Coração de Gelo (Versão antiga)
6 Cara a cara
Notas iniciais
Edward chegou à base Seal quase três da madrugada e não teve pena alguma em pegar um balde cheio de água gelada e sem piedade jogou seu conteúdo sobre o soldado Paul que estava adormecido em um dos dormitórios da base onde havia mais três soldados.
O general estava furioso! Nada o faria mudar seus planos, pois primeiro tinha visto sua mulher nos braços de outro e depois a mesma o deixou na mão a ver navios, completamente excitado! Mas uma coisa ele tinha que admitir... a filha da mãe tinha estilo, ela sabia muito bem como se vingar, deixá-lo de bolas azuis foi uma excelente vingança!
Paul saltou da cama completamente assustado e molhado, soltou um impropério qualquer, mas ao ver o general parado a sua frente com uma expressão de pura raiva ficou branco como um fantasma e desejou poder sumir dali completamente incapaz de dizer algo em sua defesa.
–Para o campo de treinamento agora!- a voz de Edward era baixa e letal.
O soldado engoliu em seco, ele já sabia que coisa boa não o esperava.
Quando chegaram ao campo de treinamento o general estalou os dedos e flexionou as mãos antes de começar com o show de socos e era melhor Paul começar a rezar, pois Edward não teria piedade dele.
Os golpes eram fortes, precisos e perigosos, tanto que seria capaz de machucar o próprio Edward se ele não estivesse tão fora de si a ponto de não sentir nada.
O soldado caiu no chão completamente machucado, o general tinha virado uma maquina de bater ao acertá-lo e não satisfeito Edward o fez ultrapassar diversos obstáculos, um pior que o outro no tempo mais breve possível.
–Levanta seu molenga! Foi capaz de se engraçar com minha mulher também é capaz de aguentar seu castigo pela gracinha.
–General, eu não sabia que ela lhe pertencia, eu... – Paul tentou se explicar mesmo completamente ofegante.
–Dane-se! Acha que eu me importo com isso? Você tem menos de 4 minutos para fazer duas mil flexões e menos de meia hora para dar 500 voltas por todo perímetro da base. Ultrapasse esse tempo e as coisas vão ficar realmente pretas para você.
O soldado bem que tentou, se moveu o mais rápido que pode, mas todo quebrado como estava era impossível agir com a rapidez e agilidade necessária e é óbvio que o general sabia disso, pois o que fez foi proposital uma vez que sua fúria era gigantesca.
–É hora de nos divertimos mais um pouco soldado.
O general arrastou Paul com um sorriso de crueldade no rosto até o lago da base, lago esse cuja a água era extremamente fria, ainda mais em plena madrugada.
–General, por favor, o que vai fazer?- por dentro o soldado tremeu.
Iria Edward matá-lo?
–Você já vai saber. – a voz de Edward tinha um q de divisão cruel.
O General fez Paul cair de joelhos à beira do largo.
Agarrando o solado pelos cabelos Edward afogou a cabeça dele dentro da água fazendo o mesmo se desespera com medo de morrer, mas era óbvio que matá-lo não era sua intenção. Como ele se divertiria?
–Diga-me Paul... porque isto está acontecendo?- ele retirou a cabeça do soldado de dentro da água, porém não por muito tempo.
–Eu não sei senhor.
–Resposta errada. –e lá estava a cabeça dele de volta a água gélida. –Vou perguntar outra vez, por que isto está acontecendo?
–P-Porque... P-porque... me envolvi com sua mulher. – o pobre gaguejou.
–Exatamente seu filho da puta! Agora ouça bem o que eu vou te dizer... Vou amarrá-lo muito bem amarrado, vou jogá-lo nesse lago e você terá um minuto para se soltar do contrário... – o general não se deu ao trabalho de terminar a ameaça, de dentro de seu bolso ele retirou uma forte corda e então amarrou Paul nas mãos e nos pés de modo bem apertado e então o jogou no lago.
Contando mentalmente um minuto o general retirou a roupa e se jogou no lago apenas de cueca — peça que raramente ele usava — quando emergiu outra vez segurava Paul pelo tronco.
Ao pisar em terra olhou fixamente nos olhos negros de Paul.
–Retire você mesmo às cordas e saiba que não tem permissão de sair da base pelos próximos dois meses e ficará responsável por limpar os banheiros a partir de agora.
O soldado nem mesmo respondeu, estava ocupado demais tremendo de frio.
O general se jogou em sua cama e dormiu por pouco mais de uma hora, logo ao raiar do dia tinha de partir em uma importante missão.
–Tem certeza que quer que eu fique na base, Edward?- Emmett perguntou, um pouco antes do amigo entrar no avião.
–No momento você é mais útil aqui do que lá Emmett, mas não se preocupe tudo dará certo. – o coronel assentiu e se afastou para que o avião pudesse decolar.
A missão seria no Senegal, país africano que sem o conhecimento da imprensa vinha trazendo problemas ao poderoso EUA, o general tinha o dever e o intuito de resgatar um grupo de vinte oficiais das forças armadas americanas.
[***]
Bella pulou da cama logo cedo, tinha algumas coisas a fazer antes de ir para o trabalho, depois de sua higiene pessoal ela ligou seu notebook e abriu sua conta de e-mail.
Alguns eram relacionados ao seu trabalho, outros se tratavam de propagandas e um era de sua amiga Milly.
“Olá querida, como você está? Desculpe não ter entrado em contato antes, mas eu ando na correria.
Como está indo no trabalho? Precisa de ajuda em algo? Se precisar dou um jeito de ir até ai.
Rafa está meio irritada porque você não anda atendendo as ligações dela rsrsrs...
Novidades? Como está sua princesa?
Beijos”.
Dizia o e-mail de sua amiga, Bella sorriu lendo-o. Quando Milly ou ela não estavam na correria? A morena pensou por um instante no que responderia antes de começar a digitar:
“Oi amor, eu estou bem e minha princesa andou tendo alergia, mas agora está bem.
Não se preocupe, por enquanto eu estou me virando bem no trabalho, mas já não posso dizer o mesmo da minha vida pessoal.
Encontrei Edward e as coisas não foram nada fáceis entre nós. Eu até tentei me controlar, me manter fria, mas quando dei por mim já o tinha acusado de assassino,
Eu me sinto tão frustrada e irritada às vezes, é tão fácil ser determinada e dura com os demais, mas Edward Cullen tem o poder de me desestruturar e de me fazer sentir perdida.
Às vezes penso que ele é inocente e temo estar sento injusta, mas também temo me deixar enganar por Edward e no fim descobrir que ele é sim culpado.
Arg!
Tenho que ir ou acabarei me atrasando.
Beijos e se cuide amor.
Bella desligou o notebook e foi para a cozinha onde á essa hora sua mãe já estava. Era hora dela e de Renée conversarem.
–Bom dia filha, achei que você fosse dormir um pouco mais. – sua mãe disse assim que ela pôs os pés na cozinha. –Aconteceu alguma coisa?- Renée indagou colocando uma jarra de suco sobre a mesa do café.
–Quantas vezes vou ter que lhe dizer para não falar mal do pai de Milla para ela? É tão difícil assim de entender ou por acaso eu ando falando grego e não sei?
–E você quer que eu diga o que depois do que aquele homem fez? Que ele é um santo?- Renée ironizou.
–Eu não estou pedindo isso, só quero que pare de manchar a imagem dele diante dela. Milla tem direito de fazer seu próprio julgamento sobre o pai quando chegar a hora!- Bella levou as mãos ao rosto.
–Faça-me o favor Isabella!
–Faça-me o favor você mamãe! Ou você para ou serei obrigada a tomar serias decisões drásticas, está avisada. – Renée olhou para a filha sem acreditar em suas palavras e iria dizer alguma coisa, porém Bella saiu de lá antes mesmo que ela pudesse fazer isso.
A morena subiu as escadas apressada, acordou sua filha e depois da menina se arrumar as duas saíram para tomar café no caminho da escola de Milla.
Lá ela deu um esporro na diretora pela falta de atenção com sua filha e deixou bem claro que o fato de sua filha não ter um pai presente, não queria dizer nada e que ela seria capaz de passar por cima de qualquer um para proteger sua menina.
[***]
Duas semanas depois...
Quando general abriu os olhos à luz branca do hospital atingiu seus olhos e um bip irritante soava pelo quarto onde estava.
Mal se moveu e sentiu seu corpo inteiro doer, a missão para qual ele tinha ido havia se tornado mais perigosa do que o esperado. Dois de seus homens foram feridos e ele teve que sair da trincheira em que estava sem proteção alguma para resgatá-los, pois um Seal nunca ficava para trás. Mas essa sua atitude lhe custou caro, ele estava todo arrebentado. Tinha levado um tiro, quebrado algumas costelas e sofrido alguns cortes.
Edward sentiu que era observado e ao virar-se para ver quem estava ali se surpreendeu ao dar de cara com uma linda menina que lhe olhava ternamente.
–Oi. – o general falou com uma garotinha que lhe olhava curiosa, e parecia preocupada.
–Oi. Você está muito tempo aqui? Está sentindo dor?- a garotinha perguntou com voz doce e ele sentiu uma paz ao escutá-la, uma paz que não soube explicar.
–Acho que estou aqui há uns três dias. Só minhas costelas doem um pouco. – mentiu não querendo preocupar demais a criança, pois seu corpo inteiro doía como se um trem houvesse passado por cima dele.
–Quer que eu chame um médico? Uma enfermeira? Alguém?- perguntou solicita. Edward se viu tocado pela preocupação da menina.
–Não é preciso, sou forte e sei que logo vou melhorar. – ele respondeu.
Os olhos dela brilharam.
–Qual o seu nome? Eu me chamo Milla. — a menina não sabia dizer por que mais vendo aquele homem grande e tão bonito, tão fragilizado lhe despertou grande interesse e preocupação.
Ele parecia tão bom.
–Tem um nome muito bonito Milla, tão lindo quanto você. Meu nome é Edward. – a menina lhe sorriu. Um sorriso tão grande e lindo que Edward se viu encantado.
–Seu nome também é muito bonito, é como nome de príncipe e você parece um príncipe, um lindo príncipe. – Milla aproximou-se dele e tocou seu rosto.
Era tão bom senti a mãozinha macia sobre seu rosto.
–Obrigado.
–Você tem filhos?- ela perguntou de repente.
–Tenho uma filha, ela é uma mocinha como você e tenho certeza que ela deve ser tão linda quanto você. – Edward falou com carinho. Estava muito cansado, mas estava gostando de conversar com a menina.
–Você não conhece a sua filha?- Milla indagou surpresa e uma sombra de tristeza e compreensão caiu em seu olhar. Edward fez que não com a cabeça. – Não fique triste não, eu também não conheço meu pai, mas eu ia gostar muito se ele fosse como você. Vai parecer estranho o que eu vou dizer, mas eu sei que você é um cara legal e sua filha vai gostar muito de você um dia.
O general se emocionou com as palavras daquela linda menina que lhe lembrava alguém, porém ele não sabia dizer quem e Milla não tinha a menor ideia de como estava certa no que disse.
O destino tratou de unir pai e filha sem que os mesmos soubessem disso.
–Obrigada princesa. – o general beijou o rosto da menina.
–Acho melhor você descansar agora. Eu tenho que ir, vovó me pediu para esperar ela lanchonete. Foi um prazer conhecer você Edward, espero que fique bom logo.
–O prazer foi meu princesa.
Quando a menina deixou-o sozinho Edward sentiu uma estranha sensação de vazio e depois disso a única lembrança que ele tinha de sua filhinha lhe veio á mente.
O momento em que ele á viu no berçário, tão pequena, tão indefesa e tão linda. Ela parecia um anjinho, um presente dado a ele por Deus para que ele tivesse forças e lutasse para seguir em frente.
O general somente a viu por breves minutos, graças a um velho amigo que conseguiu uma permissão especial para que mesmo preso ele pudesse sair e ver a filha sem que Bella soubesse é claro.
–O papai vai dar um jeito de te encontrar filha, eu prometo. – Edward sussurrou e então gemeu de dor.
[***]
–Jasper, eu preciso que ligue para a base Seal e peça para que o general venha até aqui, precisamos resolver de uma vez por todas o que faremos nessas missões conjuntas, pois com o atual plano é o mesmo que mandamos nossos agentes para o suicídio. – Bella falou, mas no fundo queria engolir tais palavras, a última coisa que queria era ter de ficar outra vez frente a frente com o homem que tanto a descompensava.
–Acha que isso realmente pode acontecer?- o subdiretor perguntou.
–Se eu acho? Eu tenho certeza Jasper. Não sei quem foi o louco que traçou esse plano, porém sei que vou mudá-lo do começo ao fim.
–E você quer que eu ligue para lá para evitamos a terceira guerra mundial caso o general não goste, certo?
Bella quase riu.
E desde quando Edward e ela precisavam de um motivo como esse para haver a terceira guerra mundial? Eles eram a própria terceira guerra mundial.
–Vai logo loiro abusado!- ele obedeceu e meia hora depois voltou com uma expressão nada amigável.
–O que foi?- Bella perguntou.
–Eu não consegui falar com general, apenas com o coronel. – tinha mais nisso, ela podia sentir pelo tom de voz dele.
–Por quê?
–Você não vai querer saber. –foi à resposta do subdiretor.
–Se eu perguntei é porque quero saber. – respondeu dura.
Ele respirou fundo antes de abrir a boca.
–Palavras do coronel “diga àquela cretina que o general não passa o dia brincando de casinha para atender aos desmandos dela quando ela bem entender”
Por um momento Bella achou que não tinha ouvido direito.
Quem esse coronel achava que era para falar com ela assim?
–O que vai fazer?- Jasper perguntou ao vê-la pegar o telefone.
–Dar um motivo verdadeiro para esse coronelzinho me chamar de cretina. –a morena grunhiu.
–Base Seal da marina americana, em que posso ajudar?– uma voz suave e feminina disse do outro lado da linha.
–Quero falar com o coronel MacCarty e não me importa se ele está ocupado ou não, quero falar com ele agora mesmo.
–A quem devo anunciar senhora?
–Isabella Swan.
Três minutos depois Bella ouviu uma voz grossa do outro lado.
–Coronel MacCarty.
–Quem você pensa que é para me chamar de cretina se nem ao menos nos conhecemos pessoalmente?!- ela rugiu.
–Eu não preciso conhecê-la para saber a cretina que é afinal que outro nome pode se dar a uma mulher que é capaz de jogar a aliança de casamento na cara do marido e depois simplesmente lhe virar as costas, isso quando ele estava preso e nem se quer podia se defender! -Emmett gritou do outro lado.
Continua...
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