Corações Feridos
47 Demonstrando os sentimentos
Daniel chegou no colégio um pouco atrasado, fez isso de propósito pois não queria passar mais tempo do que o necessário com a Thalita. Ontem a noite ele resolveu voltar para casa, não respondeu os SMS’s de Thalita e também não foi visita-lá.
Estava mais do que chateado, sua paciência se esgotou ontem a noite. ‘’ E olha que já deveria ter se esgotado há sete meses atrás... ‘’ — Pensou, subindo as rampas do colégio. O sinal já tinha tocado, porém, Daniel sabia que o professor de física da classe da namorada sempre se atrasava.
Ele abriu a porta da classe e viu Thalita fofocando com as amigas. — É, tinha o vestido roxo na loja, mas eu preferi o pink. — Se virou. — Oi Dani! — Thalita se levantou, ia beija-lo, mas ele virou o rosto.
E virou justamente para a cadeira do fundão, onde Julie se sentava. Percebeu que a menina o olhava. Os dois sorriram juntos. — Thalita... — Ele a chamou, ainda olhando para Juliana. Thalita segurou seu braço, só ai ele virou seu rosto para ela. — Nós precisamos conversar. — Disse sério.
- Porque não passou lá em casa ontem?
- Porque eu não estava com vontade. — Continuava sério. Isso preocupou Thalita. — Vamos para um lugar menos... Movimentado. Ou prefere levar um fora aqui mesmo? — Sussurrou a última frase.
Ela arregalou seus olhos encharcados de rímel. — O que? — Daniel puxou seu braço e os dois saíram.
Foram para o corredor. Um pouco afastados da classe. Daniel cruzou os braços. — A minha paciência acabou. Eu... Tentei ignorar suas pirraças, o seu jeito irritante... Mas simplesmente não dá Thalita. Você consegue ser insuportável com todos e eu já não aguento mais isso!
- O que quer dizer com isso?
- Ah. Você não entendeu? — Pausou, tentando se acalmar. Mas não conseguia. — Vou soletrar. A-C-A-B-O-U. — Passou por ela.
- NÃO! — Ela berrou no corredor. Puxou o seu braço. — Você não pode fazer isso. — Segurava suas lágrimas. Por favor Daniel, eu te amo tanto. Me dê mais uma chance. Por favor.
Ele a olhava com indiferença. — Eu sei que você ainda gosta de mim. — Uma lágrima caiu. Daniel respirou fundo. — Por favor... Só mais uma chance.
- Porque? Isso só vai aumentar mais o seu sofrimento.
- Daniel, só mais uma chance.
Ele abaixou a cabeça, viu suas mãos juntas e seus dedos entrelaçados. Lembrou de Julie... De ontem... Como suas mãos estavam juntas... Ia protestar. — Por favor. Eu te imploro.
- E-eu... Gosto de você. — Estava confuso, gostava dela... Mas não do jeito como... Gostava de Julie, seu sentimento por Juliana era... Intenso.
- Então Dani... Para. — Tocou no seu rosto. — Vamos fazer oito meses juntos daqui a alguns dias. Não podemos deixar tudo acabar assim...
- Só com uma condição.
Ela mordeu seus dentes, não gostava de condições. — Qual?
- Se você parar de implicar com a Bia... — Thalita sorriu ‘’Até que vai ser fácil. ‘’ — E com a Julie.
- Julie? Mas quanta intimidade. — Revirou os olhos.
- Viu. — Se soltou. — Não adianta.
- Desculpa! E-eu... Mas... Porque hein?! Ela também não gosta de mim.
- Sim, mas ela não implica com você. — Cada vez que ele a defendia, Thalita sentia um ódio incomum domina-la.
- Tá bom. — Ela o abraçou. Tentando ignorar suas emoções ruins... — Isso vai te fazer feliz, vai?
- Você não faz ideia do quanto vai me deixar feliz... — Sussurrou, a loira nem ouviu.
Daniel mau retribuiu o abraço, já foi se soltando. — Acho que já vou para a minha classe.
- Ah não. — Sorriu. — Fica comigo enquanto o professor não chega.
[...]
Daniel estava na classe de Thalita. Ouvia entediado a conversa da namorada com as amigas. Cruzou os braços, calado. Queria estar com o Martim e o Félix, pelo menos não ia precisar ouvir as fofocas da Thalita. Mas ele até que gostava do jeito como ela tentava desviar a fofoca sobre Julie. Afinal, elas sempre falavam da Julie.
Ele virou o rosto. Viu Juliana com a cabeça baixa..
Se levantou da mesa que estava sentado. — Onde pensa que vai? — Thalita perguntou.
- Vou falar com a Julie.
- Ela não quer fazer amizade com ninguém.
- Foda-se. — Se soltou. Enquanto as amigas de Thalita prendiam a risada.
Chegou na mesa de Julie. — Oi.
Ela levantou o rosto. Sorriu fracamente. — Oi.
- Posso me sentar? — Julie assentiu com a cabeça, ele se sentou ao seu lado enquanto Thalita fitava os dois ao longe. Estava possessa de raiva mas não poderia demonstrar, não na frente do Daniel. Precisava ser boazinha, ou ao menos... Fingir. — Como você está?
- Ah. Estou bem.
- A Thalita não veio implicar com você, não é?
- Na verdade, quando ela entrou na sala ela me olhou torto... Fora isso... Não. Por enquanto.
Daniel sorriu. — Pode ficar tranquila. Ela não vai mais te incomodar. — Pausou, abrindo sua mochila. — E eu... Te trouxe uma coisa.
Thalita arregalou os olhos ao ver o seu namorado presenteando outra garota. Sua vontade era de ir até lá e arrumar um barraco. Mas respirou fundo, fechando os olhos, decidiu virar o rosto para o outro lado. Porém, seus pensamentos continuavam concentrados naquela cena. Ela imaginava o sorrisinho tímido de Julie. ‘’ Você vai me pagar, garota... ‘’
[...]
Era dez pras sete quando Julie abriu a porta da sala. Entrou em casa. — Mãe! Cheguei! — Estava animada, não conseguia esconder o sorriso do rosto nem se quisesse.
Sua mãe saiu da cozinha, percebeu a voz animada da filha. — Oi querida! Chegou mais cedo... e limpa!
A morena riu. — Estou com sorte hoje.
- Posso saber porque está tão animada?
- E-eu... Nem sei porque... Só sei que estou muito feliz, esse foi o primeiro dia legal no colégio hoje.
- Ah, é? — Heloísa se sentou no sofá. — Me conta.
- Sabe o Daniel? — Sua mãe assentiu. — A Thalita rasgou o livro que o papai me deu. E hoje ele me comprou um novo! O mesmo livro! Mas só que novo! Sem nenhuma folha solta! Olha! — Mostrou o livro, ainda nem abriu... Preferiu abrir em casa para que nenhum ‘’acidente’’ aconteça.
- Que gentil da parte dele!
- É, muito! Muito gentil! Eu já disse que adoro cheiro de livro? — Disse retirando o livro do plástico. Cheirou. — Eu adoro!
Heloísa riu. — Fazia tanto tempo que eu não te via animada assim, filha. — Julie sorriu fracamente. — Gosta desse rapaz?
Ela desfez o sorriso agora se sentando. — Gosto mãe, gosto muito. O que eu não gosto é de saber que ele tem uma namorada.
- Não significa que ele não goste de você.
Sorriu novamente. Um sorriso lindo e aberto. — É. Eu... Vi ele hoje na minha classe, ele queria falar com a namorada dele. Ouvi ele dizer que queria ter uma conversa séria com ela. E ele estava muito sério. Parecia chateado.
- Vai ver ele terminou com ela.
- Foi o que eu pensei hoje. Mas não tive coragem de perguntar se eles ainda estavam juntos. Durante a aula toda eu vi que a Thalita olhava de cara amarrada para mim e ela parecia bem triste também. — Pausou. — E... Eu costumava ver eles juntos no recreio, só que hoje ele passou o recreio todo com os amigos e a irmã dele. — Explicou. — Será que eles não estão mais juntos? M-mãe... Eu estou completamente apaixonada por ele!
- Preciso fazer a janta, menina apaixonada. — Heloísa brincou, se levantando.
- E eu vou para o meu quarto. — Correu, abraçada com as suas coisas.
Se jogou na cama e abriu o livro novo. Leu um pouco enquanto escutava música e navegava pela internet.
[...]
Passou-se meia hora quando sua mãe abriu a porta do quarto. — A janta está pronta? — Julie perguntou, mas não ganhou resposta. Percebeu que sua mãe não tirava aquele sorriso bobo do rosto. — O que foi? — Ela riu fracamente, estranhando aquela atitude.
- Tem uma pessoa lá fora. E está te chamando.
A morena sorriu. — É o papai? — Logo pensou nele, afinal, a saudade era enorme.
Porém, Heloísa não respondeu, apenas fechou a porta do quarto. Julie ficou intrigada com aquilo, prendeu seu cabelo com um coque bagunçado, calçou seu coturno e vestiu uma jaqueta jeans. Deixou seu notebook aberto, assim como o seu livro.
Por um momento esqueceu suas manias e não desvirou o chinelo que estava virado. Caído no chão.
Ela apenas correu para a porta. Passou pelo corredor, viu sua mãe na cozinha, ainda sorrindo. ‘’ É o papai ! ‘’ — Pensou com toda a certeza.
Com toda a animação do mundo ela abriu a porta da sala e...
Era Daniel.
Seu coração disparou, não acreditava naquilo.
Não se desanimou ao ver que não era o seu pai. Pelo contrário... Ficou mais feliz ainda.
Ele estava parado no quintal. Montado em uma moto azul escura. Com o capacete em baixo do braço. Usava uma calça jeans rasgada, uma jaqueta de couro. E sorria...
Aquele sorriso a fez sorrir também. Ela foi se aproximando. — Estava passando por aqui e resolvi te chamar para dar uma volta.
- Éeer... — Ela se virou, viu sua mãe na porta. — M-mãe. Ele está me chamando para sair. — Tentou não gaguejar, mas no fundo estava nervosa.
- Vai filha! Pode ir! Só não volta tarde.
- Tá. E-eu... Já volto... — Disse para Daniel, que assentiu.
Ela correu para dentro, sua mãe também entrou, porém, deixou a porta da sala aberta. — É de moto mãe. — Julie disse, visivelmente nervosa. Foi até o seu quarto. Caçando seu capacete, na época em que andava com sua scooter. — Eu... Tenho medo de motos.
- Não fique com medo Julie, você já andou várias vezes. — Sua mãe tentava lhe dar um empurrãozinho.
- M-mas aquela é tão possante!
- Pare com isso.
- E... Esse capacete só protege a cabeça... Parece ser de skate. — Reclamou. Mas respirou fundo, era sua chance de conquista-lo. — Tá. Eu vou. — Estava decidida, o que fez sua mãe sorrir.
Ela foi até o criado-mudo, se perfumou, pensou até em se maquiar mas não queria deixar Daniel esperando.
Seu único medo era aquele capacete, não protegia o rosto... Só a cabeça. Estava com medo de cair de morto e quebrar algum dente ou o nariz...
Passou pela sala e saiu para fora, Daniel estava parado, ainda em cima da moto.. — E-eu... Não sei se você sabe... Eu... Tinha uma scooter, mas agora não tenho mais. — Dizia para o rapaz.
- Não importa. — Ele balançou a cabeça. — E esse capacete era da sua scooter?
Ela riu fracamente. — É ridiculo, eu sei... Não protege quase nada.
- Então troca comigo.
- O que? N-não D-Daniel você está dirigin--
- Troca. Não quero que você se machuque. O meu capacete é melhor.
Ela respirou fundo, realmente tinha medo de se machucar. — Tudo bem. — Aceitou, pegando o capacete do rapaz. — Então fica com o meu. — Daniel assentiu. Ela colocou seu capacete nele, passou a mão por seus cachos. ‘’ Tão macios... ‘’
Sorriram. E ela desceu a sua mão até o rosto dele. Enquanto seus olhos estavam fixos um no outro.
O soltou, Daniel controlava seus pensamentos. Ela subiu na moto, colocou o capacete e o abraçou por trás. Os dois acenaram para Heloísa que estava observando pela janela.
Daniel acelerou. Ela o abraçou mais forte, fechou os olhos ao sentir o vento bagunçar ainda mais o seu coque. Daniel pegou uma descida, acelerando mais... Julie continuou de olhos fechados por todo o trajeto, sentia o rapaz virar a moto, dando curvas, as vezes corria reto. A volta demorou uns vinte minutos.
Até que Julie sentiu a moto perder a velocidade, foi abrindo os olhos aos poucos, precisou piscar algumas vezes pois sua visão estava embaçada.
Reconheceu o lugar... Era uma praça grande.
Andando mais um pouco, havia um lago.
Daniel desceu da moto e ela o imitou. Tirou seu capacete e viu que o coque tinha se desfeito. Ele a olhava, seus cabelos batiam quase na cintura, não dava para notar o comprimento deles pois ela vivia de cabelo preso. Era um tom preto com um brilho azulado. As pontas se misturavam, formando leves ondulações. ‘’ Consegue ser mais linda do que o normal... ‘’ — Ele pensava.
Ela notou como ele a olhava, suas nóias já imaginavam que Daniel estava assustado com a sua ‘’juba’’. Passou a mão pelos cabelos, ia fazer um coque quando Daniel segurou seus braços. — Não faz isso não. — Disse sério. — Não tem noção do quanto... — Olhou em seus olhos. — Está perfeita assim.
[...]
- Porque não tem mais a sua scooter? Pensei que gostasse de motos...
- Eu gostava muito. Até o recesso do mês Julho. — Bebeu mais um pouco de refrigerante, os dois estavam sentados no banco da praça. — Foi quando sai de casa para passar uns dias com a Débora, minha prima. Levei a scooter, claro. — Pausou. — O pai dela tinha uma fazenda. Então fomos para lá. E eu não sei... Ela conseguiu fazer a minha cabeça para eu descer um morro com a scooter.
- Não parece ser... Uma garota corajosa.
- Não sou. — Riram juntos. — Mas eu achei que seria fácil.
- E você desceu?
- Desci. Era maior morro da fazenda. Bom, eu não cheguei a descer... Só cheguei na metade do caminho. Eu acelerei muito e tinha uma pedra pontuda que eu acabei passando com a scooter e como os pneus são frágeis, o da frente furou. A scooter capotou e eu me joguei. Nisso eu abri meu pulso. Fiquei caída, enquanto assistia minha scooter capotar até chegar no chão. Onde... Ela bateu na árvore o motor pegou fogo. E depois de dois minutos, ela explodiu.
- Mas você ficou bem depois?
- Ah, tirando o trauma... O meu pulso ficou melhor depois de duas semanas. E agora, eu morro de medo de moto. Penso que vou... Pegar fogo. — Pausou. — Se eu não me jogasse da scooter, poderia ter me queimado, ou... quebrado a perna, o braço, a costela, coluna, pescoço... Pensei nisso durante todo o meu recesso... — Enquanto falava, Daniel esticou seu braço, passando por cima do banco da praça. Foi se aproximando. Julie percebeu. — O que vai fazer? — Se afastou.
Ele suspirou. — N-não ia fazer nada. — A olhou, tentando encontrar um pretexto. — Só queria pegar uma pipoca...
- Hm. Aqui. Pode pegar.
Não estava nem um pouco afim de comer pipoca, mas pegou algumas só para disfarçar.
- Porque não tenta andar de moto?
- O que? Não mesmo! T-tenho medo... — Ele pegou sua mão, a fez levantar do banco, deixando algumas pipocas caírem no chão. — Daniel...
- Sabe, você precisa quebrar algumas regras. Desafiar seus medos.
- Não mas... Eu nem devia estar aqui, devia estar em casa esperando o meu pai me ligar para conversarmos... Eu... Planejava uma noite normal. N-não passar a noite andando de moto c-com... você.
- Só com uma semana de convivência notei que você é... Calculista. Muito calculista. Acontece que não podemos controlar tudo. Você não pode planejar toda a sua vida. — Dizia, lembrando da agenda que encontrou de Julie. Tinha tudo o que ela ia fazer, durante o ano todo. — Não dá para controlar tudo. As coisas da vida são bem mais ‘’fortes’’ que você. Você pode ficar doente... Ou repetir de série no colégio, tirar notas baixas, fazer inimigos, amigos... ou... Até se apaixonar por uma pessoa que é... — Olhou pra Julie. — Totalmente diferente de você.
- Está falando da Thalita. Né? — Foi a primeira pessoa que Juliana pensou.
- Esqueça a Thalita. — ‘’Ele não quer falar da Thalita. Com certeza terminaram’’ ela sorriu em pensamentos e entrelaçou seus dedos. — Vai, tenta andar com a moto.
- Não dá. Não vou conseguir. — Percebeu que já estava bem em frente a moto. Daniel subiu primeiro.
- Vem, eu te ajudo.
Respirou fundo e aceitou. Se sentou. Daniel a abraçou por trás. — Faz assim... — Pegou suas mãos. Colocando-as no guidão da moto. Ela entrelaçou seus dedos assim que sentiu Daniel por sua mão por cima da dela. — Agora... Aqui acelera... — Ele virou a mão de Julie.
E a moto andou. — Não não não não... — Fechou os olhos.
- Sch, calma... Eu to aqui... Nada vai acontecer com você. — Ele freou a moto. E disse com o tom de voz calmo, diferente das vezes em que falou com a Thalita: Seu tom de voz com ela era impaciente.
Isso fez Julie se acalmar e dizer:
- Me desculpe por ser tão medrosa... Vamos tentar de novo.
Ele sorriu de lado. — Até que é corajosa. — Pausou, concentrado no gramado da praça. — Então vamos. — Acelerou, dessa vez acelerou um pouco mais, sem querer... Quase perdeu o equilíbrio da moto já que era Daniel que controlava.
- Eu vou cair, vou me quebrar, vou morrer... Não... não... — Fechou os olhos mais uma vez.
Ele parou com a moto. Visivelmente preocupado com Julie.
Segurou seu rosto, o notou molhado. — Não chora, schh... Eu estou aqui... Não caímos. Calma. Por favor Juh... — Ela abriu os olhos, estavam avermelhados e cobertos de lágrimas, seus cílios se colaram, até que as lágrimas grossas desceram, passando pela mão de Daniel, que estava no seu rosto. — Se chorar mais...eu... Juro que choro junto, meu amor. Vamos parar, parece que você tem mesmo trauma de motos.
Julie alisou o rosto do rapaz. — Amor... — Sussurrou, mas Daniel ouviu.
Os dois encostaram seus narizes. Mas Julie abaixou o rosto. — Acha que eu devo me arriscar?
Ele estranhou aquela pergunta, mas achou que ela finalmente tinha tomado coragem para enfrentar seus medos. E logo, deu total apoio. — Claro.
Julie respirou fundo. — Tá bom. Se você acha. — Pausou, respirando fundo novamente. — Eu vou me arriscar e dizer tudo... Acontece que... Não pensei que... Andaria ou falaria com você algum dia. Ainda mais porque você e a Thalita viviam juntos e desde o dia em que nos falamos no bebedouro eu pensei que você e ela eram parecidos. E-eu... Não sei como te dizer isso, Daniel. — O encarou, os olhos do rapaz lhe deram coragem e ousadia para continuar. — Acontece que eu sempre gostei de você. Não é um gostar qualquer.
Daniel logo lembrou de sua frase com a Thalita hoje ‘’Eu gosto de você. ‘’ — ‘’ Esse é um gostar qualquer... ‘’ — Pensou.
- M-mas sim um sentimento... De verdade. E-eu... Me ap-paixon-ei po-r voc-ê. — Suspirou. — Desculpe, eu não queria ter gaguejado. Mas isso não isso não diminui o fato de que eu amo você. — Continuava com a cabeça baixa.
Quando Daniel a levantou e ela tomou coragem para continuar. — Eu sei que eu não tenho a menor chance de ser retribuída, porque eu só sou uma garota estranha e sem amigos mas o importante é que é isso que eu sint... — Daniel colou seus dedos nos lábios carnudos de Julie.
- Você fala de mais. — Balançou a cabeça. — Agora me responda, acha que sairia do conforto do carro da Thalita, pegaria chuva durante a tarde, te emprestaria meu casaco novo, te levaria para casa e te compraria um livro novo só porque eu tenho pena de você? — Ela se calou. — Pena é a última coisa que eu sentiria por você. E olha que eu sinto muitas coisas por você... — Pausou. — Acontece que com apenas uma semana de convivência com você eu descobri o que eu não sabia com oito meses junto da Thalita. Que... Eu faria de tudo por você. Existe cem por cento de chances de ser retribuída por mim.
Ela segurou sua nuca, Daniel virou seu rosto para finalmente sentir o gosto dos seus lábios. Iam se beijar, mas a moto ‘’voou’’ quando seus lábios se tocaram levemente.
Daniel a agarrou por trás, a puxando da moto. Os dois caíram no chão. Enquanto assistiam juntos a moto correr e atravessar a rua, parando na caçamba de lixo atrás do restaurante. — Você se machucou?
- Não... — Ela respondeu. Daniel estendeu a mão e a ajudou a levantar. — Só estou assustada...
Agora Daniel sabia do seu trauma de motos. — Calma, estamos bem...
- M-me leva pra c-casa... — Estava trêmula.
- Acho que eu apertei o acelerador.
- Não foi você Daniel, foi eu. Nós dois sabemos disso. F-foi... Sem querer. Desculpe.
- Não tem problema, vem... — Atravessaram a rua. Daniel levantou a moto que estava caída no chão. Felizmente, não tinha sofrido nenhum arranhão. — Ainda bem que não aconteceu nada, essa moto é do Martim. — Disse suspirando. Montou na moto, deu mais uma olhada, ainda montado nela. — Está tudo ok. Sobe ai.
Julie cruzou os braços. — Estou com medo, vamos a pé.
[...]
Eles caminharam a pé até a casa de Julie, trajeto que demoraria uns vinte minutos de moto, demorou quase o dobro caminhando. Daniel andava segurando a moto e os dois capacetes com o guidão. Enquanto Julie segurava o braço do rapaz.
Finalmente chegaram. Julie perguntou se ele queria entrar, educadamente, Daniel recusou. Ele encostou a moto no muro, e com suas mãos dadas. Ele puxou Juliana. Ela pousou uma das suas mãos nos seus cabelos de anjo, enquanto Daniel a abraçava pela cintura. — D-Dan... — Se soltou, parecia ‘’incomodada’’ — A gente... Ia se beijar naquela hora. — Ele assentiu. — Eu quero que saiba uma coisa sobre mim. Eu acredito muito em sinais e... Se a moto voou bem na hora do beijo, significa que... Não devemos nos beijar agora.
- Mesmo que eu queira muito?
- Não é só você que quer. — Corou. — O que eu sou para você agora?
- Amiga você não é. Nunca te enxerguei apenas como uma amiga. — Pegou sua mão e a beijou. — Ficantes?
Ela sorriu fracamente. — Acho ótimo, enquanto você não enfrentar o meu pai...
Daniel alisou sua bochecha, puxou seu rosto e tentou roubar um beijo. — Você não me entendeu? — Perguntou se afastandando. — E-eu... Não sei se é uma boa hora... Para isso... Por enquanto. — Beijou o rosto do rapaz. — Preciso ir. Boa noite.
Ele só assentiu. Montou na moto. ‘’ Talvez eu seja estranho, pois... Posso ser o único garoto que se apaixonaria até pelas manias loucas dela... ‘’
Notas finais
Ele deu mais uma chance para a Thalita... E agora??? o.o '
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