Corações Feridos

31 Ele me ama mas... Não sei se amo ele.


Notas iniciais
Só para avisar aqui que a Julie vai ficar nesse dilema: Se ama ele ou se não ama... Acho que quase durante toda a história... Ela vai ficar super confusa. u.u

– Eu quero você. — Ele sussurrou no ouvido de Julie.

O coração de Juliana acelerou naquele momento. Ela não conseguia deixar de notar no lindo corpo do seu marido. Seu coração lhe dizia para deixar o orgulho de lado pelo menos essa noite, pois assim perceberia que nunca deixou de ama-lo.

Mas ela estava em conflito entre a razão e a emoção. Do outro lado estava sua mente, ela não deixava de pensar que ele era o culpado por toda a sua desgraça. Pela morte do seu filho, sangue do seu sangue, seu primeiro filho...

- Eu te amo tanto... — Ele sussurrava essas palavras, em cima da cama, as mãos de Daniel percorria pelo corpo de Julie, a mesma estava calada, ainda presa em seus próprios pensamentos e lembranças.

Quando sentiu seus lábios se colarem, um beijo de língua que fez seu corpo e sangue ferver. Fazia tempo que não sentia o beijo de Daniel.

Ela acabou retribuindo um pouco, segurou sua nuca, encaixando seus dedos entre os cachos dourados dele. Daniel foi levantando sua camisola de seda. Pousou sua mão em um dos seios, foi quando ela parou, o afastou, o empurrando levemente.

Daniel percebeu sua expressão assustada. — Eu não pedi para me beijar. — Ela disse, limpando os lábios com o edredom.

Ele ficou calado, só a encarava. — Eu não acredito que você fez isso! — Lhe deu um tapa de leve no seu ombro, mas mesmo assim, ele não reagiu. Continuou da mesma forma: Calado, só a fitando... — Saia daqui!

Só ai ele percebeu que ''partir para cima'' não funcionou. Pensou em resolver com palavras. — Julie, por favor, eu te amo! Eu te amo tanto! — Balançou a cabeça, desesperado. Sentia pela expressão de sua esposa que ela não retribuía mais aquele amor. — Te amo mais do que a mim mesmo... — Suas palavras eram sinceras, mas Julia ainda o fitava com indiferença.

Derrotado, ele saiu da cama. Juliana tentava virar seu rosto para não ver o corpo lindo do marido. Ele usava uma cueca box, apertada. Mesmo com toda essa ''loucura'' sua atração por Daniel ainda era forte.

Não disse mais nada, sabia que tudo o que falasse ou fizesse seria em vão. Julie era muito teimosa e cabeça dura. Seria difícil convence-lá de qualquer coisa. Principalmente quando isso envolve o amor dos dois.

- Boa noite para você. — Beijou seu rosto com delicadeza. Juliana apenas abaixou a cabeça e sussurrou baixinho '' Boa noite... ''

Ele passou por ela, colocou sua roupa, fechou a porta do quarto e saiu. Julie olhava para o espelho do guarda-roupa, mesmo no escuro conseguia enxergar seu reflexo, viu sua expressão triste e suspirou. Não poderia fazer mais nada a não ser deitar a cabeça no travesseiro e ir dormir.

A morena acordou de manhãzinha com um bilhete de Daniel, dizendo que passaria a noite na casa da sua mãe. Ela leu o bilhete, sentiu o delicioso cheiro do seu perfume e guardou na caixinha.

- Ai Daniel... — Soltou um suspiro de tristeza. No fundo sabia que não deveria trata-lo dessa maneira, ainda mais na fase delicada do relacionamento dos dois.

Secou suas lágrimas e disfarçou a tristeza com um sorriso assim que a porta da sala se abriu. Era ele. Ele chegou um pouco desanimado, retirou seu blazer e jogou no braço do sofá, como de costume. Viu Juliana na sala, queria sorrir, sempre sorria involuntariamente quando a via.

Mas dessa vez não.

- Tudo bem? — A morena perguntou, também como de costume.

Ele assentiu, quieto de mais.

Desconfiada e reparadora, viu que o sapato social dele estava desamarrado. Se aproximou e sentiu um leve cheiro de álcool. — Você realmente passou a noite na casa da sua mãe? — Perguntou, já nem a chamava mais de ''sogra'' — Sinto... Um cheiro de bebida...

Ele mordeu os dentes. — Sabe, eu estou cansado do jeito como você desconfia de mim! — Gritou e pegou o telefone. Discou os números, Julie o olhava sem entender.

Ele apenas colocou na opção ''viva-voz''. - Alô?

- Oi mãe, sou eu.

- Oi querido!

- Só liguei para agradecer a senhora por ter me deixado passar a noite ai...

- Que isso, não precisa me agradecer Daniel, você é meu filho...

- Obrigado. É bom saber que posso contar com a senhora...

- Hm , está tudo bem? Você não é de me ligar muito...

- É... Está tudo bem sim. — Olhou para Julie. — Só estou com aqueles mesmos probleminhas de família... — Ela abaixou a cabeça.

Desligou o telefone. Foi para a cozinha, Julie o seguiu. — Tá, você não mentiu, você passou a noite na casa da sua mãe. Mas isso não significa que não aproveitou para... Dar uma fugidinha. Beber... Quem sabe até... Até... — Não queria falar. Hesitou um pouco.

- Até... ?

- Me trair!

- Eu bebi. — Admitiu. Ela cruzou os braços. — Eu bebi sim, só duas latinhas. E foi no café da manhã, na casa da minha mãe.

- Hm.

- Quer que eu ligue para ela confirmar?

- N-não... D-esculpe.

Daniel fechou a porta da geladeira e se aproximou. — Eu sei que você não gosta mais de mim... E-eu sei que me odeia... M-mas... Eu te amo. Eu não vou te trair com ninguém. — Pausou. — Aqui. — Lhe mostrou o nome dela, escrito pela própria caligrafia. — Lembra dessa tatuagem? Eu tatuei o seu nome... — Ela sorriu fracamente, passando o dedo por cima da tatuagem.

Mas desfez o sorriso. — Não deveria ter feito isso... — Disse. — Você se estragou! Tatuou o meu nome ai! V-você... Não devia ter feito isso, t-ter... Tatuado o meu nome... Deveria ter tatuado o nome dele...

- Do Diego? — Ela fechou os olhos, controlando as lágrimas. — Eu vou tatuar no outro pulso, porque vocês dois são os meus amores. — Daniel sorriu.

- Mas há uma diferença entre eu e o bebê.

- É? — Ele perguntou olhando para a tatuagem, só ai prestou mais a atenção na pergunta. — Que diferença?

- Que o Diego sempre será seu filho, sempre. — Pausou, o encarando. — Agora e eu? Eu serei sempre sua esposa? — Ele ia responder quando ela virou as costas e disse. — Acho que não.

Julie subiu as escadas e foi para o quarto, enquanto Daniel continuou na cozinha, não acreditava naquela resposta.

Notas finais
Dó deles... Mais dele. :)

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