Corações Feridos

65 Pensando em você.


Notas iniciais
Primeira parte do flash back, não sei por quantos capítulos. Mas acho que vai ser pouco... Acho. '-' rs. Espero que gostem.

Depois de alguns dias, Daniel e Julie não se falaram mais, ela estava ocupada com o intercâmbio e ao mesmo tempo queria esquece-lo. Ela sabia que não ia conseguir esquecer Daniel se não parasse definitivamente de falar com ele.

Ela ainda pensava nas palavras do loiro. ‘’Sim, eu vou me casar com a Débora. ‘’ Aquelas palavras a desmoronou completamente.

Ela resolveu focar apenas nos estudos, mas sempre quando chegava na sua classe, ela pensava em Daniel, só nele e em mais ninguém.

Daniel também não estava diferente, mesmo distantes, seus pensamentos se resumiam um no outro. — Amooooorrrrr…- Débora se aproxima de Daniel que estava sentado no sofá da sala. Ela chega usando uma camisola de seda, curta e larga. Se senta no colo de Daniel, mas ele continua mexendo em algumas fotos. Sua noiva começa a carinha-lo, mas ele ainda estava indiferente, estava sério, era como se Débora fosse invisivel para ele… — Estou bonita? — Ela pergunta.

Daniel a olha, percebe que ela estava toda produzida… E eles não iam sair para lugar nenhum. Estava obviu o que Débora queria. — Está bonita sim. — Ele responde sorrindo fracamente.

– Só bonita? — Se irritou. — Eu esperava um linda! Maravilhosa…

– Hm. — Ele continuava vendo algumas fotos, Débora aproximou seu rosto e começou a ver as fotos junto com o noivo. — Então esse é o Diego?

– É! — Ele sorri de verdade. — Meu filho.

– Ah. — Ela pega uma foto para observar melhor, torçe os lábios, se mostrando um pouco seca. — Até que ele é bonitinho, era…

– Essa foto ele está sério! — Daniel pega a foto das mãos de Débora. — Vê essas.

Débora viu com mal vontade, mas não conseguiu se aguentar, ela acabou sorrindo com elas, via os olhos grandes que ele puxou de Julie, porém, com a cor mais escura, igual aos olhos de Daniel, o cabelo enroladinho meio castanho claro… A pele clarinha e os dentinhos que começavam a nascer… Dando mais vida ao sorriso grande — Tá bom, ele é uma graça! Ele é lindo!

– Lindo é pouco! — Daniel ergueu a cabeça. — Meu filho é um galã!

– Hm, mas porque está vendo as fotos dele?

– Não sei. — Deu de ombros. — Me deu saudades dele… O que me resta agora são só fotos. — Respondeu cabisbaixo.

– Que chato, deve ter sido difícil para você… Perder o primeiro filho.

– Ainda está sendo, está sendo muito dificil. — Estalou a língua e suspirou. — Mas preciso me conformar.

– E pra se conformar… Precisa parar de ver as fotos, né?

– Não. — Ele responde, sério. — Apesar dele estar morto, ele ainda é o meu filho e eu continuo vendo as fotos sim. Nunca vou me desgrudar delas!

Débora riu. — E a Julie?

– O que tem ela?

– Foi difícil para ela perder o filho?

– Foi muito dificil. — Ele respira fundo pensando nas lembranças. — Ela entrou em depressão. — Débora arregalou os olhos, não esperava ouvir isso. — Passava dias e dias na cama, não queria sair para ver ninguém, não se alimentava, estava emagrecendo e só pensava no bebê. Eu cuidei dela, mas ela ainda estava muito seca. Parecia que… Tinha se desligado do mundo. — Abaixou a cabeça, pegando mais algumas fotos do bebê. — Ela se separou de mim porque estava com depressão, não pensava direito… Só… ‘’Queria ficar sozinha.’’ Então se separou de mim, mas acho que ela ainda me ama.

– Hm. — Débora ignorou as palavras dele. — E ela ainda tem fotos do bebê?

– Tem sim, mais do que eu.

– Nossa, m-mas… A Julie? Do jeito que é paranoica tem foto do filho morto?!

– Ele pode estar morto materialmente, mas para nós, os pais do Diego, ele ainda está vivo.

– Ah, então ele é uma assombração, entendi. Até me arrepiei aqui… Cruzes…

– Chega… Não dá para conversar com você. — Ele puxa o braço da noiva com força. — Saia do meu colo. Vá perturbar outra pessoa, me deixe quieto!

– Eu estou te perturbando?! É você que está me perturbando! Será que não cansa de ver… — Ela pegou o album de fotos e jogou com força no chão. — TANTAS FOTOS!

Daniel se levanta irritado, pega as fotos e o album que Débora tacou no chão. Algumas fotos até amassaram, o que o deixou ainda mais irado. — Vou pra casa! — Ele anuncia, seco.

Débora segura o seu braço e passa a mão pelo rosto do noivo. — Não entende? — Agora seu tom de voz mudou: Estava mais calmo e fraco. — Eu só quero passar uma noite com você…

– É? — Ele sorri torto. — Porque não pega algumas fotos minhas pra matar a saudade?

– Não. — Ela ri, balançando a cabeça. — Você não me deu esse fora…

– ... — Daniel mordeu os dentes e segurou com força o pulso de Débora, estava dominado pela raiva e não controlava suas atitudes. — Sei que está com raiva da Julie, mas não desconte a sua raiva no meu filho. Ele não tem culpa!

– E-e… É v-você q-que... e-stá com ra-iva de m-im!

– Eu não estava até você tacar as fotos dele no chão como se fosse lixo!

– Eu me arrependi. — ‘’ Dá próxima vez eu queimo. ‘’ — Me desculpa!

Ele fechou os olhos com força, sentindo uma leve dor de cabeça, não queria se aborrecer com a Débora, eles tinham acabado de se reconciliar de uma briga e ele realmente não queria começar outra.

– Tudo bem. — Ela sorri com isso. — M-mas… Eu vou para casa… — Ele solta o seu pulso e abre a porta da sala. Passa pela varanda e pelo quintal.

Até chegar na calçada.

Débora corre atrás dele. — Dani! — Vê seu noivo subir na moto. Ele apenas acenou com a mão antes de dar a curva e sumir em meio as ruas. — VOLTA! VOLTA AQUI AMOR!

– Cala a boca ai po! — Um visinho gritou de volta e Débora amarrou a cara.

[...]

Julie terminou de se arrumar, pegou alguns livros e partiu para mais um longo dia de aula. Ela precisou fazer trabalhos extras pois graças a Daniel, Julie não conseguiu concluir a apostila. Chegou na sua classe, chegou cedo para começar a fazer seus trabalho sossegada.

Olhou para cada carteira vazia. Caminhou até a do fundão, perto da janela. Se sentou ali, abrindo três livros e dois cadernos. A mesa era grande, dava para colocar muitas coisas, e embaixo de cada mesa tinha um notebook.

Ela pegou o seu. Abriu, e começou a estudar.

Mas a matéria era bem cansativa, o que a deixou completamente entediada. Estava sozinha ali, naquela grande sala cor de creme. Olhou para a lousa, que anunciava a data do provão. Apoiou sua cabeça com o cotovelo e se virou para a janela, era um pouco mais de seis horas da manhã. Estava frio, mas o Sol começava a surgir.

Reparou em uma amendoeira grande, onde as folhas começavam a cair lentamente, sujando a grama verdinha do campos. Ela sorriu.

Tinha lindas lembranças com amendoeiras. Lá foi onde aconteceu seus melhores beijos.

~Flash back On ~

Era o segundo ano no colégio para Julie e o terceiro ano para Daniel. No ano passado ele fez uma das maiores loucuras pela Julie: Repetiu de série apenas para ficar na mesma classe que a namorada nesse ano, afinal, Daniel era um ano mais velho que Juliana.

E deu certo. Eles eram da mesma sala agora, o que fazia os dois passarem mais tempo juntos. Além de namorados eram muito amigos, contavam tudo um para o outro. Ambos confiavam um ao outro de olhos fechados.

Thalita era da mesma classe que os dois, porém, depois do que aconteceu no ano passado com ela, a loira resolveu deixar os dois em paz. Pelo menos era isso que ela pensava enquanto não encontrava outra pessoa para ajudar a separa-los.

Sim, ela ainda era louca por Daniel, além de ser louca por ele, era louca por vingança. Ela sentia um amor vingativo por ele. Queria que Daniel pagasse pelo que fez no ano passado.

Já estavam no segundo bimestre do colégio. As provas e trabalhos escolares começaram a apertar. Praticamente todos os professores passaram pesquisas em grupos, valendo até dez pontos. — Vamos fazer juntos, né? — Julie perguntou só para confirmar.

Daniel olhou para ela e deu um sorriso torto. — Claro. — Disse apertando o queixo da namorada, que riu. Ela deitou a cabeça no ombro dele e ficaram assim enquanto escreviam no caderno.

O diretor chegou, junto com um aluno. Pediu silêncio para toda a classe e até a professora se calou, dando espaço para o diretor.

E autoritário, ele disse: — Alunos. Hoje é o primeiro dia do segundo semestre, o colégio está ganhando alunos novos e um deles ficará aqui. — Dizia e todos ouviam, atentos, exceto Julie, que ouvia música e rabiscava na mesa. — Esse é o Nicolas.

Depois de ser apresentado, Julie levantou o rosto. Se soltando de Daniel, olhou para o tal novo aluno. E ele também fixou os olhos nela.

Daniel percebeu aquela troca de olhar, porém, fingiu que nada estava acontecendo.

O moreno continuava olhando para Julie, enquanto a mesma pensava. ‘’Acho que já vi esse rosto antes...’’ Nicolas também tinha o mesmo pensamento.

O diretor saiu, deixando o novo aluno parado, na frente de classe.

– Procure um lugar e sente. — Pediu a professora tocando no seu ombro.

Nicolas acordou e deixou de fitar Juliana para se sentar.

Caminhou até uma mesa, enquanto passava Daniel olhou para ele com uma cara de poucos amigos, mas disfarçou quando sentiu as mãos de Julie segurando as suas. — Amor… — Julie beijou o seu rosto. — Tem Diamante Negro aí?

– Não. Acabou. — Disse um pouco seco.

– Acabou? — Ele sempre trazia chocolate. — Mas…

– O que achou do aluno novo? — Ele interrompe.

– Ah. — Ela sorriu fracamente. Daniel escondeu a raiva que sentiu daquele sorriso. — Acho que ele parece ser legal. Por quê?

– Ele ficou olhando muito para cá… — Sussurrou.

– Vai ver ele achou a gente legal também.

– Ficou olhando muito para você. — Resolveu ser mais expecifico. — E você ficou olhando para ele.

– O que isso tem a ver?

Ele suspirou. Estava sendo um idiota. Não entendeu o que ouve com ele, mas de cara não gostou do tal aluno novo. — Desculpe. — Ele sorri e Julie sorri junto. — Não é nada. — Beijou rapidamente seus lábios, felizmente ninguém percebeu.

Julie pensou em fazer uma pergunta, afinal, o comportamento dele era um pouco estranho. ‘’Será que é ciúmes?’’ Daniel nunca sentiu ciúmes de nenhum homem. E olha que Juliana tinha muitos amigos. Martim, Félix, Valtinho… Mas Daniel não se importava, talvez por serem seus amigos também. — Está com ciúmes? — E o seu pensamento virou uma pergunta.

– Longe disso… — Ele sussurra balançando a cabeça. — Eu só achei que esse cara ficou olhando muito para cá, só isso. — Pausou, desconversando, não queria ser o ‘’ciumento’’ então colocou a culpa no novato. — Ele olhou para mim com uma cara feia…

– Sério? Não reparei. — Se zangou. — Eu em! Quem ele pensa que é pra te olhar assim?

– Mas em fim, vamos fazer a pesquisa de história juntos, certo? — Muda de assunto.

E Julie não percebe, apenas responde. — Lógico amor. E essa é uma ótima desculpa para a gente passar mais tempo juntos. — Daniel concorda com a cabeça. Esses dias seu pai veio para Campinas, visitar sua filha. E como Raul não gostava de Daniel, ele preferia que a filha passasse menos tempo com o namorado e mais tempo com ele. Mas não era o que Julie queria. — É só eu chegar no meu pai e falar que tenho algumas pesquisas pra fazer, ele não vai fazer questão. — Ela explica e sem querer vira o rosto para a mesa do fundão, onde costumava se sentar antes de conhecer Daniel.

Lá estava Nicolas, e antes de Julie o encarar, ele já olhava em direção deles.

Daniel levou o olhar para lá também e Nicolas virou o rosto para o lado. Daniel juntou as sobrancelhas e fez uma expressão estranha, uma expressão que Julie não percebeu.

Virou o rosto para frente de novo. Estava perturbado com isso.

– Porque esse cara tá olhando tanto pra cá? — Ele pensa alto. — Julie!

– Hã? Oi? — Se virou para Daniel, o viu sério. — O que?

Ele não responde, se levanta do seu lugar, chega na mesa da professora e pega um passe para ir ao banheiro.

Julie se preocupou com a reação do namorado e foi atrás. Também pegando um passe e saindo sem permissão da professora.

A morena correu, conseguiu alcançar Daniel no corredor. — Dani. O que houve com você? — Perguntou segurando o seu braço.

Eles pararam no corredor. Daniel bufou e se soltou. — Daniel! — Ela grita preocupada. — Para!

– Quero saber qual é o problema dele! — Estava nervoso, Julie nunca tinha o visto assim. — Chegou olhando para a nossa mesa e tava olhando até agora! O que ele viu lá? Ele perdeu alguma coisa?!

– Deixa para lá! — Ela grita de volta e de repente os dois se acalmam. Julie toca no seu rosto. — Se você quer saber, só fiquei olhando para ele porque acho que eu conheço ele de algum lugar. E deve ser por esse mesmo motivo que ele ficou olhando para a nossa mesa, qual é o problema? — Ele se calou. Julie continuou alisando o seu rosto e com a outra mão, ela brincava com os seus cabelos. Sabia que isso sempre o acalmava. — Tá tudo bem.

– Eu fui um idiota.

Ela sorriu fracamente. — Esquece isso.

– Não. — Ele balança a cabeça. — Não quero que pense que eu tenho ciúmes. — Queria mostrar que não sentia ciúmes. Daniel achava que só os fracos sentiam ciúmes. — Pode ser amiga dele. Eu não me importo.

– Então vamos voltar para a sala. — Ela segurou sua mão e guiou Daniel pelos corredores.

Logo os dois entraram na sala de mãos dadas. Thalita viu aquela cena e mordeu seus dentes com raiva, batendo seu salto com força no chão. Causando uma certa dor no seu pé. Nicolas também compartilhava o mesmo sentimento que Thalita, porém, sentia mais tristeza do que raiva. ‘’ São namorados… ‘’ Ele pensou, agora com toda a certeza, afundou seu rosto entre a mesa e o caderno.

Ficou assim o restante da aula.

Até que o sinal tocou, Daniel já estava mais calmo pois toda a vez que olhava para a mesa do aluno novo o via de cabeça baixa. ‘’Deve estar passando mal, tomara que vá embora...’’ — Ele pensa com um sorriso diabólico no rosto. — Amor, me ajuda com esses livros? — Julie pede e ele muda de expressão rapidamente, faz uma carinha meiga e balança a cabeça, Daniel parecia um diabo vestido de cordeirinho. Ele leva alguns livros da namorada nas mãos, já que Julie tinha a mania de andar sem mochila, bolsa…

Eles desceram para o intervalo de mãos dadas, como sempre faziam. Andavam tão juntos que todos do colégio, inclusive os professores, sabiam que eram namorados.

Caminharam até uma amendoeira grande, de folhas avermelhadas, Julie se sentou sorrindo. Puxou o braço de Daniel o que fez os livros caírem pelo gramado. Ele caiu se sentando ao lado dela, se abraçaram enquanto riam. Ele passou seu braço pelo ombro dela, Julie segurou sua mão e entrelaçou seus dedos.

Bia desistiu dos estudos depois que teve a bebê. Não conseguiu terminar o ensino médio pois agora só cuidava da filha e da nova casa que Félix comprou depois que se casaram. Félix também parou de estudar para focar na família e no trabalho. Martim, um outro amigo dos dois, passou de série no colégio e já não era da turma de Daniel, por isso não se falavam muito no intervalo.

Julie pegou seus fones de ouvido. Colocou um nela e outro nele. Beijou o rosto de Daniel e ele sorriu, porém, seus pensamentos ainda estavam longe, por algum motivo, Daniel não foi com a cara do novato.

– O que achou da aula hoje? — Ele pergunta.

Juliana virou o rosto para o namorado, certamente estranhando aquele tipo de pergunta. Não falavam muito sobre colégio… Afinal, tinham muitas coisas em comuns e muitas coisas mais… Importantes para conversar. Mas Daniel queria ver se Julie ia passar no ‘’seu teste’’. Se Julie falar algo sobre o novo aluno… Ela é ‘’reprovada’’.

– Acho que foi legal. Menos a parte do trabalho em dupla, logo no fim de semana, que chato. — Reclamou.

– Ah. É. — Ele concorda um pouco desanimado, se sentiu mal em achar que Julie notaria o aluno novo tanto quanto ele notou. — Você passou. — Ele pensa alto.

– Passei em quê?

– Oi? N-nada.

– Você está muito estranho. — Julie tirou os fones. — Fala. — Mordeu seus dentes.

Sem pensar duas vezes, ele toca no rosto da amada e rouba um beijão. Julie pensava na resposta… Porque Daniel agia assim?

Mas quando começou a sentir aquele beijo ela viajou… Fechou os olhos, pousando suas mãos na nuca dele. Dessa vez Julie não se importava com as regras, era proibido beijar na escola, mas o beijo estava tão bom que seria impossivel se soltar.

Daniel também começou a sentir a química naquele beijo, suas línguas se tocando. Seus corpos se colando, era como se a lei da física não existisse… Pois sentiam que seus corpos ocupavam o mesmo espaço. Seus lábios se encaixavam perfeitamente. Como peças de um quebra cabeças. Ele também fechou os olhos, os beijos de Julie conseguiam acalma-lo de uma maneira sobrenatural. Ele já não pensava em mais nada a não ser nos dois.

Viraram seus rostos, ainda aproveitando o beijo. Julie sentiu a mão do namorado no seu joelho, mas estava curtindo de mais aquele momento para fazer alguma coisa. A mão dele foi subindo, alisando sua coxa.

O ar se fez necessário, terminaram o beijo mas ainda estavam com os rostos próximos e as testas coladas. Sorriram juntos. — Oi mão boba. — Ela disse corando e afastando as mãos de Daniel dali.

Depois daquele beijo, ela até tinha se esquecido o que ia perguntar. Olhou para os lados, tentando disfarçar seu rosto vermelho.

Até que Julie avistou o novo aluno, ele perambulava pelo pátio do campos, andava para um lado, para o outro, cabisbaixo, parecia perdido, solitário… — Amor, olha! — Julie fez Daniel acompanhar seu olhar.

Ele avistou o rapaz e tentou não amarrar a cara. — E daí?

– Sei lá amor, eu achei ele legal… Posso ir lá falar com ele?

Daniel sorri torto para disfarçar a raiva que sentiu com aquela pergunta, virou o rosto para o lado e cruzou os braços. — Não precisa dar esse sorriso falso! — Ela reclama. — Esquece, eu sei que você não confia em mim…

– Confio, claro que confio! Eu só não confio nesses caras! E se ele tentar te abraçar? Ou te cantar?

– Vem comigo então, vamos juntos, eu aproveito e falo: ‘’ Oi, esse é o Daniel, meu namorado. ‘’ — Julie sorriu. — Vem amor. — Insistiu.

‘’Não quero que ela pense que eu sou o ciumento...’’ — Não. — Daniel dá um sorriso sincero. — Pode ir você.

– Ah, tá bom! — Ela se levanta. Encara Daniel que ainda está sentado.

– Você vai voltar né?

– Claro amor! — Ela se abaixa e lhe dá um selinho rápido. — Volto daqui a dez minutos. — Não deixaria de passar o intervalo com Daniel.

Ele assistia sua namorada se distanciar, descer o gramado e ir até o pátio do campos. Viu Julie chegar e falar com o novo aluno. Ele resolve então virar o rosto para o outro lado. Não suportava ver Juliana com aquele cara…

Passou-se trinta minutos depois que Julie foi falar com o novato. Estavam longe de Daniel, mas o loiro conseguia vê-los.

Estava aborrecido.’’ Como a Julie me trocou pra andar com ele? ‘’ — Ele via os dois rindo, sentia o ódio e o ciúme subir sua cabeça. ‘’ Disse que voltaria depois de dez minutos… ‘’ — Ele escuta o sinal tocar, sente mais raiva. — ‘’ Passou o intervalo inteiro com ele. ‘’ Daniel se levanta.

Pensa em deixar os livros e cadernos de Julie ali mesmo. Mas não conseguiria fazer isso com ela.

Ele suspira, se agachando e pegando livro por livro. Dá mais uma olhada para o pátio, lá estavam os dois. ‘’ Eles conversam como se fossem íntimos…’’ Daniel não estava apenas com raiva do novo aluno. Dessa vez ele sentia raiva da Julie também. ‘’ O que o pessoal do colégio iam achar? Vendo a minha namorada correndo atrás dele? ‘’

Daniel desceu do gramado, chegou no pátio e fez questão de passar perto deles, porém, Julie estava de costas e não o viu. Já o novato, encarou Daniel um pouco estranho e ele o imitou. — Então… O sinal tocou e a gente tem que subir agora. — A voz de Julie despertou os dois.

Daniel se infiltrou em meio aos outros alunos, subiu as rampas segurando os livros de Julie.

Chegou no corredor. — Que merda… — Ele reclama.

Viu que Thalita vinha em sua direção.

– Nossa, eu vi a Julie com o Nicolas. — A loira se aproximou.

– Ah, o nome do cidadão é Nicolas?! — Daniel responde indiferente.

– É sim, não ouviu o diretor falar?

– Eu não prestei muito a atenção nesse cara. — Ele continuava caminhando e Thalita o seguia.

– Prestou sim, eu vi você olhando muito para ele no intervalo. — Ela ri enquanto lixava as unhas.

– E você? Não tinha mais nada importante para fazer do que me espionar durante o dia?

– Desculpa lindo. — Ela sorri tocando nos seus cachos, mas Daniel se afasta. — É que eu achei estranho… Você sem a Julie… Ela te trocou né? — Thalita fazia questão de deixar o loiro ainda mais irritado.

Daniel não respondeu. Passou a ignora-la quando entrou na classe. Colocou os livros de Julie em cima da mesa, pegou seu material e sua mochila. Estava com tanta raiva que não suportaria se sentar com ela.

Passou por algumas mesas ainda vazias, porém, com os livros e cadernos dos colegas de classe.

Encontrou uma cateira vazia, se sentou, sem disfarçar a cara amarrada, começou a mexer no celular. Aos poucos os alunos começaram a entrar. Chegou Thalita com suas amiguinhas, Valter com seus colegas e logo atrás mais alguns alunos e Julie… Com Nicolas.

Daniel mordeu seus dentes, mas continuou mexendo no celular. Os dois não conversavam, apenas se sentaram nas suas mesas.

Julie franziu a testa ao ver que a mesa ao seu lado estava vazia. Olhou para os lados e notou que Daniel estava sentado do outro lado da sala. Ela não entendeu. Tinha se esquecido completamente que ia passar só dez minutos conversando com Nicolas e depois voltaria para ficar com Daniel.

Ela se levanta. Thalita e Nicolas focaram na morena, os dois sabiam que Daniel estava irritado e torciam para rolar uma DR ali mesmo. Julie chega por trás do rapaz, tampando os olhos do mesmo. Ele não sorri, sabia que era Julie. Ela beija o seu rosto mas Daniel pega as suas mãos, libertando seus olhos. Juliana suspira. Arrastando a cadeira e se sentando ao seu lado, Daniel continua com uma expressão séria e aborrecida no rosto. — Você me disse que eu poderia ir falar com ele… — Tenta se explicar.

– Não o tempo todo! Não o intervalo inteiro!

– Sch, por favor… Fale baixo. — Ela sussurra.

Daniel ignora o pedido da namorada. — Todo mundo notou que você me deixou para ir lá falar com ele! — Nicolas levanta a cabeça, sabia que Daniel falava dele. — Fiquei que nem um idiota te esperando, pensei que ia voltar!

Ela o abraça e Daniel não retribui, Julie levanta o rosto e beija o seu queixo. Ele continua sério. — Me perdoa Dan, por favor. Eu disse para ele que você é meu namorado. — Ela sussurra a última frase.

– Se você disse foi porque ele perguntou. Certo? — Daniel rosnou.

– Para! O que tem de mais ele perguntar?!

– É porque você é muito ingênua para perceber! Mas ele está afim de você! Não entende?!

Ela suspira. — Daniel, mas eu gosto de você! Só de você amor, de mais ninguém! — Ela diz tocando no seu rosto, Julie sorri. — E o que vai acontecer se eu pegar meu material e me sentar aqui com você, hein? — Ela beijou seu rosto.

Daniel recoloca os fones. — Ai eu pego as minhas coisas e volto a me sentar longe de você.

~Flash Back: Off ~


Notas finais
O que acharam? Daniel está fazendo uma tempestade num copo d'água ou ele está certo? E a Julie hein? Parece que ela pensa de mais nele enquanto está na Noruega... Hm...
As brigas do Daniel com a Débora estão cada vez mais frequentes...
Comentem! Beijinhos.