Coração de Porcelana

1 Prólogo - 15 de março de 1952


Notas iniciais
Repostagem de Coração de Porcelana, como prometido! Finalmente saiu xD

Prólogo — 15 de março de 1952

Talvez fosse devido aos acontecimentos que recentemente haviam ocorrido em sua vida, mas havia algo naquele dia que fazia Near pensar que ele não terminaria bem.

Correu seus dedos distraidamente na cicatriz na lateral de sua cabeça, bem escondida pelo cabelo dourado. Ainda sofria dores de cabeça constantes devido àquele golpe, porém tentava ao máximo manter-se neutro.

A aula estava acabando. Não apenas a aula, mas o dia em que terminaria o ensino médio também. Parecia que a turma toda já se encontrava naquele frenesi animado, porém simplesmente não conseguia se encaixar.

Com o canto dos olhos viu sua irmã gêmea algumas cadeiras à frente. Ela também não se encaixava de maneira alguma, encontrando-se submersa numa espécie de mundo próprio. Far frequentemente ficava daquele modo desde que toda a situação com Jake se iniciara, fazendo-o pensar se ela não sabia de algo, ainda mais levando-se em conta suas atitudes e algumas perguntas estranhas que ela o fizera.

Suspirou. Infelizmente para si, Far conseguia ser mais teimosa do que ele. Não conseguiria arrancar dela nada mais do que uma discussão. Conhecia-a bem demais para tentar.

O sinal tocou e todos os alunos começaram a levantar e pegar suas coisas antes do professor terminar de falar e ele tentava insistentemente terminar sua explicação. Fechou seu livro e caderno, permitindo-se parar um instante e respirar fundo. Sua cabeça latejava.

- Está tudo bem Toy? – a voz esganiçada de Petron acendeu uma pontada de irritação – como sempre fazia – mas segurou-se.

- Sim. – Pegou suas coisas e levantou, correndo os olhos pela sala. Parecia que Far saíra correndo de novo.

Saiu, indo ao corredor e passando silenciosamente pelos alunos. Havia algo que parecia não se encaixar, e aquilo martelava insistentemente em sua cabeça juntamente a sua pulsação insistentemente alta.

- Near?

A voz de Lucy acordou-o de seu transe, junto a sua mão segurando seu braço. Piscou algumas vezes, sequer havia percebido sua visão desfocada. Respondeu lentamente quando parou de ver duas Lucys.

- Sim?

- Está tudo bem? Está pálido. – o tom de sua namorada soava preocupado. Olhou em volta ligeiramente antes de responder.

- Dor de cabeça. – maneou ligeiramente com a mão na direção do local de sua cicatriz.

- Você não quer que eu vá atrás do Mihael ou...

- Não, estou bem. Vai passar. – os olhos sinceros pareciam ver sua alma. Suspirou antes de olhar envolta novamente, verificando se não havia professores – nem espectadores inconvenientes — por perto, então selou rapidamente seus lábios. – Olhe, eu irei no Ollivier com a Haydée, e então vou direto para casa. Chegando lá, ligarei para você, certo?

Os olhos castanho claros pareciam incomodados e preocupados.

- Tem certeza? Pode ser que...

- Tem algo que a comida do Ollivier não cure? – deu uma risada baixa sem muito humor, a abraçando ligeiramente.

- Certo, vou esperar então. – Lucy bateu ligeiramente em seu ombro. – Mas tome cuidado, por favor!

- Vou tomar! – respondeu enquanto juntava-se ao mar de alunos em direção à saída. Assim que passou pela porta avistou Haydée com suas usuais vestes negras. Não sabia se fora impressão sua, mas parecera que ela passava ligeiramente a mão sobre o ventre. Engoliu aquele agouro que vinha sentindo e foi em direção a ela, sem saber que nem mesmo se fosse capaz de tomar todo o cuidado do mundo seria capaz de impedir o que aconteceria.

Notas finais
Bom, é isso por enquanto. As postagens serão semanais (todo domingo, talvez).
Caso alguém tenha dúvida, Near é um personagem que aparece primeiramente em minha fic Motsatt. Caso queira se inteirar das situações mencionadas nos prólogo, ela está disponível!
Críticas, elogios, sugestões ou dúvidas, tudo nos capítulos!