Corações Feridos
66 Se saudade matasse...
Notas iniciais
Mas estou avisando que não estou mt inspirada e só postei também porque já tinha esse capitulo pronto.
Eu espero que gostem, é um capitulo para deixar vocês na dúvida... Também vai ter um pouco de suspense.
Daniel chega cansado em casa, deixa a moto na calçada e abre a porta da sala. Ainda era cedo, quase oito horas da noite. Ele encontra a luz do seu quarto acessa, logo estranhou pois quando saiu fechou a porta e deixou tudo apagado.
Sutilmente, ele subiu as escadas, foi até o seu quarto e encontrou sua mãe organizando algumas coisas. Ela estava de costas para ele e não notou Daniel ali até que o mesmo tocou no seu ombro, se aproximando e tentando entender o que a sua mãe fazia. — Ah, oi! V-você… Chegou cedo… O que houve? — Ela pergunta um pouco nervosa.
– Eu e a Débora brigamos. — Ele responde. — O que a senhora está fazendo?
– Meu filho… É que… Eu estava vendo algumas coisas no seu quarto. — Sua mãe dá um passo para trás e ele encontra uma caixa de sapatos no chão.
Daniel estranhou.
Ela pegou, colocando sobre a cama, abriu e mostrou algumas cartas que rasgou. — Porque fez isso?! — Daniel se irrita. Ele pegou algumas cartas. Ainda tinham o perfume da Julie… — A senhora não tinha esse direito de rasgar as cartas que ela me deu! — Ele grita furioso.
– Meu filho! É o certo! Não pode guardar lembranças de alguém que… Só te fez mal!
– Ela não me fez mal! Sempre me senti bem com ela! — Seus olhos estavam marejados. — Se ela me fizesse mal eu não estaria sofrendo pela ausência dela!
– Viu, está sofrendo! — Ela revida. — Aposto que ela só foi para a Noruega só pra te fazer sofrer!
Ele jogou a caixa de sapato no chão, espalhando os papeis picados pelo quarto. — Eu vou sair! — Ele anuncia, ainda irritado.
Mas sua mãe segura com força o seu braço. — Olha aqui Daniel, se você for beber de novo você não pisa mais aqui nessa casa! VÁ MORAR EM OUTRO LUGAR!
Ele encarou os olhos de sua mãe com aquela ameaça, ela também se acalmou ao notar o olhar triste do filho, soltou seu braço e respirou fundo. Porém, não retirou o que disse.
Daniel pensou que sua mãe estava o expulsando. — Eu queria mesmo encontrar um apartamento. — Ele responde, seco. Sua mãe sente uma pontada de culpa invadir seu peito e antes que pudesse fazer algo para impedir, Daniel sai do seu quarto levando apenas sua carteira e seu celular.
‘’ Ele vai voltar. ‘’ — Era o que sua mãe pensava, mas viu que Daniel desceu as escadas e abriu a porta da sala.
Do quarto, ela correu e o seguiu gritando. — VOLTE AQUI!
Mas ele ignorou.
Ela desceu as escadas quase tropeçando nos próprios pés, agora faria de tudo para conseguir se desculpar com o seu filho e dizer que a casa dela sempre será sua.
Porém, além de magoado, Daniel também estava irritado com o que sua mãe fez: Rasgou as únicas lembranças que ele tinha da Julie. Palavras que vinham do coração dela, cheia de sentimentos que significavam muito para ele. Afinal, foi com aquelas cartas que Julie mostrou seu afeto, seu carinho e seu amor por Daniel, coisa que agora ele não recebia mais dela, pelo menos era isso que ele achava.
Antes que sua mãe falasse algo, ele acelerou com a moto. Ela chegou na calçada, mas só conseguiu ver seu filho virar a esquina e sumir em meio as curvas fechadas que ele fazia. Ela suspirou, pensou em ligar para seu celular e pedir desculpas. Mas achou que ele não ia atender pois estava dirigindo.
A única coisa que lhe restava agora era voltar para dentro e terminar de rasgar as cartas.
‘’ Isso tudo é sua culpa, Juliana. ‘’ — Ela pensava enquanto rasgava o restante das cartas.
Pegou uma e tentou rasgar, porém, o envelope era um pouco duro… Não parecia ser papel.
Sua curiosidade foi maior, ela abriu o envelope de qualquer jeito, mas não escondeu o sorriso quando viu que o que tinha dentro era uma foto. Estava um pouco rasgada pela sua tentativa sem sucesso de fazer aquela carta em pedacinhos.
Ficou alguns minutos encarando aquela foto. Eram os dois abraçados. Daniel e Julie estavam com um sorriso grande estampado no rosto. Não era uma foto muito antiga, porém, também não parecia ser tão recente…
Era da formatura do colégio. Bia foi quem tirou a foto.
Não dava para notar o brilho nos olhos deles. Eram lindos juntos e isso até a mãe do Daniel precisava admitir.
Suspirou, olhando para o quadro no quarto do seu filho. Lá estava uma foto grande do seu primeiro netinho homem, o Diego. Ela revesava em olhar para o quadro ou para a foto dos dois. Se sentiu um pouco chateada, apesar de sentir uma raiva incomum pela Julie, ela também sabia que Juliana fez seu filho muito feliz.
Ela não era uma pessoa ruim, sempre tiveram um bom relacionamento… Um relacionamento saudável, quase não havia brigas e Julie não era o tipo de garota ‘’safada’’, nunca traiu o Daniel e de todas as namoradas que ele teve, ela foi a quem mais o amou.
– Tá bom… — Ela sussurrou. — Essa foto eu não rasgo, só pelo meu filho. — Ela disse se levantando e deixando a foto perto do abajur.
Enquanto isso, Daniel já estava no bar. Ele pegou seu celular, aproveitando que ainda não estava bêbado. — É só o terceiro copo… — Ele resmungou digitando o número no seu celular. Colocou no ouvido, esperava enquanto bebia mais um pouco. — Alô?
– Daniel? — Débora atende. — Oi amor.
– Oi. — Sua resposta foi fria. — Liguei para te avisar que… Não dá mais. — Balançou a cabeça.
– Eu sei. — Ela concorda. — Nós precisamos parar de brigar meu bem!
– Não é isso. Você não entende… — Suspirou, bebendo mais um gole. — Eu não posso mais te enganar, acontece Débora que eu não sinto nada por você. — Começou. — Ou se sinto, não é nada comparado ao meu amor pela Julie.
– COMO PODE DIZER ISSO?! — Ela berrou com força, ele até afastou o celular do ouvido e alguns homens que estavam ao seu lado conseguiram escutar o grito. — Não percebeu ainda Daniel?! Se ela foi para a Noruega foi porque queria ficar bem longe de VOCÊ!
– Eu sei. — Ele fechou os olhos. — Eu sei disso tá bom?! — Se sentiu triste. — Mas… Não muda nada. Pelo menos não para mim. E-eu não podia mais te enganar, não posso me casar com alguém que eu não amo.
– Você está falando de mais! Isso tudo é lorota da sua cabeça! Está ficando louco que nem a Julie!
– Estou sendo sincero!
– Eu não vou desistir de você…
– Ótimo, não quer desistir não desista. M-mas… Não te garanto que você consiga me conquistar.
– Eu não entendo como a Julie pode ser tão IDIOTA!
– Não fale assim dela!
– Eu falo sim, porque você corre atrás dela que nem um trouxa e ela não está nem ai pra você! — Revida, furiosa. — Ou melhor, o idiota da história é você Daniel. Que mesmo depois da separação ainda não se esqueceu dela!
Ele desliga na cara de Débora depois do desaforo. Estava mais do que triste e dessa vez não era só pela Julie. Era pela Débora e por sua mãe também.
Daniel apoiou sua cabeça com o cotovelo em cima do balcão, puxa com força seus cabelos. Só se perguntando porque? Porque tudo isso? Sempre foi bom para todos, sempre foi uma boa pessoa (Menos para o Nicolas) e agora estava passando por essa situação complicada.
Sofria mais sem a Julie do que com a Julie.
Saiu do bar as dez, ainda conseguia se manter em pé quando subiu na moto. Ele girou a chave e não percebeu que pressionava o acelerador. A moto acelerou com força mas ele conseguiu frear a tempo. — N-no-ssa. — Ele olha impressionado para a BMW branca. Por pouco ele não bateu com a moto. Daniel riu. — Ac-cho mel-hor… coloc-ar o capacete! — Ele pega o capacete perto do guidão. Solta uma das suas mãos para colocar.
Acaba dando ré com a moto. Quase batendo em um outro carro. Percebeu então que estava do outro lado da rua. — Que e-stra-nho. — Riu de novo. — E-eu tenh-o que ter o c-control-e… — Do nada, lembrou das vezes que Julie o alertou dos perigos da moto.
‘’– Porque não gosta de motos? — Daniel pergunta.
– Já disse, porque é perigoso amor. Nunca se sabe quando pode acontecer alguma coisa.
– É para isso que servem os capacetes.
– Em primeiro lugar, se a moto fosse mesmo algo legal e seguro, não ia precisar de capacete, e em segundo lugar… Eu tenho medo, não quero que nada aconteça com você Dan. E com moto não se brinca. — Suspirou, controlando as lágrimas. — Eu juro, se algo ruim acontecer com você… Eu… Não sei o que eu faço… ‘’
Ele sorriu fracamente com as lembranças, olhou para o céu escuro e nublado. — Meu amor… Sempre preocupada comigo. — Desfez o sorriso. — Noruega... — Suspirou.
E quando se deu conta, ele já andava na moto. Precisava frear algumas vezes, apoiando seus pés no chão para ter mais equilíbrio com a moto. As ruas estavam movimentadas essa noite e ele se deu conta disso.
Não sabia o que fazer. Não queria por os pés na casa da sua mãe. Queria encontrar algum lugar para fica, pelo menos essa noite. ‘’Beatriz.’’ — Ele sorriu com seus pensamentos, sua irmã seria a melhor pessoa para ajuda-lo nesse momento.
Sem pensar duas vezes, Daniel acelera atravessando uma rua que era ligada a uma estrada. Esse bar era longe da casa de Bia, porém, felizmente ele sabia o caminho.
Diferente das ruas, a estrada parecia bem mais calma. Passavam só alguns carros, dava para contar nos dedos. Parecia até deserta.
O que deixou Daniel mais a vontade para acelerar mais com a moto, não queria chegar tarde na casa de Bia e incomoda-la.
Mas ainda se sentia tonto, as vezes via tudo girando e perdia o controle da moto por alguns segundos.
Dirigia à oitenta quilometros por hora em uma pista de sessenta. Se estivesse sóbrio não iria desrespeitar as leis de trânsito.
Ele sente seu bolso vibrar, seu celular tocava, sua mãe quem ligava. Mas ele pensou apenas em uma pessoa. Estava bêbado de mais para pensar melhor… — Julie… — Ele sussurra. Por um momento achou que ela não estava na Noruega e sim em Campinas.
Daniel se virou para pegar o celular. Porém, ele não repara que um carro vinha em sua direção. Ele só vê uma luz branca e forte em sua direção, era o farol. Já não dava mais tempo para desviar. Os dois se chocaram e Daniel sente seu corpo no chão, batendo forte com as costas e logo depois com a cabeça.
E tudo fica escuro.
O motorista consegue parar no gramado da estrada. Junto com a sua filha única, de dezesseis anos. Os dois usavam cinto de segurança e sofreram apenas alguns arranhões. Ele analisa o estado do seu carro primeiro.
Enquanto sua filha corre em direção ao rapaz estirado no chão. — Moço! — Ela grita enquanto corria mancando um pouco. Se aproxima de Daniel e vê sangue. Leva as mãos à boca, estava trêmula e assustada. — Pai, vem ver ele! — Grita gesticulando com as mãos.
Seu pai corre e se aproxima de Daniel. Ele usava capacete e os dois não sabiam se estava acordado ou não. O homem se agacha e retira o capacete de Daniel. Ele estava com os olhos fechados e saia sangue pelo seu nariz e testa, perto da cabeça, ensopando seus cabelos. Sua filha se agacha no asfalto da estrada. Tentava acudir Daniel para ele acordar. — Vou ligar para a emergência. — Seu pai pegou o celular e começou a discar o número.
Se afastou da filha para falar mais a vontade no celular.
– Moço, moço acorda… — Ela alisou seu rosto mas Daniel não reagia. Desceu sua mão para o pescoço dele, tentando encontrar a veia que era ligada ao coração. Suspirou.
Ainda batia forte.
Bella olha para o corpo imóvel de Daniel, tentava encontrar mais alguns machucados. Acabou encontrando um ematoma no braço. Estava nervosa, sentia que esse não era o único ferimento que ele tinha. A jovem levantou a blusa de Daniel, encontrou mais, porém, poucos ematomas pela barriga e se desesperou. Passou a mão em seus cabelos lisos e avermelhados.
Avistou uma tatuagem no pulso dele que dizia Julie:. ‘’Será que é a mãe? Esposa? ‘’ — Ela se perguntava.
– Consegui ligar para a emergência, eles estão a caminho. — Seu pai se aproxima. — Você está bem?
Ela suspira. — Só minha perna, dói muito. — Ela passa a mão pela perna esquerda, sente seu joelho um pouco inxado e uma grande dificuldade de se levantar. — Pai, estou nervosa! — Ela era muito sentimental. — Tadinho, ele… Se machucou feio!
– Ele estava bêbado! Te garanto, não foi culpa nossa! — Seu pai tocou no seu ombro e ela abaixa a cabeça, ele tentava tirar o ‘’peso’’ da consciência de sua filha, os dois olham para Daniel que não dava nenhum sinal de reação. — Mas é um rapaz jovem… — Ele balança negativamente a cabeça.
– Ele vai morrer? — Sua filha arregalou os olhos.
– Não querida… — Responde, um pouco na dúvida. — Precisamos encontrar algum parente dele, é o mínimo que podemos fazer!
– Acho que quando levantei a blusa dele, vi… No bolso da calça… Alguma coisa, deve ser a carteira, ou o celular!
Seu pai assentiu se agachando, levantou a blusa de Daniel e sua filha apontou para o bolso mais ‘’cheio’’ da calça. Ele pega e encontra o celular e a carteira. Ele entrega o celular de Daniel para sua filha, que rapidamente procura os contatos.
Enquanto Augusto revirava a carteira. Encontrou alguns documentos. — Daniel Castellamare… — Ele sussurrou. — Vinte e dois anos. — Estalou a língua, visivelmente chateado. Era mais jovem do que imaginava.
– Pai, vamos ligar para essa Julie! O nome dela está em uma tatuagem no pulso dele, deve ser alguém da família!
Ele pega o celular. — É melhor ligarmos para a mãe. — Disse depois de avistar o número.
[...]
Enquanto isso, longe dali…
Ainda eram onze horas da manhã. Julie ainda pensava nos momentos que ela teve com Daniel. Sentia uma saudade bater no seu peito.
Nem prestou a atenção na aula, apenas abaixou a cabeça, ainda encarando a amendoeira.
Voltou a relembrar.
~ Flash Back On ~
Era um sábado ensolarado, infelizmente um sábado que os dois deveriam desperdiçar fazendo um trabalho chato de história em dupla. Julie combinou que iria na casa de Bia para fazer o trabalho com o namorado, já que seu pai ainda estava na sua casa de visita por alguns dias.
E seu pai e Daniel não se picavam muito bem.
Ela tocou a campainha. — Oi amiga! — Bia atende abraçando Julie, ela retribuiu um pouco, pois estava com as mãos ocupadas segurando livros, caderno e uma apostila. — O Daniel está jogando video-game. Vai ser dificil fazer ele parar pra estudar. — Ela alertou.
– Ah, não tem problema. Ele não me trocaria pelo video-game. — Pela primeira vez Julie respondeu com confiança em si mesma.
Entrou na sala: Encontrou Félix e Daniel jogando futebol, Félix sorria alegre enquanto Daniel estava com uma expressão furiosa tatuada no rosto.
Juliana também encontrou a bebê, de um pouco mais de um ano, sentadinha no chão, brincando com algumas pelúcias.
Félix percebe Julie ali. — Ganhei! — Ele grita deixando o controle sem fio no sofá e levantando os braços, Félix não vê, mas Daniel lhe dá o dedo e sussurra um palavrão.
Julie apenas ri com aquilo. Bia chama Félix para ajudar a encher a piscina do quintal e ele deixa os dois sozinhos na sala.
Daniel voltou a jogar o tal futebol que tinha perdido, era a segunda partida seguida que ele não ganhou. Estava com raiva, concentrado apenas no jogo. Julie continuava em pé, abraçada com os livros e cadernos. — Dan? — Ela o chama mas é completamente ignorada pelo loiro.
Julie se senta no sofá. — A gente tem trabalho par--
– GOL! GOL PORRA! — Ele grita se levantando e jogando o joystick com força no chão. — ENGOLE ESSA!
– Daniel…
Ele se acalma — Oi Juh. — Sorri.
– Será que pode parar um pouco de jogar e fazer o trabalho comigo?
Ele toca no seu rosto e lhe dá um beijo rápido nos lábios. — Agora não. — Responde pegando o controle de novo.
Julie suspirou. Parece que Beatriz tinha razão, Daniel estava vibrado no jogo e nada nem ninguém conseguiria tira-lo de frente da TV. — Me dá só dez minutos amor. — Ele pede sem encarar a namorada, continuava focado no jogo.
– Tá bom! — Ela aceita, encarando seu relógio de pulso. — Dez minutos! Estou contando!
Ele assentiu, voltou a jogar. Julie continuava focada no seu relógio, contava os segundos para esse jogo terminar e conseguir um pouco de atenção do namorado. Daniel ainda estava um pouco chateado com o lance do Nicolas na sexta-feira de ontem, mas ele acabou se desculpando com Juliana quando ele a levou para casa. Trocaram carinhos e ela assegurou que jamais sentiria algo pelo Nicolas.
Daniel sorriu com aquela resposta. Mas os ciúmes que sentia da morena o fez duvidar um pouco das suas palavras.
– Daniel, já se passou dez minutos! — Ela responde. — Dez minutos e vinte e sete segundos, desliga isso! — Ela tenta pegar o controle do namorado. — Desliga amor! Precisamos terminar o trabalho! — Mas Daniel se esquivou. — É assim? — Ela sorri, tentando levar aquilo na esportiva. Fez cócegas no loiro. Ele começou a rir.
– Para, para Juh! — Tentava se distanciar. — Mas que droga! — Ele grita com raiva, o adversário fez mais um gol. Empatando a partida. — Você me atrapalhou!
– Então desliga logo!
– Agora vou jogar mais uma partida! — Ele revidou, reiniciando o jogo.
– Mas e o trabalho?!
– Quer saber? Porque não chama o Nicolas?! Ele te ajuda! Não vê que eu estou jogando?!
– Chamar o Nicolas? — Ela cruzou os braços. — Tem certeza?
– Tenho, claro. — Responde mais calmo. — Você aproveita e me apresenta a ele. Diz que eu sou seu namorado.
– Ah amor, isso é ótimo! — Julie sorriu com a ideia. — Vocês podem virar amigos né! — Daniel revirou os olhos mas não respondeu nada. — Vou mandar uma mensagem pra ele. — Julie pega seu celular.
[...]
Daniel continuava jogando quando escutaram alguém bater na porta. Ele estava nervoso com o jogo, Julie estava com medo dele ficar mais nervoso ainda com o Nicolas por perto. Mas não hesitou em se levantar do sofá e abrir a porta.
Era Nicolas. Ele chegou segurando alguns livros. Sorriu para Julie mas suspirou quando viu Daniel na sala. ‘’Pensei que seríamos só nós dois...’’ — Ele pensou entrando. — Oi Juh. — Ele dá dois beijo no rosto da morena.
Daniel olha torto mas ignora aquela cena. — Oi Nicolas. — Ela sorri, tentando ser educada. — Obrigada por vir.
– De nada! Eu nem sabia que tinha trabalho para fazer. Ia ficar sem ponto se não fosse por você.
Ela corou. — Vem… Esse é o Daniel. — Ela aponta para o rapaz sentado no sofá.
Daniel suspira, mas pausa o jogo para se levantar. — Sou o namorado dela. — Ele completa.
– É, meu namorado. — Julie concorda sorrindo.
– Hm.
– Hm.
Os dois se olham torto por alguns segundos, mas Nicolas estica sua mão para comprimenta-lo. Daniel hesita um pouco, mas aceita em comprimenta-lo. Os dois apertam as mãos. — Eu que dei a ideia de chamar você. — Daniel responde, não queria que Nicolas achasse que foi Julie.
– Ah, valeu. — Ele dá um sorrisinho amarelo.
Continuam apertando a mão um do outro. Daniel aperta sua mão com força e Nicolas o imita. — Espero que ajude com o trabalho. — O loiro disse entre dentes.
– Não vim para atrapalhar… — Nicolas responde do mesmo jeito.
– Então amor. — Julie solta a mão dos dois. — Vai desligar o jogo agora né?
– Não. — Daniel se senta no sofá de novo.
– Não?! Mas eu pensei que… Chamando o Nicolas você ia parar de jogar!
– Muito pelo contrário, mandei chamar ele para eu continuar jogando em paz. — Responde encarando a TV.
– Não Daniel, ajuda a gente!
– Ah Juh… — Ele suspira. — Eu já sei essa matéria, estudei isso ano passado… É uma chatice.
– Mas você precisa fazer com a gente.
– Ele é repetente? — Nicolas pergunta levantando uma sobrancelha.
– Sou sim, algum problema? — Daniel responde.
– Já chega. — Julie interrompe. — Vem Nicolas, vamos fazer o trabalho. — Ela puxa o braço do moreno e o faz sentar no sofá, ao seu lado.
Julie estava no meio entre Daniel e Nicolas. Ela pegou seus livros e cadernos, abrindo os mesmos e colocando sobre a mesinha de vidro, no meio da sala. Ela olha para o namorado que continua preso no jogo idiota de futebol. Julie morde os dentes. Queria ganhar atenção do Daniel mas dessa vez se sentia completamente invisível para ele.
Abaixou a cabeça. — Aqui Juh, página 159. — Nicolas tocou nos seus cabelos.
Por alguns segundos Daniel vira seu rosto para os dois, olhando torto o novato.
E Julie percebe. ‘’ O Nicolas parece querer mais atenção minha do que você… ‘’ — Ela pensa chateada. ‘’ Então é isso...O Nicolas vai ganhar mais atenção, mesmo que eu morra por dentro por dar mais carinho a ele do que ao Daniel’’
– Ah, obrigada Nic! — Responde sorrindo e apertando suas bochechas. Nicolas sorriu junto.
– Amor. — Daniel chama sorrindo. — O próximo gol que eu vou fazer vai ser pra você.
‘’Que lindo.’’ Pensou — Legal, mas eu não gosto de futebol. — Ela responde indiferente.
– Deita aqui no meu peito amor, gosto de você bem pertinho de mim. — Ele pede carinhoso.
– Daniel, estou fazendo o trabalho. — Se afastou.
Foi assim durante uma hora e meia, Daniel não sabia se prestava a atenção no jogo de futebol ou no Nicolas com a sua namorada. Julie parecia estar focada mais no trabalho do que em qualquer outra coisa. Já Nicolas, não parava de olhar para ela.
No começo ele disfarçou, mas depois não conseguiu mais. Daniel notou os olhares dele para ela. Mesmo vendo que Julie não dava confiança, ele se sentia um pouco enciumado. — Vou dar um tempo no jogo. — Ele anuncia desligando o video-game.
‘’Finalmente.’’ — Julie pensa, queria abraça-lo, carinha-lo e ficar com ele, mas não queria demonstrar muito afeto, não agora. Queria que Daniel notasse que ela ficou chateada por ele ter trocado o trabalho e ela por um jogo de futebol.
Ele se aproximou da namorada, passando seu braço por cima do ombro de Julie. Ela suspirou, sentia uma vontade enorme de deitar no seu peito e adormecer ali. Daniel deu vários beijos pelo rosto de Julie enquanto encarava torto Nicolas que estava agachado no chão, de frente para o sofá, do outro lado da mesinha de vidro. — Para Dan. — Ela acaba rindo e beijando seus lábios carinhosamente.
– Desculpe amor, é que eu gosto de te abraçar… Para todos perceberem que você é só minha. — Ele responde sorrindo torto. — Minha e de mais ninguém.
Julie sente a indireta, olha para Nicolas e ele apenas abaixa a cabeça. Disfarçou escrevendo algo no caderno. Juliana nunca sentiria nada pelo Nicolas, mas ela sabia que ele sentia algo por ela. — Amor. — Ela toca no rosto de Daniel e ele se vira, quase encostando os narizes. — Pode pegar um refri pra mim? — Daniel assentiu se levantando. — Vai querer também? — Ela pergunta para Nicolas.
Ele nega com a cabeça, ainda escrevendo no caderno.
Daniel vai até a cozinha da irmã, abre a geladeira sentindo algo diferente naquela casa: Estava muito quieto. Quieto de mais.
‘’Onde será que a Bia está?’’ — Ele se perguntava enquanto escolhia entre Pepsi ou Coca-Cola.
Sente algo puxando sua perna.
Ele olha para baixo e sorri. Era a filha de Bia, estava na época de nascer dentinhos e engatinhar. Ele colocou o refrigerante na pia e pegou a bebê no colo. Ela riu, levando a mão para o rosto de Daniel. Ele sorriu mas percebeu que Nanda segurava algo. — Me dá… — Daniel tentou pegar mas a menina ameaçou chorar. Só ai ele percebeu que era… — É o celular da Juh… — Sussurrou. — Devolve pra mim… — Ele finalmente consegue pegar o celular das mãos da bebê. Ela deita a cabeça no seu ombro, mordendo levemente o mesmo. — Hm. — O celular estava um pouco babado.
Mas ele colocou no bolso e carregando sua sobrinha no colo, levou o refrigerante para Julie.
– Viu a Bia? — Pergunta.
– Se você parasse um pouco de prestar a atenção no jogo, saberia que ela saiu com o Félix a meia hora atrás e mandou você vigiar a bebê. — Julie pega a latinha. — Obrigada.
– Hm. — Ele se senta no sofá com a bebê nos braços. — Ela está enjoada Juh. Cuida dela você.
– Eu estou fazendo o trabalho! Você vai cuidar dela e ponto!
– Aff. — Revirou os olhos, sua sobrinha ameaçou chorar. Daniel se levantou. — Vou pegar um brinquedo para ela…
– Ok. — Julie olha para os lados. — Dan, você viu meu celular?
Ele arregalou os olhos, lembrou que o celular estava com a bebê. — Não vi amor, deve estar por ai… — Responde subindo as escadas.
Chegou no quarto da irmã. Deixou a bebê no berço e pegou algumas bonecas para ela se distrair. Se sentou na cama de casal, se lembrando que Julie disse que mandaria uma mensagem para o Nicolas com o endereço da casa de Bia para terminar o trabalho. ‘’ Se ela mandou uma mensagem… É porque tem o número dele. ‘’ — Daniel vai até a caixa de entrada no celular da namorada.
Se surpreende com a quantidade de mensagens, não eram muitas. Mas foi suficiente para ele sentir ciúmes.
‘’ Desculpe pelo temperamento do Daniel. ‘’– Começa com uma mensagem dela, talvez se explicando pela reclamação que Daniel fez na sala de aula ontem.
Dois minutos depois, Nicolas responde.
‘’ Não tem problema. Já vi que ele tem ciúmes de você. rs ‘’
‘’ Rs Pior que tem sim, mas ele insiste em dizer que não. ‘’
Daniel mordeu os dentes com aquelas mensagens, mas continuou lendo.
‘’ Gosta mesmo dele? ‘’– Nicolas perguntou.
‘’ Claro que sim! Por quê? ‘’
Nicolas não responde.
Depois de quinze minutos. Julie pergunta novamente. ‘’ Oi, está ai? Por que me fez aquela pergunta? ‘’
Nicolas não respondeu mais. Passou algumas horas…E Julie manda mais uma mensagem.
‘’ Oi! Pode passar na casa da minha amiga? Tem um trabalho importante de história, e é em grupo! Me liga! ‘’
– Dani! — Ele escuta Julie gritar. Imediatamente coloca o celular de Julie no bolso, dá uma olhadinha no berço e vê que a bebê dormiu.
Ele ainda sentia raiva, mas se limitou a descer e terminar o trabalho.
~ Flash Back: Off ~
Notas finais
Mas não se preocupem... =$
Preciso de muitos comentários para me inspirar. Então, COMENTEM! Beijos.
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