Corações Feridos

27 Acontece o inesperado.


Notas iniciais
Daqui a pouco respondo os reviews, vou comer pizza! Haha *---* '
Qualquer erro de português, desculpem!

Julie chegou na tal entrevista, algumas pessoas estavam na sua frente e ela precisou esperar. Se sentou em uma das poucas cadeiras vazias da sala de espera. Cruzou as pernas, puxando sua saia um pouco mais para baixo e escondendo suas coxas. Suspirou, olhando para os próprios pés.

Estava entediada.

Olhou para o relógio de pulso. Era apenas sete e dezesseis. Avistou uma revista feminina jogada na cadeira ao lado. Pegou, passou algumas páginas, mas nada a interessava naquele momento.

Estava ansiosa com a entrevista de emprego. Já que nunca conseguiu arranjar um emprego, ela acha que essa maré de azar finalmente iria acabar. Afinal, ela nem se esforçou muito para conseguir vaga para uma entrevista. Ela apenas recebeu uma carta. '' Agora tudo vai dar certo. '' — Pensava.

Ela continuou passando as páginas da revista. Até que parou em algo que lhe interessou. Horóscopo. Daniel não gostava muito dessas coisas, ele dizia que era tudo papo furado. Mas já fazia meses que ela não lia um bom horóscopo. Ela acreditava fielmente em cada palavra.

Procurou pelo seu signo e começou a ler.

Esse mês será um mês de aprendizagem, um mês corrido. Muitas coisas vão acontecer, algumas coisas boas, outras coisas ruins. No amor, terá que pensar bem nas suas escolhas antes de se arrepender.

- Hm. — Ela estranhou aquilo. Não tinha gostado muito das palavras.

Leu, re-leu. Ficou com aquilo na cabeça. '' Coisas boas... '' — Pensava. '' O que aconteceu nesse mês que foi uma coisa boa? '' '' O meu emprego! '' '' Com certeza vou conseguir uma vaga dessa vez! '' '' Mas... E as coisas ruins... O que será? '' — Isso a incomodava.

Olhou para o relógio de pulso, sentiu que as horas passavam de vagar... Estava mais do que ansiosa agora. E o pior é que as mulheres que entravam na sala de entrevista demoravam quase meia hora lá dentro.

- Ai meu Deus, será que eu consigo? — Sentia um pouco de insegurança. — Droga... Mas que demora é essa de me chamarem?

- Você chegou atrasada, não? — Uma mulher ao seu lado a cutucou.

- Sim.

- Então você vai ser uma das últimas. Que nem eu. Também cheguei atrasada.

As duas suspiraram ao mesmo tempo.

[...]

Enquanto isso, Daniel estava no seu escritório, ele lia o contrato para entender o problema dos seus clientes. Infelizmente o contrato era grande, tinha umas seis folhas, e ele precisava ler tudo direitinho, sem se esquecer nem mesmo de uma virgula.

Ele também estava nervoso, estava desconcentrado já que pensava apenas no dinheiro.

E aqueles sete homens no seu escritório também o deixavam nervoso. Eram bem arrumados, usavam ternos de classe e os sapatos estavam brilhando. Ficou com um pouco de medo de como os homens o olhavam. Um deles fumava um charuto. Ele pensou em repreende-lo, pensou em lhe dizer que era proibido fumar. Mas resolveu continuar concentrado ali, no contrato.

[...]

Julie continuava na sala de esperas, sentia algo subir pela sua garganta. Era a ansiedade. Que cada vez mais tomava conta de si. Ela olhou para a janela do terceiro andar. Viu o Sol naquele céu com poucas nuvens, estava começando a soar, mesmo com o ar condicionado da sala ligado em 23 graus. Não sabia que no centro da cidade fazia tanto calor. Deve ser porque tem vários prédios e poucas árvores para proporcionar sombra e ar fresco, além da poluição que os diversos carros e motos faziam...

Se passou duas horas, eram dez e quinze. Julie ainda estava lá, já completamente entediada. Ela jurava que a fila ainda não tinha andado... Afinal, ainda via as mesmas pessoas ali.

'' Preciso me distrair, acho que vou ligar para o Daniel, quero saber como estão as coisas. '' — Pensou e pegou seu celular, discou os números, ligou para sua casa.

O telefone chamou, chamou, chamou, mas ninguém atendeu. Julie deixou chamar por quase vinte vezes. Desligou. — Que estranho... Será que ele está dormindo? Ele... Acordou tão cedo para me levar... — Comentou, ainda confusa. Ela queria saber como estava o bebê.

Pensou em ligar para a Bia, já que a irmã morava atrás da sua rua. Sempre via seu marido.

- Alô?

- Oi Bia, é a Juh!

- Oi amiga! Tudo bem?

- Sim! Eu liguei para saber do Daniel, ele já chegou ai?

- O Daniel? — Estranhou. - Não vi não hein...

- Não viu?

- Não! Olha, eu estou aqui na rua, pelo celular, tinha ido ao mercado... Quer que eu passe ai na sua casa para ver se ele chegou?

- Quero sim, Bia. Por favor. — Sorriu.

Do outro lado da linha, Bia atravessou a rua, já que Julie e seu irmão moravam próximo ao mercado. Ela só precisou andar mais um pouco e enquanto andava, ainda conversava pelo celular com Juliana. Perguntava como estava indo a entrevista...

- Cheguei, Juh. Espere um pouco. — Pediu, e afastou o celular do ouvido. — DANIEL! — Gritou. Apertou a campainha. — DANIEL! — Gritou novamente. Mas não recebia resposta. Estranhou ver a casa toda fechada. Foi andando mais um pouco, até que chegou na garagem, o portão da garagem era de grade, então dava para ver o que se passava lá dentro. — Ih Julie, o carro dele não está na garagem não... — Disse ao telefone.

- Tá bom, então ele ainda não chegou. Deve estar preso no trânsito, obrigada Bia, preciso desligar. — Desligou o celular, mas ainda sentia um pouco de preocupação.

Mas respirou fundo, precisava acabar com os pensamentos negativos.

Ela se acomodou na cadeira, acabou adormecendo ali mesmo.

[...]

- Moça. — Uma mulher a acordou, era uma faxineira que esfregava o chão. Julie foi abrindo os olhos. — Tudo bem?

- Huh, s-sim... E-eu... Dormi... — Esfregou os olhos, com a visão ainda embaçada, viu a sala de esperas vazia. — Para onde foi todo mundo?

- Para casa. — Respondeu normalmente, ainda esfregando o chão. — São duas e meia.

- O que?? E-eu... Perdi a entrevista???

- Infelizmente sim.

- Que droga! — Se levantou, enfurecida. — Será que eu vou conseguir outra oportunidade? — Perguntou para a mulher.

- B-bom, eu não sei... Precisa vir aqui quando te chamarem novamente, e da próxima vez... — Sorriu. — Não durma.

- Não acredito... — Sussurrou. — O Daniel vai ficar uma fera se souber que eu perdi o futuro emprego porque dormi... Não acredito... Eu estava planejando um emprego! E não consegui! De novo! — Pegou sua bolsa, já saindo.

Entrou no elevador. Desceu no primeiro andar, pegou o celular, ia ligar para Daniel busca-lá, mas parou. Parou na frente do seu prédio ao ver o carro do marido estacionado ali, no mesmo lugar. — Ah, meu amor chegou cedo para me buscar. — Disse sorrindo. — Poxa, m-mas ele podia estacionar na sombra, né? — Reclamou com si mesma ao ver o carro parado no Sol, um Sol de rachar...

Foi se aproximando do veiculo, o vidro era preto, e mesmo sem conseguir ver, imaginava que Daniel estava dentro do carro. Ela bateu no vidro, dando alguns tapinhas, mas logo se afastou. Olhou para a palma da sua mão. Estava vermelha.

Olhou para o carro. Não sabia que o carro ficaria tão quente.

Afinal, a quanto tempo o carro está estacionado aqui. — E com quem ele deixou o Diego? — Perguntou. — A Bia, claro! — Pegou seu celular, discou o número da amiga, mas parou ao reparar bem no carro. Foi se aproximando do vidro novamente, a cor preta do vidro lhe dificultava a visão.

Ela forçou sua visão. Conseguiu ver a cadeirinha do bebê lá dentro. — Ele trouxe o bebê? Pra quê? E cadê ele? — Essas perguntas não queriam calar.

Olhou para sua frente, viu o grande prédio. Lembrou que Daniel lhe disse que iria no seu escritório para pegar alguns documentos. Imaginou que ele resolveu pega-los na hora de vir busca-lá. Resolveu esperar na calçada. — Então você é a dona desse carro? — Uma mulher cutucou Juliana, a mesma se virou e viu que era a faxineira.

Estranhou a pergunta, mas respondeu. — Sim, o carro é do meu marido. Porque?

- Porque a duas horas atrás, quando eu cheguei no trabalho, eu ouvi um choro, vindo daí. — Apontou para o carro. — Um choro de um bebê.

Julie ficou pasma. — E-está brincando comigo não é? — Perguntou sem conter as lágrimas. — Não é possivel! — Correu para o carro, tentando abrir a porta, sem sucesso.

Pelo contrário, sua ação fez o alarme disparar. Um som alto e irritante se formou, parando qualquer um que estava na rua. Julie colocou as mãos no vidro, sem se importar com a quentura. Nem mesmo com o som alto o bebê chorava, lá dentro.

Ela atravessou a rua sem ao menos olhar. Correu e entrou no prédio do trabalho de Daniel. Não pegou o elevador, nem ao menos pensou em pega-lo, ela só correu, subiu as escadas.

Entrou no escritório do marido, não bateu na porta, saiu entrando. Viu Daniel ali, sentado, concentrado no documento, rodeado por alguns homens. — DANIEL! — Ela gritou, ele estava tão concentrado que nem a viu entrar.

Só com o seu grito ele levantou a cabeça. Arregalou os olhos. Se levantou na hora. — Julie! O que foi?! — Perguntou ao ver as lágrimas de sua mulher.

- O BEBÊ!

Com apenas essas palavras, Daniel também ficou pálido. Os dois se olharam e correram, saíram do escritório. Ambos não enxergavam direito já que as lágrimas dificultavam de mais a visão.

Chegaram na rua, já com um número elevado de pessoas paradas perto do carro. Daniel desligou o alarme e abriu a porta do carro, o mesmo virou o rosto, respirou fundo, o calor lá dentro era insuportável. — Meu Deus... — Apenas sussurrou e isso já foi o suficiente para Julie gritar pedindo ajuda.

Mais pessoas se aproximaram, Julie não ousava em olhar para dentro do carro.

Daniel retirou o cinto do seu filho. — Bebê, m-meu bebê... Ac-orda... O-olha para o pap-ai. — Ele pedia, trêmulo. Pegou seu filho nos braços, ainda dentro do carro, viu que ele estava imovel, com os olhinhos fechados e o corpo vermelho. — Julie... — Ele tirou o bebê. Juliana fechou os olhos, não conseguia... Não queria vê-lo.

Apenas perguntou. — O que houve com ele? Está muito ferido?

- Julie... — Daniel suspirou, ainda olhando para o seu filho. Deixou uma lágrima cair. — Ele está morto.

Notas finais
Comentem! Quem foi o culpado? A Julie ou o Daniel?