Notas iniciais
Espero que gostem, amei os comentários. Mas preciso sair e só vou responder depois. :(

Se passou uma semana, desde então Daniel morava sozinho. Tentava ligar para o celular da Julie, mas a mesma não atendia. As vezes ele insistia, deixava chamar várias vezes, até cair na caixa postal. A saudade dele pela esposa e pelo filho o consumia totalmente. Ele mal conseguia trabalhar direito. Só fazia algumas coisas que seu patrão mandava, atendia alguns clientes... Apenas isso. Se sentia só, parecia estar em um estado de depressão profunda. E Thalita percebeu isso. Ela chegava toda carinhosa pra perto dele, até tentou massagear seu ombro. Mas ele não lhe dava confiança. ‘’ Não adianta, a Julie pode estar longe o que for dele... Mas ele sempre pensará nela. ‘’ — Thalita pensava. Derrotada. — Porque não esquece logo essa mulher? É melhor do que ficar sofrendo. — Disse a loira, abraçando Daniel por trás e alisando seu peito. Ele estava tão fraco e deprimido que até deixava.

– Eu amo ela, Thalita. E ela está... Sofrendo também, e-eu sei disso. — Suspirou, se virando para a secretária. — Olha, não adianta jogar charme pra cima de mim. Nunca vai conseguir nada comigo porque eu só tenho olhos para a Julie. Eu a amo mais do que tudo. — Se levantou ao ver o sol se pôr pela janela, já estava na hora de voltar para casa.

Chegando em casa, a primeira coisa que Daniel fez foi chamar por seu nome. — Julie? Julie, você chegou?! — Ele sempre fazia a mesma coisa todos os dias durante aquela semana, assim que chegava do trabalho gritava por Julie da sala.

Suspirou. E o pior é que não sabia onde ela estava. Foi até a cozinha e pegou um copo de vinho, subiu as escadas e se deitou na cama.

Acordou desanimado no dia seguinte, se sentiu pior ainda ao ver que o lado esquerdo da cama estava arrumadinho. Sentia falta de acordar ao lado de sua esposa e escutar o seu ‘’Bom dia’’.

‘’ Não posso ficar me torturando assim... Preciso dar uma volta... Quem sabe isso não me distraí. ‘’ — Ele pensou se arrumando, resolveu tomar um café na lanchonete da esquina antes de ir ao trabalho.

Abriu a porta da lanchonete, olhou para seu relógio que marcava oito e vinte da manhã. Sentiu o ar gelado do lugar e olhou para os lados, procurando uma mesa para se sentar.

Mas seu mundo caiu assim que viu Juliana. Ela estava sentada na mesa ao lado da janela de vidro. Daniel ficaria feliz ao ve-lá, se ela não estivesse com o Nicolas. Os dois conversavam enquanto molhavam o biscoito salgado dentro do café. Daniel ficou parado ao longe, olhando para os dois, até que Julie viu seu marido. Ela desfez o sorriso e a expressão de alegria logo se transformou em uma expressão tensa. Não imaginava encontrar Daniel ali.

O mesmo foi se aproximando. — Oi Nicolas, oi Julie. — Daniel deu um sorriso falso.

Nicolas retribuiu o sorriso e o comprimentou também. Até que Julie pegou sua bolsa e colocou no ombro, se levantou. — Tchau Nicolas. — Disse saindo, mas Daniel segurou seu braço.

– O que foi? Vai embora só porque eu cheguei?!


– Quer me soltar! — Ela puxou o próprio braço e se soltou do loiro. Abriu a porta da lanchonete e saiu. Sendo seguida por Daniel, na calçada.


– Julie, por favor, espera! — Segurou seu braço novamente e a fez se virar de frente para ele. Seus rostos ficaram próximos um do outro, quase encostando o nariz. — Já faz uma semana que você não pisa em casa. Eu estou ficando doente com isso, doente! — Ela ouvia, calada. — Estou tão magro que preciso usar cinto!

– Ah, entedi. Só me quer em casa para cozinhar.

– Não, a Bia está cozinhando para mim, mas a comida dela é um horror! E-eu... Eu não te quero pra isso, você não é minha empregada, é minha esposa. Se quiser eu até contrato uma cozinheira.

– Quer parar de dizer besteiras?! Não me importo de cozinhar.

– Hum, mas foi você quem começou com esse papo de cozinhar, admite. — Cruzou os braços. Até que virou o rosto para trás e viu que Nicolas os observava. — Você... Não está me traindo com aquela coisa, não é?

– O que? Nunca ia te trair com o Nicolas. N-nem com ninguém.

– Julie... — Ele a abraçou, agarrando sua cintura e beijando seus cabelos longos e negros. Julie retribuiu o abraço, passando seu braço pela nuca de Daniel. Os dois sentiam saudades um do outro. E o amor dos dois era tão forte que até deixavam o orgulho e as diferenças de lado.

Ela fechou os olhos, sentindo o doce perfume de Daniel. O cheiro que não sentia faz tempo. Eles nunca passaram tanto tempo longe um do outro. No máximo deixavam de se ver por dois dias. E quando ainda eram apenas namorados. Julie foi deitando sua cabeça no peito de Daniel, enrolava seus cachos com os dedos. Se sentia protegida ao lado dele. ‘’ Eu te amo, te amo tanto... ‘’ — Daniel sussurrava isso no ouvido da morena, ela foi abrindo os olhos. Daniel foi deixando de beijar seus cabelos para beijar seu rosto, e assim que Julie se soltou do abraço ele segurou seu rosto e a beijou. Puxando mais o corpo de Julie e aprofundando mais o beijo, eles não se importavam se estavam na rua.

Nicolas até virou o rosto para o outro lado quando viu os dois trocando carinho. Ele mordeu seus dentes de raiva. Nunca admitiu, mas sentia mais do que uma simples amizade por Julie. A única pessoa que suspeitava muito disso era Thalita. E claro... Os ciúmes de Daniel não era apenas ciúmes. Era muito mais do que isso, ele também percebia o jeito como Nicolas sorria e olhava para sua esposa. Por isso o detestou tanto.

Julie parou de retribuir os beijos e virou seu rosto para o lado. Daniel continuava beijando sua bochecha e o canto dos seus lábios. A saudade que sentia de sua esposa era muito grande. — E-eu... Eu já vou... — Ela disse com uma voz chorosa.

– Vai pra casa, não é? — Perguntou sorrindo.

– Não. Daniel. — Ele desfez o sorriso. — Será que não percebe que estou magoada?!

– Mas o que eu fiz de tão errado! — Gritou. — Só por causa das coisas que eu te falei naquele dia? Será que ainda não esqueceu? Me perdoa?!

– Não é isso. — Secou suas lágrimas. — Estou magoada porque você prefere passar mais tempo trabalhando do que comigo.

– Não diz isso. Não percebe que estou trabalhando para te sustentar?

– Não é verdade. Você está trabalhando pra me evitar, isso sim. — Ele revirou os olhos com a resposta. Sabia que não adiantava revidar, não ia conseguir convencer a esposa. — Eu só quero um tempo sozinha. Tchau, tá? — Passou o dedo indicador pelos labios de Daniel. Agarrou sua nuca e lhe deu um selinho demorado. — Eu também te amo. Mas isso não significa que eu não posso ficar chateada ou magoada com você.

– Pelo menos me diz para onde você vai, onde está morando... Sei lá...

– Eu estou na casa da minha mãe.

– Hum, ótimo. — Foi se aproximando. — Só me dá mais um beijo para fazer o meu dia feliz, vai.

Ela sorriu fracamente, foi se aproximando também. — Só mais um, tá? — Beijou seus lábios. Eles sorriram entre o beijo e foi se tornando mais intenso, era um beijo de língua, para matar de vez a saudade. — huh. Hum... — Se soltou rapidamente. — Faz essa barba! — Ele riu. — É sério. Essa barba arranha meus lábios. — Ela atravessou a rua e foi andando, Daniel continuou olhando para ela, até a mesma sumir em meio aos carros e pessoas.

Ele voltou para a lanchonete.

Viu que Nicolas ainda estava ali e se aproximou. — Olá, posso me sentar? — Perguntou já arrastando a cadeira, Nicolas assentiu.

– Hum, a Julie me disse que vocês brigaram. — Nicolas comentou enquanto amassava o guardanapo.

– É. Brigamos... — Suspirou.

Nicolas balançou a cabeça. — Cara, não deixa ela ir. Vai atrás dela!

- M-mas... Como você é falso! Você está é torcendo para que tudo dê errado para nós dois.

– Para que torcer para uma coisa que já é quase certa de se acontecer? — Se apoiou mais na mesa. — Não sei se percebeu Daniel, mas a sua esposa usava o colar que eu dei para ela no dia do casamento de vocês.

– Eu já cansei de falar para ela parar de usar essas porcarias baratas... Mas fazer o que não é? Ela tem um péssimo gosto para jóias.

– Já chega, não dá para conversar com você. Você é muito irritante. — Ele foi se levantando.

– É, vai indo. E da próxima vez, tente disfarçar a cara feia enquanto eu e minha esposa trocamos carinho.

– Você é algum tipo de bruxo? Como percebeu? Estava de costas!

– Eu já percebo isso a muito tempo, desde o dia em que nos beijamos no altar da igreja, no nosso casamento. — Pausou. — Pensei que convidar você deixaria a Julie mais feliz... Mas me arrependo, sabe?

– Olha cara. Eu não faço nada de errado com vocês dois. Que querem se felizes ótimo. Eu também quero. — Respirou fundo. — Quem está armando tudo é a Thalita.

– E como é que você sabe?

– P-porque ela me pediu para falar com o seu patrão. E pedir para que ele lhe desse uma promoção. — Explicava. — Assim você passava mais tempo trabalhando e menos tempo com a Julie.

Ele se calou. Estava surpreso com aquela resposta. Não imaginava aquilo. '' Parece que a Thalita é mesmo capaz de fazer de tudo para me separar da Julie... '' — Pensava Daniel, ainda calado. '' Eu vou mostrar para ela que posso muito bem ter tempo para o meu trabalho e para a Julie. '' — Nisso Daniel se levantou, saiu sem responder Nicolas.

Chegou em casa, se arrumou rapidamente. Foi para uma floricultura, depois passou em uma loja de chocolate. Já era quase dez horas da manhã. Sabia que deveria estar trabalhando, mas nesse dia Daniel resolveu faltar. Qualquer coisa era só inventar que estava doente...

Tocou a campainha, ajeitou seu terno. — Daniel! — Sua sogra estava surpresa em vê-lo.

– Oi. — Sorriu. — A Julie está?

– Ela está tomando banho, mas... Pode entrar. — Abriu mais a porta. — Que flores são essas?

– Rosas brancas.

– V-você... Você não pode compra-lás! São para defuntos!

Ele revirou os olhos. — A Julie sempre gostou de rosas brancas.

– Não. — Cruzou os braços. — Ela sempre gostou de copos de leite.

– Ah. — Torceu o canto dos lábios.

– Parece que mesmo convivendo comigo a anos não me conhece direito. — Juliana interrompeu os dois, chegando na sala de braços cruzados.

– Eu não fiz por mal, tá? Se você não quer as flores...

– Não. Eu... — Sorriu. — Eu também gosto de rosas brancas. — Ela sorriu e pegou o buque e os chocolates. — Vou por na água.

– Não, espera. — Segurou seu braço. — Precisamos conversar, Julie. — Daniel pediu.

Um silêncio chato se formou, Daniel e Juliana olharam para Heloísa. — Ah, querem que eu saia? Tá... Eu... Vou fingir que tenho algo importante para fazer. — Pausou. — Só me dá um bombom filha?

– Hum, toma. — Julie entregou a caixa.

– Eu prometo que deixo alguns pra você. — Saiu.

Juliana se virou para o marido. — Pensei que tinha que trabalhar. — Comentou se sentando no sofá e alisando a barriga.

– Resolvi me dar uma folga. Trabalhei a semana toda. E... — Se sentou no sofá, ao lado de Julie. Pegou sua mão. Beijando a mesma. Ela sorriu fracamente com o carinho. — Preciso passar mais tempo com você.

– Só agora percebeu isso?

– Me desculpa. Não fica de charminho fingindo estar profundamente magoada. Se quiser eu até me ajoelho aqui... — Disse já se levantando.

– Não! — Corou mais ainda. — N-não é pra tanto. — Segurou seu rosto e deu um selinho rápido. — Pronto, a minha raiva já passou. Eu adorei as flores e o chocolate, amor. Ah. MÃE, DEIXA BOMBOM PRA MIM! — Gritou fazendo Daniel fechar os olhos com força. — Droga, eu não deveria ter dado a caixa toda. — Suspirou. — Em fim, para onde nós vamos?

– Vamos almoçar. — Ela sorriu. — Depois a gente vai passear pela tarde toda. De noite a gente janta... E depois do jantar... — Foi se aproximando. Sussurrando no ouvido da morena. — Passamos a noite em um hotel. Hein? — Sorriu torto.

– Hum, gostei muito. — Beijou o canto dos lábios de Daniel. — Vou me arrumar. — Se levantou.


Notas finais
E ai. Gostaram? Comentem!