Corações Gelados
1 Capítulo único
Notas iniciais
Era um dia de inverno, Jack, cansado de nunca ser visto, estava passeando pela floresta. Como estava tendo uma nevasca, nenhuma criança, ou mesmo adulto se arriscava a sair de casa, entediado, ficava apenas caminhando sem rumo , até que de repente, ouviu alguém cantando uma antiga canção natalina. Atraído pela linda voz, foi procurar pela pessoa corajosa, ou imprudente, que havia decidido sair e se arriscar nessa nevasca. Quanto mais perto ele chegava, mais bonita a voz ficava, e, ao finalmente conseguir ver a figura, Jack ficou boquiaberto, era uma garota linda que cantava, não parecia ter mais que a sua idade (ou a que deveria ter, já que tinha 300anos), o que mais chamou sua atenção, foram os cabelos dela, loiros claros, quase brancos como a neve, um pouco parecidos com os seus, e seus olhos eram de um azul profundo, e sereno, só de olhar pra eles, qualquer um relaxaria, e se sentiria seguro, quente. Estava sentada no tronco de uma árvore caído no chão, só agora, prestando mais atenção, o mesmo notara que a moça estava sem blusa, usava apenas um vestido fino, e não parecia sentir frio, será que ele estaria sofrendo alucinações? Esfregou os olhos, e só por segurança se beliscou, ficou se perguntando se era um fantasma, mas logo a opção já não era plausível, pois a neve não a atravessava. Então , o que ela era? Logo a curiosidade o invadira por completo e começava a se aproximar de vagar, quando percebeu: “Ela não me enxerga! Posso me aproximar dela” Agora, sem medo, Jack Frost se aproximava da linda garota, que vendo a aproximação dele, parou de cantar.
Jack, sem entender muita coisa, percebeu que ela o encarava, e ainda sem dizer nada se moveu para um lado, e viu que os olhos da garota ainda o acompanhavam. Depois para o outro lado, só para ter certeza, e ficou perplexo ao ver, que a garota o enxergava, confuso, perguntou:
– Você… Você me vê?
– Claro que sim oras, não deveria? — Perguntou a linda garota ainda também confusa.
– De… De verdade? — Ela fez que sim coma cabeça — Nada, por nada, é óbvio que você me vê — Disse ele rindo sem graça e coçando sua nuca — Qual o seu nome?
– E será que você podia me dizer por que eu deveria te responder?
– Porque perguntei — Respondeu seguro de si mesmo.
– Meu nome é Elsa, e o seu, garoto “invisivel”? — respondeu fazendo sinal de aspas com as mãos.
– Meu nome é Jack … — exitou. Não posso dizer a ela quem eu sou! — Jack Reven — Respondeu, não podia deixar a chance de finalmente falar com alguém que o enxergava. — Não sente frio menina? — perguntou, rapidamente querendo mudar de assunto.
– Não muito… e você, como se atreve a sair de casa em uma nevasca como essa? — Elsa também queria mudar de assunto, se o garoto soubesse… provavelmente iria se assustar e fugir, e ela não conversava com ninguém a dias… Sentia saudade das pessoas, ficara trancada em seu quarto por muito tempo.
– Queria me aventurar por ai, sabe… viver a vida… — Apoiou seu peso em seu cajado com o cotovelo, e fez um gesto de avião voando. — E você, o que uma garotinha faz por aqui ? esse lugar não é para princesas indefesas. -retrucou ele
– Não sou uma princesinha indefesa! — Elsa ficara brava, “sou uma rainha!” pensou, mas achou melhor não falar. — Vou te mostrar, e, se conseguir, me siga.
Ela saiu correndo, pegou uma casca de madeira do chão, e escorregou montanha a baixo, Jack, demorou alguns poucos segundos para reagir, mas acabou indo na onda da garota que atraíra tanto sua atenção. Pegou outra casca de arvore e desceu a montanha escorregando da mesma forma que a tal havia feito. Os dois estavam rindo loucamente, Elsa congelava o chão a sua frente, mas de forma que Jack não percebesse, mas o garoto fazia a mesma coisa que ela. Eles riam alto, e parecia ser o único som por ali, estava tão vazio que chegava a ecoar. Arriscavam até mesmo a soltar as mão e balançá-las no ar. Jack em questão de minutos, alcançou Elsa, que acelerou, e logo aquilo havia virado uma corrida, no curto período em que se encaravam desafiando um ao outro com o olhar, ela não percebeu que havia uma grande árvore à sua frente, Jack que a percebera segundos antes de quase serem atingidos, se jogou para o lado da mesma, empurrando a para longe da árvore, nisso, os dois caíram e rolaram morro a baixo juntos, quando finalmente pararam, Elsa havia caído em cima do “garoto do gelo” ela se apoiou com as mãos olhando pra baixo, e dando um sorriso, enquanto encarava o. “ele é lindo” pensou, e logo , o riso se transformou em risada, que logo se transformou em altas gargalhadas, ela saiu de cima dele, e se deitou ao seu lado, nunca havia se divertido tanto depois de … depois “daquilo” lembrou... E se ela perdesse o controle de novo? o que ela iria fazer? O que ela ESTAVA fazendo? Elsa não queria machuca-lo, não queria machucar mais ninguém. Levantou de repente, sacudiu a neve do vestido e disse somente: “Me desculpa, eu tenho que ir, nunca me diverti tanto na minha vida, mas eu realmente preciso ir, para o seu bem” e partiu. Aquilo acabou com o coração de Jack.
– Por que ela tinha que ir se estava se divertindo tanto? — pensou alto revoltado — Legal Jack, quando você finalmente encontra alguém que te enxerga, você vai lá e estraga tudo! idiota! idiota! idiota! — repetia ele enquanto batia a cabeça em um tronco de árvore.- Ela provavelmente descobriu quem você é e saiu correndo, pft, “para o seu bem”? como assim pro meu bem? eu quero que ela volte! — foi ai que percebeu. depois de 300 anos, havia se apaixonado, mesmo sem saber ao menos quem ele era, ele sabia. Estava apaixonado por Elsa.- Legal, você gosta de uma garota, assusta ela, e a deixa ir! Lindo primeiro amor o seu — disse ele batendo uma última vez a cabeça no tronco
– É só ir atrás dela ué — disse uma voz que o mesmo desconhecia.
– Como eu poderia fazer isso? eu simplesmente ia seguir ela as cegas? — perguntou sem se tocar que não fazia a mínima ideia de quem estava falando.
– Sim .
– Aliás que é você pra dar conselhos de… amor? — ele olhou em volta mas não viu ninguém. será que estava louco?
– aqui — disse uma voz.
– onde? — ele olhou em volta mais uma vez.
– aqui em baixo bocó! — um galho balançando atrapalho a visão dele, e quando ele olha para o chão, bum! Um boneco de neve.
– Que...Quem é você?
– Oi, eu sou o Olaf, e gosto de abraços quentinhos! — respondeu o pequeno boneco de nove abrindo os braços, ou melhor “galhos” e dando um sorriso.
– Ótimo, eu estou falando com um boneco de neve que gosta de ser derretido, devo estar louco mesmo!
– Não, não, gosto de abraços quentinhos, e não de ser derretido! e segundo, não vai atrás da moça?
– Como ? se ela saiu correndo?
– Oras, vá atrás dela, é só seguir o seu coração!
– Mas que frase mais clichê, não tinha algo mais original não?
– Hmmm… Vá atrás do que te aquece? não, não, essa não, Vá atrás do que te derrete? não, essa também não… não sei. frases clichês são clichês porque são verdade!
– E como eu vou saber o que o meu coração diz? Em boneco de neve espertinho?
– Você vai sentir, bem aqui. — e bateu com os galhos na bola de neve de cima do tronco, o que a fez rolar.- opa! — e saiu correndo atrás do seu corpo.- é só seguir o coraçãããão gritava olaf enquanto perseguia o seu “corpo”
– Ótimo, não estou acreditando que estou mesmo aceitando conselhos amorosos de uma bola de neve falante! Como eu vou saber? agora ela deve estar a quilômetros daqui. hm…. Ja sei!- Ele pulou no ar, e o vento abafou sua queda, deixando-o suspenso por alguns centímetros. Vento, me leve aonde meu coração manda! — o vento exitou — Vamos! Anda! ta bom. Me leva aonde meu coração acha que... é quente! — e depois de alguns segundos, o vento começou a levá-lo, devagar, e um pouco indeciso, pois sempre mudava de direção, e as vezes até parava, fazia Jack olha pra uma direção e outra, e depois seguia, como uma bússola “encontre o seu amor” Depois de alguns longos minutos, eles chegaram ao seu destino, parecia um castelo de gelo gigante. “Digno de uma princesa indefesa” pensou, ao chegar a base da escada, parou.
– Será que é mesmo uma boa ideia? Acho melhor voltar mais tarde e.. — enquanto levantava apenas uma perna e girava o corpo pro lado, se assustou. Olaf , o boneco de neve falante estava lá, e fez que não com um dos galhos.
– Nãnãnão! — disse ele mexendo a cenoura de seu nariz.Você vai lá, tocar a campainha e entrar!
– Mas…
–Aaaah , não, vá! — disse ele tirando um de seus galhos com o outro, para que seu braço ficasse mais cumprido, e apontou para as escadas.
– Mas.. — olhou para Olaf, que estava com os olhos semi cerrados, fazendo sinal de desaprovação, com os braços cruzados, agora, cada um em seu lugar. — Ah, tá bom … — deu novamente meia volta e começou a subir os degraus bufando e reclamando. — Já não basta seguir um conselho amoroso de um boneco de neve falante, também tenho que obedecer as ordens dele?!
Chegando a porta, parou novamente.. será que eu devo mesmo… E olhou com o canto dos olhos para Olaf que ainda o encarava. ahg! tocou a campainha e disse “que seja o que a lua quiser!”
Depois de apertar o pequeno botão ao lado da porta, ele aguardou apenas poucos segundos e a porta se abriu. Era Elsa. Agora ela estava com a trança um pouco despenteada, com algumas mechas de cabelo soltas, e tinha marcas vermelhas em baixo dos olhos, foi só isso que ele reparou, porque três segundos depois dela abrir a porta (que foi o tempo que demorou para perceber que era Jack, e reagir) ela a bateu com toda a força que tinha.
– O que você quer? — perguntou Elsa triste, e tão baixo, que mal dava pra escutar do outro lado da porta de gelo.
– Eu … Eu só queria dizer que…
– Que… — disse repetiu,será que era o que ela estava pensando? Apesar de saber que não poderiam ficar juntos, saber que alguém nesse mundo gostava dela, era o suficiente.
– Que… Também foi o dia mais feliz e divertido da minha vida! isso… — Na verdade, ele queria dizer que a amava, mas não teve coragem o suficiente.
– Você me seguiu até aqui pra dizer isso?
– Bem, na verdade, eu meio que fui obrigado a vir aqui por um boneco de neve falante que gosta de “ser derretido” …- “eu ouvi isso!” uma vozinha o interrompeu, Olaf gritara na base das escadarias. — Enfim…
– Bem, então se era só isso, você já pode ir! — respondeu ela de forma extremamente grosseira.
– Não… eu … Será que você podia pelo menos abrir a porta pra mim? Esta frio aqui fora sabia?
– Mas você não sente frio!
– Oh.. é verdade… — “que desculpa mais ridícula Frost!” pensou. — Eu queria saber, por que você foi embora daquele jeito. o que queria dizer com “para minha segurança?”
– É… É um segredo! não posso te contar! — Elsa dizia aquelas palavras com tristeza, uma lágrima já escorria a sua bochecha.
– Vamos fazer assim… Eu te conto o meu segredo, e você me conta o seu okay? — Esperou um “okay.” como resposta, que infelizmente não veio. — Bem… Pode ser estranho mas, prometa que não vai se assustar! — Dessa vez, não esperou uma resposta, que sabia que não viria. Encostou as costas na porta e sentou-se, ficando incrivelmente do mesmo jeito que a “rainha” estava do outro lado da mesma, e abraçou uma de suas pernas deixando a outra esticada, e o cajado de lado de forma confortável. — Bem… Eu sou … — exitou — Jack Frost. Pronto,falei!
– Quem?
– Jack Frost, sabe, aquele cara que faz nevar, e congela as ruas fazendo as pessoas escorregarem, e faz você ficar gripado, e congela os postes pras crianças grudarem a língua...? Não me conhece mesmo? Tudo bem que eu não sou como o Papai Noel, ou a Fada do Dente, ou o Coelho da Páscoa, mas… As pessoas normalmente sabem quem eu sou… em fim. — disse indignado.
– Quem é Papai Noel? — Elsa realmente não sabia quem eram aquelas pessoas, eram famosos ou algo assim?
– Como eu ia dizendo, eu sou como um espírito… As pessoas...Elas não me vêm... nunca. — Elsa baixou a cabeça, devia ser realmente ruim não poder ser visto pelas pessoas. — Eu não me lembro de como nasci, ou como vim parar aqui, a única coisa que sei, é que me chamo Jack Frost, e como eu sei disso? Bem, a lua me contou, sim , essa mesmo, aquela bola brilhante que fica pendurada no céu de noite. Foi só isso que ela me contou. Só me lembro, de simplesmente ter aparecido… não sei se já fui alguém antes de ser “Jack Frost” se tive uma família, ou se alguém um dia me amou… bem , é isso. agora é a sua vez. — Elsa exitou, tinha medo , e depois de alguns minutos, quando Jack já tinha desistido, ela começou a falar, tinha ainda medo, claro, mas ele havia contado sua história, ela devia contar a dela, era uma troca justa, e seu pai a havia ensinado a ser justa.
– Eu nasci em Arendelle, um reino um pouco longe daqui, Eu… Nasci… “especial”
– Especial ? como assim ?
– Eu, podia controlar a neve… bem, mais como “criar”...
– Que incrível!
– Eu não acho isso, as pessoas também não… Quando eu era criança, minha irmã sabia dos meus “dons”, e nós sempre brincávamos juntas, mas um dia… Eu a machuquei, e Anna quase morreu… — Esse é o nome da irmã dela? pensou Jack- Depois disso, o meu pai fechou os portões do nosso castelo, só ele saia, e a mamãe as vezes, mas eu não, nunca. Conseguiram curar Anna, mas tiveram que apagar as memórias dela sobre mim,ou melhor, sobre meus dons. Acho que as pessoas achavam que era mais uma maldição… Meu pai, começou a me treinar, nosso lema era “encobrir, não sentir, e nunca absolutamente nunca, deixá-los saber” sobre o que eu era, eu ficava dia e noite no meu quarto, os servos me traziam comida… Eu nunca saia de lá, era perigoso de mais, um dia, meus pais saíram em viajem para fazer um tratado com outro reino, do outro lado do mar. Eles nunca voltaram… A partir dai, eu treinei mais, e mais, porque dali a alguns anos eu iria ser rainha. E foi o que aconteceu. Algum tempo depois, foi a minha coroação, a primeira vez em anos que abriríamos os portões, e eu estava com medo, muito medo. Na hora, foi tudo muito bem, mas na festa, tudo foi por água a baixo. Eu briguei com a minha irmã, pois ela queria que eu concedesse a ela a bênção para um casamento, e acredite ou não, ela planejava casar com alguém que havia acabado de conhecer! Ela dizia baboseiras como amor a primeira vista, e tudo mais… — “baboseira” pensou Jack. é isso que ela acha?- Ela acabou me estressando, e meus poderes... saíram um pouco do controle por meros segundos, e isso fez com que todo o salão congelasse, eu machuquei uma pessoa, depois disso, eu fugi, e me auto-exilei aqui, desse jeito, eu não machucar ninguém, mas ai… ai eu conheci você… E pela primeira vez eu queria realmente alguém do meu lado, em anos… Mas é perigoso de mais. Eu perdi minha família, todos que eu amava, podia machucar você também…
– Eu vou ser sua família agora. — interrompeu Jack. — Eu vou estar com você, você não pode me machucar Elsa, eu posso te ajudar, eu… Eu te amo. — A declaração surpreendeu os dois, mas era a verdade, Ele a amava, e finalmente teve coragem de dizer isso. Se levantou, e socou a porta de gelo, com carinho.
– Eu te amo Elsa — Agora, ele estava com a cabeça encostada na "barreira de gelo" que os separava, e ainda com a mão em forma de punho, empurrava a mesma, ele queria arrombá-la, e abraçar sua amada, o que felizmente não foi necessário, pois a porta se abriu sozinha. Surpreso, Jack observou a linda “rainha de gelo” por alguns segundos, ela tinha algumas lágrimas escorrendo pela bochecha. Vendo aquilo, o albino não se conteve, e a abraçou. O impulso foi tão grande, que ele acabou empurrando ela forte de mais, fazendo os cair, dessa vez com ele em cima, felizmente, o vento abafou a queda. — Eu te amo. Eu te amo — repetia ele, com lágrimas nos olhos. Aquela palavra dita pela primeira vez em 300 anos, trazia um gosto doce em sua boca, ele a pegou pena cintura e voou dando algumas piruetas, ainda abraçados. depois, o vento os fez pousar no centro do floco de neve, desenhado no chão do salão. Ali, eles se entreolhavam, Jack, se aproximava cada vez mais, e, quando estavam quase se beijando, um estrondo enorme invadiu a sala, e cinco homens entraram com tochas em suas mãos.“Idiota!” pensou Jack, ele havia deixado a porta destrancada, no momento em que entrara no salão. Os cinco homens com tochas fizeram um círculo em volta do casal, com olhares de ódio refletidos à luz das chamas.
– Você! Sua bruxa desgraçada! Você acabou com nossas vidas! Traga de volta o verão!
– Não! — gritava Elsa — Não! eu… eu não fiz nada!
– Nada? Você simplesmente nos arruinou! nossa vila está passando frio e fome por sua causa! Mulher idiota! — A rainha, assustada com o fogo, e com as pessoas recuou, escondendo o rosto em Jack.
– Não eu… Eu arruinei a vida de vocês… — A última frase, disse de forma tão baixa que só Jack pôde ouvir.
– Não! Eu vou te proteger Elsa! — disse de forma corajosa que nunca havia dito antes. Deu um passo a frente e usou um dos braços como escudo,cruzando na frente dela, como proteção.
– Você está sozinha bruxa! Ninguém irá te proteger agora!
– Não! O que?! Eu estou aqui!- Mas ninguém parecia o escutar. Foi ai que se lembrou. — Eles não me veem.
–O que? como assim Jack?- respondeu a garota
– Eles não me veem! — gritou Jack, frustrado. Com apenas um dia, havia se acostumado a ser percebido. Apenas Elsa enxergando o bastava, era o que pensava, mas não. Se as pessoas não podiam vê-lo, o que ele faria? Como a ajudaria? Entrou em choque por alguns segundos, até que um dos homens deu um passo, depois outro. “Não posso ficar parado! Eu disse que seria a sua família! e em uma família protegemos uns aos outros!” pelo mesmo era isso que pensava, já que na verdade, nunca tivera uma família. Pelo que ele se lembrava, não.
Saindo da sua “pequena pausa para pensar” Jack começou a agir. Saiu voando, deixando Elsa sozinha. Depois foi em direção ao homem que estava mais próximo, e apagou sua tocha, depois outra, depois outra, até estarem iluminados somente com a luz do luar. Jack soprou um vento gelado na sala, causando arrepios aos homens que agora, começavam a temer a rainha do gelo. Depois, foi atrás de um pilar, e gritou , alto, mas de forma misteriosa, e , incrivelmente, sua voz ecoou pelo salão, não sabia como, mas sabia que eles o ouviriam dessa vez. Engrossou mais uma vez e repetiu o que havia dito. “Afastem-se!” depois de alguns segundos continuou. “Não se atrevam a chegar perto da dama!” e mais uma vez, fez uma pausa, até sua voz parar de ecoar. “Não ousem encostar um dedo em minha amada!” “Se o fizerem… Vocês sofrerão!” Dessa vez, deu ênfase na palavra sofrer. Voou até perto de outro pilar, que estava atrás do homem que estava mais perto de Elsa. “Ouviu isso? Camponês? Uma maldição cairá sobre vocês e suas famílias!” Agora, os homens tremiam de medo e olhavam uns para os outros. Foi exatamente nessa hora, que uma grande sombra se formou no chão. Era enorme, e parecia uma coisa… Não alguém, uma coisa mesmo. se mexia e fazia gestos intimidadores. Depois disso, Jack que também havia se assustado continuou. “Eu sou o homem da lua! e minha amada, a mulher da lua, é minha protegida, e mesmo depois de partir dessa vida, continuo protegendo ela, e assim será para todo o sempre! mesmo depois de morrem, minha maldição percorrerá por gerações! Então, quero ver se atreverem a tocar num fio de cabelo dela!”. Depois disso, não aguentaram, todos os homens, ao mesmo tempo, saíram correndo, apavorados, gritando que aquele lugar era amaldiçoado, e que ela era uma bruxa, e todos aqueles tipos de baboseiras, mas a última frase deles, foi que deixou os dois felizes. “nunca mais voltaremos aqui”. depois de alguns segundos, quando não podiam mais ver os camponeses, Elsa fechou a porta e Jack começou a se aproximar. Se entreolharam, e começaram a gargalhar, muito alto, e riram tanto que lágrimas escorriam por seus olhos, vez ou outra diziam coisas como: “viu a cara dele?” ou então “Eles estavam morrendo de medo!”.
Em fim , quando a seção de risada acabara, Elsa finalmente se pronunciou, ainda com um belo sorriso no rosto.
– Como você fez aquilo Jack? — Sentia como se se conhecessem a anos.
–Eu não sei! simplesmente sabia que ia conseguir! — eles riram.- E aquela sombra? como você fez aquilo?
– Eu? — Ela estava confusa. — Não foi você?
– então quem…- olharam pra cima
Uma pequena figura caiu do teto, que havia derretido co o calor das poucas chamas. Era Olaf, o boneco de neve
– Você…?
– Euzinho mesmo! — disse olhando para o garoto, e depois se virou para Elsa — Oi! eu sou o Olaf! E eu gosto de ser derretido! quer dizer…De abraços quentinhos — Se auto-corrigiu.
– Você… Eu fiz você quando era criança!
– Sim! Oh, que bom que se lembra de mim!
– Foi você que…
–Foi sim! gostou? vocês pareciam estar se divertindo aqui dentro e eu estava cansado de esperar lá fora, então subi até o teto, e comecei a assistir, eu queria brincar com vocês, então acenei, mas ninguém me notou… — disse ele, fazendo com que os galhos coçassem seu queixo de forma pensativa. — Em fim! Que pena que eles foram em bora… queria brincar com vocês também! — Os dois riram, quem diria! No meio das risadas, os dois novamente se encararam de forma romântica. Foram se aproximando devagarinho. Vendo como os dois se entreolhavam, Olaf disse “ooi?” balançando os braços, gesto que fora inútil, pois estava muito concentrados um nos olhos do outro, o boneco de neve, parou, para apreciara linda cena que se encontrava. “Eu te amo” cochichou Elsa. Depois disso, se beijaram. Foi um beijo demorado, e enquanto os seus lábios se tocavam, Elsa pensava que estava errada em ter repreendido a irmã, amor verdadeiro, e à primeira vista, existia sim, ela era a prova viva disso. Jack por sua vez pensava: é a lua, ela fez com que Elsa me visse. Ela sabia o tempo todo. Queria que eu soubesse que alguém me ama… Depois do longo beijo, se entreolharam novamente, a luz da grande lua, que agora, estava bem em cima de suas cabeças, e , com o teto derretido, parecia mais clara, a nevasca havia parado, e o céu estava limpo, os dois levantaram os olhos pra a mesma juntos, e Jack disse:
– Foi a lua, ela que fez tudo isso, ela que nos juntou. Eu te amo Elsa.
Esse foi o começo do derretimento de dois corações congelados por marcas do passado, por muito, mas muito tempo que agora, se aqueceriam juntos. Naquele momento, a lua sorria, não podiam ver, mas sentiam, ela sorria pro grande amor de um casal, que acabava de começar.
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