Coração Lacrado pela Dor

4 Capítulo 3: Andy, a garota e o pirralho


Notas iniciais
Eu juntei o capitulo 4 o capitulo 3.

Era bem estranho naquele lugar. Digamos que, não era exatamente o inferno, mas acredite em mim, era tudo escuro, sem nenhuma luz. Tinha muitas portas, de vários tamanhos e cores, e coisas, como brinquedos quebrados, qualquer coisa flutuava ou ficava fixo naquele chão. E eu era uma das coisas que flutuava. Mas era bom, porque meu corpo não parecia tão... Pesado. Parecia uma pluma!

Por aquele ambiente estranho, passava ma leve brisa, fria e medonha, que fazia seu copo se arrepiar. Bem baixinho, como um pequeno sussurro, uma voz doce murmurava uma canção. Ela aumentou um pouquinho, e de voz, passou a serem instrumentos. Não sei quais, mas qualquer instrumento vinha até a minha mente. Era meio estranho, mas até que, era bom.

Logo, meu corpo desceu para o que chamamos de chão, mas era escuro, e molhado. Eu via as pequenas ondinhas de água quando meu pé batia por ela. Observei-a lentamente, e vi uma luz alta e azul clara se aproximar. Era brilhante, mas não cegava, é claro. A luz se abaixou um pouco, e parou na minha frente. Era uma pequena garotinha, de uns 45 centímetros. Tinha grandes cabelos sedosos e azuis claros bem brilhantes, com duas mechas em azul mais claro. E, usava um vestido grande, como um vestido de noiva, só que azul. Tinha várias flores estampadas em seu vestido, e ele todo brilhava. E suas asas eram bem grandes, como as de uma borboleta azul escura.

A criaturinha voou até minha altura, me olhou, e disse:

-Olá, Lawliet.-Sua voz era doce, como uma canção.

-Ahn... Olá. -Tentei não mostrar que estava curiosa sobre ela. Mas não dava. Sabe, não é todo dia que se vê uma criatura que mais parece uma fada. -Você é uma fada, não é?

-Claro. Tenho prazer em conhece-lá, meu nome é Amaya.

-Como sabe meu nome?-era bem estranho. Pois, como alguém pode olhar pra mim e saber meu nome sem nem me conhecer.

-É fácil. –ela sorriu. -Você está na divisão do tempo e espaço. Esta divisão é onde se pode ir para outras dimensões. Você sempre passa por aqui quando viaja para algum lugar, mas nunca percebe. Só quando você acaba se perdendo, você vem parar em algum lugar por aqui. –Explicou.

-É habitado por alguém?

-Não. Apenas eu moro aqui. E é bem solitário. Mas, enfim, Lawliet, o que faz aqui? Lembro que quando passou por aqui, era mais nova...

-Não sei, só sei que eu estava no meu colégio, à noite, e tinha umas pessoas estranhas que queriam me pegar, um grande monstro estranho, e depois, o gato preto Black, o matou não sei como e eu vim parar aqui... Ei, pêra aí, eu já estive aqui antes?

-Ah não! Toquei em assuntos de que não podiam! E agora? O que eu faço?-Amaya, desesperada, começou a voar para qualquer lado, se desesperando e com sua voz aflita. E então, saiu, sumindo em meio à escuridão, me deixando sozinha. Suspirei, e sai andando por aí, confusa com o que ela disse. “lembro que quando passou por aqui, era mais nova...” Suas palavras ecoaram pela minha cabeça, mostrando várias teorias sobre isso. Dei uma risadinha gostosa sobre isso e minhas teorias malucas, e comecei a dar voltar com os braços abertos como uma bailarina. Lembro quando fizera aulas de balé um dia, eu havia ganhado um prêmio –que tenho até hoje- pela melhor dançarina de balé da cidade.

Comecei a mudar os giros, e então, na ponta dos pés, dei pequenos saltos. Eu não estava tão boa como antes, mas dava para o gasto. Se eu treinasse mais, seria melhor, né? Ah, senti meu corpo mais flexível, e comecei a arrumar meus passos, tão flexíveis e leves. E em meio a um de meus saltos, comecei a flutuar. Ah, ali era estranho, existia gravidade sim, mas se podia flutuar. Sorri, e facilmente, flutuei até as portas, procurando uma de meu agrado.

De repente, surgiu uma porta em meio a um brilho azul claro, e ela estava aberta, me sugando para lá, com uma força estranha. Sabe, quando algo invisível, que você não pode ver, como uma mão gigante puxando seu copo para dentro.

Um grande clarão surgiu, e isso fez com que eu tapasse meus olhos, ou então ficaria cega. Aos poucos, ele foi cedendo, e eu me vi num grande castelo de cristais. O piso parecia ser rosa, e era brilhoso e transparente mostrando meu rosto. E nas paredes, os azulejos eram da mesma cor, e em alguns cantos, tinha grandes cristais azuis claro, em um grande, e dois médios, e por fim, um menor, ao chão. Aquilo parecia ser do próprio castelo, ou viria do chão. E naquele saguão, tinha uma grande escada, com um cabo de apoio revestido em dourado, e as escadas com vários cristais cobrindo-as, com o mesmo azulejo. E subia, e subia indo parar num corredor que vinha da direita e da esquerda, com muitas portas por aí.

Brilhava muito, e era tão lindo... A pessoa podia ficar observando-o sempre para sempre. Então, comecei a ouvir uma risadinha baixa. Tomada pela curiosidade de ver quais mais belezas tinham naquele castelo de cristais, fui atrás risada. De fato, aquele castelo era muito lindo, imagino o trabalho que deve dar para deixa-ló sempre assim, e polir seus lindos cristais até brilharem. Será que dava um trabalho muito grande? Eu gostaria de polir a minha casa para que ela ficasse assim, tão brilhante quanto esse castelo. De fato, me servirá em muitas coisas! E um cristal destes? Será que iriam me dar um? Ficaria lindo em meu quarto, como uma jóia preciosa.

Em meio a meus pensamentos, a risadinha ecoou novamente, em direção a escada. Subi até lá, e de relance, vi uma cauda branca e peluda com uma chave amarela escura presa nela. Corri atrás, ouvindo meus passos ecoarem pelo corredor. E então, fui parar até um grande salão, com várias estatuas e quadros de diversas coisas sobre ele. Tinham de dragões, monstros, paisagens, castelos, animais, pessoas... Quem morava aqui tinha um ótimo gosto para quadros. E as estátuas também, mas sempre homenageando alguém ou não.

E lá, num cantinho, meio que num brilho azul escuro, um pequeno lobo branco, com seus olhos verde safira, profundos. E pelo olho direito uma grande mancha que faziam pequenos tsunamis azuis escuro nele. E em sua pata esquerda, estava pintada de preto, e nas costas, bolinhas azuis escuro e preto. E a cauda, era bem peluda, e tinha listras amarelas e azuis claros em forma de raio. E na ponta, uma mancha verde também em forma de raio. E a chave, amarela escura e negra. Ele tinha pequenas asinhas verdes claro, transparente, e brilhavam. Sua altura era de mais ou menos 78 centímetros. E então, a criaturinha veio até mim e disse:

-Oi Lawliet! Meu nome é Andrew, mas me chame de Andy! Sou seu animal regente!-Ele deu um grande sorriso fofinho. Ele tinha uma voz fofa, de criança. Era bem curioso sua pelagem, parecia brilhar junto com suas assinhas que batiam rapidamente. Talvez ele fosse o dono deste castelo, e poderia me dar um desses cristais tão lindos. Curiosa, respondi:

-O que é um animal regente?-Ele pensou um pouco.

-Animal regente é um animal que rege você, está sempre com você, mas estava invisível aos seus olhos. E quando chega à hora de cada um, ele aparece para você.

-Você é o dono do castelo?

-Não, não, mas é claro que não!-Riu. -Porque acha eu sou o dono, Lawliet?

-É que você é o único além de mim aqui, então achei que fosse. Eu iria pedir um desses lindos cristais.

-Ah, não mexa neles, não sabemos de quem são eles. Mas enfim, vamos embora daqui!

E então, eu fiquei em um devaneio, pensando de quem seria. E então, Andy foi envolvido por uma luz verde clara de suas asinhas, bem brilhosa. E seu corpo, foi ficando maior. O focinho cresceu no rosto, a coleção de grandes dentes brancos. O corpo maior e mais trabalho de um lobo, e as asas cresceram demais. Eram maiores do que ele, no formato de borboleta, mas não grudada ao corpo. As patas enormes, e então, ele ficou ao chão, bem maior do que eu.

-Suba. -Ordenou. Sua voz estava um pouco mais grossa e autoritária, mas não escondia a doçura que havia. Em questionar, eu subi. E então, ele começou a correr saindo do salão. Seguei em seu pescoço para não cair, e era meio estranho estar no dorso de um lobo. Seus pêlos eram bem macios e sedosos, e lindos. Andy saltou em determinado momento, e segurei firme — sem sufoca-ló, é claro- e um grande portal negro se abriu, e caímos dentro dele, sumindo na escuridão.

Saltamos na escuridão, e estávamos novamente naquele lugar escuro. Era bem estranho, toda vez que eu ia para lá, eu ouvia uma doce canção sem letras. Às vezes mudava, mas do jeito que era, ou causava medo, felicidade, tristeza, ou qualquer coisa. Sabe, quando você toca alguma coisa com seu sentimento, talvez cause o efeito desejável às pessoas. Eu poderia tentar uma vez, com um violino, é claro.

Olhei para aquele lugar estranho, desci do dorso de Andy, e suspirei, num tom meio assustado:

-Ei, como iremos voltar para o meu mundo?

-Ué, quem disse que vamos?-Respondeu, voltando a sua forma fofinha. Subiu em meu ombro, e envolveu sua cauda branca em meu pescoço, como um cachecol. Um pouco mais assustada, berrei:

-COMO ASSIM NÃO VAMOS VOLTAR? E AQUELE GATO NEGRO? E AQUELE CARA ESTRANHO?-Forcei isso e fechei o punho, justamente o que tinha sido cortado. Ele doeu intensamente, segurei minha voz pra não gemer de dor ou gritar, ou qualquer coisa. Um pouco de sangue saiu dele. Andy passou um de seus dedos da pata nele e observou, parecendo preocupado. E então, me perguntou, mostrando o dedo machado de sangue:

-Ei, o que é isso? Você se machucou?

-Sim, eu me machuquei. -disse emburrada, e então soltei um gemido. Ele apertou um pouco sua cauda suavemente, e nós saímos andando. De alguma forma, nunca ouvia o silencio naquele lugar. De fato, era bem difícil se acostumar com isso, para quem se acostumou tão fácil com o silêncio nesse lugar. Durante muito tempo, andávamos, e só havia portas, portas e mais escuridão. A dor de meu pulso incomodava, e aquilo tudo também. O que eu poderia fazer se não aceitar? Mas algo que era difícil compreender era quem era aquele estranho garoto, o gato Black, o monstro, aquele lugar, a fada azul, Andy. Tudo. Tudo era confuso. Uma completa confusão, e o silêncio do bichinho branco era bem estranho.

Chegamos a uma parte onde só havia uma porta. Toda negra, com apenas uma marca branca. Andy examinou-a com os olhos, e saltou de meu ombro. -Eu senti frio no pescoço, e necessidade de algo para me esquentar. – E então, ele abriu a porta. Para mim, era tudo negro, uma porta sem fundo. Não tinha nada, apenas uma porta normal que flutuava por lá, sem fim nenhum. Mas ela estava parada. Andy parecia olhar por outro lugar e então, ele deu um grande sorriso, virando-se para mim:

-Ei, Lawliet. O que acha de irmos para lá? Sabe, é muito difícil treinar a magia na terra, porque lá não tem magia, e isso é bem estranho. Mas, de qualquer forma, quer vir?

De fato, ele parecia ver alguma coisa. Talvez um lugar legal, ou não muito legal. Mas, eu queria ficar ali mais um pouco, pra poder pensar, e deixar o tédio tomar conta. Era um sentimento estranho, mas mesmo assim, fiz este simples pedido a ele. E ficamos lá, no mesmo lugar onde paramos. Com Andy envolvendo sua cauda em meu pescoço, no silêncio. E então, do nada, disse:

-Andy, como você acha que as pessoas reagem ao tédio?

-Elas reagem de muitas formas, ficando loucas, parando para pensar, ouvindo música, conversando...

-Você acha que alguém fica delirando nos pensamentos como eu?

-Mas é claro, senão não estaríamos aqui. Não estaríamos em nenhum lugar nenhum, não existiríamos. Porque, quando nosso Deus criou-nos, foi porque ele estava delirando em seus pensamentos.

-E você? Delira nos seus?

-Claro que deliro. Eu penso em muitas coisas, como todo mundo, ou ninguém, não é? Sabe, é muito estranho ficar aqui pensando e conversando, porque nossos pensamentos somem, são distanciados da gente, e aparecem outros enquanto falamos. Se não, é porque temos um pequeno controle com eles. Parece fácil fazer isso...

-Acho que não, nem todas as coisas são fáceis, não é mesmo?-Eu dei um sorriso de canto. Refleti um pouco e perguntei: — Não íamos a um lugar?

Ele sorriu, e voltou a sua forma de lobo grande. Seus olhos me diziam, e eu subi em seu dorso, sem questionar, e tomando cuidado com o punho. E então, ele saltou até a porta aberta, e entramos num mar aberto de cores e luzes escuras, rosa escuro, amarelo escuro, verde escuro, tudo uma complicação sem fim, formando um grande circulo sem fim em espiral, como um furacão. E havia objetos andando por aí. Bem confuso, parecia ser a mente de alguém em colapso, ou algo assim. Observei melhor, e percebi que estávamos caindo, caindo e caindo, num poço sem fim. E havia outros objetos flutuando, como relógios, chaves, carteiras, qualquer objeto pequeno, até mesmo pelúcias. Acho que até vi o coelho de Alice no país das Maravilhas olhando em seu relógio ali. Durante um pequeno tempo, ficamos caindo, não sei se foram segundos ou minutos, mas parecia ser a eternidade. Resisti em fazer ma pergunta de “Onde estamos indo?”

Finalmente aconteceu algo de novo, enquanto eu segurava em Andy, ele deu um jeito e se soltou de mim, voltando a sua forma normal, e me deu a mão — Ou pata, mas isso agora não vem ao caso-. Senti enjôo, e a cabeça girava, mostrando os lugares confusos, e a visão ficando cada vez mais embaçada, até se formar tudo em um borrão. Esfreguei os olhos cuidadosamente com uma das mãos, na tentativa de ficar melhor.

Pois só piorou.

Resmunguei, e enquanto meus olhos estavam fechados, deve ter acontecido algo. Senti meus pés tocarem ao chão. Abri-os lentamente, e uma visão escura da noite me veio à visão embaçada, que voltava aos poucos. Estávamos numa floresta, escura, sem luz, sem nada. Estava tão escuro, parecia não ter civilização por ali, nem ao menos alguma luz para iluminar. Havia muitas arvores por aí, mas era só isso que conseguia distinguir. Olhei pra cima, o céu estava nublado, e não tinha lua. Meio assustada, recuei alguns passos cambaleantes e dolorosos.

-O que foi Lawliet?-Perguntou Andy, voando ao meu lado. Seus olhinhos inocentes se mostravam preocupados.

-Eu só... Não consigo ver nada. Está muito escuro. Onde estamos?-Perguntei. Não pude deixar de mostrar a voz com medo, aflita, procurando um abrigo. Coisa de gente dependente dos outros.

Vendo a minha fraqueza de não enxergar, ele começou a me guiar por aí. Andamos muito, e eu só ouvia o piar de corujas, roncos de animais, meus passos e o bater de asas daquele animalzinho. Eu me sentia uma pessoa cega, num breu total. Andrew me guiou até, o que pelo meu tatear, uma cabana.

Entramos sem a menor intenção de algo.

Dentro da cabana, tinha uma luz acesa. Era feita de madeira, e num lado, havia uma chaminé com o fogo aceso. Era iluminado por ela e algumas velas. Ao lado da chaminé, tinha um lindo quadro de um homem montado num cavalo, empunhando a grande espada para matar um enorme dragão negro. Olhei um pouco mais, e encontrei uma mesa, com um vaso de rosas lá. Andei calmamente, e ouvia rangidos do piso gasto de madeira, mas bem feito. Passei por um corredor pequeno, chegando numa sala, com sofá e poltrona, e uma estante enorme de livros, ocupando várias paredes daquele cômodo. E uma porta, meio escondida. Ouvi sons por lá, e me aproximei dela.

Estávamos prestes a abri-lá, quando sua maçaneta se mexeu para os lados, abrindo-a lentamente, mostrando aquela face estranha.

Uma face medonha e familiar a mim.

Era um garoto. Tinha os olhos de Gato, num tom amarelo escuro onde deveria ser branco para os humanos, com as pupilas grandes, como uma bola. Tinha pele clara, com alguns ferimentos que saravam já, quase se fechando. Ele usava uma jaqueta vermelha escura, com dois bolsos. Tinha uma calça jeans bem folgada, meio rasgada. E seu cabelo era ruivo, com um penteado virado para o lado, meio bagunçado. E algo que eu percebi nele, parecia ser duas grandes orelhas de gato abaixadas, se camuflando com o cabelo.

Ele me examinou de cima a baixo, e examinou Andy também, e resmungou algo em outra língua, parecia ser grego. Levantou os olhos rápidos, e me perguntou, com uma voz de desconfiança:

-Quem são vocês e o que faz aqui?

-Eu...Eu... -estava assustada demais para qualquer reação. Me manti firme, apesar do medo. –Eu sou Lawliet Starius, e não sei como vim parar aqui. Esse aqui é o Andrew, ele me guiou até aqui depois de um... Acontecimento.

-Ah, uma nova humana. -Bufou.

-Mas e você, quem é?-Perguntou Andy. Ele não parecia completamente calmo, seus olhos diziam que também estava com medo. O garoto olhou para ele desconfiadamente, e se voltou para mim.

-Certo. Primeiro, cuidemos de seu ferimento. -ele apontou com a cabeça para meu punho machado de sangue seco. –Depois descanse um pouco e me explique o que aconteceu, sim?-E se calou, esperando minha reação. Quando fui responder, ele bufou: — E não diga que não pode, pirralha. Esse machucado está muito feio, se ele se infectar, sabe se lá se não terá mais um punho para socar amanhã.

-P-pirralha? Espera um pouco, quem você pensa que é pra me chamar assim!?

Não liguei para minha arrogância. Mas eu sabia que, quando eu ficava brava, ninguém me segurava.

O garoto não ligou, apenas me deu um peteleco no nariz, e me puxou para dentro daquele quarto estranho a força. Havia uma cama normal lá, e gentilmente –mas sem diminuir a força- me fez sentar no canto da cama. Abriu um armário de madeira que tinha lá e tirou um kit de primeiros socorros. Com um pouco de algodão molhado em água, limpou o sangue em volta da ferida. Andy se sentou ao lado, observando seu trabalho com atenção. Depois disso, vi ele pegar uma garrafinha de ALCOOL. Molhou o algodão e passou na ferida, e eu dei um berro agonizante de dor. Ardia muito mais que o machucado em si.

Mas ele não parecia se importar com meus gritos agonizantes.

De medo, Andy tapou os ouvidos.

-Dá pra ficar quieta, pirralha?-Bufou. Ora, se ele soubesse como dói mexer num machucado grande com álcool não diria isso.

Ainda berrando, comecei a ouvir uma melodia doce, soando em minha mente.

Berrei novamente por ele forçar o algodão.

Notas finais
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