Notas iniciais
Tema da imagem aqui é “petplay”. Boa leitura!

Ali estava ele, deitado, sobre a larga cama de colchão macio e travesseiros cheios. Podia sentir em sua pele nua o edredom embaixo o tocar suavemente com o veludo na tentativa de trazer segurança e conforto procurando afastar dele as lembranças daquela noite.

O quarto enorme, os móveis luxuosos e uma noite de céu limpo completavam o retrato daquele local. Esse poderia ser o paraíso para quem o olhasse de fora, mas, para ele, não passava do abatedouro de seus sonhos e esperanças.

A cabeça apoiada no travesseiro vermelho não conseguia fechar os olhos por conta da dor que se alastrava pelo corpo todo. Ele não deveria sentir, não lhe foi ordenado fazer tal coisa e mesmo assim não conseguia evitar cravar as unhas nos panos toda vez que respirava rápido demais. E esse era só um pequeno resultado da noite que estava começando.

O jovem sabia que isso aconteceria no momento em que, quando voltou de suas tarefas, foi chamado para aquele quarto maldito encontrando os trajes lhe aguardando sobre a cama.

Eram acessórios que conhecia bem e mesmo assim não conseguia evitar a contorção de seu estomago toda vez que estava de frente para eles. Ele sabia o que aconteceria e mesmo assim não fugiu. Não podia fugir. Não lhe foi ordenado.

Naquele momento foi deixado sozinho no escuro do quarto sufocante onde se vestiu, ou melhor, se despiu. Fitas de couro ao redor do tórax que serviam como a imagem de um sutiã, porém sem qualquer tecido para confortá-lo, luvas que se encaixavam perfeitamente acentuando seus longos dedos finos e a lingerie que escondia seu sexo, mas o vulgarizava no mínimo movimento.

A máscara foi a última a ser colocada. Como ele odiava aquelas malditas fitas que o prendiam como um animal forçando sua boca a ficar aberta o tempo todo. Era doloroso e não só fisicamente.

Tudo o que fazia ali era contra sua vontade. As ordens, as roupas, as mortes, a humilhação, tudo! E mesmo assim, mesmo sendo colocado no limite todos os dias, não podia fazer nada além de obedecer. Ele também se odiava por isso, mas não era como se pudesse controlar as próprias ações.

O jovem não demorou para se vestir assim como a razão daquela noite estar acontecendo não demorou para aparecer no quarto junto da coleira, das correntes e de tudo o que marcaria seu corpo e alma. O dono da casa, do quarto, dele e daquela noite.

Ele não se virou quando sentiu a presença do homem, apenas aguardou de frente para a cama ouvindo o som da porta ser trancada, vendo a luz do abajur se acender expondo seu corpo aos olhos famintos do demônio e sentindo os passos trazendo o início do desespero.

Todo esse sofrimento para agora estar caído sobre a cama sozinho ainda sentindo os estalos do chicote em cada corte sobre sua pele, aguentando com cada canto do seu corpo que gritava raivoso se lembrando dos lábios molhados o manchando com saliva, dos dentes sem piedade marcando o interior de suas coxas e das mãos violentas que apertavam seus braços o forçando em posições humilhantes.

Ele não tinha forças para querer sair dali e depois de tanto tempo tentando se recuperar uma poça de saliva havia se formado sobre o travesseiro por conta da máscara ainda em sua boca. Estava cansado sem conseguir ver qualquer esperança para fim daquela noite, para o fim daquela vida.

Um estalar de madeira cortou o silêncio seguido de uma luz forte. O jovem não quis se mover para ter certeza do que já sabia. O homem havia voltado mais uma vez.

Seu corpo instintivamente se agitou aumentando o ritmo de sua respiração mesmo que seu rosto mostrasse a mesma expressão vazia do boneco perfeito.

Ele permaneceu ali ouvindo os passos lentos e quase agonizantes se aproximarem da cama parando há poucos centímetros da beirada. Não ouviu a voz e menos ainda uma ordem, também não precisou para saber que se ficasse ali poderia piorar ainda mais aquela noite.

Na cama ele sentiu a corrente presa a seu pescoço ser puxada suavemente como um sinal quase imperceptível para se mover. Com cuidado, e sem demora, se apoiou no cotovelo dando apoio para seu tronco dolorido se erguer conseguindo se sentar sobre os joelhos para ver o outro.

As luzes do quarto estavam apagadas, porém a porta estava aberta deixando a iluminação que vinha do corredor entrar expondo perfeitamente as marcas da idade e dos olhos fundos satisfeitos que o encarava.

— Venha.

A voz sombria ecoou. Qualquer um tremeria ao ouvi-la, mas ele não. Não podia. Mesmo que seu corpo parasse de responder, mesmo que seu coração se quebrasse de uma vez, ele ainda teria de obedecer. E, por isso, como um animal se colocou a engatinhar vagarosamente até a beira do móvel onde pôde sentir o calor do outro de perto.

— Está cansado, Nul? – Questionou levando a mão para acariciar o hematoma na bochecha. O jovem acenou negativamente fazendo sua saliva pingar com o movimento. — Bom menino.

Seu olhos tão tristes quanto sem vida observaram o homem cuidadosamente colocar os dedos no feixe frontal da máscara retirando o círculo que forçava seus lábios a ficarem abertos. Assim que foi solto um jarro de saliva caiu por seu queixo escorrendo até a cama e manchando o edredom bagunçado.

O mais velho assistiu os finos fios pegajosos gotejarem sabendo que a dor na mandíbula deveria ser horrível nesse momento.

— Agora tenho uma tarefa que só essa boca pode fazer. – Seus dedos invadiram a entrada forçando a língua para baixo o fazendo gemer contra a vontade com a dor exagerada.

Era óbvio que toda a tortura iria começar novamente e sabia também que não teria saída. Foi então que seus olhos instintivamente correram até a porta que ainda estava aberta. Se ele atacasse aquele monstro inesperadamente poderia ter tempo suficiente para correr dali e, quem sabe, até conseguir fugir. O jovem sabia que teria chance se fosse rápido, contudo não fez. Não foi ordenado.

O olhar insistente na passagem chamou a atenção do homem que sorriu.

— Não se preocupe. – Rindo se inclinou aproximando ainda mais seus corpos. — Eu quero que todos vejam. – Enquanto sua voz ecoava e trazia a atenção de volta para o quarto sua mão desceu pelo peitoral do rapaz até encontrar o íntimo entre as pernas o apertando sem cuidado. O corpo do jovem arqueou no susto forçando um suspiro pesado a sair. — Porque você é o melhor domesticado, não é?

♛ Imagem baseada: Sith por TsukiAkii.

Notas finais
Não quero nem imaginar os tipos de inferno que a TsukiAkii fez o Sith enfrentar durante a vida. Na estória original ele é uma pessoa que foi criada para ser como uma arma então não age ou pensa por conta própria o que acaba dando total controle ao seu dono. Um bom menino que sofre pelos pecados dos outros.