Coração de Gelo ─ Nova Versão
11 Conversas Importantes
Notas iniciais
Capítulo 11
Quando Isabella saiu da sala de Nathan ela estava tão aflita pelas coisas que disse a ele que sequer prestava atenção ao caminho que estava fazendo dentro da base SEAL e se sentindo uma criatura cruel por ter sido tão rígida com seu padrinho Isabella não percebeu que alguém estava a sua frente até esbarrar no corpo duro e forte de Emmett McCarty.
O impacto entre os dois foi tão forte que a morena chegou a perder o equilíbrio, mas o recuperou a tempo de evitar cair no chão e poder voltar a se firmar nos seus pés.
─ Isabella. ─ o nome dela saiu dos lábios do Vice-Almirante como se fosse um palavrão e todo o corpo da fria Coração de Gelo automaticamente se retesou, porém ela rapidamente disfarçou sua reação física.
─ Vice-Almirante. ─ ela respondeu preferindo usar a patente dele para se referir a ele e a voz dela foi igualmente inflexível.
─ Bella. ─ o apelido de Isabella foi dito pelo Contra-Almirante, Garrett Harris.
─ Como vai Garrett? ─ ela manteve sua educação em consideração ao Contra-Almirante, todavia era em Emmett que Isabella estava prestando atenção e nem mesmo escutou a resposta positiva de Garrett. ─ Será que nós podemos falar a sós por um minuto? ─ a morena perguntou ao Vice-Almirante.
─ Eu não tenho nada para falar com você. ─ ele lhe respondeu.
─ Eu não mordo. ─ ela sibilou impaciente.
─ Não é essa a reputação que a precede. ─ Emmett retorquiu.
─ Ah, por favor, eu estou aqui a trabalho e se você tiver o mínimo de profissionalismo falará a sós comigo. ─ a fria Coração de Gelo disse e o Vice-Almirante não pôde evitar pensar que a esposa do seu melhor amigo tinha se convertido em uma verdadeira cadela.
─Vamos até minha sala. ─ Emmett a chamou e por muito que ainda estivesse chateada consigo mesma por ter magoado Nathan, Isabella não pôde evitar esboçar um discreto sorriso de satisfação por obter aquela pequena vitória sobre o seu valoroso adversário.
Ela não tinha criticado a questão da postura profissional dele de forma deliberada, já que não querendo revelar na frente de Garrett a raiz do assunto que precisava tratar com o Vice-Almirante, tudo não passou de uma estratégia para que ele caísse em sua provação e cedesse a vontade dela.
─ O que você quer de mim? ─ o melhor amigo de Edward a inquiriu assim que eles eram na sala dele e Isabella realmente preferia que eles fossem diretos.
─ Você sabia que o Comandante Fox estava à frente do caso que investiga o assassinato do Almirante Swan? ─ o questionou como resposta.
─ Não, mas eu imagino que isso tenha sido um pedido seu. ─ Emmett respondeu tão frio e afiado quanto uma lamina de gelo.
─ Não seja idiota. Eu nunca seria tão antiética! ─ grunhiu e os olhos dela queimavam como fogo.
─ Não? E o que eu devo esperar de uma mulher que abandonou seu marido quando ele mais precisava dela? ─ acusou-a.
─ O mesmo que se pode esperar de um covarde por quem ele quase teve que morrer para acabar com aquela merda agressiva! ─ retorquiu irritada.
─ Não fale do que você não sabe. ─ ele sibilou pairando sobre ela e apontando o dedo indicador direito para a cara dela.
─ Eu sei que de um lado estava seu pai de outro a sua mãe e no meio você sem saber a quem deveria entregar sua lealdade. Quer saber do que mais? No fundo nós somos iguais, pois eu também fiquei dividida e se em uma ponta estava Edward na outra estava o meu pai assassinado. ─ Isabella o enfrentou e perto dele era fisicamente pequenina, mas a sua coragem não tinha medida.
─ Você e eu jamais seremos iguais e a diferença entre nós está no fato de que eu nunca o abandonei. ─ asseverou-lhe e bruscamente se distanciou da morena.
─ Contudo, será que você teria continuado ao lado dele se uma das pessoas que lhe deu a vida fosse assassinada e o principal suspeito do crime fosse ele? ─ ela lhe questionou sagaz.
─ Edward não assassinou ninguém. ─ assegurou convicto.
Não. Ele não assassinou. Isabella quase concordou com o Vice-Almirante, embora ela ainda tivesse questões mal resolvidas dentro de si, porém calou-se a tempo de evitar dizer algo que não teria volta.
─ Isso só o tempo dirá. ─ ela preferiu dizer-lhe. ─ Porém a questão não é essa. O Comandante Fox foi retirado do caso que recai sobre o Almirante Cullen e o Almirante de Frota, Michael Culkin assumirá o lugar dele. Mas, eu necessito saber o quanto você confia em Jasper Hale para que ele assuma o meu lugar nessa investigação. ─ a fria Coração de Gelo elucidou e Emmett McCarty sorriu perversamente.
─ Não me diga que você vai perder essa nova oportunidade de seguir destroçando o coração do meu amigo. ─ ele queria destroçar a alma dela, como ela destroçou a de Edward, mas a morena havia aprendido a mentir para esconder seus sentimentos e ela lhe disse algo que não era verdade, todavia era bem perto do que o Vice-Almirante esperava escutar dela.
─ Agora é você quem não sabe o que diz, mas eu gostando ou não ainda estou casada com... Edward ─ a voz de Isabella falhou. ─ e culpado ou não, eu não vou permitir que a minha ligação civil com ele o inocente ou o incrimine injustamente no dia do seu julgamento definitivo. ─ respondeu e irritado Emmett trincou seus dentes de raiva.
─ Maldito o dia em que você o conheceu, no entanto Edward merece uma investigação justa e Jasper Hale é um profissional decente. ─ Bem diferente da mulher que você é. O melhor amigo de Edward apenas pensou nessa parte, mas a fria Coração de Gelo nem teve que excitar o seu sexto sentido para saber o rumo dos pensamentos dele.
─ Obrigada, Vice-Almirante e tenha uma boa tarde. ─ ela lhe desejou, entretanto ao sair bateu a porta da sala dele com tanta força atrás de si que toda a estrutura daquele objeto de alumínio grosso tremeu.
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─ Milla. Meu anjo, eu sei que você está magoada comigo, mas a sua tia confiava em mim e em um documento legal ela deixou a guarda de Charlotte para mim. Recusá-la seria como trair a confiança da minha irmã e eu não poderia lidar com essa culpa. ─ Edward tentou explicar-se mais uma vez para sua filha quando eles já estavam no carro dele a caminho da casa dela, entretanto a menina tinha pensamentos obscuros na sua mente.
─ É por causa dessa garota que o senhor nunca me procurou? ─ Milla disparou com raiva.
─ O quê? ─ seu pai indagou atônito. ─ Não meu amor, eu sempre procurei você e a sua mãe, no entanto por mais que eu tenha tentado jamais as encontrei! ─ lhe explicou agitado.
Milla era o seu maior tesouro e saber que ela estava pensando coisas que não eram verdades o magoavam e muito.
─ Filha, você é meu maior amor e por nada, nem ninguém nunca deixaria de procurar você. Milla, eu sei que a distância nos separou por muito tempo e que é difícil para você aceitar a presença da sua prima na minha vida. Mas, Charlotte tem sofrido sem a mãe dela e abandoná-la seria cruel. Filha, eu amo a sua prima, todavia isso não quer dizer que ela esteja roubando o meu amor de pai de você. ─ afirmou-lhe.
─ Não? ─ Milla sussurrou desconfiada.
─ Não. Meu anjo, eu amo vocês duas e o amor que sinto por vocês é parecido, mas diferente. Milla, eu sei que dividir minha atenção não é fácil, entretanto por todos esses anos os meus pensamentos sempre estiveram com você e nos momentos mais difíceis quando tudo o que eu queria era desistir saber que você existia me manteve de pé, porque você é a minha vida e a minha maior motivação para seguir lutando. ─ Edward disse e havia tantos sentimentos verdadeiros nas suas palavras que uma lágrima silenciosa rolou pela face de Milla. ─ Filha nos últimos treze anos muita coisa foi arrancada de mim, mas se me tirarem o seu amor eu não terei mais razões para continuar vivendo, porque você é o ar que eu respiro e o meu maior sonho feito realidade. ─ ele prosseguiu após enxugar a lágrima dela com seu dedo indicador direito e sua voz estava embagada de emoção.
Milla tentou resistir, sua filha não queria que ele derrubasse as barreiras que ela construiu em volta dela e a menina buscou forças em seu coração para seguir sendo dura com seu pai. Porém, não as encontrou, pois seus pais sempre seriam a sua maior força e fraqueza. Ela os amava acima de todos e não sendo mais capaz de fingir uma frieza que não tinha jogou seus bracinhos ao redor do pescoço de Edward quando lágrimas abundantes rolavam dos seus olhos.
Seu pai também chorou.
Um choro que expressava todo o seu alivio por sua filha não renegar o amor dele por ela. Um choro de alegria e orgulho pela enorme capacidade que Milla tinha de amar.
De amá-lo, embora eles mal se conhecessem.
─────
Isabella era uma mulher muito intensa, entretanto ela não imaginava que Emmett McCarty pudesse afetá-la de uma forma tão negativa.
Respire Isabella. Respire. Ela disse a si mesma quando sentiu seu sangue agitado borbulhando dentro das suas veias.
Alguns até poderia dizer que a morena estava exagerando, mas o Vice-Almirante parecia querer pressionar as feridas dela e por pouco não suscitou seu pior lado.
─ Ahhh!!! ─ ela gritou de raiva e esmurrou o volante do seu carro.
Parabéns Isabella. Você está se comportando feito uma louca. Ironizou irritada e respirou fundo para não sair cantando pneu quando começou a dirigir para fora da base SEAL.
De Virginia Beach a Washington, D.C. eram três horas de viagem e a fria Coração de Gelo gostou de poder ter esse tempo para si, assim ela poderia evitar descontar sua fúria contra Emmett na pessoa errada. Contudo, cometeu o erro de ligar o aparelho de som do seu carro em uma rádio de músicas românticas.
Músicas que a fizeram recordar de intensos momentos com Edward...
─ Ahhh!!! ─ Bella exclamou quando Edward veio por trás dela, agarrou-a pela cintura e a ergueu do chão no jardim da casa dela.
─ Pronta? ─ ele perguntou ao beijar a bochecha dela.
─ Não, mas como eu nunca estarei vamos lá. ─ ela estava se enchendo de coragem ao lhe dizer isso, pois ela realmente estava nervosa com a perspectiva de conhecer os pais dele em menos de uma hora.
─ Eles vão amar você. Eu amo. ─ ele declarou confiante e sua namorada, que já tinha sorrido, sorriu ainda mais.
─ Eu também amo você. ─ Bella respondeu após ficar de pé sobre o gramado e se virar de frente para ele quando pôs as mãos na face dele e lhe deu um beijo casto nos lábios.
Edward a ergueu do chão de novo e para ficar mais cômoda a morena abraçou o pescoço dele e soltou um beijo para a sua mãe antes dele a colocar no jipe de Rosalie.
─ Minha sogrinha ainda me odeia. ─ ele disse ao ver a expressão carrancuda de Renée olhando para os dois.
─ Hoje o problema dela não é com você. A minha mãe tem medo que a sua mãe se torne mais importante para mim do que ela. ─ Bella desfez o mal entendido dele.
─ Sério isso? ─ duvidou e sua namorada riu.
─ Muito sério. Eu sei que é absurdo, mas é a verdade e eu tento, mas não consigo pensar em alguém mais ciumento que ela. ─ divagou e cobriu sua face com as mãos.
A minha mãe. Não, eu duvido que haja alguma vencedora entre elas se alguém promovesse um concurso de pessoas mais ciumentas do mundo. As duas conquistariam o primeiro lugar fácil. Edward ponderou, mas para não assustá-la ele não pronunciou o que estava pensando.
─ Já tem muito tempo que a dona Esme e Charlie se separaram. Ele é louco pela sua mãe e a minha mãe vive pelo meu pai.
Ah, Bella sabia disso, todavia o que Edward estava ignorando é que Charlie o tinha como um filho e Renée jamais poderia voltar a engravidar para dar um menino ao marido.
─ E se o seu pai também não gostar de mim? Ele pode ser ciumento como a minha mãe. ─ a morena falou sobre o que até então não havia pensando.
─ Hei, hei, não. Meu pai é muito tranquilo sobre Charlie, ele nunca despejaria qualquer frustração desse tipo sobre você. ─ asseverou-lhe e ela resolveu confiar nele.
Meia hora depois os dois chegaram à casa dos pais de Edward e assim como ele a colocou no jipe também a tirou depois de desafivelar o cinto que o próprio tinha colocado nela.
─ E então? ─ o Vice-Almirante perguntou quando ele e Bella estavam fora do jipe observando a casa dos pais dele.
─ É uma linda casa. ─ lhe respondeu.
─ Mas...? ─ inquiriu-lhe com o som de um sorriso em sua voz ao perceber certa hesitação na resposta dela.
─ É opulenta de mais para mim. ─ respondeu envergonhada e seu namorado sorriu mais.
─ Isso quer dizer que eu devo comprar algo diferente quando nos casamos? ─ indagou a pegando totalmente de surpresa.
Lembranças, lembranças e mais lembranças. Uma pena que elas nunca apagassem os erros cometidos, nem toda dor espalhada por causa deles.
─ Louis. ─ Isabella disse quando o seu celular tocou e ela viu que era o homem que estava lhe ajudando a rastrear Rosalie.
─ Boa tarde, minha querida. ─ a cumprimentou.
─ Não sei. Isso vai depender de você. Alguma noticia sobre Rosalie? ─ questionou.
─ Sim. Um dos meus homens levantou que da última vez que alguém soube dela ela foi levada de Barranquilla para Santa Marta. ─ Louis disse e Isabella respirou aliviada.
Talvez Rosalie ainda estivesse viva afinal de contas.
─ A sua fonte está certa disso? ─ ela o interrogou não querendo se apegar a falsas esperanças.
─ Completamente, mas eu devo lhe alertar que a minha fonte também descobriu que essa agente do DEA está fisicamente bastante debilitada. ─ ele alertou-lhe, entretanto como ex-agente da Interpol a morena sabia que depois de dez anos em cativeiro as chances de Rosalie ter sido física e psicologicamente abusada eram de quase cem por cento.
─ Eu lhe devo uma. ─ Isabella respondeu sem dar qualquer indicio das emoções que estava sentido.
─ Au revoir, ma chérie.* ─ Louis se despediu dela e pela primeira vez em muitas horas ela expressou um leve sorriso.
─ Au revoir mon cher.* ─ lhe respondeu de volta e como vinha sendo desde que a morena soube que teria que se mudar para os EUA ela estava totalmente incerta sobre o que deveria fazer para evitar um novo desastre na sua vida com relação a Edward.
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Duas horas depois de ter feito as pazes com sua filha Edward deixou Milla na casa dela, mas para evitar um possível conflito com Renée, ele não foi levá-la até a porta da residência. Todavia, esperou até que seu anjinho entrasse nela e quando ela e sua sogra desapareceram de vista o Almirante saiu do seu carro para convencer a si mesmo de que não estava ficando doido e que seu sexto sentido jamais falhava.
Alguém os estava observando enquanto Milla e ele conversam antes deles se despedirem e seja quem for esteve escondido na margem da floresta que rodeava a propriedade Swan.
─ Eu não sei quem é você, mas eu vou descobrir e se estiver pretendendo fazer mal a minha família vai ter que passar por mim primeiro. ─ o Almirante sibilou ao encontrar rastros de uma recente pegada masculina atrás de um arbusto que dava a quem se escondesse ali uma ampla visão para a janela lateral do quarto da sua esposa. ─ Edward falando. ─ se identificou quando um número desconhecido ligou para sua linha telefônica pessoal e ele atendeu a chamada.
─ Edward sou eu. ─ Isabella disse após tomar coragem de prosseguir com aquela ligação que poderia bagunçar a vida deles e cada terminação nervosa do corpo do seu marido respondeu ao apelo da voz sensual dela.
Continua...
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