Coração de Gelo ─ Nova Versão
4 Reencontro
Notas iniciais
Capítulo 4
Ser um almirante SEAL nunca foi algo fácil, mas ter apenas certas informações limitadas e tão pouco tempo para trançar um delicado plano de ação tornava as coisas ainda mais complicadas. Especialmente quando esse plano de ação envolvia adentrar em uma aeronave civil que estava em pleno ar e havia sido sequestrada por um extenso grupo de terroristas de alta periculosidade. Mas, apesar disso de alguma forma o almirante Edward Cullen e seus subordinados SEAL’s estavam conseguindo manter os civis a bordo sobre controle e realizando com sucesso a missão que lhes foi dada. Enquanto Isabella Swan se mantinha oculta deles escondendo-se dentro do banheiro da primeira classe para que eles não lhe vissem, entretanto ela deixou a porta entreaberta para poder observar seu marido em ação e tê-lo tão perto dela após treze anos separados despertou nela lembranças que Bella preferia manter enterradas...
─ Para onde você está me levando? ─ Bella perguntou a Edward quando ele tampou seus olhos e a guiou por um caminho desconhecido.
─ Calma. Você já verá. ─ respondeu e ficando atrás dela ele a posicionou melhor onde queria antes de liberar a visão dela e surpreendê-la com aquilo que desejava lhe mostrar ao levá-la naquele lugar paradisíaco.
─ Uau! ─ a morena exclamou ao ver do alto de um penhasco a linda vista panorâmica da capital americana que se estendia à frente deles.
─ Gostou? ─ Edward indagou em expectativa.
─ Adorei. Esse lugar é incrível! ─ expressou extasiada.
─ É sim. ─ seu namorado concordou.
Eles estavam juntos há três semanas desde que Edward havia pedido oficialmente permissão a Charlie para namorá-la.
─ Como você descobriu esse lugar? ─ Bella quis saber.
─ Minha mãe me trouxe aqui uma vez e eu quis compartilhá-lo com você. ─ ele disse e sorriu para ela.
─ Obrigada. É lindo. ─ sua namorada fez questão de lhe agradecer ao lhe abraçar apertado e Edward lhe retribuiu o carinho ao beijar suavemente os cabelos dela.
─ De nada. Mas agora que tal aproveitarmos esta exuberante paisagem para fazemos um piquenique? ─ propôs e ela sorriu animada.
─ Isso é sério? ─ tratou de questioná-lo surpresa.
─ Sim. Aceita? ─ retrucou gentil.
─ Claro. ─ respondeu com entusiasmo e os olhos de Edward brilharam de alegria ao ver a reação dela diante daquela ideia dele.
─ Então vem comigo. ─ pediu e prontamente Bella lhe atendeu.
Edward então a levou até a traseira da picape de Carlisle e a sentou ali onde havia uma grande cesta artesanal repleta de alimentos saborosos e belo ramo de flores silvestres.
─ Que delicia! ─ ela exclamou ao provar um delicioso doce brasileiro denominado de quindim.
─ Foi a minha avó materna quem me ensinou a receita quando eu ainda era criança. ─ contou-lhe saudoso.
─ E te ensinou bem, pois está muito bom! ─ declarou honestamente e realmente deliciada com o saber maravilhoso daquele doce.
─ E eu sei de um jeito que ele pode ficar melhor ainda. ─ afirmou sedutor.
─ Ah é? Como? ─ sua namorada decidiu jogar o jogo dele e Edward sorriu para ela.
─ Assim. ─ ele disse e a beijou nos lábios.
Um beijo doce, intenso e muito bom! Um beijo tão satisfatório que a morena sentiu seu corpo em brasas à medida que o tempo foi passando e o beijo deles continuou cada vez mais ardente. Enquanto Edward mantinha seus dedos entrelaçados nos dela, mas houve um momento em que ambos precisaram de ar e foram obrigados a interromper aquele gesto de paixão.
─ Aonde você vai? ─ ela inquiriu quando ele se afastou dela para colocar um CD para tocar.
─ Você já vai saber. ─ falou enigmático e logo os primeiros os acordes da música Always de Atlantic Starr começaram a tocar. ─ Dança comigo? ─ ele lhe pediu ao se reaproximar dela.
─ Claro. ─ Bella respondeu e quando ficou de pé os dois dançaram agarradinhos um ao outro como se o resto do mundo simplesmente não existisse para eles.
─ Não há lugar melhor nesse mundo do que seus braços. Sabia? ─ ela lhe sussurrou na metade da música.
─ Nem aconchego melhor do que seu calor. ─ Edward retrucou e sob a luz das estrelas os dois mais uma vez se beijaram.
─────
─ Falta muito para chegamos lá? ─ Bella questionou, enquanto Edward e ela caminhavam por uma trilha da floresta de Washington, D.C.
─ Não. Nós estamos quase lá. Já dá até para ouvir o barulho da água correndo no rio. ─ falou.
─ Sim. É um barulho reconfortante. ─ comentou, enquanto ele a ajudava a ultrapassar as partes mais difíceis da trilha.
─ Prontinho. Chegamos. ─ seu namorado anunciou quando eles pararam no fim da trilha e se depararam com a margem de um rio cristalino.
─ Nossa. É lindo aqui! ─ ela exclamou ao se aproximarem mais da água.
─ Sim e muito tranquilo também por ser um local um tanto isolado da correria da cidade. ─ disse e ambos sorriram cúmplices.
─ Será que a água daqui é muito fria? ─ Bella inquiriu.
─ Não. Ela tem uma temperatura deliciosa. ─ Edward retrucou e esta informação a agradou.
─ Nesse caso que tal entrarmos nela um pouco? ─ sugeriu.
─ Ótima ideia. Vem. Eu te ajudo a chegar mais perto. ─ seu namorado lhe ofereceu e estendeu a mão para ela para que a morena pudesse se apoiar nele e não tropeçasse em alguma pedra.
Em seguida Bella tirou sua saída de banho e ficou apenas com um biquíni azul claro que nela estava muito bem e quando Edward a colocou em suas costas para irem até a parte mais funda, ela o segurou suavemente pelos ombros.
Depois quando já estavam no meio do rio ambos mergulharam no rio e nadaram na direção um do outro trocando beijos rápidos de baixo daquela água cristalina antes de submergirem na superfície de olhos fechados e sorrisos apaixonados nos lábios.
─ Sabia que você é perfeita para mim? ─ Edward disse ao abraçá-la dentro d’água e sua namorada sorriu para ele entrelaçando suas pernas ao redor da cintura dele.
─ Sabia, porque você também é perfeito para mim. ─ Bella declarou e eles se beijaram de modo suave, mas apaixonado.
─ Levante-se verme! ─ a fria Coração de Gelo ouviu Edward grunhi para o terrorista Said Mansour, um dos homens mais procurados pela Interpol, e isso a arrancou de suas lembranças.
Em seguida ela viu esse terrorista tentar resistir ao comando do almirante e atacá-lo com um canivete afiado. Todavia, seu marido foi mais rápido e tão de pressa quanto o animal a qual seu codinome representava ele deu o bote em Said e o jogou no chão antes de lhe aplicar uma chave de braço para algemá-lo, enquanto o mantinha preso ao chão com o auxilio do peso de seu pé.
─ Ratazana infiel que Allá de jogue no fogo do inferno e você queime como um porco imundo! ─ o terrorista o amaldiçoou em árabe e como resposta Edward o arrastou do chão e o atirou nos braços do comandante Mike Newton para que esse o leva-se para junto dos demais vermes, que agora estavam sob custódia do grupo SEAL e isolados na classe executiva, onde não havia passageiros, até chegarem a terra.
Depois o almirante pressentiu que estava sendo observado por alguém e seguindo seus instintos ele se voltou em direção ao banheiro onde sua esposa estava escondida dele e ela arfou quando a porta foi aberta de supetão por ele. Edward então congelou no lugar ao perceber que após treze anos de uma longa e dolorosa ausência sua amada Bella estava frente a frente com ele.
─ Olá, Edward. ─ ela foi a primeira a reagir ao reencontro deles, mas apenas por já está esperando esse reencontro e como resposta seu marido bateu a porta atrás de si para que tivessem alguma privacidade nesse momento tão delicado e intimo que eles estavam vivendo naquele estreito banheiro de avião.
─ Treze anos longe de mim Isabella e “olá, Edward” é tudo o que você tem a me dizer? ─ o almirante indagou pasmo com o cinismo dela e tirou a máscara que protegia a verdadeira identidade dele dos civis e inimigos.
─ Prefere que eu o chame de assassino? ─ a fria Coração de Gelo contra-atacou para se defender e o almirante reagiu como se ela o tivesse esbofeteado.
─ Não é possível que você realmente acredite que eu matei o homem a quem eu amava como um pai. ─ ele disse e seu tom de voz não deixou dúvidas que ela o tinha magoado, mas Bella simplesmente se recusou a ceder diante da dor dele, porque ela nem se comparava a dor que ela sentia por não ter mais seu pai do lado dela.
─ No que eu acredito ou não, não é da sua conta. ─ respondeu grosseira.
─ De verdade, onde está aquela mulher que tanto me amou? ─ seu marido questionou quebrado pela cruel frieza dela com ele.
─ Morreu junto com o pai dela e no lugar dela ficou alguém desprovida de bons sentimentos por você. ─ rebateu amargamente e se Edward estivesse morto aquele seria o último prego na tampa do caixão dele.
─ Tudo bem, eu já entendi o seu recado: Você me odeia desde que me acusaram pela morte do seu pai e sua mãe te convenceu a acreditar nessa falsa acusação. Você me odeia mesmo eu ainda não tendo sido condenado por aquilo que supostamente fiz contra Charlie, mas você já me condenou no seu coração e essa sentença é irrevogável, não é mesmo? ─ ele lamentou tentando parecer distante da sua esposa, mas a dor que ela estava lhe causando era tanta que ele estava falhando miseravelmente.
─ Ou até que me provem o contrário. ─ Isabella disse, não querendo revelar que, apesar de toda a raiva que sentia muitas vezes ela duvidou dessa acusação que pesava contra ele.
─ Muito bem. E onde está nossa filha? ─ perguntou e uma nova emoção tomou conta do peito dele.
─ Minha filha. Se você realmente quisesse saber dela já teria encontrado um modo de nos achar onde quer que fossemos nesses últimos treze anos. ─ a fria Coração de Gelo declarou apertando o dedo sobre uma das maiores feridas do almirante.
─ Você não sabe o que diz. Você não sabe toda a merda que eu tenho passado desde que vocês se foram. ─ grunhiu verdadeiramente irritado por Bella duvidar até mesmo do seu amor de pai por Milla.
─ Não. Eu não sei e nem quero saber, mas eu sei o que digo. ─ retrucou colérica.
─ Não. Não sabe, porque se soubesse não diria uma estupidez dessas! Eu literalmente procurei vocês até debaixo da terra quando achei que pudessem estar mortas por eu não encontrar noticias de vocês em lugar algum do sistema. Mas, agora eu sei que Nathan está por trás desse sumiço milagroso, apesar dele ter me negado isso muitas vezes e agora muita coisa não se encaixa. Todavia, eu juro a você que se minha filha me odiar pelo meu forçado distanciamento dela eu esquecerei todo o amor que ainda sinto por você e farei você pagar por isso. ─ declarou e antes que Bella pudesse reagir à ameaça dele seu marido colocou a máscara dele de novo e deixou o banheiro em que estavam até então.
─ Senhoras e senhores, eu sou o chefe dos SEAL’s da marinha americana e como todos puderam perceber esta aeronave sofreu uma grande ameaça terrorista, que felizmente já foi controlada e não voltará a ameaçá-los, graças a uma pessoa bastante perspicaz que foi rápida em contatar determinadas autoridades militares. Por favor, permaneçam tranquilos e não se levantem dos seus lugares para que meus homens e eu possamos concluir nosso trabalho com sucesso. ─ o almirante disse através do interfone, mas muitos passageiros ali não o compreenderam inicialmente porque ele se dirigiu a todos em inglês e muitos só falavam francês por ser a língua nativa deles.
─ Eu posso? Alguns não entenderam você. ─ a nova diretora do FBI avisou a ele ao se reaproximar dele e Edward só permitiu que ela agisse porque o francês dele não era dos melhores. ─ Senhoras e senhores, eu sou Isabella Swan, a nova diretora do FBI e irei traduzir para vocês o que alguns não entenderam em inglês. ─ Bella começou e Edward só entendeu o que ela disse até ai quando a mente dele se perdeu no fato de que ela já não usava o sobrenome de casada e que o comandante Nathan Fox mentiu para ele quando disso que a informação que eles receberam tinha vindo de uma civil americana com fortes ligações no governo deles.
Aquele cretino sabia que eu a encontraria aqui. O almirante concluiu em seus pensamentos.
─ Você me pagar Nathan! ─ ele sibilou baixinho, enquanto sua esposa continuava falando com os passageiros do avião e quando ela terminou Edward foi obrigado a acalmar os nervos dessas pessoas antes de arrastá-la par longe dos olhos dos demais.
─ Onde está Milla? ─ ele exigiu saber quando a levou para área reservada aos tripulantes e Bella lhe deu um safanão para se livrar do agarre dele.
─ Na cabine de comando com a minha mãe, entretanto nem pense que você vai se aproximar dela aqui, porque antes eu te mato e o comandante desta aeronave tem ordens expressas de ninguém. ─ o ameaçou.
─ Não se preocupe, porque apesar de eu não ter convivido com a nossa filha, eu sou pai dela e não pretendo assustá-la de jeito nenhum, mas com certeza eu a terei em meus braços quando estivemos em solo americano e nem você, nem ninguém irá me impedir de fazer isso, pois eu não penso tolerar qualquer tipo de intervenção. ─ a alertou e ela viu um perigo real nos olhos dele.
Em seguida Edward se afastou dela e após falar por rádio com seus soldados ele entrou em contato com a torre de controle e algum tempo mais tarde a aeronave pouso em solo americano. Onde Bella quase saiu correndo de dentro dela com Milla pegada em sua mão e sua mãe no encalço delas, porém o almirante as viu de relance no meio dos passageiros que desembarcavam nervosos pelo que aconteceu naquele voo e correu atrás delas depois de não ter nada nele que pudesse identificá-lo como um dos SEAL’s que estavam na aeronave.
─ Milla. ─ ele chamou por sua filha, porque sabia que se chama-se por Bella ela não pararia e quando aquele linda menina ruiva se virou na direção dele foi como se olhar em um espelho, porque Milla era sua cópia fiel e isso era incrível, mas assustador ao mesmo tempo.
─ Papai. ─ ela sussurrou, porém ele pôde ler a palavra nos lábios dela e ficou emocionado por sua filha não o odiar. ─ Papai! ─ ela repetiu mais alto e mesmo que a mãe tenha tentado segurá-la, Milla se soltou dela e correu na direção dele, sendo amparada nos braços por seu pai minutos depois.
─ Minha bebê! Ah meu amor, é tão bom ter você nos meus braços e poder sentir o seu cheirinho gostoso de criança que você tem. ─ ele dizia emocionado, enquanto a abraçava e a menina estava agarrada a Edward com toda sua força, enquanto ambos choravam de emoção, todavia estavam felizes por se reencontrarem.
E Bella assistia a toda àquela cena estarrecida, mas ao mesmo tempo emocionada, mesmo ela não deixando transparecer qualquer sentimento que fosse e Renée não poderia ficar mais furiosa do que estava com aquela situação, porém ela era covarde demais para enfrentar Edward e tirar Milla dos braços dele.
Bella demorou a sair do transe em que estava e se aproximar de Milla e Edward, no entanto ela reagiu e quando isso aconteceu à morena estava disposta a colocar certa distância entre eles.
─ Milla vai para o táxi. ─ ela ordenou para sua filha.
─ Mas mãe. ─ a menina protestou se afastando um pouco do almirante.
─ Milla vai para o táxi. ─ repetiu mais firme.
─ Eu... ─ Milla começou a protestar de novo, todavia para o bem da sua filha ele achou melhor interferir.
─ Obedeça a sua mãe, meu anjo. O pai te encontra em casa mais tarde. Eu juro e prometo que a partir de agora sempre farei de tudo para ficar perto de você. ─ Edward adicionou ao notar que Milla estava insegura sobre deixá-lo por medo de ele sumir novamente da vida dele.
─ Está bem. Mas lembra-se que promessa é divida. Okay? ─ perguntou desconfiada e Edward sorriu para ela.
─ Okay. ─ respondeu e assim que sua filha desapareceu com Renée pelo aeroporto ele encarou Bella.
─ Não pense que eu deixarei Milla desaparecer da minha vida outra vez, pois se você tentar qualquer coisa do tipo não haverá Nathan que possa esconder você, nem salvá-la da minha ira. Porque eu te amo mais que a mim mesmo e sempre amei, mas a nossa filha vem em primeiro lugar. Entendeu? ─ o almirante achou melhor deixar aquele ponto bem claro para sua esposa.
─ Claro como água, mas por mim você pode engolir esse seu maldito amor, que com exceção de Milla só me trouxe desgraças, e não se preocupe, já que agora Milla sabe que você está por perto e eu jamais faria algo que pudesse magoar a minha filha de alguma maneira. ─ sibilou e a morena não sabia, entretanto cada palavra dita por ela desde que eles se reencontraram a pouquíssimo tempo estava sendo como uma verdadeira faca afiada no coração dele.
─ Eu não posso engolir, nem fingir que não existe em mim esse sentimento que arde em meu peito a cada instante em que penso em você e eu não pretendo fingir que a odeio só para comprazê-la, porque apesar de você ter me humilhado e me abandonado no pior momento da minha vida o meu coração segue batendo por você como um louco que não pode, nem sabe viver sem seu medicamento principal. ─ asseverou-lhe e aquela declaração apaixonada dele bateu forte nela, pois naquele momento ela não estava agindo como a fria Coração de Gelo, mas apenas como a Bella confusa e indefesa que tanto sofreu e ainda sofria por estar longe daquele homem agora parado a sua frente.
Continua...
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