Coração de Porcelana

14 Capítulo 14 - Perigo.


Stefan não sabia o que falar, era como se ele nunca tivesse beijado.
E ela o fazia muito bem, mas não dependia só disso, o amor dos dois contou muito, e foi um dos mais bonitos que já vi. Realmente impressionante.
Sophia ficou ofegante por um bom tempo, mas desta vez não parecia que estava morrendo, muito pelo contrário, era como se ela tivesse acabado de reviver.

- Ah – gemeu o garoto – Você nem sabe o quanto isso... isso foi bom pra mim – fechou os olhos e riu baixo.
— Acho que sei... Sei mesmo. – sussurrou.

Ele a puxou pra si e a abraçou, Sophia não imaginou que poderia ficar mais perto dele. Não havia como. Mas ele conseguiu e ela se encostou em sua camisa macia que cheirava a perfume.

- Foi bom ouvir você falar que me ama – sussurrou ele.
— Hum, foi bom ver que você falou primeiro – riu.
— É? Por quê?
— Porque quando a menina fala primeiro o menino sempre foge.

Ele soltou uma gargalhada.

— Ainda bem, então. Eu não me perdoaria se fugisse – deu um beijo em sua bochecha enquanto a deixava dentro de seu abraço. Protegida novamente. Ela ainda era sua boneca de porcelana.

Antes que Sophia pudesse repetir as mil vezes o “eu te amo” que ecoava em sua cabeça, a música acabou.
E logo começou as músicas de antes, os casais se separaram para se misturar com o pessoal. Stefan estava pronto para pegar Sophia no colo novamente para levá-la de volta. E desta vez ela não ficou confusa. Mas ria como uma criança enquanto ele corria com ela para fora da pista de dança, tentando não tropeçar em nada.
Na hora que Stefan colocou Sophia na cadeira, ela puxou o rosto dele para si. Pôde sentir a textura da barba que crescia, pequena, mas ela conseguiu sentir e sorriu.

— Eu vivi muito tempo desejando isso – murmurou.
— E conseguiu – sorriu e deu um selinho demorado na garota.

Sophia lambeu os lábios, secos de tanta tensão. Ele acariciou o rosto dela e se sentou.Os dois de mãos dadas.

Incrível, eles não conseguiram se separar.
Os amigos na mesa ficaram sem expressão. Melissa bateu novamente em Derek. Ele não era lá um cara que deixava sua "reputação de macho" para agradar a namorada, mas ela o amava de verdade. Ambos se amavam.
Bia estava deitada sobre o ombro de Marcos, que a abraçava. Ele estava achando o máximo.

— Acho que estou cansada – Beatriz sussurrou.
— Eu também. As músicas agora vão ser chatas para botar todo mundo para fora – Melissa sorveu o último gole de água que estava em seu copo. O calor era muito grande.
— E você, Soph? – perguntou Stefan.
— Ah, eu estou bem, mas está meio quente aqui dentro e Melissa tem razão sobre as músicas.
— Bom, vamos fazer assim, vocês nos esperam aqui e eu vou pegar o carro – Derek levantou pegando as chaves – Vamos, caras?
— Essa é a sorte de ter um namorado que repetiu de ano uma vez não é, Mel? Tem idade suficiente para dirigir – Marcos levantou e riu – Aproveitou bem!
— Cale-se! – reclamou Derek.

Stefan se virou para Sophia.

- Eu vou junto, impedir que se matem no meio do caminho, está bem?

A garota riu.

— Tudo bem.
— Volto logo – deu um beijo na testa dela e saiu com os amigos.
— Nossa, Sophia. Então é sério mesmo? – Mel correu e sentou ao lado da amiga.
— Lógico que é sério! Não parecia sério?
— Ele é muito fofo – Bia sentou do outro lado da garota com os olhos perdidos – de novo – na mesa.
— Como ele é? – Sophia pegou o seu copo com as mãos trêmulas.
— Bem – começou Melissa – Ele tem pele clara, quase igual a sua. Os cabelos também são super escuros.
— E bagunçados – Bia comentou – Mas aquele tipo de bagunçado charmoso, sabe? O cabelo dele nunca fica feio. É incrível!
— Correção, amiga... Ele nunca fica feio!
— Certo.
— E também os olhos dele... Oh Sophia! Os olhos cor do céu! Você não pode olhá-los por mais de alguns segundos! Eu juro. Azuis que dá para notar de longe!
— E os lábios, Mel? Super carnudos – riu – Santo Deus Sophia, que sorte a sua!
— Você viu como ele se veste Bia? Ele é charmoso, sempre está com uma camisa social ou descolada e calça jeans charmosa. Ele nunca veste bermuda nem nada do tipo, é super arrumadinho! Não do tipo mauricinho — riu -, mas... jeitoso.
— O tipo mauricinho chique... Sei lá!
— Como se fosse totalmente cavalheiro!
— E é! Pelo que vimos...
— O que foi aquele beijo? Meu Deus Sophia! Ele simplesmente te beijou com tanto amor!
— Cuidado da próxima vez! Não vão se engolir heim? – brincou Bia.

Sophia deu uma risada e depois tociu para fazê-las pararem de falar.

- Se eu não conhecesse vocês, ou se não tivessem namorado, diria que estão caidinhas pelo Stefan — disse, cruzando os braços de brincadeira.

As duas riram.

- Não se preocupe. O nosso problema é que gostamos dos idiotas jogadores de bola — Melissa colocou o braço em volta do ombro de Sophia.

Depois de rirem, as duas falavam sem parar.
Lógico que, certamente ela queria vê-lo, mas como não podia, ela dava o jeito dela. Imaginava. Juntou as peças. Quando o tocou e da descrição das amigas. Ele parecia realmente ser o cara perfeito. Daqueles que as meninas babavam. E também o mais gentil.
Passou o tempo. Eu não conseguia perceber, em minha visão, onde estavam. Como se os três garotos saíssem de minha mão, de meus planos.
Isso me deixou confusa e preocupada. Já eram para estarem aqui, levando as garotas para o carro.
Mas não me perturbei, quem eu iria tomar conta hoje era Sophia. Pelo menos nada ainda saira dos trilhos.
Eu me senti mais próxima dela do que nunca, tão próxima que já a sentia quase completamente em minhas mãos. Não fiquei triste. Era meu trabalho.

- Não é melhor irmos ver onde eles estão? – Melissa mordeu os lábios.
— Bom, eu não sei, disseram que a rua está um breu!
— É madrugada – Sophia completou – Perigoso.
— Mas estou preocupada – Mel engasgou as palavras e passou a mão na testa.

Elas estavam percebendo minha presença? Mas o que...

— Tudo bem, vão vocês duas na frente – Bia se levantou – Darei adeus pra algumas pessoas e aproveito para dar uma passada no banheiro. Encontro vocês lá – e desapareceu.
— Vamos? – Melissa ajudou Sophia a se levantar e logo os barulhos e as luzes foram ficando para trás. Elas estavam na frente do salão. A rua estava completamente vazia. Parecia que somente elas estavam indo embora do baile.
Mel puxou a amiga para o outro lado da rua, tentando encontrar o estacionamento. Mas ele estava um pouco longe. Continuou andando até que conseguiram, mas pararam antes de entrar.
Melissa tremeu e seus músculos enrijeceram.

- O que foi? – Sophia perguntou.
— Fique parada — Alertou.