Corações Feridos
6 Lua-de-Mel
Notas iniciais
Julie respirou fundo, ainda olhando para o presente de Beatriz. Estava completamente envergonhada, mas sabia que uma hora ou outra isso iria acontecer. Ela queria também, queria muito fazer amor com seu marido. Mas estava nervosa por ser tímida. Não gostava das coisas acontecerem de uma forma natural. Do jeito que Julie é, preferia marcar uma noite para isso acontecer. Mas só que isso seria estranho de mais. Para quê marcar uma noite pra se fazer amor? Isso é uma das poucas coisas que deveria acontecer naturalmente. Até para ela. — Então... — Olhou para a lingerie mais uma vez.
'' Admito que é bem bonita. '' — Pensou, agora levantando o rosto e olhando para Daniel, que ainda estava ali.
– Julie, você está tão vermelha. — Daniel disse rindo, viu que sua esposa estava calada, séria.
– Eu a-acho melhor a gente... Tirar essas coisas da cama antes... E... Arrumar um pouco.
Daniel ficou surpreso com a resposta. Chegou até pensar que Julie gritaria com ele por querer transar.
– É. — Disse o loiro, sorrindo. — Tem razão. — Foi tirando as malas, guardando as roupas intimas nas gavetas e as calças, bermudas e blusas no armário.
Depois da arrumação. A única coisa que restou foi a lingerie, que estava sobre o colchão da cama. Julie se sentou, sem tirar os olhos da peça. '' Nunca usei nem uma camisola de seda... Como vou me sentir usando isso? '' — Pensava, lembrando que costumava dormir com calça de algodão e talvez um moletom.
Daniel sentiu o silêncio. Lembrou que Julie tinha passado mau no avião. — Você está bem? Se sente melhor?
– E-estou bem. Só que... — Continuou olhando para a roupa. — Acha mesmo que vou ficar bonita usando isso?
– Eu tenho certeza. — Ele sorriu.
Isso foi o suficiente para Juliana respirar fundo. — Tá bom... — Sussurrou sorrindo timidamente. — Eu vou me trocar então... — Hesitou um pouco, ainda envergonhada. Mas pegou a lingerie e foi para o banheiro.
Daniel sorriu de lado. — Hoje você não me escapa... — Sussurrou ainda sorrindo. Se sentou no colchão e retirou seus sapatos. Tirou seu terno, deixando apenas a blusa de cetim branca. Afrouxou a gravata e desabotoou um pouco sua blusa.
Enquanto isso Julie estava no banheiro, se olhava no espelho, olhava para o seu corpo. — Ele... Ele não vai gostar das minhas pernas... São tão grossas... Parecem gordas. — Dizia. Ainda examinando seu corpo antes de se vestir. — E esses peitos? São tão separados um do outro. — Respirou fundo. E começou a se vestir. Se olhou. Não gostava do que via: Não se achava sexy... Talvez por timidez, ou até mesmo insegurança...
Fechou os olhos. '' Aquele bolo deve ter me dado mais alguns quilos... Estou horrivel. '' — Pensava, ainda com os olhos fechados. Foi abrindo aos poucos, vendo novamente seu reflexo no espelho. Fechou a cara. — Se ele não gostar, que me processe. — Soltou os cabelos para ver se a sua imagem melhorava. Mas de tanto creme que passaram e de tanto baby liss que fizeram, seu cabelo ficou cheio. Ela achou que conseguiu ficar ainda pior. — Nada que uma boa maquiagem resolva. — Disse sorridente, queria deixar o nervosismo de lado. Pegou seu estojo de maquiagens.
Daniel esperava já sem paciência. Olhava para seu relógio de pulso: Ela já estava lá no banheiro a meia hora. — Será que ela fugiu pela janela? — Sussurrou rindo. Balançou a cabeça, sabia que ela não faria isso.
'' Talvez esteja passando mau, por isso está lá dentro ainda. '' — Pensou e se levantou, assim que se levantou a porta do banheiro se abriu. Daniel ficou parado, olhando para Julie que usava a lingerie sexy e tentava lançar um certo olhar sedutor. Daniel sorriu torto. Olhando para o corpo de Julie, admirava suas pernas, suas curvas e seus seios. Olhou em seus olhos, viu a maquiagem pesada e o batom vermelho. — Está perfeita. — Balançou a cabeça, nem ao menos piscava.
Juliana não esperava aquele elogio. — Sério? — Olhou para o seu corpo. — Porque essa roupa...
– Está ótima. Você ficou maravilhosa. Nossa Julie... — Suspirou. — Tá gostosa.
Ela sorriu. — Para. — Colocou seus cabelos para trás. — Vai me deixar vermelha.
Ele se sentou no colchão. Julie foi se aproximando, os dois não tiravam os olhos um do outro. Até que ela também se sentou no colchão. Daniel se deitou, puxando Juliana. Ela se deitou em cima dele. Enquanto o mesmo alisava as suas coxas. Julie corou, levantando o rosto e fitando os olhos amendoados e escuros de Daniel. Ela segurou seu queixo e nesse momento a timidez se foi, os dois se beijaram com paixão. Um beijo de cinema. As mãos de ambos passeavam pelo corpo um do outro. O beijo foi se tornando cada vez mais desesperado e Julie foi se sentando nas coxas de Daniel. Puxando a gravata frouxa de seu marido e o tomando mais para si. Afagou os cachos de Daniel com as mãos, enquanto ele ainda a beijava com vontade.
Ambos desejavam esse momento.
Ele pousou suas mãos nos seios de Julie. Ela mordeu os lábios de Daniel e ele desceu os beijos para o pescoço. Com a mão esquerda, apertou levemente o seio de Juliana. A mesma suspirou, sentindo um prazer que jamais sentiu. Ele foi descendo suas mãos para as costas dela, subindo até o fecho. Dessa vez ele não demorou muito para retirar a peça de cima. Daniel sorriu ao ver o belo corpo semi-nu de Julie. A mesma também foi retirando sua gravata e sua camisa, os dois voltaram a se beijar enquanto ele tocava carinhosamente em seus seios.
Em meio ao beijo, eles foram se deitando na cama. O carinho se tornava mais intenso a cada minuto. Ela também tocava no corpo gostoso de Daniel. Ainda beijando, abriu seus olhos. Viu o quarto luxuoso, e olhou para a janela. Vendo o mar ao longe, não acreditava naquilo: Estavam casados. E estavam ali, curtindo o momento. Mas Juliana estava com medo, sabia que era besteira sentir medo... — Daniel. — Ela se afastou um pouco, agora reparando o corpo do seu marido. Quase se perdeu ali, era tão lindo. Os peitos definidos, barriga também, os cabelos bagunçados e a respiração acelerada o deixava tão sexy. — Essa... Vai ser minha primeira vez. — Julie encontrou um jeito melhor de se dizer ''Eu sou virgem. ''
Daniel olhou para Julie, fez uma careta estranha, mas na verdade tentava não rir. — O que foi, não acredita?
– Pelo contrário, eu acredito. — Pausou. — Acha que eu acreditava nas suas desculpas doidas quando o clima começava a esquentar?
Ela corou. — Mas. — Daniel tocou no seu rosto. Beijando seu nariz. — Eu fico extremamente feliz em saber que sua primeira vez vai ser comigo. — Disse a deitando.
Julie ainda estava calada, sentia medo, mesmo sendo com o homem que ama.
Ele voltou a beija-lá. Ficaram trocando carinho embaixo do edredom por mais dez minutos, até que perceberam que estavam nus. Eles foram se ajeitando na cama, encontrando uma posição mais confortável possível: Julie se deitou enquanto Daniel subia sobre ela. Ele beijava o pescoço de sua esposa, o mesmo estava marcado com vários chupões.
Ele pegou o preservativo e voltaram a se beijar. Julie fechou os olhos, sentindo Daniel penetra-lá levemente. Era uma mistura de dor e prazer. Ela tentava relaxar pois assim não sentiria tanta dor. Daniel fazia carinho no rosto de Julie, o que a fez sorrir. Era tão gostoso e carinhoso. Ela foi arranhando as costas de Daniel, ele aprofundava os movimentos, beijando levemente seu pescoço.
Ficaram assim a noite toda.
[...]
Julie acordou da noite mau dormida, se revirou na cama e percebeu que só usava um lençol, sorriu quando se lembrou da noite passada. Para ela aquilo era um sonho: '' Foi tão diferente do que eu imaginei... '' — Pensava. — '' O Daniel é tão carinhoso. '' — Sorriu e notou que ele não estava ali.
– Amor?
Nada.
Se levantou, colocou uma roupa e foi procurar no banheiro, na sala e na cozinha.
Nada.
Olhou para a mesa da cozinha, o café estava pronto. Sorriu, sabia que Daniel tinha feito o café da manhã só para ela.
Se sentou a mesa e se alimentou, mas ainda estava agoniada por não encontrar Daniel.
Olhou para o lado, na janela. E viu um rapaz dos cachos de ouro sentado na areia da praia. Julie não perdeu tempo, pegou seu biquini e sua máquina fotográfica. Saiu para fora, se aproximando por trás do marido. O abraçou. Beijando as costas arranhadas e avermelhadas de Daniel. Ele sorriu e lhe deu um selinho. — O que está fazendo sentado aqui sozinho?
– Nada... Só pensando. — Respondeu. Jogando um graveto que riscava na areia no chão.
– Pensando em que?
– Em nós dois. — Sorriu. — Não tenho mais nada pra pensar, a não ser isso.
Ela o abraçou, percebeu que Daniel escrevia seus nomes na areia. Pegou sua máquina fotográfica e tirou um foto dos seus nomes. — Porque está fotografando? — Perguntou rindo.
– Vou fazer um album só com fotos nossa, por isso trouxe minha máquina. — Pausou, olhando para Daniel. — Vamos tirar muitas fotos aqui na lua-de-mel, ouviu? Quero guardar de lembrança.
– A, tá. — Sorriu. Não gostava muito de tirar fotos, mas faria qualquer coisa por ela.
– E então?
– Então o que?
– Não vai me levar para passear nessa cidade praiana?
– Ah. — Ele se levantou, estendeu a mão. — Claro, senhora Castellamare.
– Hum, não me chama de senhora. — Disse sorrindo e se levantando, puxou o rosto do marido e deu um beijo demorado de bom dia.
Os dois caminhavam pela beira da praia, Julie sempre arrumava alguém para tirar a foto dos dois juntos. Ela tentava falar inglês com os americanos, o que fazia Daniel rir.
Ela o abraçava, beijava, e carinhava seu marido nas fotos. Pareciam dos casais mais do que apaixonados.
Julie se sentia mais solta depois da noite passada, era como se a timidez acabasse. — Vem, vem amor! — Ela puxava o braço de Daniel, querendo que ele entrasse no mar.
Tirou várias fotos com ele na água, já que a máquina era a prova d'água. Daniel até estava animado, porém, muito cansado.
[...]
– O que houve? — Julie perguntou assim que chegaram no quarto, Daniel se jogou na cama. Sem responder. Ela cruzou os braços, chateada. — Poxa, hoje foi tão legal. Pelo menos para mim. Passeamos, almoçamos juntos, lanchamos. Andamos o dia todo e tiramos foto, foi perfeito. — Dizia. — Parece que você não gosta de mim.
– O que? — Ele levantou seu rosto. — Essa foi a coisa mais idiota que já ouvi. Claro que eu gosto de você Juh, só estou cansado. Não dormi nada essa noite e você ainda me fez andar.
– Porque não disse que estava cansado?
– Eu tentei! Mas você só queria saber de fotos e de... comida!
– Está me chamando de gorda?
Ele balançou a cabeça. — Não é possivel que estamos brigando na Lua-de-mel.
– É porque... Somos muito diferente! — Pausou, indignada. — Pode admitir que você não gosta de mim.
– Não, não gosto. Só te amo. Só isso...
Julie sorriu, também não entendia o motivo da briga. — Meu lindo... — Foi se aproximando e beijou seu rosto. — Me desculpe. Vai dormir um pouco, vai... Eu... Estou na sala. — Disse enquanto Daniel se ajeitava no colchão.
Ela foi para a sala, ligou a TV enquanto via as fotos que tirou com Daniel: Ria de algumas delas. Principalmente da que tirou de Daniel dormindo na areia, lembrando que jogou água no seu rosto para acorda-lo. — Já vi que esse casamento vai ser uma comédia. — Disse rindo. Mas ai foi prestando a atenção no programa que passava na TV.
Era uma matéria sobre casamento e separação. — Então mais de vinte por cento dos casais que se casam acabam se separando. — Dizia a repórter, que entrevistava algumas mulheres. — Me diga, por que se separou do seu marido?
– A gente brigava muito, quase não chegávamos a um acordo. Ele não gostava das coisas que eu fazia... — Julie começou a se sentir incomodada com aquilo, era como se seu coração se apertasse. — Até discutimos um pouco na lua-de-me--- Julie desligou.
Estava com mil pensamentos em mente, lembrava das brigas que teve com Daniel. Até lembrou da promessa que fizeram: Que não brigaram por nada, sem motivo.
– Não, não gosto. Só te amo. Só isso... — Lembrou do que Daniel disse. — É. — Falou. — Ele... Ele me ama, nunca se separaria de mim. — Abraçou a máquina digital. Acabou adormecendo ali.
Acordou um pouco atordoada, viu que tinha dormido no sofá e que já era nove horas da noite. Se levantou e foi para o quarto, viu Daniel deitado. E suspirou. Queria seus beijos, seus carinhos, seus abraços. Correu para o banheiro.
[...]
– Daniel. — O sacudiu.
– Huh. — Ele nem ao menos abriu os olhos.
– Dani... — Disse carinhosa.
– O que foi, mulher? — Abriu um dos seus olhos, mas parecia mais morto do que vivo.
– Tá! Esquece! Eu não te mostro mais! — Se virou de costas.
– Huhm,. — Abriu os dois olhos, viu sua esposa sentada na cama, parecia chateada. — O que é?
Julie sorriu, era só o que queria ouvir: Se virou novamente para ele e desceu seu roupão. Mostrando seu corpo completamente nú.
– Meu Deus... — Ele sorriu, se sentando no colchão, olhava para cada detalhe do seu corpo.
– Mas deixa. — Amarrou seu roupão novamente. Daniel desfez o sorriso. — Você está cansado de mais.
– Não! — Respondeu imediatamente. — O cansaço já passou. — Foi se aproximando, Julie sorriu. Os dois se beijaram enquanto ele retirava novamente seu roupão.
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