Coração De Tinta
2 Capítulo 2: O início da mudança
Notas iniciais
Colégio Karl Johans Gate, 07:20/ Oslo, Noruega.
“Esta turma não muda...” anotou Sakura em um de seus cadernos. Não sabia exatamente qual, pegara o primeiro em sua mochila para fazer anotações, mas propriamente, poesias. Okay, por mais que a poesia também fosse uma linda arte, há anos não a retomava em sua vida. No entanto, o analisar de seus colegas chamara-lhe atenção. Desde pequena estudava naquele colégio e com exceção do primo de Hinata, nenhum outro novato dera as caras naquela turma. Era sempre a mesma pacata sala.
Suspirando, a rosada colocou os fones de seu celular no ouvido, ultimamente, andava apreciando bastante sons como grunge ou heavy metal. Não importava-se se eram ou não sons americanos ou britânicos, aquelas músicas pareciam expressar exatamente aquilo que sonhava e não detinha por um simples fato: a comodidade da vida na Noruega. O inverno já se aproximava e, mais uma vez, ficaria presa em casa por dias, vendo a neve tomar conta das ruas com abundância. A neve já fora a maior diversão do inverno, tanto para ela quanto para Ino e Hinata. Ainda se lembrava dos dias em que passavam toda a tarde planejando guerras na neve ou fazendo uma imensidade de anjos de neve. Porém, junto do passar do tempo, as maravilhas do inverno também passaram-se e naquele ano, longe de sua coluna com o recesso escolar, ficaria inundada no tédio. Certamente.
_ Hey rosada, o que tanto escreve aí? – a voz grave de Kiba, que chegara sorrateiro, se fez presente.
_ Nada importante... – respondeu Sakura, sorrindo para o velho amigo, que atualmente muito ocupado com o campeonato externo de futebol, quase não via.
_ Já parou para pensar que em oito meses estamos nos formando? Ontem eu tive um trabalhão para fugir dos meus pais... Quero ser jogador de futebol, não médico como eles querem. – relatou Kiba, sentando-se na cadeira a frente de Sakura.
_ Isso vai ser um problema... Mas pensa bem, quem iria querer ser atendido por um médico com essas presas vermelhas? – brincou Sakura, rindo. Sempre implicara com a tatuagem do amigo, que a fizera em homenagem ao time da escola.
_ Você não muda sabia? – comentou Kiba, sorrindo de canto. _ Mas eu também não! – completou ele, bagunçando os cabelos róseos de Sakura em um gesto infantil. Ela nunca gostara que seus cabelos fossem desorganizados e Kiba, desde pequeno, o fazia para irritá-la.
_ Idiota! – exclamou Sakura, esquivando-se e tentando arrumar os fios rosados. _ Se liga porque o professor Kakashi já chegou...
Levantando-se como uma bala da cadeira, o Inuzuka correu para seu lugar. Já estava com a ficha vermelha com Kakashi, não podia arriscar tomar detenção as vésperas do campeonato. Rindo, Sakura comemorava sua pequena vitória contra o amigo, que mostrava-lhe a língua do outro lado da sala, onde se sentava ao lado de sua namorada, Tenten.
Apertando-se em seu casaco cor de rosa, Sakura suspirou novamente. “Você não muda sabia?” as palavras de Kiba colaram-se em sua mente. Será que ela também estava no rumo da sala? Será que não mudara nenhum pouco? Não sabia exatamente o porquê, mas aquilo pela primeira vez, estava lhe incomodando. Ela nunca se importara em não mudar, então porque passava a se importar agora? Não fazia sentido. No entanto, o que as músicas estavam lhe dizendo tratava-se do contrário. Talvez, ela devesse mudar. Por onde começar? Não sabia. Todavia, falaria a respeito disto na próxima “coração de tinta”. Era um bom assunto.
_ Ai como eu odeio as aulas do Kakashi, ele nos enche de exercícios e não faz mais nada. – manifestou-se Ino, sentando-se em seu lugar de costume, ao lado de Sakura.
_ Cadê a Hina? – perguntou a Haruno, notando o lugar atrás de si, vazio.
_ Não sei... Deve estar resolvendo algo sobre aquela pesquisa maluca com o Shika, ele também não chegou ainda. – arriscou Ino, retirando seus livros da mochila. Acordara muito cansada aquela manhã, não havia dormido bem, como se algo no quarto lhe impedisse de ter um sono tranquilo. Gastara um tempo se arrumando como consequência, e o uniforme de torcida, pela primeira vez, era acompanhado de um casaco roxo, para amenizar o frio que raramente sentia.
Apreensiva, Sakura olhou na direção da porta. Kakashi já estava em sala, se Hinata demorasse mais alguns minutos, estaria encrencada e ganharia uma bela marcação de atraso.
_ Bom dia alunos!! ... Alguém saberia me dizer onde estão a senhorita Hyuuga e o senhor Nara? – indagou Kakashi, escorando-se no quadro negro, notando as ausências logo de cara.
Sakura olhou mais uma vez para a porta. Hinata perderia sua ficha exemplar, sem nenhuma marcação, com certeza. Sabia o quanto aquela ficha significava para Hyuuga, tinha de fazer alguma coisa. Hinata nunca se atrasaria sem um motivo. Erguendo o braço, Sakura tratou de chamar a atenção do professor.
_ A Hinata já está vindo professor, ela ficou de pegar uns livros na biblioteca. – inventou a rosada.
_ É... – confirmou Ino por impulso.
Do restante da turma podiam-se ser ouvidos alguns comentários maldosos, referindo-se aos dois alunos. Entretanto, para alívio de Ino e Sakura, Hinata entrou apressada na classe, acompanhada de Shikamaru, que carregava alguns grossos livros. “Não acredito...” comemorou a Haruno, vendo que ao menos, tinha dado uma desculpa correta.
_ Desculpe-nos professor... Nós estávamos na biblioteca. – afirmou Shikamaru, sentando-se em sua carteira.
_ A senhorita Haruno nos disse... – comentou Kakashi, observando os alunos.
Sussurrando um “obrigada”, Hinata sorriu, tocando o ombro da amiga a sua frente. “É isso o que amigas fazem” respondeu Sakura, também em um sussurro.
_ O que estavam fazendo na biblioteca? – perguntou Ino, virando-se de lado.
_ Sente-se corretamente senhorita Yamanaka, e deixe as perguntas para o intervalo. Eu tenho uma importante notícia a dar. – cortou Kakashi, sentando-se em sua mesa.
“Odeio esse cara...” sussurrou a loira para Hinata e Sakura, que riram baixinho.
_ O quê? Teve que ajudar uma velhinha a atravessar a rua de novo e por isso se atrasou? – zombou Kiba, arrancando risos da classe.
_ Não é hora para piadinhas Kiba... Mas sim, eu ajudei uma velhinha hoje, por isso me atrasei. – disse Kakashi. Um uníssono “sei...” tomou conta da sala. _ E como eu ia dizendo, tenho uma notícia importante...
A conversa se instalara em toda turma. Ninguém se importava com o que poderia ser a tal notícia, sempre era a data do recesso de inverno. Virando-se para Hinata e Ino, Sakura entrara no papo das duas, sobre o atraso da Hyuuga.
_... Entrem. – indicou Kakashi e, com a entrada de três jovens na classe, a turma se calou. _ Uzumaki Naruto, Sabaku no Gaara e Uchiha Sasuke serão os novos colegas de vocês.
Incrédula, Sakura se virou. Novatos? Naquela turma? Impossível! Porém, ao colocar os olhos azuis sobre aquele que estava a frente dos outros dois, a rosada também perdera sua voz. Ele tinha a pele alva, os cabelos em legítimo ébano e os olhos... ônix... Vazios. Paralisada, Sakura notava os mesmos olhos de aura obscura olhando-a, fixos... Concentrados.
_ Senhor Uzumaki, por que não se apresenta? – indagou Kakashi, recebendo o olhar do loiro.
Dando alguns passos à frente, Naruto sorriu de canto, já localizando no fundo da sala, seu novo alimento, com os cabelos azuis desta vez, presos em um rabo de cavalo baixo.
_ Sou Uzumaki Naruto, tenho dezesseis anos e entrarei no time de futebol deste lugar com certeza. – afirmou Naruto, despreocupado.
Rangendo os dentes, Kiba analisou o loiro prepotente no centro da sala. Quem ele pensava que era? “Vai entrar no time é? Isso é o que vamos ver...” pensou o Inuzuka, fechado o cenho.
_ Caramba! O senhor tem mesmo iniciativa hein? Pode se sentar. – indicou o professor.
Sorrindo de canto, Naruto se encaminhou até o fundo da classe, sentando-se atrás de Hinata. Virando o rosto levemente, a Hyuuga observou o novato atrás de si. Vestindo um casaco alaranjado, ele tinha um olhar gelado, apesar dos chamativos olhos azuis. Quem é ele? Era o que perguntava-se Hinata, sentindo como se repentinamente, o ar se tornasse mais frio. Respirando fundo, Naruto suportava a luz que emanava dela... Assim, tão próximo, ao sabia como iria se controlar. Os olhos dela eram perolados, como a lua, que costumava enganar as criaturas como ele.
_ Sua vez. – proferiu Kakashi, referido-se a Gaara.
_ Meu nome é Sabaku no Gaara e tenho dezessete anos. – limitou-se o ruivo, espantando boa parte da turma com sua voz rouca, terrível.
_ Okay... Sente-se. – indicou Kakashi, intrigado. Certamente aquele ruivo daria trabalho... Algo lhe dizia que ele não carregava a empolgação dos demais alunos.
Caminhando, Gaara sentou-se ao lado de Naruto, encarado os longos cabelos loiros de Ino, presos em um rabo de cavalo alto. Já sentia pontadas em sua cabeça. Com os lábios entreabertos, Ino virou-se na direção do ruivo que sentara-se atrás de si. Ele vestia uma calça jeans rasgada nos joelhos, e um casaco vermelho, assim como seus cabelos... Escarlate... A pele dele era pálida, e apesar de ser um belo rapaz, tinha um aspecto decadente. Os olhos verdes pareciam mortos, e as olheiras abaixo deles, eram marcantes. Irritado com os mesmos olhos azuis que o fizera se drogar na noite passada, Gaara olhara-a diretamente.
_ O que quer? – indagou o ruivo, rude.
_ Nada... Só... Ia me apresentar. Sou Yamanaka Ino, prazer. – falou a loira, sorrindo em uma tentativa de animá-lo. Jamais vira alguém tão mórbido antes e, aquilo lhe afligia por ser sempre tão extrovertida e falante.
O ruivo se manteve em silêncio. Porquê ela sorria para alguém como ele? Não compreendia. Aquele sorriso lhe trouxera uma dose de cólera no sangue humano. Ela não devia sorrir para ele. Diante da expressão raivosa dele, Ino virou-se novamente. Pelo visto ele não era do tipo que conversava muito mas, lhe intrigara. Ele parecia estar definhando em sua própria solidão.
_ Senhor Uchiha, finalize. – disse Kakashi.
_ Sou Uchiha Sasuke e tenho dezessete anos. – proferiu Sasuke, com os olhos imersos em Sakura.
_ Pois bem... Sente-se. – indicou Kakashi, percebendo a maneira como ele olhava para a Haruno. Ele parecia disposto a entrar em sua frente e ser baleado.
Sakura o viu sentar-se a sua frente, na cadeira que há Poucos minutos, Kiba viera falar consigo. Os olhos dele... Jamais vira olhos como os dele. Aqueles olhos pareciam querer aprisioná-la e levá-la para longe. No entanto, uma aura negra emanava dele. Como se... Estivesse cara a cara com a morte.
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Colégio Karl Johans Gate, 09:50, Ginásio/ Oslo Noruega.
Nunca a aula de educação física fora tão agitada. Era o que a maioria dos alunos da turma do terceiro ano constatava. O professor Gai gritava e percorria todos os cantos da quadra, eufórico com o jogo de futebol americano que tornara-se altamente competitivo para Kiba, que disputava cada jogada com Naruto, que fazia um número alto de pontos, impressionando a meninas na arquibancada.
_ Céus! Como aquele garoto fez aquilo? – indagou Ino, boquiaberta, assistindo ao último ponto realizado por Naruto.
_ Hina... Pode adicionar esse loiro a sua pesquisa, não tem como alguém fazer uma jogada daquelas! Parece até sobrenatural... – comentou Sakura, séria, acompanhando a partida com os papéis da “coração de tinta” em mãos. A mesma aura negra que provinha do moreno, sentado do outro lado da arquibancada, parecia emanar do loiro, que praticamente voava na quadra.
“Realmente... Não tem como alguém fazer uma jogada daquelas. Tenho que falar com o Shika.” Pensou Hinata, desconfiada. Não era possível que a tese que tinha em mente fosse mesmo verdadeira, tinha que averiguar. Aquilo eram apenas lendas! Mitologia! Não tinha como ter fundamentos. Com a sobrancelha erguida, a Hyuuga encontrava os olhos do Uzumaki. Aqueles olhos azuis pareciam propositalmente fazê-la descrer de suas hipóteses.
_ Fim de jogo!!! – anunciou Gai, erguendo um dos braços. _ Vitória do time laranja!!
Sorrindo, Naruto encarava Kiba. Aquele moreno tentara lhe marcar toda a partida, no entanto, não passada de um tolo. Rindo de canto, o loiro comemorou com Rock Lee, o capitão do time que adentrara.
_ Você manda muito bem cara... – comentou Lee, apertando a mão de Naruto. No entanto, a pele do loiro pareceu lhe congelar a mão de tão fria.
Mantendo o sorriso, Naruto se afastou, no intuito de ir até Sasuke e Gaara, que reviravam os olhos, já acostumados com os showzinhos particulares do loiro que, sempre que podia, invadia algum jogo de futebol americano nas redondezas da mansão em que moravam, na Dinamarca.
_ Espera Uzumaki!! Para quem irá dedicar todos seus pontos? – indagou Gai, animado, puxando Naruto pelo braço e levando-o ao centro da quadra.
_ A ela. Hyuuga Hinata. – assentiu o loiro, olhando-a no alto da arquibancada.
“Como ele sabe meu nome?” perguntou-se Hinata, surpresa. Ele estava dedicando os pontos à ela? Todas as meninas olhavam-lhe analíticas.
_ Para sem graça da Hinata? Que desperdício... – comentou Kin, observando a Hyuuga.
_ Ele deve estar é sendo caridoso... Isso sim... – opinou Tayuya, rindo em deboche.
Ouvindo as falas das garotas acima de si, Sakura se virou, impotente.
_ Por que vocês não cuidam das suas vidas hein? – indagou a rosada, nervosa.
Detestava tanto Kin quanto Tayuya e, por isso, evitava o máximo de contato com as duas desde o primário. Superficiais e chatas. Elas não tinham o que fazer e viviam atormentando a vida dos outros, bem que a mudança naquela sala poderia começar com a saída delas... Mas, a mudança já havia começado.
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“Preciso sair daqui...” desesperava-se Gaara, caminhando pelo gramado do pátio do colégio. Seu corpo humano estava agitado, ativo, como se buscasse por algo urgentemente. No entanto, como norma de Tsunade, eles não poderiam desaparecer naquela escola, tinham de sair e entrar nos lugares como alunos comuns e, por isso, uma barreira celestial fora imposta no local. Estava entrando em pânico, cada vez que aqueles olhos azuis cruzavam-se com os seus, sentia sua garganta arder, e o desejo de tê-la era extremo. Além disso, outro desejo por ela parecia tomar conta de sua forma humana, um desejo que ele desconhecia, e o apavorava. Jamais deveriam ceder aos anseios de sua forma humana, no entanto, ele via-se a uma fina linha de acabar cedendo a um desejo que ele não sabia o que representava no mundo dos humanos. A pele dela... Os cabelos tão próximos do sol... O proibido... Estava perdendo a cabeça outra vez. Estava também a pouco de queimar aquele maldito uniforme de torcida, que estava o incomodando há vários minutos.
Ele necessitava mais uma vez de uma droga humana para manter o controle, ou cometeria uma besteira. Retirando uma ampola de heroína do casaco avermelhado, o ruivo colocou os olhos em eu braço esquerdo, repleto das marcas que as seringas pareciam adorar deixar. Odiava sua forma humana com todas suas forças. Preenchendo a seringa, ele sentou-se abaixo de uma grande árvore, isolada no gramado. Estendendo o braço, ele iria começar.
_ PARA!!!! O que está fazendo?! Está tentando se matar?! – indagou Ino, segurando depressa o braço do ruivo. _ Céus... Olha só o seu braço... Precisa de ajuda.
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Anotando algumas músicas em seu caderno, Sakura encontrava-se distraída, sob os olhos de Sasuke, que observava cada letra escrita por ela, impassível.
_ Phantom of the opera... Iron Maiden… É uma boa música. Me lembro de quando foi lançada... – comentou o Uchiha, impressionado com as músicas anotadas pela Haruno. Detestava o universo dos humanos, entretanto, algo como as músicas, as vezes o atraía.
_ Bobagem... Você não se lembra. Ainda não era nascido... – respondeu Sakura, sorrindo, retirando os olhos do caderno.
Presa. Era apenas colocar os olhos sobre os dele, outra vez, para sentir-se aprisionada... Quem era ele?
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