Corações Feridos
7 Surpresas.
Depois de quinze dias de muito amor na lua-de-mel, Julie e Daniel voltavam para a casa. Eles arrumavam suas malas no quarto. Ambos não deixavam de sorrir um só segundo. Estavam felizes. Aqueles quinze dias foram os melhores de suas vidas. Jamais imaginaram que poderiam se amar tanto. Só na primeira semana fizeram amor cinco vezes, passearam, jantaram, tiraram fotos para guardar de lembrança.
– Eu nunca vou me esquecer desse lugar. — Disse Juliana se jogando na cama. Ela alisou o colchão. — Dessa cama... — Sorriu, olhando para Daniel que dobrava suas roupas. Viu que ele estava sério. — Que foi?
– Ah, nada. É que... Eu to aqui pensando, quando chegarmos eu vou ter que vender meu apartamento.
– Mas é melhor não é? Com o dinheiro você compra uma casa própria...
– É, é bem melhor só que eu moro lá desde quando completei 16 anos.
– Vai sentir saudades é?
– Claro que vou. Mas por nós dois eu faço de tudo. — Escutou um barulho irritante, viu que vinha do seu relógio de pulso. — Nosso voo saí em uma hora! — Pegou as outras malas já prontas. — Vamos.
Chegaram bem em cima da hora no aeroporto, já que o táxi e o transito o atrasaram. — Vem Julie, corre! — Faltava só mais um passageiro para entrar. Daniel deu as duas passagens e o senhor assentiu. Os dois entraram e se sentaram nas cadeiras marcadas. Julie se sentou ao lado da janela, observando o avião decolar. Suspirou, sabia que sentiria saudades da Califórnia. — Eu prometo que vamos voltar para cá. — Daniel segurou sua mão, ela sorriu. Era como se ele lesse seus pensamentos.
Lhe deu um rápido selinho e o avião decolou, Julie sentiu borboletas em seu estômago ao ver que já voava. Fechou os olhos. — Ah, não...
– O que foi?
Ela passou a mão por sua barriga, fazendo uma careta. — É enjoo? — Ela assentiu. Daniel sabia que Julie passava mau no avião, mas o que poderia fazer? O avião seria o melhor meio dos dois voltarem para casa sem demorar.
Julie passou mau durante todo o voo, vomitava toda hora e Daniel se sentia culpado. Ele segurava os cabelos de Julie enquanto a mesma colocava todo o seu café da manhã para fora. E o cheiro forte de comida que a aeromoça levava para os passageiros só a deixava mais enjoada. Era uma lasanha quentinha que acabava de sair do forno, o cheiro do queijo derretido era uma tortura para Julie, que prendeu a respiração enquanto a aeromoça passava.
O voo finalmente terminou, Julie ajudava o marido com as malas enquanto desciam do avião. Ela respirou fundo depois que pisou no chão, sorriu, se sentindo bem melhor.
Daniel chamou um táxi e os dois foram direto para a casa da mãe da Julie. Tocaram a campainha. — Filha! — Sua mãe estava surpresa e emocionada, sabia que Julie deixaria Califórnia hoje, mas não pensava que ela viria visita-lá. — Entrem meus queridos. — Os dois entraram sorrindo, se sentaram no sofá junto com Heloísa, que não parava de sorrir para os dois. — Como foi a viagem?
– Foi ótimo. — Disse Juliana, pegando na mão de Daniel e entrelaçando nossos dedos. — Foi a melhor viagem da minha vida.
– Tiraram fotos? — Perguntou.
Daniel e Julie se entreolharam. — Tiramos. — Responderam juntos.
– Ah. Eu quero ver.
– E-eu tenh-o que apa-gar algumas fotos... — Julie corou.
– Ué, mas porque filha?
– P-porque a senhora n-não pode ver.
– Mas o que eu não posso v-- Foi entendendo. — Ahhhhh. — Corou também. Até que a conversa foi interrompida por um bip. — Vocês vieram na hora certa. O almoço já está pronto. — Disse dona Heloísa se levantando e indo até a cozinha.
– Huh, eu estou morrendo de fome. — Daniel sorriu. Julie também, afinal, ela também estava com fome e sentia saudades da comida deliciosa da sua mãe.
– Mãe, pode nos servir?
– Mas é claro! — Respondeu abrindo o forno e desligando o gás.
– Vou lá ajudar com os pratos. — Juliana se levantou e foi até a cozinha, pegou alguns talheres e lavou os pratos. Colocou na mesa e foi abrir a garrafa de refrigerante.
Parou por um instante, sentindo um cheiro familiar. '' Onde é que já senti esse cheiro antes? '' — Pensava, até que se virou e viu sua mãe cortando a lasanha.
Julie via o queijo derretido cair sobre os pratos, junto ao arroz e a salada: Sentiu seu estômago revirar com aquilo. — Ah! — Tampou a boca e o nariz, sua mãe se assustou com o grito.
– O que foi querida?! — Se aproximou segurando o prato.
– Mãe! Tira isso de perto de mim! — Julie se afastava. Enquanto sentia o enjoo se tornar ainda mais forte. Sua mãe afastou a lasanha sem entender, Daniel apareceu na cozinha. Segurando a mão da esposa. A levou para a sala.
– O que aconteceu com você, Julie? — Sua mãe a seguiu.
– É que ela está enjoada, por causa do avião. — Daniel respondeu sentando Juliana no sofá. — E ela se enjoo mais ainda quando a aeromoça serviu lasanha para os passageiros. — Explicou.
– D-Daniel... Estou passando muito mal.
– Mas Julie, isso não é normal. Você já deveria ter melhorado porque não está mais no avião. — Heloísa estava preocupada. — O que está sentindo?
– Só enjoo. — Respondeu fazendo careta e alisando seu estômago. — Eu vou subir para o meu quarto.
– Eu vou com você. — Daniel se levantou.
– Não amor, não se preocupe, vai almoçar... Sei que está com fome. — Ela forçou um sorriso, mas estava tão mau que não conseguia disfarçar.
Julie subiu para o seu antigo quarto e se deitou na cama, fechou os olhos. Não queria preocupa-los, mas nunca tinha sentindo um enjoo tão forte antes.
Enquanto isso, Daniel servia seu prato. Se sentou no sofá da sala, junto com sua sogra. — Isso não é normal. — Dizia dona Heloísa. — A Julie sempre foi muito enjoada sim, mas... Não desse jeito. — Olhou para Daniel, ele não falava nada. — Daniel.
Ele mastigou a lasanha. — Oi.
– Não acha suspeito?
– Como assim, suspeito? É só enjoo, não?
– Quantos dias ficaram fora?
– Quinze.
Dona Heloísa balançou a cabeça. Sua intuição não a enganava. — A Julie não vai gostar de saber disso... — Sussurrou. — Do jeito que ela é... Toda controladora.
– O que quer dizer? — Daniel perguntou, começando a ficar nervoso. Queria entender o que se passava pela cabeça da sogra.
– Daniel, se ela continuar assim leve ao médico.
Ele assentiu, ainda sem entender.
[...]
Duas semanas se passaram. Daniel vendeu seu apartamento, com o dinheiro e com mais algumas economias conseguiu comprar uma casa. Era uma casa bonita, era grande, tinha um quintal com piscina e tinha dois andares. Julie e Daniel estavam felizes com a mudança, ele estava fixo no seu emprego.
Era segunda feira, ele se arrumava para o trabalho quando percebeu que Julie estava dentro do banheiro a mais de meia hora.
Ele bateu na porta do banheiro. Só escutou Julie tossir e dar descarga. Ela lavou a boca e abriu a porta. — Está passando mau?
– N-não... E-eu estou bem. — Julie estava enjoada desde quarta passada, mas escondia isso para não preocupar o marido.
– Você não me engana. Estava vomitando.
Ela abaixou a cabeça.
– A mais de meia hora?!
– Amor, não se preocupa comigo. — O abraçou e tentou sorrir, mas estava fraca.
Daniel se lembrou do que sua sogra lhe disse. — Vamos ao hospital.
– O que? Não! É só enjoo, não é nada de mais. Todo mundo passa mau de vez em quando...
– O melhor a se fazer é ir ao médico, não acha?
Ela respirou fundo, não gostava de hospital, mas assentiu. Já que passava mau desde quarta feira.
Ela fez alguns exames médicos, até que se enjoo com o cheiro dos remédios e vomitou no banheiro do hospital.
– O que ela tem, doutor? — Daniel perguntou visivelmente preocupado.
– Vamos saber só mais tarde, lá para as duas horas. Você pode vir buscar os resultados?
Ele negou com a cabeça. — Eu vou trabalhar. — Explicou. — Eu trabalho em escritório, pode me mandar por fax.
O médico assentiu. — Ótima ideia. — Pausou. — Não quero te atrasar, não se preocupe, garanto que não é nada de mais.
– É muito bom saber disso. — Bateu no ombro do médico. — Obrigado. — Foi buscar Julie no banheiro e a levou para casa.
Daniel chegava no seu trabalho, mas mesmo com as palavras do médico ainda estava preocupado com a esposa. Ligou para Bia e pediu para que ela ficasse com a Julie e ajudasse em qualquer coisa.
Ele chegou bem atrasado no trabalho, abriu a porta do escritório e se surpreendeu ao ver uma mulher mexendo em alguns papéis. — Q-quem é você?
A moça se virou. Olhou para Daniel e mordeu os lábios fracamente. Daniel reconhecia aquele rosto, mas não se lembrava direito da mulher. — Daniel? — Ela sorriu. — Não acredito, quanto tempo!
Ele reconheceu a voz fina e irritante. — T-Thalita, o que está fazendo aqui? No meu trabalho?!
Ela foi se aproximando. Puxou sua gravata deixando seus rostos perigosamente próximos, pousou uma mão no peito de Daniel, e a outra na sua nuca, enrolando alguns cachos em seu dedo. — Sou sua secretária, amor.
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