Notas iniciais
*Gente, algumas coisas foram alteradas na estória quanto à cronologia da vida de Bruce (como a cronologia sequencial de adoção e geração de seus filhos); *É para o melhor desenvolvimento e encaixe na estória; *Então, não estranhem se Dick não estiver com a cronologia certa, ou Helena e Tim (não vou falar de Jason e Damian); *Lembrando, é uma obra de ficção e os personagens não me pertencem! Boa leitura!

*** Oito anos mais tarde ***

Era quase 10h da manhã, quando ele abriu os olhos. Resmungando, ele virou de costas novamente, tentando fugir dos raios de sol que estavam entrando pela janela de seu quarto iluminado. Alfred sempre teve o hábito irritante de abrir as cortinas e nunca tinha sido dissuadido pelo fato de que seu mestre Bruce precisava de mais horas de sono em virtude de suas atividades noturnas.

E agora, sua namorada – ‘eram mesmo namorados?’ Bruce sempre se perguntara que tipo de relacionamento havia entre eles – também tinha um hábito semelhante, deixando-o ainda mais irritado. Tentando mudar de posição, ele não estranhou o fato de encontrar o lado de sua cama vazia. Ela tinha o hábito de acordá-lo quando acordava – inclusive, uma parte muito sensível de seu corpo – mas há meses, isso não acontecia. Ela acordava cedo, tomava café da manhã sem esperar por ele e pela filha deles e, quando eles tinham alguma conversa durante as refeições, eram mais maçantes que as reuniões em que o Superman era o palestrante. Essas reuniões enfadavam até Diana.

Diana!

A lembrança dela o fez suspirar e sorrir. Esfregando os olhos ele tentou lembrar-se porque se sentia tão triste hoje. Ele infelizmente lembrou: Ela vai se casar!

Diana Prince, sua princesa e de Themyscira, a Mulher Maravilha, iria se casar em três dias. Apesar da conversa que eles tiveram no dia anterior, ela decidiu manter os planos de casamento. Ele prometeu oferecer um coquetel esta noite para o casal e seus convidados, já que o playboy filantropo e a heroína tinham muitos negócios de filantropia juntos. Ele quis ser educado e gentil, depois de tê-la magoado pedindo-a que não se casasse.

Era segunda-feira e ele tinha algumas reuniões agendadas para o fim da manhã e outras duas à tarde. Em seu coração, queria ter dezenas delas de agora, até o dia do casamento, para poder dar a desculpa de não participar de nenhuma destas festas. Mas Clark e Alfred iriam dissuadi-lo e Diana ficaria decepcionada com sua ausência.

Ele estava exausto, mas decidiu que era hora de levantar. Ele não dormia desde que soubera que ela iria se casar. Irritado, ele se arrastou para o banheiro e saiu dez minutos depois com o corpo refrescado por um banho frio, embora a mente estivesse tão inquieta.

(...)

Caminhando em direção à cozinha, ele viu três elegantes malas postas diante da porta no lobby principal. Quando chegou a sala de jantar, ele não esperava ver os olhos verdes de Selina encarando-o, ainda sentada à mesa, tomando café com Helena – filha do casal. Ele arqueou a sobrancelha grossa, mas decidiu não perguntar o motivo daquele olhar ou das malas. Apenas deu um beijo de bom dia na filha e sentou-se à mesa. Em breve Selina diria o que precisava dizer... ela sempre dizia tudo que podia para feri-lo.

Ele casualmente se aproximou dela para plantar um beijo obrigatório rápido. O clássico Chanel Nº 5 que ela usava não fez nada para evocar qualquer paixão que ele já sentira. Ela recebeu o beijo sem entusiasmo e não fez nenhuma tentativa de devolvê-lo.

— Estou indo embora, Bruce – Ela deu sua sentença.

— Eu devo perguntar pra onde, Selina? – Ele não parecia preocupado.

— Por favor, Bruce – Ela suspirou, enfiando uma mecha de seu cabelo triguenho atrás da orelha – Não precisa fingir preocupação. Sabemos que acabou há um bom tempo.

— Isso quer dizer que você não vai voltar? – Ele franziu os lábios enquanto a observava atentamente.

Ela olhou em seus olhos e descobriu que, apesar de sua bondade, a questão era mais uma pergunta obrigatória. Outra coisa obrigatória entre eles. Ela mordeu o lábio.

— Eu não sei, querido. Vou dizer-lhe se eu decidir voltar. Mas já conversei com Helena. Ela fica com você até eu me estabelecer novamente. – Selina proferiu.

Ele balançou a cabeça e abriu a boca para dizer alguma coisa educada, mas nada saiu.

— Dê meus cumprimentos a Diana – Selina falou, hesitando em pronunciar este nome – Eu acho que você vai correndo pra vê-la depois da boa notícia, não é, querido?

— Bom... eu vou vê-la no coquetel, esta noite, Selina – Ele respondeu, sem entender do que se tratava.

— Eu não acho que deva haver um, querido – Ela colocou um elegante óculos de sol, pegou a bolsa, deu um beijo em Helena e saiu. – Alfred deve dar-lhe a notícia. Eu preciso ir. O táxi está me esperando.

Bruce estava confuso. Ele olhou para Helena que deu-lhe um sorriso engraçado.

— O que há com sua mãe? – Ele perguntou.

— Ela disse que o senhor vai casar com a tia Di. – Ela respondeu, entre uma garfada e outra nas panquecas, com inocência.

Ele decidiu ignorar o assunto, achando que Selina havia convencido Helena a fazer alguma brincadeira de mau gosto com ele. Até Alfred entrar na sala de jantar ostentando o que seria um sorriso nos lábios.

— Bom dia, mestre Bruce. – o mordomo o cumprimentou.

— Olá, Alfred – Um bocejo cansado o fez afundar na cadeira.

— Problemas para dormir novamente, senhor? – o mordomo colocou um prato de frutas frescas na frente de Bruce. – O senhor parece triste, mestre Bruce. Talvez eu tenha notícias que possam alegrá-lo.

— Sim... eu não tenho dormido bem – Bruce grunhiu e tomou um gole de seu café. – Eu não acho que nada possa me alegrar hoje, Alfred.

— Vejo que senhorita Selina deixou a casa, senhor?! – O comentário de Alfred foi também obrigatório. Apesar das atitudes educadas em relação à Selina, Alfred nunca escondeu sua opinião: ele desaprovava a relação entre Bruce e ela.

— Sim, Alfred. Vamos ver quanto isso vai durar?! Afinal de contas, nos últimos anos, ela fez isso inúmeras vezes. – Ele suspirou – Agora me dê logo esta notícia porque eu tenho algumas reuniões e só de pensar nesse maldito coquetel, a minha cabeça dói. (...) Esse casamento é um erro... Ela não deveria se casar.

— Bem, mestre Bruce. Eu não acho que o senhor deva se preocupar com isso porque o casamento foi cancelado. – Alfred notou quando o sorriso de Bruce se acentuou.

— Como... como você sabe disso, Alfred? – Ele duvidou.

— Mestre Kent ligou, senhor ­– Alfred respondeu.

Bruce Wayne engasgou e Helena riu. Ele derramou seu café, mas não prestou atenção em tudo. Agora ele percebeu a extensão do que sua namorada estava falando. Diana estava livre... livre pra ele! E ele – com a saída de Selina, também estava. Ele não conseguiu esconder o sorriso bobo do rosto. Ele teria uma nova chance e não ia desperdiçá-la.

— Alfred, eu... é... – Ele estava sem palavras.

— Notícias perturbadoras, Mestre Bruce, ou devo dizer, encorajadoras? – Alfred continuou. – O senhor quer que eu faça uma chamada para Miss Diana para que o senhor possa oferecer-lhe suas condolências?

— Alfred... as reuniões... eu preciso... – Havia um nervosismo inconfundível em sua voz.

— Considere-as canceladas, Mestre Bruce. Enquanto isso, devo orientá-lo a vestir-se adequadamente e seguir para a reunião que Miss Diana organizou hoje, no início da tarde, para apresentar seu projeto e garantir investidores para construção da Embaixada de Themyscira. – Alfred Pennyworth olhou nos olhos de Bruce Wayne.

Bruce Wayne havia perdido a capacidade de falar, mas não de sorrir. Quando o telefone tocou, o mordomo Inglês informou que Clark queria falar com Bruce, mas ele se deteve a responder que não teria tempo de falar.

— Muito bem, senhor. – Alfred não conseguiu segurar o sorriso enquanto falava com o senhor Kent ao telefone, enquanto Helena também sorria tomando seu café. Pelo canto do olho, ele viu Bruce literalmente correndo as escadas para se vestir.

(...)

Diana estava olhando para o seu reflexo em um espelho no corredor da Wayne Tower. Bruce havia cedido uma das salas de reuniões para que ela pudesse fazer sua palestra. Ela usava um tailleur azul marinho, muito bem cortado, que lhe acentuava as curvas. Os cabelos presos em um coque tradicional lhe conferiam um ar sereno e sério, além de um lindo par de brincos de esmeraldas – presente de Bruce, que foram de sua mãe. Ela passou a mão no terno como se tirasse uma poeira imaginária dele, antes de abrir as imensas portas de madeira para adentrar na sala.

Sentados em uma grande mesa retangular estavam os CEOs de várias corporações. Tendo lidado com feras como Darkseid e Mongol, Diana estava confiante de que poderia domar os homens à sua frente. Ela caminhou com confiança até a cabeceira da mesa, mas seu passo vacilou quando seus olhos encontraram os de Bruce.

Alguns poucos senhores notaram a hesitação breve da princesa e olharam pra Bruce, que estava piscando pra ela enquanto exibia seu melhor sorriso sedutor de playboy de Gotham.

O que ele estava fazendo aqui?”, ela pensou. O nome dele não estava na lista de possíveis investidores, mas ela devia ter imaginado que ele viria. Ela o conhecia bem e afinal de contas, ela estava em ‘sua cidade’.

Ignorando-o, Diana tomou seu lugar e deu início à reunião. Quando terminou sua apresentação, ela suspirou, aliviada. Se fosse honesta consigo mesma, ela diria que foi muito bem ao fim de tudo. Sorrindo em direção aos seus interlocutores, ela perguntou:

— Bem senhores, diante do que ouviram, algum dos senhores está interessado? – Ela foi direta.

Os homens começaram a falar entre si, ponderando se valeria ou não uma ação de investimento na construção de uma embaixada. Não demorou muito para que a voz de Bruce se sobressaísse em meio ao burburinho.

— A Wayne Enterprises ficaria feliz em financiar completamente os custos para construção da embaixada, princesa – Bruce deixou todos de queixo caído.

— Você não acha que é um pouco excessivo, Bruce? – O homem sentado à sua direita frisou.

— É um excelente investimento. – Bruce rebateu.

— Que tipo de lucro que você espera para fazer com uma embaixada estrangeira, meu caro? – O velho desdenhou.

— Eu nunca disse que era monetário. – Bruce sorriu e viu Diana derreter-se.

— Obrigada, Sr. Wayne – ela encontrou sua voz depois do espanto e do sorriso radiante em seus lábios – Obrigada por sua doação.

— Eu não disse que era uma doação. – Bruce reiterou.

— Oh!? – Diana podia sentir todos os olhos dos homens sobre ela. – Eu não tenho nada para lhe oferecer, senhor Wayne, exceto a minha gratidão e os descontos nos impostos.

— Eu tenho certeza que podemos chegar a um acordo, princesa – Ele tinha os olhos maliciosos sobre ela – Que tal um encontro?

— Eu não tenho certeza se é uma boa ideia – Diana estava com o rosto em chamas de tanta vergonha.

— Vamos lá, princesa... pense na paz mundial, nas criancinhas órfãs... você pode fazer o sacrifício por mim, não pode? – Ele estava se levantando, indo em direção a ela.

— Se serve de consolo, Mulher Maravilha, ele é assim com todas as mulheres. Basta ignorá-lo. – um dos homens veio em seu auxílio.

— Obrigada senhor. Bem, já que tenho o meu financiador, acho que esta reunião está encerrada. – Diana apertou as mãos dos homens que começaram a se despedir.

Ela ouviu, com a audição melhorada, trechos de conversas e risos, a maior parte focada em Bruce Wayne e seu apetite insaciável por mulheres. E se encolheu. Bruce andou até ela e serpenteou seu braço em volta sua da cintura.

— Então, Mulher Maravilha, a que horas eu devo buscá-la?

Seu estômago caiu ao encarar o sorriso de lobo que ele estava dando a ela: faminto, sagaz, um animal feroz que não soltaria sua presa. Ela tirou a mão, tentando não corar sob o escrutínio de tantos olhares curiosos. Quase sem fôlego, ela sussurrou: "O que você está fazendo, Bruce?".

— Tornando público que Bruce Wayne é apaixonado pela Mulher Maravilha e vai fazer de tudo para conquistá-la.

Ela tentou parecer indignada com sua presunção, mas falhou miseravelmente.

— Isso é realmente necessário? – Ela questionou.

Ele se inclinou para a frente. Sua voz era baixa, fazendo cócegas nos ouvidos de Diana: "Se você vai ser a namorada de Bruce Wayne, sim."

Ela reconheceu que aquilo era promissor. Não haveria mais pretensão de outras mulheres, nem Selina. Não haveria mais motivo para ciúme da parte dela. Ela ignorou a maneira como o seu coração parecia se expandir dois tamanhos.

Como os homens continuaram a sair da sala, Bruce e ela eram as duas únicas pessoas. Ela podia senti-lo em pé atrás dela.

— Parabéns, Diana. Eu estou orgulhos de você. Você foi magnífica.

Ela sentiu quando ele segurou a mão dela, entrelaçando seus dedos. Ele se inclinou para frente, pressionando os lábios suavemente em sua têmpora, e ela fechou os olhos, inalando o cheiro familiar de sua loção pós-barba.

Por Hera, ela queria ceder. Ela estava cansada de afastá-lo quando tudo o que ela queria que ele fizesse era segurá-la. Exausta de ter que fingir a força que ela não tinha, sabendo o tempo todo que ele estava oferecendo a sua própria. E agora que ele estava fazendo tudo em seu poder para estar com ela, ela temia que se ela o empurrasse muito longe, ele iria desaparecer. Seus olhos começaram a arder com o pensamento de perdê-lo novamente, mas ela afastou as lágrimas.

Ele a levou até a porta, mas ela o deteve antes de entrar no corredor.

— Se fizermos isso, Bruce, vai ter que ser diferente. Não podemos simplesmente começar de onde paramos. Temos que recomeçar do zero.

— Eu faço qualquer coisa que você quiser, princesa.