Corações Gelados
2 O amor é quente?
Notas iniciais
Depois daquela declaração de amor, Jack ia visitar Elsa quase todos os dias, eles faziam muitas coisas juntos, descobriram mais um sobre o outro, e logo perceberam que eram iguais. A tristeza da solidão que antes sentiam já tinha se passado e não havia nem sinal dela, e para eles, esperavam que ela nunca mais voltasse. Um dia, Jack não foi ao encontro de Elsa, no começo, ela não estava preocupada. Mas depois de 3 dias começou a ficar. “onde ele está?” “o que ele está fazendo?” “por que não veio?” Ela andava de um lado pro outro, pensando em coisas assim. Já era muito tarde quando decidiu ir dormir, o que, por sinal, não conseguiu fazer até as 5 horas da manha.Sentia medo de ser abandonada novamente, a solidão e o isolamento, pra ela, já não era uma opção. No dia seguinte, alguém bateu em sua porta, Elsa desesperada e com a esperança de ser Jack abriu sem nem mesmo perguntar quem era. Quando abriu a porta, uma grande surpresa, não era Jack, e sim, Anna. Ao ver sua irmã, logo o medo que Jack havia tirado voltou. O medo das pessoas, o medo de si mesma, o medo de machucar os outros.
– Vá em bora Anna! — foi só o que conseguiu dizer.
– Não! Elsa, eu não entendia, mas agora eu sei… — Elsa já havia virado as costas, e a mesma seguiu a irmã. Estavam subindo as escadas para o segundo andar. — Elsa! Me escute, eu entendo agora … Eu…
– Não! Você não entende Anna! — Interrompeu a mais velha. — Você não entende e nunca vai entender o que é ser um monstro! Vá em bora! — Elas continuavam andando. finalmente, chegaram ao segundo andar.
– Vamos Elsa, você tem que desfazer o que fez, talvez assim Arendelle volte a ser verão…As pessoas não querem um inverno eterno…
– O que? Eu … Eu não consigo Anna, Eu só sei congelar as coisas! Não descongelar! — Elsa estava preocupada, e irritada, como no dia da coroação, não podia deixar os poderes se apoderarem dela. Mas era quase impossível… Andava de um lado pro outro, pensando no que seu pai sempre dizia, mas cada vez que a mais nova falava, ela fraquejava.
– Vamos! Você consegue Elsa! Eu sei… Eu sei que consegue. — Foi ai que os poderes da loira saíram do controle, sem notar, uma onda de frio saiu de si própria e atingiu Anna, que caiu. Elsa, ainda sem perceber nada, mandou que ela saísse, e foi o que ela fez. Já havia desistido de convencer a mais velha.
Minutos depois da pequena ruiva sair do castelo de gelo, Elsa se encolheu em um canto de seu quarto e chorou. No momento em que mais precisava de Jack, ele não estava lá. Ou será que estava? Enquanto ela ainda chorava, uma sombra apareceu na sacada. Era Frost. Ele entrou sorrateiramente na sala e observou-a por alguns segundos, depois, começou a se aproximar da linda moça calmamente… Sentou-se ao lado dela e a abraçou. Aquele foi o abraço mais quente que recebera em anos, e, ao sentir os braços acolhedores, levantou o resto que estava escondido.
– Jack…. Onde você estava? — cochichou ela ainda fungando um pouco. — Estive preocupada…
– Oh, era por minha causa que estava chorando? Eu sei, deve ter sentido saudades não é mesmo? É — respondeu a si mesmo — É impossível não sentir a minha falta. — Mesmo que por um segundo, Elsa sorriu.
– Não, não é por sua causa seu bobo. — Ela deu um leve soquinho no ombro dele.
– Serio? — Ele fez carinha de triste — Não sentiu minha falta?
– Claro que sim! Você sumiu por três dias! O que pensou que estava fazendo me preocupando daquele jeito?
– Vamos fazer assim, me conta o que aconteceu e eu te conto onde estava okay?
– Okay. — dessa vez, ela respondeu. — Foi a minha irmã …
– Ela veio aqui? Passo três dias fora e olha o que acontece!
– Você não perdeu nada Jack… Não foi um encontro muito bom… Bem, ela veio aqui pedir desculpas, e que eu descongelasse a cidade… — Ela apoiou a cabeça no ombro do albino — Eu soube que transformei toda a cidade em um inverno eterno… Foi por isso que aqueles homens vieram… Eles estão passando fome Jack! E frio! Tudo… Por minha causa…
– Ohh… Isso não é bom… Definitivamente não… Mas não é sua culpa! Eu tenho certeza que…
– É sim minha culpa!
– Não Elsa! Foi um acidente!
– Bem, se você acha… — Ela se aconchegou mais nele, que passou um braço em volta dela, que estava incrivelmente gelada. (mais que o normal) — Mas vamos deixar de lado, não foi um encontro muito bom entre irmãs… E você Jack? Onde você foi?
– Oh… Bem, eu me encontrei com velhos amigos… Sabe… Aqueles que mencionei outro dia…
– O tal do Papai Noel?
– Sim, sim, ele mesmo, e a Fada do dente, o Coelhão, e o Sandman! Eles estão passando por problemas, e… Eu os ajudei...Bem, mais ou menos… Em fim. Mas… Olhe o que eu peguei do Coelhão! — Ele colocou a mão dentro do bolso, e nesse momento, alguma coisa pulou para fora. — Hey! O que está fazendo fadinha? Pensei que estivesse com a fada do dente! — A fadinha zuniu e fez que não com a cabeça.
– O que é isso Jack? — Elsa parecia interessada. A fadinha parou bem na frente do rosto dela e as duas se encararam. Ela tentou aproximar o dedo devagar e tocar na fadinha, mas quando estava chegando perto, a fadinha fugiu.
– É uma fadinha ajudante! Elas ajudam a recolher os dentes das crianças… Eu a salvei. Ei, fadinha, está tudo bem… Ela é uma amiga… — Aos poucos ela foi se aproximando novamente da rainha. Ela pousou em seu colo e esperou uma reação da loira, que aproximou a mão e fez carinho. — Viu? Ela é uma boa pessoa!
– Era isso que queria me mostrar Jack?
– Oh! Não, não! Era…. — Ele vasculhou o bolso de seu casaco. — Isso! — De dentro do bolso, ele havia retirado um ovo, todo decorado de azul claro, com alguns flocos de neve, ele mesmo havia feito.
– É lindo Jack! Mas o que é isso? — Ela olhava com curiosidade para o ovo em sua mão.
– É um ovo de páscoa! As crianças brincam de procura-los e depois comem! Esse por exemplo, é um ovo cozido, você descasca e come! Mas também tem os de chocolate, os que tem gelatina por dentro… Experimente! — Ele sorria. Apenas por ver aquele sorriso, acabou esquecendo de seus problemas. Fazer isso de vez em quando não é mal certo?
– Como eu abro?
– Assim. — Ele pegou o ovo da mão dela, bateu um pouco no chão e começou a descascar. A fadinha foi e ajudou-o até o ovo estar totalmente sem casca. — Pronto. Coma! É uma delicia! — Aos poucos ele aproximou o ovo de Elsa que abriu a boca. Ele o colocou todo de uma vez, o que a fez ficar de boca cheia, e com as bochechas enormes. Enquanto ela mastigava, Jack ria das caretas que a garota fazia. Elsa por sua vez tentava descobrir o gosto daquilo. Mas era diferente de tudo o que ela já havia experimentado no castelo. Suas refeições geralmente eram todas iguais. Depois de engolir tudo, Elsa finalmente se pronunciou com um sorriso enorme no rosto.
– É delicioso! — Jack riu, Vê-la rir também era uma das melhores coisas pra ele.
– Que bom que você gostou, estou ainda mais feliz por você sorrir, o seu sorriso é lindo Elsa…- Ela corou — A fada do dente acharia seus dentes lindos e branquinhos! Ela adora ver os dentes das pessoas — Ele riu alto ao se lembrar de todas as vezes que ela enfiara a mão na boca dele para ver seus dentes. Elsa sentia alguma coisa. Parecia… ciúmes? Ignorou aquele sentimento, estava feliz demais pra pensar naquilo. — Você devia sorrir mais Elsa… Não gosto de te ver assim… Triste …- Ele passou a mão na bochecha dela onde havia uma lágrima. Ela sorriu e ele correspondeu. — Me prometa, me prometa que sempre vai sorrir okay?
– Okay, eu prometo. — Ela estendeu o dedo mindinho e explicou. — Onde eu moro é assim que fazemos promessas, nós cruzamos os dedos mindinhos, significa que agora temos um laço. Um laço de uma promessa, que sempre vai nos manter juntos. — Ela sorriu. Ele estendeu o seu dedinho e encostou no dela. ao mesmo momento, os dois fecharam os mindinhos, e os olhos, encostaram as testas um no outro, e Jack disse:
– Eu te amo Elsa, e eu prometo que nunca vou deixar de te amar.
– Eu também te amo, e enquanto estivermos juntos, prometo que vou sempre sorrir.
Naquele momento, nada mais importava. Nem o ataque à fada do dente, nem a preocupação de Jack em relação ao seu passado, Nem mesmo o Coelhão o tiraria daquele momento. Para Elsa também. Ela, apenas naquele momento, cedeu ao egoísmo de esquecer os problemas dos outros, e de seus próprios. Só queria sentir Jack e o amor entre eles. Abriram os olhos, se beijaram, e novamente abraçaram um ao outro, ficaram encarando o céu pelo teto de gelo por longos minutos. Até que Elsa caiu no sono, ainda sorrindo...
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