Notas iniciais
Trilha sonora recomendável: Midnight Down; Wake Up, Frenzy!

Chegado na TARDIS, estranhei o Doutor, que parecia já ter cuidado da tarefa de analisar a energia N.O. Eu vi algumas cápsulas perto do núcleo central da nave.

— O que são isso? – Perguntei.

— Isso? – O Doutor reconfirmou em relação às cápsulas, que realmente era o meu interesse. – Isso parecem ser recursos de energia..., mas eu nunca vi esse tipo na Terra.... Eu não sei como ela foi criada ou para que propósito, mas é energia N.O. e pode ser muito perigosa, sendo que devemos ter cuidado para que não caia em mãos erradas, nem que seja capturada por piratas espaciais ou mesmo que criem vida própria! – Ele continuou – Precisamos coletar esse tipo o mais rápido possível, Naota!

— Mas como faremos isso, Doutor?

— Você já foi contaminado por esse tipo de energia, certo? Consegue reconhecer a origem quando está perto?

— Sim, consigo. Na verdade, eu já cheguei a controlá-la quando eu consumi Atomsk...

— Pelos cálculos que me foram mostrados, os únicos lugares onde essa energia se encontra em nível crítico, são aqui no Japão e na Grã-Bretanha.

— Grã-Bretanha? – Exclamei. – Por que sempre a Grã-Bretanha?

— Grã-Bretanha... – Ele raciocinava – Sim! Grã-Bretanha... Grã-Bretanha-Bretanha-Bretanha!

— Sinto que alguma coisa muito britânica aconteceu na Grã-Bretanha... – Comentei.

— Nós vamos para a Grã-Bretanha!

— QUÊ?! – Exclamei surpreso. – Vamos para a Grã-Bretanha?!

— Não! Não vamos para a Grã-Bretanha! Vamos para a Grã-Bretanha-Bretanha-Bretanha!

— Eu não posso ir para a Grã-Bretanha-Bretanha-Bretanha, Doutor...

— É claro que pode! Ou por acaso você tem alguma coisa para fazer nessa cidade desinteressante onde apenas o usual acontece?

—....

Eu tenho que jantar... — Dito isso, eu pensei que nossa conversa terminava por lá, mas eis que ele me acompanhou no jantar, e, mais uma vez usando o efeito cinematográfico de rápida transição de ambiente, eu já estava lá com ele e o maníaco progenitor que estava obcecado pela nova personalidade que estava em sua mesa de jantar. O Doutor estranhava um pouco a formação da nossa família. Tínhamos o nosso avô, que parecia que a cada segundo ia literalmente morrer de calor, e um robô. Canti despertou certa atenção no senhor do tempo:

— Por que o robô precisa comer?

— Acredita, ele insiste.

— Ele não tem nem boca... ou sistema digestório... O que acontece com essa comida?

— Só eu sei, e ninguém mais. — Respondi. — Acredite, é melhor assim...

Olhando com muita atenção para ele, Kamon (que eu não vou chamar de “pai” porque eu não tenho reconhecimento por este tipo de figura) começa sua casual introdução:

— Todo mundo já fez cosplay assim, tonto. — Ele estava se referindo ao Doutor. — E esse instrumento deve ter vindo junto com esse casaco ridículo.

— Eu já disse: essa chave de fenda é uma das relíquias mais preciosas que eu tenho.

— Não, não é.., eu consegui uma dessas ontem no mercado livre!

— Olha, eu passei por uma longa viagem, fiquei preso por bilhões de anos preso em uma prisão transcedental e eu não estou afim de entrar em uma conversa des...

— ISSO É UM COSPLAY, SEU EXTRA-IDIOTA!

— É UNIDADE UNIFORMINAL PRÓPRIA, SEU QUADRINISTA FRACASSADO! Foi a melhor coisa que a TARDIS conseguiu arranjar nesses últimos tempos!

— DOUTOR: PROCURE NO E-BAY POR 1950 IENES!

Senhoras e senhores, Kamon. Se esse for o tipo de gente que talvez te faça sentir um desconforto, como um pensamento pervertido em um ambiente público, é a norma. Nem eu, nem o Doutor, e talvez nem o próprio Kamon aguentava aquela discussão sem ponto final, ilimitada, só pode ser concluída em aberto. E é que o Doutor faz uma dedução que o deixa abismadamente incrédulo, e com um racional impulso de averiguar a situação:

— Espera! Você cita suposições inesperadas sobre o atual sistema de composição universal assim como referência a futuras eras como corriqueiras no pretérito... juntando todas as peças, eu posso concluir de uma vez por todas: VOCÊ FOI VÍTIMA DE UM COLAPSO DIMENSIONAL!!!

—... Como tu tens conhecimento disso?! — Dizia Kamon, suando ainda que frio.

— Como!? (Como esse cara sabe tanto sobre o assunto?)

— Efeito Moffatt, eu suponho?

— Eu já vi isso antes, mas eu me arrependenria se lembrasse... (Droga, ele parece saber mais que eu... Mas como ele teve acesso a tudo isso?)

— Ah, relaxa, você não é a primeira visita alienígena que temos! Apenas sente-se aí e dê ouvido a alguns "travesseiros".

— Eu admito que essa sua condição possa ter um pouco a ver comigo.... Mas um erro desses é incorrigível! Uma vez feito, game over... nem três filmes para voltar a Nova York!

— Chamou-me de Sakavala?!!

— sr. Nandaba, parece que o senhor está preso aqui.

— Nem em nome das suas companhias!

— Acorde de si! Pare de agir feito um maluco!

— Hum, deixe-me averiguar... Oh, nomes tão lindos! Rose, Martha, Donna, Amy, Rory, River, e.... — Ele ia falar o nome daquela outra. Mas isso não era conveniente para a ética universal de maneira alguma.

— Sr. Nandaba, nem ouse!

Mas já era tarde demais. Para a nossa surpresa, Kamon aponta o dedo para mim e grita com toda a sua intensidade:

— NAOTA NANDABA!

— ACORDE, FRENESI!

O silêncio tomou conta da sala por um tempo. Ainda descrente, eu e o Doutor compartilhávamos um misterioso sentimento de exaustão causada por essa maldita confusão. Com pouco fôlego, Kamon continuava a implicar.

— Eu nunca perdi uma discussão para nenhum homem vivo... nem um maldito alienígena!

— Na verdade, você perdeu sim. Nos dois casos. — Falou eu e meu avô.

— Então eu terei que admitir essa derrota... Doutor, te entrego minha bandeira branca... — Ele entregou a bandeira branca que jurou que só usaria no nosso duelo pela Haruko. Quanta surpresa ver que ele ainda guardava esse mofado lençol... — O que posso fazer em troca?

— Já cogitou ser uma pessoa normal?

—... Isso é muito ariscado... porque senão, isso iria perder a graça do anime!

— Lá vem ele de novo com essa história fictícia. — Meu avô reclamava. — Ele insiste em pensar que vivemos em um universo 2D!

— Você não entende nada de arte, seu velho gagá! É bom que uma verdadeira ficção mostre a fidelidade que um apreciador realmente tem pela sua obra, e por isso ele precisa adicionar todos os pontos e características possíveis relacionadas à/s obra/s original/is. Ou vocês acham que eu deveria ser como?! Um paizão de exemplo que só quer evitar um futuro vago para sua procriação de talento musical e que já tenha doutorado em literatura com a insígnia estampada como "Michaelis"?

— Se ao menos metade do que você disse fosse real, eu agradeceria... — Comentei.

— Deixa, Naota, — o Doutor comentou também — Eu já entendi o que é o caso. Seu pai, na verdade, não é daqui, isso já são minhas conclusões... mas ainda tenho dúvidas de qual seja sua origem... ou futuro, ou universo alternat...

— Bem, hoje foi ótimo! Nós aproveitamos muito com muita conversa saudável e construtiva — Ó! Só se for — Doutor, você pode dormir na cama do Naota! A partir de cima ainda está vazia! — De fato, foi assim que o nosso jantar terminou. Com uma terrivelmente disfarçada maneira de evitar conversa, e a cama do meu irmão sendo mais uma vez invadida por uma personalidade vinda do espaço.

— Eu só vim para avisar que nós vamos para a Inglaterra amanhã — Falei. — Posso ir?

— Naota, você não tinha que tirar a ferrugem do Canti amanhã?

— Pois é. O Canti vêm com a gente também. — Canti ficou meio confuso com o argumento.

— O TV-Boy fica comigo!

— Ora, poupe-nos, Kamon!

— Tô falando sério! Eu sou muito preguiçoso e preciso dele para...

— VAI DORMIR, FRENESI!

— Tá bom, tá bom! Mas amanhã de manhã, antes de ir embora, não se esqueça de levar a encomenda que está em cima da mesa para o destinatário, é algo de extrema importância!

— Sim, claro que é... — Quando o termo "importância" sai da boca do meu pai, eu sempre tenho minhas dúvidas. O que seria tão importante para ele? Talvez um pão velho com nozes ou uma revista mofada. Sinceramente, prefiro nem saber...