Notas iniciais
Eu adorei os comentários, obrigado.

CAPÍTULO 1.


Esse minuto não vai voltar. Ele passou flutuante, deslizou entre os dedos pálidos das memórias e desapareceu, perdido no mistério da mente e da vida. Esse minuto sumiu, caiu num abismo profundo e sem saída, virou o passado que desenha o nosso futuro. Virou... poeira. Se foi sem olhar para trás, tão ligeiro quanto havia chegado. Maldito minuto que de mim foi roubado sem permissão. Não posso tê-lo de volta, pois não sei seu esconderijo, mas posso tentar me lembrar de cada segundo para sempre, tornando esse pequeno minuto supostamente perdido em um momento eternizado em mim.

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Os olhos negros como o carvão fitavam determinados os ponteiros do antigo relógio de parede, totalmente compenetrado, como se o destino do mundo fosse ser decidido a partir dos tic-tac daquele relógio. Estava sentado sobre o tapete francês de sua mãe há mais de duas horas, a postura rigidamente ereta e a expressão séria, enquanto esperava o instante certo para se levantar.

Pareceu demorar uma eternidade, mas finalmente os ponteiros apontaram a hora tão aguardada. Caminhou mudo até a janela que dava para a rua e esperou pacientemente o ônibus escolar parar na casa da frente, deixando Lucas, filho único do Sr. e da Sra. Maia, em casa como fazia todo dia no mesmo horário.

Nick suspirou quando o velho ônibus foi embora. Apesar da repulsa que sentia ao imaginar-se dentro de um deles, desde pequeno sempre apresentou uma curiosidade absurda em observá-los.

Ficou ainda vários minutos colado à janela, os lábios selados em um silêncio rotineiro, vendo pessoas conhecidas e desconhecidas trafegarem pela rua, até que um carro familiar estacionou no meio fio. Viu com os olhos marejados a mãe e a irmã saírem do veículo, ambas rodeadas por sacolas de lojas de roupas.

A mais velha era alta, magra, os cabelos loiros e compridos, tão lisos que lembravam os de uma boneca, de olhar meigo e afetuoso, iguais ao de uma velha tigresa. Trajava roupas sociais, um vestido preto discreto, da cor do salto. Já a mais nova tinha uma postura soberana, como se quisesse passar um ar de grandeza. Possuía olhos claros como os da mãe, porém tão distintos da matriarca que davam a impressão de não terem sidos herdados desta. Eram olhos caçadores, de aparência cruel e sagaz, profundos e críticos, levemente repuxados nos cantos graças a decência asiática do pai. Seus cabelos eram de um castanho claro mel, cortados curtos, na altura dos ombros, e sua pele tão branca e delicada quanto a da mãe. Era baixa e graciosa, podendo mostrar-se tão perigosa quanto delicada. Vestia uma calça social preta e uma blusa de seda azul, dois tons mais escuros que o azul do salto.

Nick não se mexeu quando ouviu o barulho da porta sendo aberta. O som dos saltos contra o piso italiano foi tornando-se forte a cada segundo e só por isso ele soube que elas estavam se aproximando.

– Sebastian, leve as sacolas para os nossos quartos. — Disse a loira para o empregado, que prontamente obedeceu a ordem. — Nick... — Chamou em vão, pois este não se mexeu. Acostumada ela tentou soar otimista. — Querido, está na hora. Vá se arrumar, hoje é um dia especial, você vai ver, faremos muitos progressos. — Inconscientemente, ela mordeu o lábio inferior.

– Seria mais fácil convencer uma porta a dançar funk. — Barbara se intrometeu, murmurando baixinho, ao que passava entre ambos para subir as escadas.

Um minuto e meio se passou, até que Nick olhou para a mãe. Parecia perdido, como se não tivesse reparado que ela estava ali.

– Mãe. — Disse em alto e bom som, a testa franzida.

Simone sorriu com ternura e deu alguns passos até o seu único filho homem.

– A consulta querido, está na hora. Vá se vestir.

O menino olhou para as próprias roupas, depois fitou a sala e em seguida voltou-se para a mãe.

– N-não posso...

– Nick, o que foi que nós dois combinamos? Eu não te deixei comer só arroz no jantar essa semana como você queria? Então, meu amor, agora é a sua vez de cumprir com o nosso trato. Você me prometeu que ia para a consulta sem fazer alarde. Agora por favor, seja um bom menino e vá se trocar, a Doutora Marcia está te esperando e ela ficará muito chateada se você faltar outra vez. Por favor, meu bem, faça isso por mim.

Aflito ele negou com a cabeça, os olhos lacrimejantes pelo choro contido. Tentou dizer algo, mas a voz não quis sair. Assustado, afastou-se da mãe, indo para as escadas. Subiu o mais rápido que pôde até o quarto, onde só não se trancou porque não havia como, já que as trancas foram retiradas há muito tempo pelos pais. Sentou-se na cama e esperou, até que muitos minutos depois viu o pai adentrar o cômodo com a expressão cansada, ainda vestido com as roupas do escritório. Ele puxou uma cadeira e se sentou perto do filho.

O som abafado do choro do menino quebrou o silêncio, tornando a atmosfera do lugar melancólica como a de um funeral. Ao contrário do que Nick esperava que o pai fosse fazer, ele não brigou, e tampouco pediu para que ele parasse de chorar. Apenas ficou ouvindo em silêncio o desabafo do garoto, até que este estivesse cansado demais para chorar.

Quando finalmente o choro cessou, o pai começou a falar.

– Está melhor? — Não deu tempo para que o outro respondesse — Sei que está. Chorar faz bem, lubrifica os olhos e a alma, e além do que, ao contrário do que pensam a maioria das pessoas, chorar não é sinônimo de fraqueza, é preciso muita coragem para um homem chorar, ainda mais na frente de outro homem. — Uma pausa. — Sua mãe me disse que você não quis ir para a consulta. Eu não te entendo, não é você quem diz sempre que quer ficar melhor? Então porque insiste em não levar a sério o tratamento? Se fosse algo ruim, que te fizesse mal, eu até entenderia. Mas é algo bom, que só vai te ajudar a ser... você sabe, mais normal. Não estou dizendo que tem algo de errado contigo, entretanto, porque não melhorar algo que já é bom?

Os olhos de Nick miravam o chão com vergonha, sem coragem de encarar os do pai.

Masaki sorriu com compaixão. Amava tanto seu único filho homem que seria capaz de perdoar qualquer erro que este cometesse.

– Tudo bem, Nick. Desta vez vou deixar passar, mas ouça bem: Que não haja uma próxima vez. Estou cansado das suas manhas. Se eu digo que você tem que ir para uma consulta toda semana, então você vai e ponto. Ouviu bem? Este não é um pedido, é uma ordem. — Respirou fundo. — Agora tome um banho e troque de roupa, você cheira a óleo de cozinha. — Se levantou. — E ah, comporte-se, pois hoje teremos visita.

O som alto da porta sendo batida depois de sua saída fez com que o garoto desse um breve pulinho, ainda um pouco abalado.

Respirou fundo várias vezes tentando se acalmar.

Depois de alguns minutos, cheirou a própria camisa tentando identificar o cheiro de óleo que o pai havia se referido. Franziu o nariz, odiando o próprio cheiro. Cheirava a peixe frito com frutos do mar, o prato que ele sozinho havia preparado pela manhã.

Rolou os olhos pelo quarto, em seguida se levantou e caminhou até o guarda-roupas. Abriu a porta e pegou uma toalha azul limpa, cuja na mesma havia sido bordada a palavra quinta-feira, especificamente o dia que Nick a usava. Em seguida, caminhou até a cama e a deixou repousada na beirada, depois voltou-se para o guarda-roupas e procurou o restante da roupa. Desdobrou a roupa que iria usar e voltou a dobra-la duas vezes, uma mania que havia adquirido desde pequeno. Como o quarto era uma suíte, com banheiro, deixou a roupa na cama e foi tomar banho, levando apenas a toalha. Quando adentrou o cômodo, retirou a roupa suja, dobrou e a colocou no sexto de roupa suja, para só então entrar debaixo da ducha quente e se permitir tomar banho.

Todo esse ritual era normal para Nick, que já estava mais do que acostumado. Não era uma questão de ser organizado, na mente dele aqueles rituais faziam parte do banho, e por isso tornou-se uma obrigação. Sem isso era como se ele não tivesse tomado banho, portanto continuasse sujo. Não era uma escolha. Para ele é igual fazer feijão na panela de pressão, antes de abrir a panela todos sabemos que é preciso esvaziar o ar da panela, se não ela explode. Não fazemos isso porque queremos, fazemos porque é o certo e caso contrário coisas ruins aconteceriam. No mundo de Nick, se um ato simples como um mero banho não seguir esse passo a passo que muitas pessoas podem considerar irrelevantes, as consequências seriam as mesmas de uma panela explodindo. Seria destrutivo, perigoso e errado.

O banheiro de Nick era diferente de um banheiro normal. Não havia banheira, diferente de outros banheiros da mansão, pois poderia ser perigoso dele se afogar. Também não tinha espelhos, porque uma vez ele acabou batendo a cabeça e se cortou. Também não possuía quinas, remédios nos armários, giletes ou outros objetos cortantes. Era grande e confortável, tudo muito bem pensado para que ele pudesse usar sozinho sem acarretar risco a si mesmo.

Demorou cerca de vinte minutos, mas quando terminou, vestiu-se e em seguida caminhou até o gigantesco armário de livros, escolheu um que fosse de seu agrado e foi até a cama, deitando-se sem se cobrir. Com a atenção voltada ao livro, o mundo em volta pareceu congelar, tornando-se tão artificial quanto um sorriso forçado. De repente a vida perdera a importância e a ficção daquelas linhas impressas transformou-se na única realidade que valia apena considerar.

Lia com os olhos vidrados, apaixonado pela narrativa envolvente do autor, tão absurdo naquele mundo de mentiras que mal se permitia piscar, decidido a não perder nem um milésimo que fosse daquela leitura tão agradável.

Era mágico o momento em que possuía um livro em mãos. Talvez fosse uma das raras e preciosas situações em que pudesse ser igual aos outros, pois quando lia não sentia que era diferente, autista ou quaisquer que fosse o rótulo que as pessoas haviam decidido lhe dar. Quando lia, era apenas mais um garoto, apenas mais um leitor. Era como se toda a pressão e opressão se dissipasse do seu ser, abandonando seu espírito para que pudesse apreciar a liberdade e o divertimento que toda criança tem direito, mas que lhe foram roubados antes mesmo que tivesse capacidade de entender sua importância.
Leu por quase duas horas e meia, até que a noite chegou e precisou se levantar para acender a luz. Atento ao tempo deu fim a leitura, devolvendo o livro ao seu lugar especifico na prateleira. Cansado, suspirou com impaciência, saiu do quarto e desceu as escadas até a sala de estar. Sentou-se no sofá, no canto direito, seu lugar especial, e esperou até que a irmã surgiu sozinha, saindo apressada da cozinha, resmungando algo sobre a incompetência da cozinheira.

– Será possível que estou falando grego?! Porque é que ninguém é capaz de me escutar nesta casa? Eu pedi comida francesa e o que é que vocês me oferecem? Comida Japonesa! Não dá para acreditar nisso! — Lamuriou-se, a expressão aflita como se algo muito grave tivesse acontecido. — S'il vous plaît! — (por favor) — Será que é pedir demais um pouco de atenção? — Suspirou profundamente, as mãos na cintura numa postura preocupada, quase chorosa.

Nick a observava sem esboçar reação. Não entendia porque a irmã estava tão nervosa. Todavia, sabia do gênio exigente da mais velha, mas também a considerava uma pessoa sensata. Tentou identificar o que a estaria deixando tão nervosa e perguntou a si mesmo no que poderia ajudar.

– E-eu posso...

Barbara se virou na direção da voz, assustada, até então não havia se dado conta que tinha companhia.

– O que você disse Abnorme? — O chamou pelo apelido, a testa franzida de irritação.

Nick apertou os dedos das mãos com força.

– Eu sei... — não a olhava nos olhos. Todavia mantendo o mínimo de contado visual possível com quem quer que fosse — cozinhar. P-posso... — Tentou continuar, mas foi bruscamente interrompido pela risada estupefata da mais velha.

– Você? — Riu alto. — Cozinhando no jantar mais importante da minha vida? Até parece que eu seria tão irresponsável. Olha, Abnorme, não me leve a mal, mas você não é a pessoa mais... — fingiu procurar a palavra correta — preparada para assumir uma responsabilidade tão grande. Entendeu? Não é culpa sua, mas eu preferiria servir pedra frita a ter que correr o risco de deixar você colocar fogo na casa só porque acha que é mestre-cuca. — Deu um sorriso forçado — Mas não se preocupe, tudo vai sair perfeito, mesmo sem você, quer dizer, sem a sua ajuda. Agora... vê se continua sentado ai brincando de estátua que a maninha aqui tem coisas mais importantes para fazer. Tchauzinho. — Pegou o celular e discou um número do restaurante, voltando para a cozinha sem olhar para trás.

A visão de Nick ficou embaçada por causa das lágrimas, mas ele não deixou que elas escapassem, tampouco fungou ou foi correndo contar para a mãe. Desde muito cedo aprendeu a aceitar o jeito da irmã, e descobriu ser capaz de ama-la apesar de seus defeitos.

Levantou-se e atravessou a sala, saiu pela porta e foi até o jardim de rosas brancas, onde a mãe conversava ao telefone.

– Claro, claro, eu estarei lá na segunda de manhã. Sim, pode confirmar. — Dizia gentilmente.

Quando percebeu a chegada do filho sorriu e acariciou o topo de sua cabeça rapidamente, em um cumprimento silencioso.

O garoto observou a rua e suspirou demoradamente, de um jeito tão triste que fez a mãe estranhar.

– Só um instantinho, por favor. — Pediu antes de afastar o telefone da orelha. — Aconteceu alguma coisa, querido? — Nick balançou a cabeça, negando. Katia o fitou desconfiada, porém em seguida retornou a falar ao telefone, se afastando um pouco do menino. — Ah, me desculpe, hoje está um dia tão corrido aqui em casa. Não, pode continuar, não era nada. — Sua voz ia diminuindo conforme ela se afastava.

Sozinho, ele se permitiu admirar a beleza das rosas, tão delicadas e ao mesmo tempo ameaçadoras com seus grandes espinhos. Se até mesmo as mais belas flores tem espinhos, então não era de se espantar que a irmã também possuísse os seus.

Esse pensamento fez com que se sentisse um pouco melhor.

Já era de noite e as poucos estrelas no céu pareciam pequenos brilhantes perdidos no espaço, colorindo aquela imensa escuridão sem fim.

Alguns minutos depois a mãe surgiu novamente, desta vez sem o celular.

– Ligação de negócios. — Explicou. — Eu sei, fiz de novo. Sei que essa noite é especial e que eu deveria deixar o trabalho bem longe, mas algumas coisas não conseguimos evitar. Você sabe bem do que estou falando, não é meu bem? — Sem obter resposta, ela continuou. — A maré está começando a mudar. Consegue sentir? — Com uma das mãos ela acariciou a lateral do rosto dele. — E você faz parte disso, dessa nova fase. Eu sinto. — Sorriu — Meu bebe, ou melhor, meus bebes. Você e sua irmã me dão tanto orgulho. Te amo tanto, Nick. Espero que você consiga entender o quanto. — E o abraçou. Mesmo sem retribuir o abraço, ele não a rejeitou, o que já significava muito para Katia. — Sim, eu sei que você está se esforçando. — Sussurrou no seu ouvido.

Quando se afastaram Nick mirava o chão, os ombros encolhidos. Katia sorriu com carinho.

– Eu sei querido o quão é difícil para você demonstrar amor por alguém. — Ela tocou seu queixo com o dedo indicador e levantou seu rosto, para poder encarar seus olhos. — Mas eu sei que você também me ama. — Seu sorriso aumentou, mesmo a expressão do menino continuando quase que indiferente. Ainda assim, no fundo, como qualquer mãe ela dizia ser capaz de conhece-lo melhor que o próprio Nick. Era instinto, um amor desproporcional, sem fim. Um amor de mãe. — Você vai ficar aqui fora? — Perguntou, recebendo apenas um leve movimento de cabeça como resposta. — Tudo bem, mas tome cuidado, não vá para rua e entre logo. Já, já o jantar será servido. — Deu um beijo em sua testa e se afastou.

O vento frio sobrou contra o rosto de pele pálida, fazendo com que um calafrio passasse pelo corpo miúdo, arrepiando-o. Os cabelos curtos e lisos dançaram movidos pela brisa fresca. Nick não se importou quando sentiu o corpo reclamar pela falta de agasalho, tudo que queria era se sentir vivo mais uma vez.

Fitou as rosas, os dedos acariciando inconscientemente um de seus grandes espinhos, enquanto apreciava o conforto do seu silêncio.

Foi quando um som o assustou. Do meio do silêncio profundo uma voz nasceu, era rouca e baixa, tão diferente e inesperada que fez com que seu pobre coração falhasse uma batida. De repente a respiração de Nick estava alterada e seu dedo doía, ferido pelo espinho da rosa que o perfurou.

– Me desculpe. — Disse a voz, vindo detrás. — Eu não queria te assustar.

Os olhos do garoto procuraram entender o que estava acontecendo, quando finalmente olhou para trás e se deparou com a figura de um homem.

Ambos se encararam e então o desconhecido sorriu com simpatia, ainda envergonhado pela chegada desastrosa.

– Você deve ser o Nick. — Estendeu a mão no ar, sem deixar de sorrir. — Eu sou Artur. — Se apresentou, tão animado quanto uma criança na manhã de Natal.

O garoto mirou assustado a mão estendida, os olhos arregalados como se estivesse sendo vítima de um assalto. Ele olhou para a própria mão, reparando no sangue que escorria pelo dedo. Artur seguiu seu olhar.

– Minha nossa, seu dedo! — Por reflexo, segurou o pulso do menino e trouxe sua mão para mais perto do seu rosto, para que pudesse avaliar o corte.

Perplexo e sem reação, o menino esperou mudo que o outro o soltasse, fitando desesperado o gramado a procura de algum conhecido que o livrasse daquele maluco.

– Não, pode relaxar, está sangrando bastante, mas o corte não foi profundo. Nada que alguns dias com um curativo não dê jeito. Pode acreditar em mim, minha mãe é enfermeira e digamos que eu tive a quem puxar. — Afirmou, sem soltar a mão do garoto. Nick começou a tremer. — Hey, tudo bem com você?

Aflito o menino livrou-se das mãos do estranho, o fitou de relance, depois abaixou a cabeça e saiu correndo para dentro da casa. O único lugar que imaginou que o outro não o seguiria.

Subiu as escadas correndo, assustando a mãe que gritou seu nome quando este passou por ela.

Dentro do quarto fechou a porta com força, sem acender a luz. Ficou sentado no chão por vários minutos, o coração acelerado, enquanto pensava no ocorrido.

Um minuto, esse fora exatamente o tempo que passara junto com o desconhecido. Um minuto que pareceu uma eternidade. O único fato que o confortava era saber que aquele minuto não iria voltar. Ele passou, juntando-se as memórias, ao passado que desenha o seu futuro. Se foi tão rápido quanto havia chegado, para nunca mais voltar.

Ou pelo menos, era nisso que ele acreditava.

Notas finais
Estou precisando de um Beta, se alguém se interessar por favor entre em contato. Beijos.