Coração De Tinta
1 Capítulo 1: Queremos um novo alimento
Notas iniciais
Colégio Karl Johans Gate, 15:47/ Oslo, Noruega.
“... Às vezes, acredito que o poder da arte pode ultrapassar os meios da limitada imaginação humana... A arte fora capaz de salvar diversos pintores da loucura externa e, afundá-los em sua própria.” Haruno Sakura, Jornal KJG, edição 1190.
_ Sakura!! Não irá almoçar por hoje querida? Já passa das três... – o timbre marcante de Kurenai fez-se presente aos ouvidos. Oh céus! Já são quase quatro horas? Não acredito que perdi a noção do tempo mais uma vez... Ino tem mesmo razão, talvez eu deva comprar um relógio de pulso para não perder o horário do almoço todas as quintas.
_ Obrigada pelo aviso professora, eu já estava fechando a matéria. – tratei logo de me justificar. Sou sempre a mais atrasada das editoras e por mais que a senhorita Kurenai saiba deste fato, é melhor que eu ao menos tenha um vocabulário eloquente para impressioná-la. A “coração de tinta” é um dos pilares da minha vida atualmente e não sei o que faria se a perdesse.
Ah! Bom, como já é de total praxe meu, esqueci de me apresentar. Meu nome é Haruno Sakura, tenho dezessete anos, estudo no colégio Karl Johans Gate no centro de Oslo e tenho uma coluna no jornal de minha escola, chamada “Coração de Tinta”. Sobre o quê falo nessa coluna? Sobre arte, uma de minhas maiores paixões desde pequena. Por falar em tempo... É bem provável que eu esteja super atrasada para o trem das quatro, que, para minha sorte, passa na estação bem aqui em frente da portaria do colégio.
_ Até amanhã professora! – me despedi, recebendo um aceno de cabeça por parte de Kurenai, minha mentora no jornal e também, professora de artes do terceiro ano, a classe em que estou.
Peguei minha bolsa depressa, e do mesmo modo fui até a portaria. Se não almoçar em casa hoje, meus pais com certeza irão me matar. Eles são bastante liberais, no entanto, não experimente faltar ao almoço de quinta-feira. Sério! Minha mãe fica uma fera quando meu irmão mais velho, Sasori, não aparece para o almoço. Okay, estou muito atrasada, mas, ainda chegarei a tempo de esquentar a comida no micro-ondas e, portanto, almoçar de qualquer maneira. Esta é a minha jogada para garantir que não irei ficar presa em casa, de castigo. Estou bem grandinha para isso, mas, para minha mãe, esse é o método mais eficaz de um filho aprender a não repetir burradas. No entanto, eu discordo completamente, e tenho Ino como exemplo, nenhum castigo funciona com ela. A Ino é uma das minhas melhores amigas, nos conhecemos desde os quatro anos de idade e, como eu, ela também estuda no KJG. Moramos na mesma rua há mais de dez anos, praticamente integramos uma mesma família, já que ela adentra minha casa quando bem entende e eu estou sempre na casa dela, jogando papo fora e como aquela calórica bem aprecia, devorando panelas de brigadeiro. Ino perdeu a mãe muito cedo, quando ainda tínhamos seis anos, ela mora com seu pai, o senhor Yamanaka Inoichi. Ele sempre cuidou muito bem dela, é um pai muito amoroso, mas, jamais suprira a ausência da senhora Yamanaka. Ino as vezes tem sérios problemas com isso, entretanto, não irei entrar em detalhes.
Ela é uma das líderes de torcida do colégio, tem um corpo invejável e come tudo que lhe dá na telha. Mas, ela não engorda devido aos frequentes exercícios físicos, algo do qual eu literalmente fujo. Faço as aulas de educação física por mera obrigação, não gosto nenhum pouco de esportes. E nisso, a Hina está comigo. Hinata é minha outra melhor amiga, eu, Ino e ela passamos muito tempo juntas, e ainda no primário, quando a Hina entrou no colégio, nos tornamos grandes amigas. A Hinata pertence a uma família muito tradicional de Oslo, os Hyuuga. Porém, ao contrário do pai esnobe dela, ela é muito simples, prática e doce. Seu primo, Neji, estudou conosco por dois anos, depois se transferiu para outro colégio. Uma de nossas colegas de classe, a Tenten, fora apaixonada por ele durante muito tempo, no entanto, agora está namorando com o Kiba, o principal jogador do time de futebol americano da nossa escola.
Kiba também é um grande amigo, como a Ino diz, “amamos esse idiota”. Ele é bem extrovertido e costumava ficar muito conosco nos intervalos, porém, agora com o número de treinos do time quase dobrando, raramente o vimos. Finalmente este trem chegou na estação! Mal acredito que o dia passou tão rápido assim...
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A Ordem, Norte da Dinamarca.
_ Espero que não sejam freiras desta vez... Estou farto delas. Quero um novo alimento. – desta vez, tenho que concordar com Naruto. Não suporto mais sugar energia de freiras. Está mais do que maçante.
_ De preferência alguém que tenha o sangue bem doce... – a voz rouca do Gaara nos fez olhá-lo. Então outra vez, meu senso estava mesmo certo. O toque vampírico dele está de volta... No entanto, algo me diz que isso pode ser prejudicial a Ordem. Se ele deixar vestígios...
_ Trate de se controlar ruivinho... Não estou nenhum pouco afim de ser aprisionado de novo. E se for por sua causa... É melhor que compre um extintor de incêndio! Irei queimá-lo quando assumir a forma dos humanos. – ameaçou Naruto, mostrando as presas na direção de Gaara, que manteve o sorriso cínico. Ah esses dois! Não sei como podemos pertencer a mesma escala...
_ Parem. Os dois. Estão se comportando como humanos. – ordenei, com desprezo. Acredito que eles devam estar passando muito tempo sob a forma humana, é a única explicação plausível para esse comportamento.
_ Não vem com essa Sasuke! O dia que eu passar a agir feito os humanos pode me entregar para o nosso pai... Pois eu estarei infectado, e todo espírito infectado deve ser punido. – Naruto ao menos não se esquece das regras da Ordem. É isso que o salva de ser rebaixado a uma mera alma penada.
_ O que estão a discutir? – Temari se fez presente, desintegrando sua forma humana e olhando-nos, satisfeita. Pelo visto, ela teve um bom alimento... Ao contrário de nós, que estamos aqui, a aguardar por Tsunade para que possamos ir à caça. Odeio todas essas formalidades da Ordem...
_ Queremos um novo alimento, prolongado desta vez. – Naruto anunciou.
Sinto a presença de Tsunade. Enfim podemos sair dessa mansão... Que mesmo sendo em traços humanos... Acabei me acostumando. É o melhor para que não levantemos suspeitas e, sendo isolada, também não despertaríamos a curiosidade do governo dinamarquês. Governo... Tão impotentes... Jamais iriam decodificar nossa existência. Noruega, hã? Talvez Tsunade esteja certa...
_ Querem um novo alimento? Vão a Noruega... Há três almas sonhadoras, puras, que acredito que irá agradá-los. E... Sasuke... Não invada minha mente outra vez.
*****
Casa dos Yamanaka, 23:17/ Oslo, Noruega.
O ar congelante, marcando início do inverno norueguês, adentrava por entre os vitrais da janela. No alto da casa dos Yamanaka, um quarto podia ser avistado de longe, devido as luzes. O quarto de Yamanaka Ino. Por aquela noite, tanto Sakura quanto Hinata iriam dormir na casa da amiga de cabelos reluzentes como o próprio sol. Entusiasmada com mais uma pesquisa caseira, a doce Hyuuga não prestava atenção ao que as outras duas estavam a falar, concentrada em seu notebook.
_ Eu já disse para você largar essa coluna idiota Sakura... Ninguém se interessa por arte. – manifestou-se Ino, jogando-se em sua extensa cama, por entre as várias almofadas roxas.
_ Errado! Todos no colégio se interessam por arte... Apenas você que faz questão apenas de vestir aquele uniforme de torcida curto e nada mais. – retrucou Sakura, penteando os cabelos, de coloração estranhamente rósea. Olhando-se no grande espelho do quarto de Ino, a rosada notou a sombra formada no chão por Hinata. _ Hey Hina... O que está fazendo?
_ Pesquisando... Esta semana sou eu. – respondeu Hinata, sorrindo de modo gentil. _ O Shikamaru arrasou na dele semana passada e eu pretendo superá-lo.
_ Superar o Shika? Ninguém entende mais dessas besteiras sobrenaturais que ele Hina... Tem certeza que consegue? – indagou Ino, levantando-se de sua cama e caminhando em direção ao seu armário. Retirando dois edredons, a loira os jogou para Sakura, que pegou-os habilmente.
_ É claro que a Hina consegue! Qualquer coisa, nós ajudamos. – afirmou Sakura, arrumando um dos colchões postos no tapete felpudo do quarto. Confirmando de cabeça, Ino sorriu. Não gostava nenhum pouco daqueles assuntos tão banais, mas se fosse por uma das duas, também ajudaria. Elas eram parte de sua família. Família desmembrada. _ Sobre o quê está pesquisando?
_ Sobre criaturas malignas. Antigos espíritos demoníacos mitológicos... Foi esse o tema que o Shikamaru passou a mim como desafio. – explicou Hinata, clicando em uma página ainda não localizada no site de buscas. Não estava conseguindo encontrar qualquer detalhe ou informação útil para que pudesse usar na pesquisa.
_ Ai credo! Vocês dois estão precisando arrumar um novo hobby, isso sim. O Shika já está há anos nessas coisas paranormais... – comentou Ino, retirando sua fina camisola em seda roxa de uma das gavetas de sua cômoda.
_ Bom, nisso eu tenho que concordar. Por mais que o assunto seja interessante, isso é totalmente ilógico. Não passa de frutos da imaginação humana. – opinou Sakura. Sempre pregara a racionalidade e, por mais que a arte estivesse muito além da razão, todos aqueles temas não faziam sentido com a realidade que, infelizmente, era a sua casa, assim como a de todos os seres humanos.
_ Imaginação ou não... Olhem só isso que eu encontrei... “Alguns espíritos das trevas, quando em formas humanas, são capazes de sentir emoções, assim como também, através de uma transformação, passarem a se tornar verdadeiros humanos”. – relatou a Hyuuga, impressionada com a qualidade do site até antes, inexistente em suas buscas. Romântica, Hinata perguntava-se a respeito do que poderia ser a tal “transformação”, não explicada na página. Seria o amor? Antes de falecer, sua mãe dizia que o amor poderia transformar o mais perdido dos humanos, da mesma maneira que as mais perversas almas.
_ Não vai escovar os dentes, Hinata? Temos que dormir, amanhã é sexta-feira, ainda vamos ter aula antes da neve cair e a escola ser interditada... De novo. – disse Ino, sentando-se em sua cama.
_ Tem razão... Amanhã termino isto no intervalo... Vamos Sakura? – chamou Hinata, deixado o notebook sobre o criado mudo e, pulando da cama.
_ Vamos... – respondeu a rosada, pegando sua escova de dentes em sua mochila.
Assim que Sakura e Hinata deixaram o quarto, animadas, discutindo sobre a coluna da Haruno, a loira aproveitou a ausência para se trocar. Sob a janela aberta, de cortinas em tecido transparente branco, uma silenciosa presença a analisava. Os olhos verdes, fixos, inertes, concentravam-se na aparência de Ino. Era a primeira vez que teria um alimento tão saboroso, diferente do perfil opaco das freiras. Jamais vira cabelos como aqueles... Grandes, lisos, tão semelhantes ao sol, seu maior inimigo. A proximidade dela com sua ruína o atraía de modo desesperador, tentador. O aroma do sangue que emanava dela era exatamente como almejava: doce... Talvez até demais. O ardor que subia-lhe pela garganta em forma humana era intenso, refletindo seu estado. Se pudesse, a teria naquele momento, sugaria toda luz que continha nela. Mas, mesmo que aquela fosse a maior das ânsias que já sentira por uma presa, não poderia tê-la ainda. Prolongada ela lhe seria a mais viciante das drogas.
Retirando o sutiã vermelho em renda, Ino assustou-se, se virando afoita na direção da janela. Tinha a impressão de ter visto algo tão escarlate quanto sangue, e olhos possessos olhando-a. Porém, ao colocar os olhos azuis sobre o parapeito da janela, nada vira. Era tudo culpa de Hinata, certamente tudo que ela lera lhe ficara no inconsciente. Bobagens. Não acreditava que estava sendo afetada por aquelas bobagens irreais. Cobrindo os seios fartos, firmes, com a camisola roxa, a loira deu de ombros.
Ainda não estava acostumado a sua forma humana, seria aquilo... Tinha de ser aquilo... Ele estava arfando? Porquê? Os olhos dela... Eram como o oceano. O horrível oceano. Certamente as águas estavam entre os meios mais detestáveis dos humanos, mas, para ele, o mar era dejeto de maior repúdio por sua parte. Aquele azul lhe incomodava, assim como naquele momento, estava a lhe incomodar em níveis extremos. Seu corpo humano reagia a ela e, não sabia como interpretar aquilo. A pele dela... Alva... Repleta de curvas, em plena comunhão aos cabelos loiros e aqueles malditos olhos. Sentindo-se em pânico, Gaara se afastou, utilizando de suas últimas forças para colocar-se longe daquela humana. Algo em si revirava... Era sua cabeça. Estaria nervoso? Perante sua presa? Era a maior das injúrias! Iria matá-la. Ela não tinha o direito de provocar-lhe reações. Precisava de alguma droga humana, talvez heroína, para não voltar aquele quarto e matá-la. Não importava o que Sasuke ou Naruto iriam dizer, sempre começando com os mesmos aborrecimentos de sempre, que ele estava ferindo a sua forma humana agindo como um adolescente drogado. Não se importava mesmo. Sua forma humana era terrível, odiava aqueles cabelos tão vermelhos, a sua pele pálida. Não tinha porque cuidar de uma forma que apenas o fazia passar por situações como aquela.
Com as mãos nas cortinas, Ino observava a lua no alto do céu. Sentia arrepios, deveria mesmo estar afetada pelas besteiras de Hinata. Ouvindo a porta se abrir, a loira se virou, encarando as amigas, que ajeitavam-se em seus colchões.
_ Não vai se deitar, Ino? – interrogou Hinata, cobrindo-se com o edredom.
_ S-Sim... – respondeu Ino, caminhando até sua cama novamente.
_ O que houve? Você está mais branca que papel... – zombou a Hyuuga, sendo acompanhada nos risos pela Haruno.
_ Boa noite! – exclamou a Yamanaka, a fim de dar aquele assunto como findado. Deitando-se em sua cama, Ino se cobriu, iria tratar de dormir logo, tinha ensaio das líderes no dia seguinte.
*****
Revirando-se no colchão, Hinata sentia-se aquecida como fogo. A Hyuuga delirava em um sonho desconfortável, velado por ele. Escorado em uma das paredes do quarto, mantendo os braços cruzados. O tom loiro dos cabelos dele era percebido... Mesmo diante da penumbra do quarto.
Olhando-a sem desviar um único segundo o olhar, Naruto a estudava. O coração dela continha uma virgindade que era capaz de lhe descontrolar se desse um passo a frente. Era mais pura que as próprias freiras, como se os sonhos que podia avistar nela, ultrapasse qualquer freira em matéria de bondade. Ela seria o mais apreciável dos alimentos... O mais atraente... No entanto, a face angelical dela lhe fervia o sangue humano. Era uma humana, porém, tinha de admitir, era uma criatura fascinante. Qual seria a realidade dela? O que fazia? O que tinha como... Princípios? Ainda não estava totalmente adepto do vocabulário humano mas, ela lhe despertava curiosidade.
Entreabrindo os lábios, o loiro sentiu-se congelar. Ela lhe despertava algo? Tinha de fugir, depressa, antes que fosse instantaneamente infectado pelo maior temor da Ordem: o amor. Sasuke estava correto outra vez, não deveria ter vindo apreciar seu alimento antes do amanhecer, a lua deixava qualquer um como eles, instável. Torcia para que Gaara não tivesse tomado a mesma decisão, sádico, ele poderia se deixar levar pelos horrores humanos e uma tragédia ocorreria. Tossindo, Naruto logo tratou de desaparecer daquele quarto.
O rosto angelical dela estava-lhe impregnado na mente, e ele temia o que poderia corresponder aos tremores que sua forma humana demonstrava.
Notas finais
Bom... Fãs de SasuSaku, esperem um casal protagonista intenso, cujo amor irá mover barreiras, e transformará um ser maligno como o Sasuke. Fãs de NaruHina, esperem um casal onde um irá se descobrir no outro, compondo um amor verdadeiro. Já os fãs de GaaIno, esperem um casal muito agitado, que enfrentará um dilema doloroso, onde o amor será conturbado, mas será a salvação de ambos os lados, sobretudo por parte do Gaara.
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