Corações Feridos

13 Preciso de um tempo para mim.


Notas iniciais
Gente, o nyah está muito estranho, então desculpem se o capitulo ficou ruim, ou diferente. Demorei muito para conseguir escrever, mas espero que gostem.

Juliana tinha perdido a consciência por causa da fraqueza que sentia. Ficou desmaiada, deitada no chão frio do quarto por longos dez minutos. Enquanto no feto, o bebê chutava. Mas Julie não acordava. Continuava incônsciente e fraca. Enquanto isso, Beatriz a chamava no portão de casa. Estranhou não receber resposta. Sabia que Julie sempre estava em casa. Resolveu entrar por conta própria. Abriu a porta da sala e viu tudo quieto.

- Julie? — A chamou algumas vezes, mas não recebeu resposta. — Hum, deve ter saído para fazer compras... — Imaginou, já se virando para trás, mas percebeu que a luz do quarto do bebê estava acessa. Foi se aproximando da escada, levantando mais o seu rosto para ver se ela estava lá. — Julie?! — Viu ao longe uma mulher jogada no chão. Subiu rapidamente as escadas, quase tropeçando nos degraus. Chegou no quarto e se desesperou ao ver a amiga caída. — Acorda! — Disse a sacudindo. Mas não recebia resposta, Juliana nem se mexia, o que deixava Beatriz ainda mais tensa. Ela continuou balançando a morena, até que a mesma foi abrindo os olhos aos poucos. — Meu Deus, você está bem? — Perguntou prendendo seus longos cabelos e a ajudando a se sentar, mesmo no chão. Julie ainda estava muito fraca para ficar em pé. — O que aconteceu? — Perguntava, ainda vendo a amiga atordoada. Lembrou que durante sua gravidez também desmaiou. — Você...Se alimentou? Almoçou?

- N-não... Só... Comi um pedaço de ovo.

- Ficou louca! Não pode ficar sem comer, precisa de energia! Você está grávida! — Beatriz gritava.

Mas Julie só pensava em outra coisa, até se esqueceu de que estava carregando um neném na sua barriga. Seus pensamentos só se resumiam no seu marido. — O Daniel me deixou... — Sussurrou.

- O que? Vocês vão se separar?!

- NÃO! Vira essa boca pra lá, Bia! — Gritou. — Vai, bate na madeira! Bate agora!

- Tá Juh, desculpe... É que você disse de uma maneira que...

- BATE NA MADEIRA!

- Para com isso, Julie! — Disse Beatriz, rindo. Segurou seu braço e a levantou. — Você precisa almoçar, vou fazer algo para você comer.

- Não! — Ela tentava se soltar de Bia. — Você precisa bater na madeira se não isso vai acontecer! Bate na madeira Bia, bate!

Beatriz só revirou os olhos, desligou a luz do quarto e desceu as escadas com Juliana.

Depois de meia hora, Juliana já estava mais calma. Seu estômago roncava com o cheiro da comida que Bia preparava. — Hum, essa costela está com tanto molho. — Disse Julie, sorrindo. — Costela... É o prato preferido do meu amor. — Lembrou de Daniel, sentiu uma saudade dele. Lhe veio uma enorme vontade de chorar, mas como era orgulhosa, não choraria perto de Bia. Então segurou as lágrimas e tentou esquece-lo.

- Vai. — Bia colocou o prato em cima da mesa. — Me conta o que aconteceu. — Sentou ao lado da amiga. Julie assentiu enquanto revirava o prato com a colher, estava sem apetite, mas ao mesmo tempo sabia que deveria comer.

- O Daniel aceitou uma tal promoção do chefe dele. — Disse chateada. — Poxa, ele já trabalha tanto, mal tem tempo para mim. — Suspirou.

- Isso é porque você se importa de mais! — Beatriz balançou a cabeça. — Deveria fazer que nem eu. Foi assim com o Félix também. Eu estava cuidando da bebê sozinha, ela estava com quase um ano aí os dentes de leite começaram a aparecer, sabe? — Julie assentiu. — Ela estava com febre, toda enjoadinha e o Félix só queria saber de trabalhar, e eu me importava! Pedia pra ele ficar comigo... — Bufou. — Mas ele só ignorava. — Pausou. — Depois passei a não me importar mais, e o que aconteceu? Ele se demitiu! Agora está em um emprego bem melhor. Só trabalha a noite. — Sorriu. — Ai dividimos a tarefa de casa e passamos mais tempo juntos.

- Acha que eu deveria fazer isso com o Dan?

Bia riu.

- Amiga. — Tocou no seu ombro. — Não sei se posso dar minhas opiniões, o meu maninho sempre diz que quando estamos conversando vocês acabam discutindo.

- Vai Bia, estou pedindo sua opinião.

- Nada disso. Não digo. — Fez bico. — Olha, vai comer vai. Eu tenho que ir em casa, a Nanda tá sozinha lá. — Bia se levantou. — Mas eu já volto ai. — Julie assentiu enquanto a amiga passava pela sala.

Daniel voltava de um dia estressante do trabalho. Pediu para seu chefe o deixar ir embora mais cedo, e como ele sabia que Daniel não dormiu naquela noite, abriu uma exceção. Ele dirigia com o carro, estava com uma cara de poucos amigos pois não recebeu muitos clientes e ainda precisou aguentar a Thalita. Ela não o deixava em paz, e por ser sua secretária poderia entrar no seu escritório a qualquer momento.

Ele sentia uma dor na cabeça a cada momento que se lembrava de Thalita. Lembrou que ela conseguiu roubar mais um beijo dele, hoje. E ainda se lembrou das suas palavras.

- Um dia você vai perceber que a Julie não é a mulher certa.

Ele segurou seu braço com violência, limpou os lábios vermelhos por causa do batom de Thalita. — Saia! Ou eu te demito! — A empurrou com força.

- Você não pode me demitir. — Cruzou os braços. — Se me demitir, eu dou um jeito de acabar com a sua vida. E com a vida da Julie.

- O que a Julie tem a ver com isso? Porque não deixa ela em paz?!

- Ué, só estou te chantageando. — Se aproximou, jogando-se em seus braços. — Se me demitir eu conto para a sua querida esposa que você me beijou.

- Foi você que me beijou e a força.

Thalita riu. — ah, você sabe como a Julie é... Vai achar que esse beijo vai dar azar... ou qualquer coisa do tipo. Eu posso até fazer aquela cabecinha louca dela, falar várias coisas sobre você, e ela pode até... Se separar.

Daniel fechou os olhos com aquilo, estacionou o carro na garagem e entrou em casa. Estava louco com as chantagens de Thalita.

Ele jogou seu paletó no sofá, foi afrouxando a gravata até que viu Julie se levantar da cadeira. — Amor! — Ela veio o abraçando e tentando ser carinhosa ao máximo. Sentia que estava o perdendo, sentia mais insegurança ainda ao lembrar que Beatriz não bateu na madeira. — Chegou cedo, como foi o trabalho? — Perguntou lhe dando vários beijos no rosto.

- Ah. — Retirou os braços de Julie de seu ombro. — Foi tudo bem. — Suspirou.

- O que foi, está triste?

- Julie, me deixa. Não estou triste, só muito cansado.

- É só isso mesmo? Tem certeza?

Ele se virou para ela, achou sua pergunta um pouco suspeita. Lembrou do que Thalita disse, que poderia contar tudo para Julie. — O que você sabe, Julie?

- O que eu sei? — Torceu o nariz. — Sei que você está muito estranho.

Ele bufou.

- Entendi, eu que sou o estranho... — Sussurrou.

Julie ignorou o comentário, mesmo se sentindo um pouco magoada com isso. Sorriu. — Não vai perguntar como foi o meu dia?

- Não. — Ela desfez o sorriso com a resposta seca de Daniel. — Você vai jogar na minha cara que passou o dia todo sozinha enquanto eu trabalhava, vai dizer que eu acho o meu trabalho mais importante que você.

- Tá bom. — Ela abaixou a cabeça e se sentou ao lado dele. Tentou ser carinhosa. — O que foi meu amor, porque está assim? — Perguntou mexendo nos seus cachos e beijando seu pescoço. — Me conta como foi o seu dia?

Aquela pergunta o fez fechar os olhos. Não queria lembrar de Thalita. — Não vou contar. — Disse se soltando e se levantando, subiu as escadas, deixando Juliana sozinha na sala.

Ela secou uma lágrima que descia por sua bochecha e se levantou. Se aproximou da porta do quarto, viu Daniel deitado de barriga para cima, olhando para o teto. Estava pensativo. Nem percebeu que Julie estava por perto. — Está com fome? Quer que eu te faça algo para comer?

Ele negou com a cabeça, sem ao menos olhar para a esposa.

- Está passando mal?

- Só com um pouco de dor na cabeça...

- Quer um remédio?

- Não, a dor já está passando...

- Hum. — Foi se aproximando. Se sentou na cama. — Me quer? — Deu um sorrisinho malicioso.

- Não.

- Ah. — Desfez o sorriso. — Poxa, a quanto tempo que a gente não... Hum... Você sabe...

- Acho que a última vez que fizemos amor você ainda estava magra.

- Tá bom. Porque está me dando tanta patada?

- Eu estou? Desculpe. — Pausou. — Mas acho que quando nos casamos, eu não prometi que seria perfeito.

Ela abaixou a cabeça. — Mas se você quer mesmo resolver isso, porque não faz uma lista de falas para eu decorar?

Sem responder, ela se levantou. Pegou algumas roupas no armário, sutiã, calcinha, meia, foi juntando tudo dentro de uma mochila. Daniel estranhou aquilo. — O que está fazendo?

- Eu não aguento mais você. — Ele abaixou a cabeça, arrependido por ter sido tão indiferente.

- Eu só preciso dormir um pouco. — Pausou. — Não estou de bom humor, me desculpe.

'' Agora vem me pedir desculpas. '' — Julie pensava, ainda juntando suas coisas. '' A Bia está certa, preciso parar de me importar. ''

- Não vai aceitar minhas desculpas?

- Não.

Ele se levantou e tentou segurar seu rosto, mas ela se esquivou. Colocou a mochila nas costas. — A sua esposa gorda e estranha está indo. — Disse saindo do quarto e descendo as escadas, quase correndo. Daniel a seguiu.

- Onde é que você vai?

- Tente descobrir, isso é... Se você se importa comigo. — Balançou a cabeça. — Sabe, Daniel? Não quero que me procure. Talvez eu volte.

Notas finais
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