Notas iniciais
Oi amores, sei que parece que eu sumi de novo, mas não foi isso não. Eu estive por aqui nos últimos dias como um fantasma porque primeiro me atacou uma queda de pressão forte (isso não me acontecia há uns dois meses). Depois a minha coluna ficou igual àquelas dobradiças enferrujadas (teve um dia que até travei quando fui pegar algo num móvel baixo da cozinha e tive que me abaixar). Em seguida a cólica apareceu e eu simplesmente não consigo escrever assim. Por último a minha casa estava em reforma (o pedreiro ainda fez uma grande M aqui). O capítulo não está revisado, mas eu acredito que até segunda-feira a revisora me entregue a versão revisada dele. Muitas cenas que estariam nesse capítulo foram repassadas para o próximo capítulo porque este ficou muito grande, inclusive uma que até postei como spoiler nos grupos do Facebook e Wthasapp. Muito obrigada pelos comentários de vocês! Daqui a pouco irei respondê-los. Boa leitura.

Capítulo 10

A discussão que Isabella teve com sua mãe depois da sua ligação para Louis na noite anterior só serviu para aumentar seu estresse já em alta desde que elas voltaram para os EUA e se a morena acreditou que nada poderia piorar seu estado de espírito ela estava enganada, pois bastou a fria Coração de Gelo pisar no FBI e ler detalhadamente pela primeira vez o arquivo confidencial sobre as apurações do assassinato do seu pai para que a raiva voltasse a ferver em suas veias, já que Nathan Fox era o nome que constava ali como o oficial-general da Marinha Americana responsável por aquela investigação conjunta com FBI e ela não confiava cem por cento em seu padrinho. Ao menos, não no que se referia a total imparcialidade dele sobre os verdadeiros rumos que essa inquirição poderia tomar.

E não porque Nathan fosse uma má pessoa, no entanto porque recentemente sua afilhada tinha descoberto que ele e a mãe dela estavam tendo um romance secreto há algumas semanas.

Bem, já não tão secreto assim, pois ocultamente há alguns dias ela os flagrou em um encontro romântico via internet e diante disso Isabella mergulharia fundo na sua lista de contatos para encontrar alguém dentro da Marinha Americana que pudesse ser completamente de confiança e imparcial de caráter para assumir as investigações sobre o assassinato do seu pai.

Além disso, por Nathan ser uma pessoa tão próxima a Edward, o principal suspeito do crime, era até antiético que ele estivesse chefiando o comando dessa averiguação em especifico.

Mais do que isso, apesar de anteriormente a sua nomeação para o cargo de diretora-geral do FBI a Marinha ter exigindo que a nova pessoa responsável por exercer essa função ali acompanhasse pessoalmente esse caso em particular, a fria Coração de Gelo ainda era legalmente casada com o almirante Cullen ela e se sentia eticamente impedida de cumprir a exigência feita por esse ramo das Forças Armadas Americanas.

Assim, justamente por esse forte motivo da sua parte Isabella havia decidido entregar essa importante responsabilidade nas mãos de alguém que fosse ético e competente. Além do mais, sua escolha sobre a pessoa encarregada dessa incumbência seria feita com base em fatos comprovados e nesse sentindo mesmo não estando conduzindo diretamente as averiguações do caso a morena acompanharia de perto cada passo dado por esse alguém em direção as conclusões finais sobre a autoria do assassinato do pai dela.

─ Diretora Swan a sua próxima reunião será em cinco minutos. ─ Elisa, a sua secretária, lhe avisou quando ela saiu da sua sala de trabalho e apareceu no corredor interno pronta para ir embora.

─ Não será mais. Por favor, cancele todos os meus compromissos de hoje e os remarque para ao longo da semana. ─ respondeu.

─ E o que eu devo dizer se alguém lhe procurar aqui? ─ Elisa quis saber.

─ Que eu não estou porque tive que resolver uma tarefa relacionada ao FBI fora daqui. ─ murmurou.

Elisa anuiu e sua chefe entrou no elevador instantes depois.

─────

─ Pai?! ─ Milla exclamou baixo quando na tarde do dia seguinte Edward foi buscá-la na escola após avisar Isabella sobre isso através da secretária dela no FBI, porque sua mulher estava em reunião lá e não podia ser interrompida quando ele tentou falar com ela por telefone.

─ Oi meu anjo. Gostou da surpresa? ─ seu pai perguntou ao se aproximar dela e abraçá-la.

─ Muito! ─ sua filha respondeu animada e sorridente Edward a abraçou novamente e beijou os cabelos dela.

─ Vem. Eu irei levá-la para um passeio. ─ o almirante disse guiando-a para o carro dele e pegou a mochila dela.

Empolgada Milla entrou no automóvel mostrando estar muito feliz, pois aquela era a primeira vez em que ela vivia aquele tipo em que seu pai a buscava na escola e ela não poderia ter ficado mais contente do que já estava com isso.

─ Para onde nós estamos indo? ─ a menina inquiriu curiosa.

─ Para o shopping. Você gosta de jogar boliche? ─ seu pai questionou.

─ Yes! É um dos meus jogos preferidos. ─ comemorou satisfeita.

─ É mesmo? E quem o ensinou a você? ─ indagou desejando saber cada mínimo detalhe dos gostos do seu bebê.

─ A mamãe. Ela disse que aprendeu com o vovô, Charlie e que ele era alguém muito especial. Mas, eu não conheci porque ele morreu alguns meses antes de eu nascer. ─ ela comentou inocente, sem perceber o quanto o almirante ficou abalado ao escutá-la.

─ Eu sei filha. ─ ele respondeu e fez o máximo que pôde para ocultar o embago em sua voz.

Depois ligou o som do seu carro e procurou no seu pen-drive algumas das músicas que ele escutava quando Charlotte estava no automóvel.

─ Selena Gomes? ─ Milla indagou surpresa ao ouvir a primeira música que seu pai colocou para tocar e torceu seus lábios.

─ Você não gosta? ─ Edward lhe devolveu a pergunta ao ver a reação dela.

─ Ela é boa, porém eu prefiro Ariana Grande, Demi Lovato ou CNCO. ─ a menina respondeu com sinceridade e ele se deu conta de que os gostos músicas de Charlotte e Milla eram um pouco distintos.

─ CNCO é uma cantora ou cantor? ─ indagou e pelo olhar incrédulo que ela lhe lançou o seu pai entendeu que ele tinha falado besteira.

─ Não, né pai! É uma boy band chanmé! ─ Milla exclamou a última palavra em francês e Edward se perdeu na conversa.

─ Uma boy band o quê? ─ inquiriu confuso.

─ Chanmé é o mesmo que irada. ─ sua filha explicou.

Bem, agora faz sentido. Ele pensou aliviado.

─ Entendi. ─ murmurou.

─Ah, eu também gosto da Louane. ─ comentou e outra vez o seu pai estava perdido, entretanto não porque o nome que ela disse era francês e sim porque ele não tinha noção de quem era essa cantora.

─────

Do FBI Isabella dirigiu direto para a base SEAL e no caminho para lá ela quebrou uma das principais regras de trânsito ao realizar várias ligações durante o percurso até ali, entre elas uma para Nathan, que ao saber que sua afilhada estava chegando ao local de trabalho dele para falar com ele em caráter reservado autorizou a passagem dela por uma das entradas laterais da base, a qual somente oficiais-generais autorizados da Marinha costumavam ter acesso, ao invés de obrigá-la a passar pela entrada principal onde todos saberiam que ela estava lá, pois não era do interesse deles que essa noticia se espalhasse como rastilho de pólvora entre os membros da base SEAL e inevitavelmente chegasse aos ouvidos de Edward ou aos de alguém que pudesse juntar dois e dois e propagasse por ai que as coisas entre o almirante Cullen e sua esposa iam de mal a pior.

Já, que essa noticia seria incontestavelmente verdadeira, todavia não era um fato que deveria ser de conhecimento público, porque para preservar Edward e a carreira dele durante as investigações do caso sigiloso, Almirante Swan pouquíssimas pessoas sabiam da atual natureza do casamento deles.

─ Bella minha querida, que prazer revê-la! ─ seu padrinho disse ao abraçá-la e a morena retribuiu ao carinho dele, entretanto ela não foi tão calorosa quanto teria sido em outra situação. ─ Como você está? Eu sei que eu tenho sido um padrinho horrível ao não ir visitá-la depois do que você passou dentro daquela aeronave francesa, contudo eu ainda não tive chance de me ausentar daqui por muito tempo. ─ ele lhe explicou feliz por vê-la bem.

─ Bem. Será que nós podemos ir logo para a sua sala? ─ sua afilhada questionou ansiosa para encerrar o assunto que a trouxe a base SEAL e está lá depois de tantos anos sem visitar aquele lugar lhe causava uma desagradável sensação estranha que naquele momento ela não conseguiria descrever em palavras.

─ É claro. Por aqui. ─ o comandante-chefe apontou o caminho para a fria Coração de Gelo e os dois caminharam para fora do galpão indicado por ele onde ela estacionou seu carro para mantê-lo fora do alcance de olhares curiosos. ─ Você está se sentindo bem? ─ Nathan inquiriu ao vê-la estremecer quando eles pisaram dentro das instalações principais da base.

─ Sim. ─ Isabella respondeu, se recusando a admitir que está ali suscitava nela lembranças incríveis que com o tempo se tornaram especialmente dolorosas de si ter.

Agora mesmo a morena tinha a sensação de poder escutar com clareza os sons das risadas do seu pai em uma das vezes que ela esteve ali com ele e Edward.

Ah Edward! Lembranças dela com ele também a assombravam como se seu marido estivesse lá bem na sua frente naquele instante e essas recordações despertavam nela sentimentos desencontrados que só serviam para deixá-la ainda mais confusa sobre tudo interligado ao futuro deles.

─ Minha querida, eu estou feliz por vê-la, mas quando você me ligou você me disse que tinha um assunto de extrema importância para falar comigo e eu imagino que ele esteja relacionado ao assassinato do seu pai. No entanto, eu não consigo imaginar exatamente o que seria. ─ seu padrinho ponderou ao entrarem na sala dele e Isabella colocou certa distância física entre os dois.

─ Eu não o quero a frente das investigações sobre o assassinato dele. ─ ela foi direto ao ponto e ele a encarou chocado.

─ Por quê? ─ Nathan indagou ao se recuperar do choque inicial provocado pelas palavras dela.

─ Eu não confio no senhor. Não cem por cento. ─ acrescentou e ele não poderia ter ficado mais atordoado com a sinceridade da sua afilhada do que já estava.

─ E o que foi que eu fiz de tão ruim para merecer a perda parcial da sua confiança? ─ perguntou.

─ De ruim nada, porém eu já sei do seu envolvimento romântico com a minha mãe e eu não quero vê-la usando os seus sentimentos amorosos por ela para distorcer os verdadeiros fatos a favor dos desejos odiosos dela para que alguém que pode ser inocente seja condenado injustamente. ─ a fria Coração de Gelo afirmou com muita convicção sobre o que estava dizendo.

─ Bella também não é assim. Renée não chegaria a tanto. ─ o comandante-chefe defendeu sua namorada.

─ É assim sim e se realmente acredita no contrário, então deve reavaliar suas crenças referentes ao caráter dela. Além disso, sendo uma pessoa tão próxima a Edward é completamente antiético que o senhor esteja à frente desse caso. ─ o acusou.

─ Alto lá! Eu jamais faria mal ao seu marido. Ele é um homem que eu admiro e, apesar da minha má conduta ao mentir para ele para proteger você, eu ainda o considero um amigo e apenas desejo justiça pelo assassinato do seu pai. ─ defendeu-se.

─ Eu não duvido disso, mas mesmo assim eu não o quero a frente das investigações sobre esse caso e quem está falando com o senhor comandante, Fox não é a sua afilhada ou a esposa do principal suspeito desse crime. Porém, a nova diretora-geral do FBI e dadas às circunstâncias especiais em que nos encontramos eu afirmo que nenhum de nós dois está apto a conduzir esse inquérito judicial. ─ declarou.

─ Ah não? E a quem você pretende entregar nossas atuais responsabilidades referentes às apurações desse caso? ─ questionou intrigado.

─ No FBI eu ainda não sei, todavia saberei em breve e no caminho para cá eu liguei para Almirante da frota*, Michael Culkin. Ele foi o mentor do meu pai, mas nunca teve contato com Edward, muito menos com a minha mãe ou comigo e, mesmo eu não tendo falado abertamente sobre os por menores do assassinato do meu pai, por uma questão de impedimento legal, ele está disposto a assumir a chefia dessa investigação no seu lugar. ─ relatou e seu padrinho fechou as mãos dele em punho.

─ Eu não vou permitir que isso aconteça. ─ Nathan grunhiu irritado pela atitude dela com ele.

─ Sendo assim eu não terei outra saída, senão entrar com um pedido legal na Corte marcial* para que o senhor seja afastado das apurações desse inquérito através de meios judicias. ─ anunciou gelidamente e ele franziu o cenho.

─ E a fria Coração de Gelo outra vez dá o ar de sua graça, não é mesmo? ─ seu padrinho constatou resignadamente triste.

─ A culpa é sua. Se o senhor tivesse atuado com ética desde o principio nada disso estaria acontecendo. ─ o condenou.

─ Eu sinceramente espero que Almirante da frota, Culkin tenha ao menos um décimo da minha dedicação às apurações desse caso ou você pode se arrepender de tirar a condução delas das minhas mãos. ─ Nathan rebateu amargamente.

─ Ou talvez ele finalmente encontre algo de concreto sobre a autoria desse crime, porque quando esse inquérito for concluído eu quero ter a certeza de que quem estará sentado no banco dos réus no dia do julgamento no tribunal marcial será o verdadeiro culpado pelo assassinato do meu pai. ─ afirmou.

─ Do que você realmente tem medo Isabella? Por que tanta dedicação em me tirar desse caso? ─ inquiriu-a.

─ Não se trata de medo e sim de uma questão justiça, pois eu conheço o caráter dúbio da minha mãe em relação a Edward e sei que mesmo um homem de bom caráter como o senhor pode ficar cego de paixão e cometer loucuras que não faria em seu juízo perfeito. ─ Isabella disse e ele engoliu em seco, porque no fim das contas Nathan sabia que ela estava certa. ─ Michael Culkin irá ao FBI amanhã. Esteja lá se estiver disposto a fazer o que é certo e quiser evitar uma briga judicial entre nós. ─ avisou-o antes de se retirar da sala dele.

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No shopping Milla e Edward se divertiram muito jogando boliche juntos, enquanto conversavam sobre os mais variados temas, como a série preferida de Milla ou a cor preferida dela e muitos outros questionamentos do tipo para que pouco a pouco eles pudessem ir se conhecendo melhor. Mas, no fim da segunda rodada a fome bateu e os dois foram até uma das praças de alimentação onde pediram um delicioso sanduiche natural de frango com um maravilhoso suco de morangos frescos para comerem enquanto o almirante buscava a melhor forma de falar com sua filha sobre a relação dele com Charlotte.

─ O gato comeu sua língua? ─ Milla indagou risonha ao se dar conta que seu pai estava estranhamente calado, ao invés de estar lhe enchendo de perguntas variadas como vinha sendo o habitual dele.

─ Não, meu anjo. Eu estava pensando. ─ respondeu e um leve sorriso apareceu nos lábios dele.

─ Em algo bom? ─ questionou e seu pai anuiu.

─ Sim. Eu estava pensando na minha irmã. ─ confidenciou e a boquinha de dela se abriu em formato de um adorável O.

─ Eu tenho uma tia? ─ ela inquiriu-o encantadoramente atônita.

─ Sim. Ela era a minha melhor amiga. ─ respondeu e a menina franziu o cenho.

─ Era? Vocês brigaram? ─ ela perguntou estranhando a resposta dele.

─ Não, entretanto eu não sei onde ela está. ─ ele disse e uma nuvem de tristeza nublou o seu olhar.

─ Por que não? ─ Milla quis saber.

─ A sua tia era agente federal de órgão policial americano chamado DEA. Há dez anos ela desapareceu durante uma das missões desse órgão e desde então ninguém nunca mais a viu. ─ Edward lhe explicou e ela se sentiu triste ao imaginar que algo muito ruim poderia ter acontecido a sua tia e que seu pai provavelmente sofria demais sem a melhor amiga dele.

─ O senhor acha que ela ainda pode voltar? ─ indagou.

─ Eu não sei meu anjo, mas todos os dias eu digo a mim mesmo que minha irmãzinha está me esperando em algum lugar para que eu possa resgatá-la. ─ revelou e sua filha sorriu para ele.

Depois colocou sua mãozinha sobre a dele e se levantou da cadeira dela para abraçá-lo e tentar confortá-lo com seu carinho.

Esse gesto da menina o tocou tão fundo que mesmo eles estando em um local público o almirante deixou que lágrimas silenciosas rolassem por sua face.

─ Eu voltei para o senhor. Ela vai voltar também. ─ Milla sussurrou para o seu pai e ele a abraçou apertado.

Em seguida ela voltou a se sentar ao lado dele e limpou as lágrimas de Edward com os dedinhos delicados dela.

─ Obrigado, bebê. Você é a melhor filha do mundo. ─ ele afirmou orgulhoso e ela sorriu amplamente na direção dele.

─ Eu te amo. ─ sua filha declarou e ele a abraçou de novo.

─ Milla. ─ o marido de Isabella começou com delicadeza, após quase meio minuto se passar.

─ Hum. ─ sua menina respondeu.

─ Você gostaria de ter uma prima? ─ ele questionou, enquanto ela estava com as costas aninhadas ao tórax dele e o queixo dele estava levemente posto sobre os cabelos dela.

─ Acho que seria legal, mas impossível sem a minha tia aqui, né? ─ falou e outro sorriso leve surgiu nos lábios do seu pai.

─ Não. Antes de desaparecer a sua tia teve uma filha. O nome dela é Charlotte e ela tem onze anos. ─ contou e Milla se interessou pelo assunto.

─ Ela vive com o pai dela? ─ questionou.

─ Não. Infelizmente apenas a mãe de Charlotte sabe quem é o pai dela. ─ o almirante achou melhor expor a situação aos poucos.

─ Pobre Charlotte. Às vezes pode ser muito difícil não temos o nosso pai por perto. ─ comentou e ele se sentiu mal por saber que sua filha falava com conhecimento de causa.

─ Meu anjo, eu sinto muito que você tenha crescido longe de mim. Eu quis muito ter você por perto, porém infelizmente não foi possível. ─ ele disse e Milla assentiu.

─ Está tudo bem, papai. Uma vez a mamãe me disse que vocês tiveram que se afastar, que foi melhor assim e depois ela contou que vocês se desenterram muito por coisas que a fizeram sofrer, mas que antes o senhor era a razão dela existir. ─ ela disse e seu pai engoliu em seco. ─ Ela nunca me disse o que aconteceu de verdade. Nunca me explicou porque nós tivemos que ir embora para a França, mas a vovó Renée me disse que agora eu ainda sou muito nova para lidar com problemas de adulto, porém um dia eu estarei mais velha e ela vai me contar tudo. ─ falou e ele ficou tenso só de pensar nos absurdos que sua sogra poderia inventar a respeito dele.

─ Filha algum dia você saberá de tudo sim, contudo somos sua mãe e eu quem vamos conversar com você sobre o passado. Está bem? ─ Edward afirmou e a menina assentiu.

─ Está. ─ ela se pronunciou e seu pai respirou mais tranquilo.

─ Me prometa uma coisa: Não importa o que sua avó Renée diga sobre mim, antes de acreditar nela você sempre virá até mim para saber se é verdade. ─ pediu posicionando de lado o rosto de Milla para que ele pudesse olhá-la nos olhos.

Ela o encarou séria e ponderou seus pensamentos um pouco antes de lhe dar a resposta final.

─ Eu prometo. ─ sua filha disse e o almirante teve a sensação de que um caminhão estava sendo tirado das suas costas.

─ Obrigado. ─ ele lhe agradeceu.

─ De nada. ─ respondeu e o surpreendeu ao se sentar voluntariamente nas pernas dele. ─ Papai... ─ ela iniciou a frase.

─ Sim, bebê. ─ Edward falou.

─ Com quem Charlotte vive? Com os meus avós? A minha mãe me falou que eles ainda estão vivos. ─ interrogou-o curiosa.

─ Não, meu bem. Ela vive comigo. ─ aclarou e sua filha congelou nos braços dele, contudo ela se esforçou para esconder sua tensão do pai.

─ O senhor quer dizer como uma filha vive com o pai? ─ perguntou receosa.

─ É um jeito de ver as coisas. ─ ele respondeu igualmente receoso por medo de magoar os sentimentos dela, entanto não notou a tempo que jamais deveria ter usado essas palavras para descrever sua situação com Charlotte.

Não diante de Milla. Não perante uma criança que viveu tanto tempo longe do pai e ainda se sentia insegura sobre ele por causa do pouco tempo de convivência que tinham.

─ Isso quer dizer que o senhor me substituiu por ela. ─ inquiriu-o, todavia aquele questionamento terminou soando como uma acusação e a voz dela estremeceu com aquela ideia como se ela estivesse a ponto de chorar.

─ Não, amor. Eu te amo. Você é insubstituível para mim. ─ asseverou-lhe alarmado ao perceber que a resposta anterior dele tinha levado os pensamentos dela por um caminho equivocado.

─ A vovó já me disse que todos somos substituíveis para alguém. ─ Milla retrucou amargamente.

─ É verdade, mas não para os nossos pais. Vocês filhos são insubstituíveis para nós pais. ─ assegurou-lhe.

─ O senhor também a ama? ─ perguntou insegura, e mesmo sabendo que ele poderia piorar as coisas com a resposta que lhe daria agora seu pai não conseguiu mentir para ela.

─ Sim, no entanto o amor que eu sinto por vocês duas é diferente. São amores distintos que não competem nem se podem medir ou comparar entre si. ─ o almirante explicou carinhosamente, entretanto ele não conseguiu convencê-la de que aquilo era a verdade absoluta, nem penetrar a barreira que sua filha automaticamente colocou em volta de si ao se sentir ameaçada pela presença de Charlotte na vida dele.

Porque depois de Tantos anos longe do seu pai Milla não queria dividi-lo, nem disputar a atenção e muito menos o amor dele, com alguém.

─ Eu quero ir para casa. ─ sentenciou dura e levantou do colo de Edward.

─ Filha, por favor. ─ ele suplicou ao perceber que a falta de aceitação dela sobre aquele assunto poderia criar um imenso abismo entre os dois.

─ Eu quero ir para casa. ─ ela repetiu sendo incapaz de lidar com as próprias emoções conflitantes naquele momento. Pois, ao mesmo tempo em que a menina se sentia feliz por estar ao lado do seu pai naquela tarde ela também estava assustada com a perspectiva de não poder desfrutar do carinho dele tão livremente como sempre sonhou desde que começou a entender o significado da palavra “pai”.

Ademais, o lado terrivelmente ciumento e genioso que Milla herdou do próprio almirante não estava deixando-a pensar com calma e coerência naquele instante para que ela pudesse absolver os fatos com tranquilidade.

─ Filha, cuidar da sua prima não diminui o amor que eu sinto por você. Nunca diminuirá e eu te amo mais que a minha própria vida. Sempre amei e sempre amararei. ─ seu pai insistiu e, apesar de ter escutado a imensurável sinceridade na voz dele a menina não cedeu.

─ Eu quero ir para casa. ─ ela repetiu pela terceira vez seguida e ele se sentiu o mais miserável dos seres humanos por não ter conseguido amolecer o coração do seu bebê amado, nem encontrado a forma correta de falar sobre aquele assunto com ela.

E como poderia se Edward mal a conhecia? A verdade é que ele deveria ter ouvido o conselho de Emmett e pedido ajuda a Isabella para conversar com a filha deles sobre aquele tema.

Mas não! O que ele fez na realidade foi agir orgulhosamente pensando que poderia lidar sozinho com aquela situação e se ferrou porque no fim o que o almirante menos queria aconteceu: Milla estava magoada por culpa da atitude infantil dele e ele não sabia o fazer para consertar a burrada que cometeu.

Continua...