minutos até a aula de Maria Julia, o que daria tempo de sobra para chegar ao centro da cidade. Juntaram o material que tinham espalhado e em silêncio deixaram a biblioteca rumo ao ponto de ônibus.

O silêncio entre elas não era algo desconfortável, não havia a necessidade de preencher o espaço entre as duas com palavras, elas caminhavam lado a lado e isso bastava.

Já no ponto de ônibus sentaram-se para esperar. Foi nesse momento que que seus braços se tocaram e sentir o calor da pele da outra mudou um pouco a atmosfera entre as duas. Maria Júlia se sentia nervosa, sentia suar o buço e as palmas das mãos, ela simplesmente não sabia o que fazer, achou estranho se sentir daquela forma por algo tão pequeno, afinal, foi apenas um esbarrão. Essa foi também a primeira vez que admitiu para si que se sentia diferente na presença de Rafaela, que sentia a necessidade de ser notada pela garota, era como se precisasse ser amiga dela, precisava que Rafaela gostasse dela. Ela limpava o suor das mãos nas pernas da calça do uniforme enquanto tinha os olhos fixos em um pequeno buraco no concreto da calçada.

Rafaela já estava familiarizada com o que sentia quando estava perto de Maria Júlia, mas dessa vez foi diferente. A sensação de ansiedade parecia mil vezes mais forte, e veio misturada com uma euforia enorme, seu coração pulsava como se fosse saltar do peito. Ela olhou para o lado e não conseguia tirar os olhos de Maria Júlia, não sabia exatamente o que era, mas a menina lhe parecia diferente naquele momento.

– Majú. – Rafaela não se deu conta e quando viu já havia chamado a garota. Pensou: “O que estou fazendo? ” E se apavorou por não saber o que sairia de sua boca em seguida, mesmo assim não consegui tirara os olhos da loira.

Maria Júlia sentiu o sangue ferver ao ouvir a voz de Rafaela chamando por ela. Umedeceu os lábios coma língua e respirou fundo ao virar vagarosamente a cabeça em direção a garota. – Oi. – Foi tudo o que conseguiu dizer.

Bastou o encontro entre os olhares por alguns segundos para que tudo voltasse ao normal. Não havia mais corações acelerados, respirações ofegantes, ansiedade ou calafrios. Tudo passou como que por magia. A calma que tomou seus corpos, uma encontrou nos olhos da outra.

– Você nunca andou de ônibus mesmo? – Rafaela se achou patética ao fazer essa pergunta, mais isso foi tudo o que ela conseguiu dizer.

– Eu já andei naqueles de viagem em excursão de escola, mas desses que circulam pela cidade nunca. – Maria Júlia tinha um meio sorriso no rosto – Uma vez eu até tentei, eu estava sozinha no ponto e o ônibus passou direto por mim, não parou, então eu desisti.

– Que estranho! Você deu sinal e ele não parou? Estava muito cheio?

– Sinal?! – Maria Julia pareceu surpresa.

– É. Você acenou com a mão para ele parar?

– Não! – Maria Júlia franziu a testa e parecia confusa.

Rafaela levou as mãos ao rosto e começou a rir o que deixou Maria Júlia um pouco sem graça.

– E como o motorista ia saber que era para parar?

– Achei que ele saberia.

– Claro que não, ele não sabe aonde você vai ou qual linha você vai pegar. Tem que sinalizar! Como ela. – Rafaela apontou para uma senhora que também estava no ponto e acenava para que o motorista parasse.

– Ah! Então é assim que a mágica acontece! – Maria a Julia parecia surpresa.

– É... bem magico! – Rafaela falou enquanto tinha um sorriso enorme no rosto, o que fez com que Maria Júlia sorrisse também.

Logo em seguida, Rafaela viu o ônibus que esperavam se aproximando ela se levantou e chamou a outra para que se levantasse também.

– Deixa que eu paro o bus – Maria Júlia falou acenando com um sorriso enorme.

– Fique à vontade — Rafaela revirou os olhos e sorriu também.

Já dentro do ônibus, Rafaela falou para Maria Júlia se sentar em um dos acentos livres, mas a garota se recusou dizendo que queria viver a experiência intensamente, o que fez Rafaela rir outra vez. O veículo mal começou a andar e Maria Júlia se desequilibrou e quase caiu, o que fez com que ela se segurasse na mochila de Rafaela. Dali em diante, a garota parecia uma peça solta lá dentro esbarrando nas pessoas.

– Olha. Eu não quero cortar seu barato, mas você está parecendo um saco de batatas solto aqui dentro. Acho que deveria se sentar ou vai acabar se machucando ou machucando alguém. Tá perigosos.

– Também acho, assim que para em algum lugar eu me sento. – Maria Júlia parecia assustada.

Após alguns metros, houve uma parada. Vagaram dois acentos jutos e foi onde se sentaram.

– Balança né? – Maria Júlia disse com o rosto vermelho, o que fez as duas rirem.

– Bastante. Aliás, acho melhor a gente trocar de lugar, você ainda não está pronta para se sentar no corredor. Vem para a janela. – Em uma manobra rápida trocaram de lugar.

– Nem sabia que tinha que ter habilidade para sentar também.

– Não sei se precisa, mas o que a gente não pode é correr risco né? – Rafaela falou e começou a rir, o que fez com que Maria Júlia fizesse cara de brava e a chamasse de folgada.

Foi questão de poucos segundos para perceberem que estavam mais próximas do que jamais estiveram. E nem uma das duas queria passar pelo o que haviam passado ainda há pouco, pois era provável que dessa vez a outra perceberia.

– Em que lugar fica sua aula? – Rafaela perguntou meio que no desespero, para que não tivesse tempo de pensar na proximidade com Maria Júlia.

– Perto da igreja matriz. – Majú respondeu sem olhar para ela.

– Ah sim! E você gosta?

– De piano? – Rafaela fez um sinal de sim como a cabeça – Adoro! Tocar definitivamente seria uma coisa que eu faria todos os dias da minha vida sem reclamar.

– E você não toca todo dia?

– Toco menos do que gostaria, porque sempre tenho alguma outra coisa para fazer. Mas sempre que posso eu toco. Prefiro tocar do que ver tv, ler, ficar na internet... prefiro mais que tudo na vida – Rafaela se encantou com a paixão que Maria Júlia falava. Naquele momento a proximidade entre as duas não a deixava nervosa, na verdade, estar perto da garota lhe fazia muito bem – é a melhor coisa do mundo pra mim. Eu faria faculdade de música fácil.

– E por que não faz?

– Talvez eu faça, mas acho que isso não é o que meus pais esperam de mim. – Maria Júlia tinha a voz um pouco triste.

– E o que seus pais esperam de você?

– Que eu me torne uma excelente mulher de negócios e ganhe rios de dinheiro.

– E música não dá dinheiro?!

Maria Júlia ficou séria, levou a mão a boca e começou a dar pequenos beliscões no lábio inferior. Estava muito pensativa até que olhou para Rafaela e disse:

– Não sei se dá dinheiro... para alguns acho que sim, para outros não... como tudo na vida, mas eu gosto tanto que faria de graça.

– Acho que tem que fazer o que você ama, dinheiro é só consequência disso. – o tom de voz de Rafaela era suave e foi muito importante para Maria Júlia ouvir aquilo. Ela nunca tinha parado para pensar sobre isso e o apoio de Rafaela foi muito reconfortante — Vamos, nós descemos aqui.

Rafaela apertou a campainha para que o ônibus parasse e assim que parou Maria Júlia se levantou e desceu correndo toda afobada. As duas começaram a rir.

– Não me saí tão mal assim para minha primeira vez né?

– Nããão! – Rafaela falou sarcástica.

– É sério!

– Sei... – Rafaela foi interrompida por um homem alto e careca que pôs a mão em seu ombro. Ao virar-se, ela pareceu feliz em ver o homem e os dois começaram a conversar por linguagem de sinais o que deixou Maria Júlia muito surpresa. Conforme via a cena, a loira ficava cada vez mais encantada e fascinada por Rafaela.

Após um ou dois minutos, os dois se despediram com um abraço e o homem fez tchau com a mão para Maria Júlia que retribuiu o aceno.

– Quem é ele?

– Só um conhecido. – Rafaela respondeu enquanto elas caminhavam na direção oposta à em que o homem ia.

– Você fala linguagem de sinais?

– Libras. – Rafaela corrigiu – Falo sim.

– Eu não sabia disso. Aliás, acabei de me dar conta...eu não sei absolutamente nada sobre você! – Maria Júlia fez cara de espanto.

– Mas eu também não sei nada sobre você...

– Claro que sabe! Você conhece meu irmão, minha melhor amiga, meu namorado...

– Mas isso não conta, não foi você quem me contou. Foi... a vida.

– Tudo bem, até concordo. Mas além disso você sabe fatos curiosos sobre mim. Tipo... que eu nunca tinha andado de ônibus, sabe que eu me saí muito bem na minha primeira volta de ônibus e sabe da minha paixão pela música. Isso não foi a vida, fui eu que te contei! – Maria Júlia tinha um sorriso enorme no rosto.

Rafaela sorriu. Ela sempre foi muito fechada, não era de fazer muitas amizades, mas preservava as que tinha e que valiam a pena. Conhecia bastante gente, mas amigos eram poucos. Por conta disso e para sua própria surpresa olhou nos olhos de Maria Júlia e disse: — O que quer saber?

– O que você quiser me contar. – Maria Júlia falou alegremente.

– Bom... – Rafaela ficou um pouco pensativa — tá... eu tenho um irmão, Leonardo de 5 anos. Minha melhor amiga na verdade são dois, um melhor amigo e uma melhor amiga que resolveram começar a namorar entre eles o que é bem estranho pra mim e... eu não tenho namorado.

– Mas meu irmão falou que você namorava uma cara da manhã...

– Eu?! Não! Só teve um menino da escola que eu fiquei, o Renato, mas foi coisa de dois, três meses no máximo... ah! Fato curioso, eu nunca namorei, só tive ficantes de longa permanência, mas oficialmente não foram meus namorados.

– É aqui. – Maria Júlia falou interrompendo Rafaela, mesmo que não quisesse fazer, ela estava adorando a companhia.

– É um prédio bem bonito.

– É sim. Eu queria poder ficar conversando para saber mais sobre você, mas infelizmente...

– Tudo bem. – Rafaela falou um pouco desapontada – Só mais uma coisinha, outro fato curioso, eu não falo sobre mim, então considere hoje seu dia de sorte.

– Mas isso não é justo! Você nem me falou sobre os sinais!

– A vida não é justa, mas quem sabe um dia... – enquanto falava, Rafaela fazia linguagem de sinais.

– Metida! – Maria Júlia falou em tom de brincadeira. – mas é sério agora tenho que ir. Adorei a companhia, adorei o passeio. Obrigada!

– É... foi bem legal... me diverti bastante. Então, até amanhã.

– Até.

Elas se despediram a distância, sem nenhum tipo de contato físico, nem ao menos um aperto de mãos. Rafaela saiu andando em passos apressados e com um grande sorriso o rosto pelo mesmo caminho que vieram.

Maria Júlia a observou até que sumisse, só então entrou no prédio. A aula não foi muito proveitosa, ela estava dispersa e errou acordes básicos, o que não era normal para ela. No final da aula, a mãe da menina esperava por ela na porta do prédio, assim como tinham combinado quando Maria Júlia ligou da secretaria da escola.

A noite correu normal, apesar do silêncio súbito de Maria Júlia, enquanto repassava mentalmente cada momento da tarde que teve. Toda vez que isso acontecia ela tinha um sorriso no rosto. Isso se deu até a hora em que Marcos foi vê-la como tinha prometido. Até mesmo o namorado notou que ela estava dispersa.

– Aconteceu alguma coisa Majú?

– Não! Por quê?

– Não sei... você tá estranha!

– Impressão sua.

– Me conta, – ele falou puxando a garota e a envolvendo em um abraço – o que você fez hoje à tarde sem mim?

Maria Júlia ficou pensativa por um tempo, para ela foram tantas coisas boas, mas nada que ela quisesse realmente dividir com ele.

– Eu andei de ônibus. – ela disse com um meio sorriso no rosto.

– E?! – Ele franziu a testa.

– E nada. Foi a primeira vez que fiz isso.

– O QUE? – ele soltou os braços que estavam em volta dela e começou a gargalhar alto, não hesitou em chamar o irmão dela – Jão, cola aqui, escuta essa!

– O que foi? – João Pedro juntou-se a eles na sala de tv onde estavam.

– Sua irmã nunca tinha andado de ônibus na vida! – Marcos ainda não tinha parado de rir.

– O loco Majú! Sério? – João Pedro falou rindo de forma discreta.

– Vai me dizer que os dois tem anos de experiência no uso do transporte coletivo? – Maria Júlia falou de forma sarcástica.

– Não, mas pelo menos a gente já tinha andado. – Marcos retrucou.

– Mas nem na Europa, nas férias? – João Pedro perguntou estranhando.

– Não, quando a gente viaja o papai sempre aluga um carro, o máximo é trem ou metrô. Nunca tinha subido em ônibus desses comuns.

– Que triste Majú! – João Pedro falou sorrindo.

– Nossa mor... – Marcos ainda ria.

– Não sei por que tudo isso, vocês também tiveram a primeira vez de vocês. – Ela estava achando a reação de Marcos um pouco exagerada por uma coisa tão fútil.

– Sim, mas a sua foi só agora! – Marcos agora estava mais controlado.

– E tem prazo para isso? Quer ver? – Maria Júlia pegou o celular e colocou no viva voz enquanto chamava.

– Ah! A Cecilia não é parâmetro pra muita coisa. – Marcos fez graça.

– Fala perua! – Cecilia atendeu.

– Ceci, me diz uma coisa. Você já andou de ônibus aqui na cidade? – Maria Júlia perguntou.

– Não! Por que eu faria uma coisa dessas? – Cecilia disse estranhando a pergunta – Quando minha mãe não me leva, o motorista da vovó ou o da empresa me leva.

– Mas em lugar nenhum? – Marcos perguntou.

– Só em outros países, aqui nunca.

– Tá vendo! – Marcos falou fazendo graça com a cara de Maria Júlia.

– Mas o que está acontecendo? – Cecilia perguntou curiosa.

– A Majú andou de ônibus pela primeira vez na vida hoje. – João Pedro respondeu.

– Sério amiga? Pra que?!

– Para virar piada pra vocês! – Maria Júlia respondeu um pouco irritada, afinal, não era nada demais.

– Que sucesso amiga! Conseguiu, parabéns! Agora tenho que tirar o produtinho que passei no rosto. Beijo amores! – Cecilia disse e desligou o telefone.

– Está tarde preciso ir. – Marcos falou e se despediu dos pais e do irmão de Maria Júlia. Como sempre ela o acompanhou até a frente da casa.

Ele a abraçou e disse no pé do ouvido:

– Bem que a gente poderia dar uma escapadinha rápida e... eu estou com muita vontade.

– Hoje não Marcos, não to a fim.

– Credo, mor! Olha só como eu to só encostar em você! – ele a beijou e tentou colocar a mão dela no volume em sua calça, o que ela recusou puxando o braço.

– Não Marcos, eu falei que não quero! – ela falou se afastando dele o que o assustou um pouco, pois ela nunca tinha reagido assim.

– Beleza Majú! Tchau! – Marcos pegou a bicicleta e saiu bravo da casa da garota.

Maria Júlia entrou e ficou apenas alguns minutos antes de subir para o quarto. Ao se deitar, começou a se lembrar de tudo naquele dia fora do comum. Toda vez que se lembrava de Rafaela, ela tinha uma sensação de paz muito grande, diferente de tudo o que já havia sentido. Inevitavelmente, ela pensou em Marcos e no desentendimento que tiveram, tentou se lembrar de como era a vida sem ele e simplesmente não conseguiu. Pois já estavam juntos há muito tempo.

Mesmo tendo tudo isso na cabeça, não se prendia a outros assuntos por muito tempo, pois logo a imagem de Rafaela sorrindo aparecia em sua mente e todo o resto desaparecia. Pensou até em como foi péssima na aula de piano que teve. Talvez por que ela não quisesse fazer aula, pois preferia continuar conversando com Rafaela. Chegou a pensar que talvez tivesse encontrado algo que gostasse mais de fazer do que tocar piano.

Foi pensando em Rafaela que dormiu tranquilamente com um leve sorriso nos lábios.

Enquanto isso, não muito longe dali, Rafaela também repassava mentalmente o dia que teve ao lado de Maria Júlia. Só que a angustia que sentia a incomodava demais. Ela tentava focar o pensamento em outras coisas mas era tudo em vão, por mais que tentasse evitar, Majú era tudo o que vinha a sua cabeça. As horas se passaram e ao contrário de Maria Julia, mesmo exausta ela não conseguiu dormir. Viu o dia clarear e quando deu por si, já estava na hora de levantar. Pensou nas aulas que teria e que seria uma droga e passaria o dia com sono, mas a imagem de Maria Júlia surgiu em sua cabeça outra vez. Ela encheu os pulmões de ar, sorriu e levantou da cama mais disposta do que achou que estaria.

Notas finais
Resolvi não demorar muito para que uma começassem a perceber a outra. Espero que não tenha sido precipitado. Até mais!!! Beijos!!