Corações Feridos

12 Quero você comigo.


- Pode dar um pulinho no meu escritório? — O tom de voz de seu chefe parecia um pouco desesperado. Daniel ficou preocupado.

- É algo ruim, senhor? Eu fiz algo de errado? — Perguntava sem esperar seu chefe responder. — Porque não posso perder esse emprego, minha esposa está grávida e ainda está desempregada, vamos reformar a casa e...

- Não! Não se preocupe Daniel! — Ele respirou aliviado com a resposta. — Não é nada disso, pelo contrário! Você vai gostar muito.

Ele sorriu. — Quando devo ir ai?

- É meio urgente, se pudesse vir agora...

- Agora? Mas já não está tarde?

- Então deixa, já vi que não está interessado... Procuro outra pessoa...

- NÃO! E-eu... Eu vou! Vou me arrumar, a gente se vê logo mais. — Desligou e correu para desligar a TV. Ele estava animado, sentia que era algo bom, muito bom.

Se levantou e abriu a porta do quarto, ligou a luz, mas se esqueceu que Julie dormia. Ela fez uma careta sentindo a luz bater no seu rosto e Daniel desligou o interruptor rapidamente. Tentou não fazer barulho enquanto andava pelo quarto escuro, mas acabou tropeçando em algo. — Huh, Dan? — Julie perguntou sonolenta.

- Oi. Oi amor.

- Ainda está acordado?

- É, e-eu estou.

- Hum, troca de roupa e vem dormir!

Juliana se ajeitou, abraçando mais a coberta. Ela dormia com a barriga para cima, o que a deixava um pouco incomodada. Daniel abriu a porta do guarda-roupa. Mas o ruído a fez abrir os olhos. — O que está fazendo?

- Nada. — Daniel não poderia dizer que iria para o escritório. Afinal, ele só voltaria pela manhã e Julie ficaria uma fera.

- Você está tão estranho. — Observou. — Porque não acendeu a luz?

- E-eu não queria te acordar.

- Mas já acordou. Faz tanto barulho! — Esfregou os olhos. — Huh, eu preciso dormir, amanhã vamos fazer muitas coisas.

- Aham. — Respondeu procurando uma roupa.

- Me cobre?

Ele se virou para a esposa. — Oi?

- Me cobre! Estou com frio, por favor!

Ele bufou, não queria demorar de se arrumar. Mas se levantou e foi até a cama. Acendeu a luz do abajur. — Você bagunçou o cobertor todo! — Disse tentando desenrolar. A cobriu delicadamente, mas nisso, Julie segurou seu braço e o fez cair na cama.

Ela o abraçou. — Dorme comigo amor. Amanhã temos muito o que fazer. — Disse colocando uma das suas pernas em cima de Daniel, ela beijava seu rosto enquanto o mesmo tentava se esquivar.

- Juh, me solta... Eu tenho que ir ao banheiro.

- Nada disso. — Fechou os olhos, o agarrando ainda mais. — Sei que é mentira, você quer é passar a noite toda acordado vendo filme. — Sorriu. — Mas eu não vou deixar. — O abraçou mais, quase sufocando-o. Pegou a mão do marido e o fez alisar sua barriga. — Isso me ajuda a dormir. — Comentou ainda sorrindo, fechando seus olhos pouco a pouco enquanto Daniel ainda alisava delicadamente sua barriga.

Depois de vinte longos minutos Juliana finalmente pegou no sono. Daniel foi tirando os braços dela de sua nuca. A viu tão calma e serena que até sorriu. Beijou seu rosto. Julie sorriu, ainda de olhos fechados sussurrou: — Carinho. Adoro seus carinhos.

- Sch. — Passou o polegar por suas bochechas coradas e encostou seus lábios nos dela para um leve e lento selinho. Pegou sua roupa e foi se arrumar.

[...]

Chegou no escritório do seu chefe, estava sentado na cadeira enquanto seu patrão dava voltas em círculos pela mesa, contando a grande novidade. — Uma promoção? — Daniel sorriu com a ideia.

- Sim! — Bateu as mãos na mesa. — Uma promoção! E é sua! — Pausou. — Bom, se você aceitar, claro.

- O que eu tenho que fazer?

- Trabalhar mais. Apenas isso.

Ele franziu a testa. — Mas senhor, eu já trabalho bastante... Minha esposa sempre reclama que eu ganho poucas folgas.

- Se você aceitar o nosso acordo, vai ganhar um dia de folga por semana.

- Só?!

- Deixe-me terminar! — Ele assentiu. — Mas seu esforço será recompensado com um salário... Duplicado.

- Eu vou ganhar o dobro?! — Seus olhos brilharam. Ele precisava muito de dinheiro já que Julie estava grávida.

- E ai, o que me diz, Daniel?

- Eu quero! Claro que eu quero!

- Bom, muito bom! — Apertou a mão de seu funcionário. — Começando hoje.

- Hoje? M-mas eu nem dormi... Vim direto para cá e passei a noite toda acordado. — Olhou para a janela e viu que já estava claro, parecia ser sete horas da manhã.

- Vamos Daniel, nada de mozela! Aproveite que já está aqui.

- Éerr mas... Preciso ir para casa pegar minhas coisas. Não vim preparado para trabalhar, hoje seria minha folga.

- Tudo bem, vá para casa, volte mais tarde.

[...]

Em casa, Julie fritava alguns ovos para por no pão. Ela alisava sua barriga, tendo só o neném como companhia, seus olhos estavam marejados. Ontem foi o melhor dia da sua vida, porém, também foi a pior noite. Seu rosto estava pálido, abaixo dos olhos tinha olheiras que nem maquiagem conseguia disfarçar. Ela desligou o gás, secou os ovos com o papel toalha.

Estava tão atordoada, que até se esqueceu de pegar o pão e o sal. Sentia uma tontura e uma dor no coração. Pegou um garfo, e em pé mesmo engoliu o ovo. Sem pão, sem sal. Ia abrir a geladeira para pegar um copo de suco, até que escutou a porta da sala se abrir. Viu Daniel jogar seu terno no sofá. — Onde estava?! — Gritou da cozinha.

Ele foi desfazendo o sorriso. — Eu acordei um pouco mais cedo que você... E fui... Visitar minha mãe.

- Mentira! — Gritou. O deixando sem reação. — Não sabe o quanto eu chorei essa noite! Acordei de madrugada e não te encontrei! Liguei para você, mas não me atendeu! Gritei, gritei, gritei! O vizinho ia até chamar a policia!

- Eu não queria preocupar você, por isso não disse nada.

- E como acha que passei minha noite? Não consegui pregar meus olhos de tanta preocupação! Onde estava? EU QUERO A VERDADE! — Apontou o garfo. — Estava me traindo, não é? Foi encontrar uma piranha nesses barzinhos baratos, NÃO FOI?! Eu sei que foi! — Jogou o garfo no chão. — Vai, me dá o seu terno! Quero sentir o cheiro do perfume dessa puta!

- Julie, para com isso. — Segurou seus ombros. — Eu não te traí, fui ao trabalho, só isso. Recebi uma ligação do meu chefe ontem de noite, ele me pediu para ir lá.

Ela olhou para o chão. — Estou com muita dor de cabeça... — Disse. — Deve ser porque passei a noite inteira chorando. — Se soltou de Daniel. — Porque fez isso? Porque não me avisou?

- Por que você não ia me deixar ir. — Pausou. Reparando no rosto pálido de Juliana. Sabia que ela não poderia se aborrecer, pois estava grávida. — Quer que eu peça para alguém te levar ao hospital?

- Quero que você me leve.

Ele balançou a cabeça se afastando, pegou um pedaço de pão e colocou metade do ovo. — Não posso. — Disse depois de morder um pedaço. — Tenho que ir trabalhar.

- Trabalhar? Pensei que era sua folga.

- Não. Eu... Ganhei uma promoção, vou ganhar o dobro do salário. Isso é ótimo.

- Mas... Hoje é a sua folga!

- Era, Julie. Era. Eu tenho que ir.

- Não. — Segurou seu braço. — Me explica isso direito. Você não tem que trabalhar hoje.

- Eu tenho sim, só vou pegar minhas coisas. Eu preciso trabalhar mais para ganhar mais.

- Oque? — Estava indignada. — Como pode aceitar isso? Já trabalha de mais! Mal tem tempo para mim! — Acabou lembrando das coisas que Daniel faria hoje. — Espere... Vo-cê... Tem que pintar o quarto hoje.

- Não Julie, não vai dar. Tenho que ir trabalhar.

- Mas... Já até comprei as tintas, tem que ser hoje! Vai ser hoje! Está na lista de tarefas!

- Olha. — Segurou seu ombro. — Eu não tenho tempo para isso, preciso ir. — Lhe deu um selinho rápido e abriu a porta dos fundos.

- Espere! Daniel! Já vai?! N-nem tomou seu café! — Gritava o seguindo. Seus olhos se enxeram de lágrimas. — Daniel, fica comigo! — Implorou, fazendo seu marido se virar para ela. Ele viu o rosto de Juliana completamente molhado. Sentiu seu coração se partir. Ele se aproximou para dar mais um beijo na esposa. Mas ela segurou com força os seus braços. — Daniel, não vai não. — Pedia. — Não precisamos de dinheiro, o que precisamos é um do outro. Só isso! Passei a semana toda sozinha enquanto você trabalhava. — Ele carinhava seu rosto para acalma-lá. — Você vai ficar aqui, não vai? Eu estou com saudades de você.

- Mas... Ontem passamos o dia todo juntos.

Ela o abraçou. — Mas não foi o suficiente, quero você comigo.

Ele suspirou e se soltou do abraço. — Desculpe, mas eu não posso me atrasar.

- Você vai? — Mais lágrimas caíram enquanto Daniel se afastava, ele desviou o olhar, não queria ver sua esposa chorando.

Ela passou o restante da manhã sentada no sofá, ela nem se preocupou de fazer comida. Estava com fome, pois só comeu um pedaço de ovo. Mas se sentia em depressão. Chorava enquanto se cobria toda por um lençol fino.

Conseguiu fechar os olhos e dormir. Dormiu por umas três horas, até que acordou com o chute do neném. Viu que já era duas horas da tarde. Estava fraca, se levantou e fez um pouco de pipoca. Comia dentro de um pote molhado com as lágrimas. Subiu as escadas e foi para o quartinho do neném. Deixou o pote de pipocas no chão enquanto abria a lata de tinta.

Seus pensamentos se resumiam apenas no Daniel. O que a deixava desconcentrada para fazer as coisas. Ela pintava a parede de qualquer maneira. Se esforçava, esticando os braços para alcançar lugares difíceis da parede. Já não tinha muita energia, e acabou caindo no chão com a forte tontura que sentiu. Junto com uma dor aguda na cabeça que a fez fechar os olhos.

Notas finais
Fiquei com pena dela, rsrs. E ai, curtiram? o que vai acontecer depois? Quero que me digam se estão gostando da fic, ou se está ruim. Quero comentários criticos, :x
Beijos