Control War
1 000: Prólogo
Notas iniciais
Nesse mundo, existem seres chamados Sombras. Eles são criaturas negras, e tem uma aparência parecida com a de um homem muito alto com um sobretudo e chapéu, todo de negro. Não dá para ver seu rosto. Ele é completamente negro, e sua figura é ligeiramente borrada. Eles existem por toda a parte, habitando as profundezas do desespero das pessoas. Essas criaturas não falam e vivem 3 vezes mais que os humanos. Eles convivem com os humanos, e são astutos, traiçoeiros e o pior: matam os humanos para devorar suas almas.
No início dos tempos, os humanos fizeram um trato com as Sombras que diz o seguinte: eles só podem devorar as almas que conseguirem por meio de contratos. O contrato funciona de modo que o contratante, humano, procura uma Sombra e propõe trocar a própria alma por um vínculo; assim, o humano terá os poderes da Sombra contratada e em troca, no fim de sua vida, em vez de ir para o céu ou para o inferno, a alma dessa pessoa será devorada pela Sombra, e seu espírito vagará eternamente e sem descanso pelo mundo dos vivos. Os poderes das Sombras variam de criatura para criatura, e são muito diferentes uns dos outros.
As Sombras não podem ser mortas por causas não-naturais (como por exemplo, alguém tentar matá-los), podem apenas ser banidos para o outro lado da Fronteira, tênue linha que divide o mundo humano e o mundo sobrenatural. As únicas pessoas que possuem o poder de banir as Sombras são os Exorcistas, pessoas descendentes de Noé que se disseminaram pelo mundo.
Em cada era, existem quatro Guardiões no mundo. A cada vez que um Guardião morre, outra criança com seus dons nasce. Guardiões são as únicas pessoas capazes de se comunicar com as Sombras sem formar contratos, e sempre essas pessoas nascem com algum dom sobrenatural, como enxergar espíritos, por exemplo (não é preciso ser um aguardião para ter esse tipo de dom, mas é raríssimo um humano normal nascer os possuindo). Ninguém sabe exatamente quando as Sombras e os Guardiões surgiram, mas a época considerada ser antes do surgimento deles é chamada de Milênio Sagrado.
制御戦争:「プロローグ。」
Dois dias após o Incidente.
Atenas, Grécia.
Em seu quarto, uma menina pequena com cabelos tão compridos que se espalhavam no chão à sua volta, estava sentada, imóvel, em seu quarto. Seus cabelos eram um tom ruivo alaranjado, brilhante, macio e liso, quase que pedindo para ser cortado. Estava cercada de tesouras e brinquedos, em sua maioria cubos mágicos. Os olhos claros, nublados, estavam sem vida.
A luz estava apagada e uma chuva forte caía do lado de fora da antiga mansão grega. De repente, um estrondo de trovão. A menina estremeceu. Pôs as mãos na cabeça,tampando os ouvidos, enquanto mais raios e trovões formavam uma pancadaria do lado de fora. Algumas gotas silenciosas pingaram no comprido e escuro vestido da menina, cheio de rendas, mas não eram gotas de chuva, e sim lágrimas. A noite toda seguiu-se do mesmo jeito, enchendo a menina de terror.
Cinco dias após o Incidente.
Atenas, Grécia.
O cenário não mudou. A mesma menina, o mesmo quarto, os mesmos brinquedos e as mesmas tesouras. O diferencial era que naquele dia não estava chovendo, era um dia frio, nublado e opaco, como na maioria dos dias em que não chovia naquele outono triste. Dessa vez, a garota não estava imóvel. Estava resolvendo um dos cubos mágicos,com uma rapidez tão insana que parecia até que o cubo estava se movendo sozinho, controlando os pequenos dedos da menina, ao invés do contrário. Em menos de um minuto, o cubo estava perfeitamente resolvido.
Entediada. Todos os cubos mágicos ao seu redor já estavam resolvidos. A menina, então, apanhou delicadamente uma das tesouras à sua volta. Pegou uma mecha reltivamente grande de seu cabelo; cortou até a altura do queixo, repicando-a, e sentou-se com pernas de índio. Os cabelos laranja-claros cortados caíam sobre suas meias brancas. Ela finalmente achou o que fazer.
Cortou e repicou o resto do cabelo todo na altura do queixo, fazendo cortes em suas bochechas e pescoço pela falta de cuidado e experiência ao lidar com as pontas da tesoura. Ao final disto, a menina ostentava cabelos na altura entre o queixo e a bochecha, repicados, retos e horrivelmente cortados, e vários machucados no rosto e pescoço, em especial um corte na bochecha, que sangrava. Montes de cabelo ruivo no chão.
Um pequeno sorriso insano surgiu em seu rosto, e foi alargando-se. O único sorriso que ela daria em seus próximos anos. Levantou-se, sem expressão novamente, e abriu a porta de seu quarto escuro, revelando um corredor iluminado com um lustre, que emitia uma bonita luz dourada. Ao lado, outra porta branca como a dela. Irmão Theo. Ela seguiu até a porta, batendo três vezes seguidas. Longos segundos depois, a porta se abriu.
A expressão do menino de cabelos vermelhos passou de surpresa para assombro em instantes.
“O que… você…” as palavras sem nexo saíam de sua boca; o rosto, repleto de espanto, buscava respostas ao olhar para a irmã cheia de cortes e os cabelos desfalcados.
A menina não disse nada. Apenas balançou a cabeça para muitos lados, observando o movimento de seu cabelo curtíssimo. Logo depois disso, ela apagou.
Cinco anos após o Incidente.
Atenas, Grécia.
A menina, agora com os cabelos tão compridos quanto antes dos cortes, jogava xadrez com um menino que parecia ter a mesma faixa etária que ela, com cabelos cor de fogo. A menina, sem emoções, bateu três vezes com os dedos no tabuleiro. Esse era o sinal de que ela tinha feito um xeque-mate. Ela já havia o feito quatro vezes naquela tarde chuvosa. Ela já não tinha mais medo de trovões. Estavam no quarto da menina.
“Poxa, me deixa ganhar um pouco.”, bufou o garoto.
A menina apanhou um pequeno bloco de notas que havia ao seu lado, junto com uma caneta tinteiro.
“Você abre muitas brechas” escreveu ela. “Não tem como não avançar”
Ele soltou um suspiro. A cicatriz de corte na bochecha direita da menina era a única coisa que desfigurava sua perfeita imagem de boneca de porcelana. Era assim mesmo que a própria se via. Como uma boneca, um recipiente sem vontades.
Logo depois do Incidente, Celestia Procopides nunca mais falou uma palavra. Aprendera a se comunicar vagamente por linguagem de sinais, e andava com seu bloquinho. Já se considerava uma muda. Secretamente, ela ainda podia falar, mas não o fazia. Seus familiares achavam que era um sintoma do grande trauma sofrido por ela. Na verdade, a menina virara uma discípula do silêncio. Aqueles que não sabem apreciá-los são tolos.
“Heh”, comentou o menino ruivo, informalmente, enquanto preparava o tabuleiro para mais uma partida. “Seu cabelo cresce rápido, hein, Celes”
Ela assentiu com um aceno de cabeça, olhando para as peças, distraída.
Pela total falta de expressão de sua irmã, Theodosios Procopides às vezes realmente achava que ela não se parecia mais com um ser humano. Perdera sua humanidade. Talvez, não, com certeza foi por causa daquilo que aconteceu. Mas, já haviam se passado cinco anos, tempo suficiente para seguir com a própria vida e não viver em uma depressão permanente por causa de apenas uma morte. Não; ele não estava sendo insensível, afinal, era de sua própria mãe que estava falando. As três batidas no tabuleiro após apenas cinco minutos de jogo o acordaram de seus devaneios.
Control War: Prólogo;
Fim.
Fale com o autor